{"id":120,"date":"2011-12-22T00:50:00","date_gmt":"2011-12-22T02:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=120"},"modified":"2011-12-22T00:50:00","modified_gmt":"2011-12-22T02:50:00","slug":"conto-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/conto-de-natal\/","title":{"rendered":"Conto de Natal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Conto de Natal<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Eliseu Lopes<a href=\"file:\/\/\/C:\/Documents%20and%20Settings\/provincia\/Meus%20documentos\/Novo%20Testamento\/Novo%20Testamento%20A%20a%20H\/Conto%20de%20Natal%20Eliseu%20Lopes.doc#_ftn1\">[1]<\/a>, <em>in memoriam<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contos e contos de Natal existem para todos os gostos. &#8220;Conto de Natal&#8221; tornou-se um g\u00eanero liter\u00e1rio cl\u00e1ssico e todo escritor que se prezava publicava o seu ou os seus.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros contos de Natal est\u00e3o nos Evangelhos de Mateus e Lucas.\u00a0 S\u00e3o &#8220;Midraxe&#8221;, fic\u00e7\u00e3o e a eles se pode aplicar o que diz Guimar\u00e3es Rosa: Se fato, \u00e9 muito belo.\u00a0 Se imaginado, mais belo ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O de Mateus \u00e9 para leitores judeus. A genealogia come\u00e7a com o Pai Abra\u00e3o.\u00a0 Na Ang\u00fastia de Jos\u00e9 com a gravidez da noiva, transparecem os costumes judaicos.\u00a0\u00a0 A visita dos Magos do Oriente inspira-se na profecia de Isa\u00edas.\u00a0 A informa\u00e7\u00e3o sobre o local do nascimento \u00e9 tirada do profeta Miqu\u00e9ias.\u00a0 O grande lamento pelo infantic\u00eddio decretado por Herodes foi previsto pelo profeta Jeremias. A estrela-guia lembra a coluna de fogo que mostra ao Povo o caminho do \u00caxodo.\u00a0 O \u00caxodo tamb\u00e9m \u00e9 evocado na fuga para o Egito e no infantic\u00eddio e no retorno \u00e0 palestina.\u00a0 \u00c9 reeditada em Jesus a mesma trajet\u00f3ria de Mois\u00e9s.\u00a0 \u00c9 o novo Mois\u00e9s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O destinat\u00e1rio do conto de Lucas \u00e9 mais universal.\u00a0 A genealogia termina em Deus, passando por Ad\u00e3o. Retroage ao an\u00fancio do nascimento de Jo\u00e3o Batista.\u00a0 No seu exuberante estilo teatral, Lucas apresenta uma cascata de cenas animadas por di\u00e1logos envolventes: Zacarias e o anjo no altar; o anjo e Maria; a visita de Maria a Isabel; o nascimento de Jo\u00e3o Batista; o nascimento de Jesus e toda a encena\u00e7\u00e3o com o decreto do recenseamento, o parto, a convoca\u00e7\u00e3o ang\u00e9lica\u00a0 dos pastores;\u00a0 a apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus e a louva\u00e7\u00e3o do profeta Sime\u00e3o e a profetisa Ana; a longa sabatina de Jesus pelos doutores da Lei no templo.\u00a0 Cen\u00f3grafo e dramaturgo, Lucas movimenta cen\u00e1rios, pessoas, anjos, luzes, cores, vozes, louvores, di\u00e1logos, poemas s\u00e1lmicos em profus\u00e3o.\u00a0 Nasce o Salvador do Mundo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Estorinha<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses dois lindos contos de Natal d\u00e3o margem a devaneios. Aos meus filhos pequenos, eu contava a seguinte estorinha:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Z\u00e9 e Maria moravam em um lugarejo chamado Nazar\u00e9.\u00a0 Z\u00e9 era como o Ti\u00e3o: pedreiro, carpinteiro, lavrador, fazia de tudo.\u00a0 Maria estava com um barrig\u00e3o, esperando um filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia, Z\u00e9 voltou do servi\u00e7o preocupado e Maria perguntou por que.