“Elogio da dialética”, de Bertolt Brecht

“Elogio da dialética”, de Bertolt Brecht

Narração: Carmem Imaculada de Brito

“Elogio da dialética”, de Bertolt Brecht

A injustiça avança hoje a passo firme

Os tiranos fazem planos para dez mil anos

O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são

Nenhuma voz além da dos que mandam

E em todos os mercados proclama a exploração;

isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem

Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca

O que é seguro não é seguro

As coisas não continuarão a ser como são

Depois de falarem os dominantes

Falarão os dominados

Quem, pois, ousa dizer: nunca

De quem depende que a opressão prossiga? De nós

De quem depende que ela acabe? Também de nós

O que é esmagado que se levante!

O que está perdido, lute!

O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha

E nunca será: ainda hoje

Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

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