Poema “Semente”, de Neide Almeida

Poema “Semente”, de Neide Almeida

Narração:Carmem Imaculada de Brito

Poema “Semente”, de Neide Almeida

Filha de ventre

insubmisso

nasci em terra estranha

e a fertilizei

com sangue

de meus ancestrais.

Enterrado aqui meu umbigo este chão se fez

minha casa também.

Escarafunchei as entranhas desta terra

 suas águas

seus mistérios mais íntimos como se fosse o solo que de verdade me pariu.

Aqui brotei, lancei raízes

no mais fundo deste solo. Finquei os pés

e me ergui

como se estivesse

no meu lugar primeiro

Feito antigo embondeiro

vi da pele

verter a seiva

da flor, o odor

do fruto, a semente

que outra vez rebenta

e retorna ao lugar de origem.

 Neide Almeida, no livro “Nós 20 poemas e uma oferenda”

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Edição e Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs, do CEBI, do SAB e da assessoria de Movimentos Populares, em Minas Gerais. Acompanhe a luta pela terra e por Direitos também via www.gilvander.org.br  – www.freigilvander.blogspot.com  www.cebimg.org.br  – www.cptmg.org.brwww.cptminas.blogspot.com.br   

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