Vitória! Acampamento Beira Rio, em Fronteira, no Triângulo Mineiro/MG, conquista Mandado de Segurança no TJMG que impede despejo.

Vitória! Acampamento Beira Rio, em Fronteira, no Triângulo Mineiro/MG, conquista Mandado de Segurança no TJMG que impede despejo.

Horta Comunitária no Acampamento Beira Rio, em Fronteira, no Triângulo Mineiro/MG, em Acampamento do MTL. Fotos: Rosa Marta de Souza.

A pedido das 138 famílias Sem Terra do MTL (Movimento Terra e Liberdade), por meio do Coletivo de Advocacia popular do Triângulo Mineiro, que impetrou Mandado de Segurança na luta para impedir o despejo do Acampamento Beira Rio, dia 08 de janeiro de 2019, o desembargador Pedro Aleixo, da 16ª Câmara Cível do TJMG, no processo Nº 1.0000.19.000467-1/000, deferiu MANDADO DE SEGURANÇA que proíbe reintegração de posse a pedido da Empresa/Usina Destilaria Rio Grande S/A contra 138 famílias Sem Terra do MTL do Acampamento Beira Rio, no município de Fronteira, no Triângulo Mineiro, MG.

A decisão foi fundamentada em argumentos: a) plano de desocupação do imóvel, ainda a ser elaborado, deve respeitar os direitos fundamentais e humanos dos desalojados; b) o cumprimento da reintegração de posse na data marcada viola o direito social à moradia, já que as famílias que ocupam o imóvel rural estabeleceram ali suas moradias, não possuindo local adequado para estabelecer moradia após a desocupação; c) o Ministério Público da Comarca de Frutal apresentou o parecer de ID. 5863548, que objetivava a designação de uma audiência de Conciliação com a presença da Polícia Militar, do Município de Fronteira e da Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais para traçar as diretrizes a serem seguidas para o cumprimento da reintegração da posse, indeferido pelo Juízo a quo; d) representantes da Polícia Militar realizaram, no dia 28/12/2018, reunião para a determinação das aludidas diretrizes, em período de recesso judiciário, inviabilizando a presença de várias instituições; e) as famílias serão colocadas em situação de extrema vulnerabilidade, subemprego e em condições desumanas e degradantes; f) toda reintegração de posse deve ser antecedida de um plano efetivo que acolha os moradores objeto da desocupação; g) não há indicação de local determinado para alojamento das famílias e seus bens, tampouco fora fixado prazo razoável para a desocupação do referido local.

Escreveu na decisão o desembargador Pedro Aleixo: “Entendo que as famílias em questão deverão ser realojadas em imóvel, com o fim de continuarem a realizar as atividades laborativas que habitualmente exercem. […] Ademais, a reintegração de posse nos moldes estabelecidos poderá ocasionar um conflito agrário com consequências imprevisíveis e até uma tragédia. Desse modo, defiro a liminar requerida e suspendo o cumprimento da reintegração de posse determinada”.

Que beleza! Só na luta se conquistam direitos e se muda a vida para melhor!

Assinam essa Nota:

Movimento Terra e Liberdade (MTL)

Coletivo de Advocacia Popular do Triângulo Mineiro

Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG)

Coordenação do Acampamento Beira Rio

Fronteira, Triângulo Mineiro/MG, 10 de janeiro de 2019.

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ENTENDA O CONFLITO AGRÁRIO EM FRONTEIRA, NO TRIÂNGULO MINEIRO.

Acampamento de Sem Terra, em Fronteira, ameaçado de despejo, no Triângulo Mineiro, MG. Isso até 08/01/2019.

No município de Fronteira, distante 50 km de Frutal, no Triângulo Mineiro, MG, as 138 famílias Sem Terra do Acampamento Beira Rio resistem e sobrevivem construindo segurança alimentar, trabalho digno e estratégias de comercialização solidária, mas têm sido vítimas das ameaças promovidas pela Empresa/Usina Destilaria Rio Grande S/A e arrendatários de terra na região (que vão desde a aspersão aérea de agrotóxicos sobre as famílias acampadas e a ameaças a liderança incluída no Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), de Minas Gerais. Estas ameaças somam-se à negligência, abandono e ação parcial do poder público principalmente do INCRA ao não produzir nenhuma ação para mediação dos conflitos agrários ou horizonte para a regularização fundiária. As 138 famílias Sem Terra acampadas na fazenda Garça estão na área há mais de cinco anos e produzem muito: mais de 15 toneladas de milho e feijão a cada safra regular, mais de 8 toneladas de mandioca produzidas e vendidas em 4 cidades da região, beneficiadas como farinha, pastéis ou congeladas pré-cozidas ou in natura, e uma infinidade de hortifrutigranjeiros vendidos semanalmente nas feiras da cidade de Fronteira, de Icém/SP, São José do Rio Preto/SP e Frutal/MG. Além disso, a comunidade promove periodicamente a feira de agroecologia no município de Frutal-MG, que conta com bolos, biscoitos e doces produzidos por famílias acampadas e muitos produtos in natura, sem nenhum uso de agrotóxico. Por isso, é importante ressaltar que em 5 anos 138 famílias produziram ali o que as destilarias(usinas) nunca produziram.  A Comunidade do Acampamento Beira Rio gera emprego e renda também para moradores da área urbana de Fronteira. Antes da ocupação, a propriedade estava completamente abandonada, não havia vestígio de atividade produtiva nestas terras. Tratava-se de um latifúndio que estava na ilegalidade, pois não cumpria sua função social.

Diversificaram-se as estratégias do latifúndio e das forças de reprodução da desigualdade social para vulnerabilizar a comunidade após a suspensão da liminar de reintegração. São frequentes os relatos de ameaças e conflitos, como os ocorridos entre os dias 24/12/2017 e 15/01/2018, em que grupos armados rondaram constantemente o acampamento, ameaçando seus principais representantes.

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