34ª Assembleia Estadual do CEBI – Minas Gerais: caminhos de transformação com as periferias

34ª Assembleia Estadual do CEBI – Minas Gerais: caminhos de transformação com as periferias

De forma virtual – a primeira vez na história do CEBI – MG, com o tema “Construindo caminhos de transformação com as periferias”, aconteceu dias 12 e 13 de setembro de 2020 a 34ª Assembleia Estadual do CEBI (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos) de Minas Gerais, com a participação de dezenas de representantes do CEBI em Minas Gerais, organizado nas regiões de Uberlândia, Sul de MG, Vale do Aço, Zona da Mata mineira e Região Centro (BH e RMBH).

O texto bíblico iluminador foi Lc 7,11-17, que é a única vez no Evangelho de Lucas em que explicitamente se diz que Jesus de Nazaré sentiu compaixão e, após ver e ouvir a mãe viúva que chorava a morte do filho, toca no caixão e o filho revive. Por isso, as comunidades lucanas concluem: “Um grande profeta apareceu entre nós. Deus visitou seu povo” (Lc 7,16). Uma multidão está saindo da cidade entorno da morte, o que indica que a cidade está matando. Por outro lado, Jesus e seu movimento religioso-popular estão vindo do campo e geram vida.

Na noite de 12 de setembro, na Abertura da 34ª Assembleia do CEBI-MG, em uma Live, tivemos a participação de Zé Vicente, cantor e compositor da Igreja que faz Opção Pelos Pobres, e do Padre Júlio Lancellotti,  Vigário Episcopal do Povo em Situação de Rua na capital de São Paulo. Em duas horas de interação com muita gente que acompanhava a reflexão e a partilha de experiência de Zé Vicente e Padre Júlio Lancellotti, permeadas por músicas de uma espiritualidade libertadora, tivemos uma noite histórica e inesquecível. Sugerimos a quem não assistiu que assista à Live que está no Facebook: CEBI MG – Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos.

Todas as Regiões do CEBI-MG apresentaram em palavras e símbolos o que estão fazendo e a discussão que fizeram sobre o tema da 34ª Assembleia, que, aliás, será também o tema da Assembleia do CEBI Nacional. As seguintes perguntas orientaram a partilha:

1) O que a narrativa construída pelas Comunidades Lucanas em Lc 7,11-17 tem a dizer para o CEBI em seu caminhar e no seu serviço e compromisso transformador com as periferias?

2) Quais ambientes o CEBI deve utilizar-se para o serviço da Leitura Popular da Bíblia?

3) Quais os clamores e silêncios identificados nas periferias?

4) Que rupturas estamos fazendo com os modelos, sistemas e organizações da sociedade que silenciam as periferias?

5) As comunidades lucanas descreveram o caminho transformador de Cafarnaum a Naim e daí para outras aldeias. E nós, que caminhos de transformação estamos construindo? Com quem? Como? Quais processos e passos? De onde e para onde?

6) Que CEBI queremos e estamos construindo junto às periferias no trato das questões: sociais, étnicas, culturais, sexuais, políticas, econômicas, ambientais, religiosas e eclesiais?

7) Que boas notícias trazemos das periferias? Que boas notícias iremos levar para as nossas periferias?

8) A partir da Leitura Popular da Bíblia como poderá ser a nossa atuação como profetas e profetisas para concretizar a teologia da compaixão e ternura?

Dênis, do CEBI de Passos, no sul de MG, partilhou e refletiu conosco sobre o árduo e necessário trabalho que o CEBI, junto com as CEBs, está fazendo na cidade de Passos no apoio e defesa das Pessoas em Situação de Rua que vêm sofrendo discriminação e perseguição por parte do Poder Público e de uma elite higienista. Também partilhou conosco o compromisso com a luta pela terra no município de Campo do Meio, no Quilombo Campo Grande, do MST, onde, após três dias e três noites de resistência das 453 famílias, com truculência, bombardeio e a prisão de quatro pessoas, entre as quais, Dênis, a Escola Popular Eduardo Galeano e 14 casas de Sem Terra foram destruídas. Mas a luta continua para reconstruir tudo o que foi destruído.

Pensando nossa caminhada, José Horácio, nosso querido Zé do Cerrado, partilhou com todos/as uma inspiradora reflexão sobre como cuidar dos processos e das pessoas – Novos tempos – em tempos de distanciamento físico em meio à pandemia do novo coronavírus.

Várias pistas e prioridades foram definidas. As Equipes de Formação, Publicação, Comunicação e Finanças socializaram o que estão fazendo e os planos para a continuidade da caminhada. Alguns membros novos foram inseridos e outros foram substituídos. Com a bênção da Irmã Mercedes Lopes, concluímos a 34ª Assembleia felizes, para, de cabeça erguida, com muito amor no coração, seguirmos a caminhada da Leitura Popular, comunitária, transformadora e ecumênica da Bíblia no meio do Povo injustiçado.

BH, 14/9/2020, dia da “Exaltação da Santa Cruz”, dez anos da morte de Dom José Mauro, bom pastor e bispo profeta da Diocese de Janaúba, no norte de MG, e dia do nascimento de Frei Tito de Alencar, preso e torturado durante a ditadura militar. Dia em que o fogo que se alastra sobre a Floresta Amazônica chega à aldeia Diauarum, da etnia Kayabi, às margens do rio Xingu, município de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, consumindo dezesseis casas, anunciando e denunciando com chamas e destruição mais um crime do (des)governo federal, que não toma as providências necessárias para mudar esse cenário de morte.

Frei Gilvander e Guilherme, pela Equipe de Comunicação do CEBI-MG.

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