Agricultura Familiar e Agroecologia versus Agrotóxicos e Monoculturas na XXII Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais.

Agricultura Familiar e Agroecologia versus Agrotóxicos e Monoculturas na XXII Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais.

Frei Gilvander e Gilsilene, da CPT/MG, em missa nas Missões da XXII Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais, no Santuário de Nossa Senhora da Abadia da Água Suja, na cidade de Romaria, MG, dia 07/11/2019. Foto: CPT/MG

De 02 a 9 de novembro de 2019, durante uma Semana de Missão da XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais, tendo como subsídio uma Cartilha com três Encontros (Roteiros Bíblicos) e uma Celebração, estamos refletindo sobre Agricultura Familiar e Agroecologia versus Agrotóxicos e Monoculturas. A celebração final da XXII Romaria acontecerá na cidade de Romaria, no dia 10 de novembro desse ano de 2019, um domingo, das 8h30 às 16 horas. Eis, abaixo, um pouco do que consta no 3º Encontro da Cartilha das Missões.

O sistema implantado no Brasil desde o século XVI é realizado por meio da substituição da cobertura vegetal original por uma única cultura, ou seja, monocultura. Uma prática perigosa e que traz muitos impactos socioambientais negativos para o solo, para o meio ambiente e para o povo. Ao derrubar a vegetação, e, em alguns casos, queimar uma grande área, há a interrupção do processo natural de reciclagem dos nutrientes, tornando o solo pobre e diminuindo a produtividade. Entre outros fatores negativos das monoculturas, podemos citar a compactação do solo, desmatamento, consumo excessivo de água e energia em projetos irrigados e processo de assoreamento de rios e nascentes. O sistema ainda compromete a biodiversidade, aumentando a população de insetos e diminuindo a quantidade de animais silvestres.

Do encontro dos raios solares com o verde das folhas das árvores, pelo processo de fotossíntese, brota o irmão oxigênio, vital para nossa sobrevivência. As árvores consomem gás carbônico e produzem oxigênio. Toda árvore é uma usina de produção de oxigênio e de absorção de gás carbônico. Portanto, quanto menos árvores menos oxigênio e mais gás carbônico na atmosfera. Os desmatamentos diminuem a produção de oxigênio e aumentam a concentração de gás carbônico no ar, poluição que mata. Meus irmãos e minhas irmãs, a situação é de deixar todos preocupados. Diante desse quadro preocupante, o Evangelho da Vida de Jesus Cristo exige que façamos florescer, no Bioma do Cerrado, em nossa região, as práticas da Agricultura Familiar e da Agroecologia.

O Deus da Vida, Javé, que libertou o povo oprimido pelo imperialismo dos faraós, no Egito, prometeu uma “terra que corre Leite e Mel”, terra que produz uma imensa diversidade de frutos, de forma sustentável. “Leite e Mel” representam todos os alimentos necessários para a sobrevivência humana. Há 50 anos, nos cerrados do Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, se colhia de tudo: mel, frutos deliciosos em grandes quantidades, muitos e diversos animais silvestres eram vistos por toda parte, nascentes por todo lado, água em abundância. Era um paraíso nossa região! Realmente precisamos pensar nessa situação, pois não queremos comer só soja, ou só arroz, milho, cana ou apenas um outro tipo de alimento. Queremos a diversidade, pois ela reduz o impacto ambiental e faz com que a terra seja sempre dom de Deus que produz tudo o que precisamos.

País celeiro do mundo, o Brasil atualmente ocupa a primeira posição no valor gasto com a aquisição de substâncias agrotóxicas em todo o mundo. Nosso país tornou-se a nação que mais consome agrotóxicos no mundo. Paralelamente ao aumento no consumo, está comprovado pelo Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da ANVISA: a) a presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos acima dos limites máximos “recomendados”, não por quem come, mas pelo deus mercado que só pensa em lucrar, lucrar; b) a presença em muitos alimentos de venenos não permitidos. 

Afora isso, nas fiscalizações junto às empresas produtoras de agrotóxicos observam-se, recorrentemente, muitas irregularidades. Assim, estão sendo contaminados o solo, as águas, o ar, as pessoas e todos os animais. Doenças se multiplicam em progressão geométrica. O envenenamento da comida está sendo perpetrado pelo uso exagerado de agrotóxicos, pelo emprego de venenos não recomendados para determinadas culturas.

No Brasil, cada pessoa está ingerindo, em média, 7,2 quilos de agrotóxico por ano. Haja estômago!  O crescimento do consumo de agrotóxicos no mundo aumentou quase 100%, entre os anos de 2000 e 2009 e continua aumentando. No Brasil, a taxa de crescimento atingiu quase 200%, o que indica que teremos no mínimo o dobro de pessoas doentes em relação à média mundial. Atualmente existem 2.195 tipos de agrotóxicos registrados no Brasil, mas só 900 tipos de agrotóxicos são comercializados. Isso quer dizer que além dos já comercializados, outros 1.295 tipos de agrotóxicos estão entrando no mercado. Os registros são de titularidade de apenas 136 empresas diferentes, ou seja, poucas grandes empresas acumulam capital envenenando a Mãe Terra, a Irmã Água, a alimentação do povo e dos animais. São cerca de 430 ingredientes ativos registrados.

A comercialização desses produtos no país movimentou recursos da ordem de 14,6 bilhões de reais, somente no ano de 2009. Neste ano, em 2019, o governo federal liberou a comercialização de mais de 350 tipos de agrotóxicos. Estamos numa guerra química? Problemas neurológicos, câncer, desregulação hormonal, contaminação do leite materno e até óbitos são alguns dos males causados pelo uso de agrotóxicos nos alimentos.

Estima-se que ultimamente mais de 600 mil pessoas contraem câncer por ano no Brasil. Em 10 anos serão acima de 6 milhões de pessoas com câncer. Quantas já morreram? Quanto o povo tem gasto, via SUS, para tentar socorrer as vítimas dos agrotóxicos?  Relatório da ANVISA, de 2010, informa que foram encontrados 234 ingredientes ativos de agrotóxicos em hortaliças, frutas e leguminosas.  Em todos os alimentos testados foram utilizados agrotóxicos não autorizados. Todo agrotóxico é substância química, é tóxico. No Município de Lucas de Rio Verde, em Mato Grosso, constatou-se a contaminação do leite materno, das águas da chuva, do solo e até do ar. Estima-se que, a cada ano, 25 milhões de trabalhadores são contaminados com agrotóxicos apenas nos países empobrecidos. (Fonte: RELATÓRIO DA SUBCOMISSÃO DO USO DE AGROTÓXICO, 2011: 30).

Diante da produção cada vez mais acentuada e a forma irresponsável com que certos agricultores têm lidado com a Mãe Terra e com a Irmã Água, como você entende a partir da Bíblia que disse: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores”? O que mais tem causado a falta de água no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba? O que sabemos do uso exagerado de agrotóxicos em nossa região? Podemos sentir suas consequências no dia a dia? Como? O que devemos fazer coletivamente para resgatar os cerrados e as nascentes de águas? Em nosso município, a Agricultura Familiar tem incentivo e apoio por meio de políticas públicas? E nós, apoiamos a Agricultura Familiar consumindo seus produtos?

Obs.: Acompanhe notícias, textos e vídeos sobre a XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais nos sites:

www.cptmg.org.br – www.arquidiocesedeuberaba.org.br – www.xxii.romariadasaguasedaterramg.org.br –  www.gilvander.org.br

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