\u00a0 Ele disse que tinha sa\u00eddo uma ordem do governo para todo mundo se alistar no lugar onde nasceu.\u00a0 O prazo era pequeno. Ele tinha\u00a0 de ir para Bel\u00e9m que ficava a uns 3 ou 4 dias de vigem. Nas\u00a0 v\u00e9speras de\u00a0 ser m\u00e3e, n\u00e3o convinha que ela fosse junto.\u00a0 J\u00e1 tinha combinado com seus pais\u00a0 para ela ficar na casa deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria reagiu: De jeito nenhum!\u00a0 Ia tamb\u00e9m.\u00a0 Z\u00e9 n\u00e3o concordava porque a crian\u00e7a estava nasce-n\u00e3o-nasce.\u00a0 Maria teimava que era justamente por isso que tinha de ir, pois fazia quest\u00e3o que ele estivesse presente quando a crian\u00e7a viesse ao mudo.\u00a0 Estava gr\u00e1vida, mas n\u00e3o estava doente.\u00a0 O peso da barriga era normal. A viagem n\u00e3o ia ser diferente da que ela tinha feito quando foi visitar a prima Isabel.\u00a0 Z\u00e9 viu que era in\u00fatil\u00a0 insistir e acertaram o que tinham de providenciar, prevendo que a crian\u00e7a nascesse.\u00a0 Marcaram a viagem para dois dias depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A longa viagem era descrita como uma verdadeira aventura, cheia de detalhes pitorescos, como as crian\u00e7as gostam e com a ativa participa\u00e7\u00e3o delas. Subidas e descidas.\u00a0 Fontes, c\u00f3rregos, lagoas.\u00a0 Frutas silvestres, canto de aves, rebanhos pastando, pequenos animais e at\u00e9 cobras em fuga.\u00a0 Paradas para descansar ou comer alguma coisa. Dormida em casas acolhedoras ou mesmo ao relento.\u00a0 O frescor da alvorada, o morma\u00e7o do meio dia, a amenidade e a beleza do crep\u00fasculo, o encanto da noite estrelada.\u00a0 Momentos l\u00edricos e momentos \u00e1ridos, momentos de boa disposi\u00e7\u00e3o e momentos de cansa\u00e7o.\u00a0\u00a0 Finalmente a chegada em Bel\u00e9m, j\u00e1 no final da tarde, a sombra da noite caindo e se debatendo contra a luz bruxoleante dos lampi\u00f5es das ruas que come\u00e7avam a ser acesos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Z\u00e9, que migrara com a fam\u00edlia para a Galileia ainda crian\u00e7a, n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m. Milhares de belemitas, peregrinos como ele, superlotavam a cidade e n\u00e3o havia mais vaga nos hot\u00e9is, nas pens\u00f5es e nos alojamentos.\u00a0 Procuraram agasalho em algumas casas. Vendo a gravidez adiantada de Maria, seus donos se desculpavam e fechavam a porta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um desespero. A crian\u00e7a dava sinais de que podia nascer a qualquer momento.\u00a0 Z\u00e9 e Maria cansados e desanimados sentaram-se em uma pedra \u00e0 beira da estrada. Maria ca\u00edu no choro.\u00a0 Uns pastores viram aquela cena e tiveram pena. Disseram ao Z\u00e9 que, bem perto dali, havia um est\u00e1bulo onde poderiam arranchar-se.\u00a0 O casal se arrastou at\u00e9 l\u00e1 e, mal chegou, o menino nasceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Completava a estorinha com empr\u00e9stimos de Mateus e Lucas. As crian\u00e7as, j\u00e1 adormecidas, talvez sonhassem com estrela, magos, pastores e uma seresta de anjos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Protesto<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o do Natal sofreu a mais abomin\u00e1vel profana\u00e7\u00e3o. O Natal se tornou uma deslavada e revoltante mentira, pretexto ign\u00f3bil para a explora\u00e7\u00e3o desenfreada de um mercado iconoclasta, devastador dos s\u00edmbolos e valores mais sagrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as &#8220;melhores fam\u00edlias&#8221; pretensamente &#8220;crist\u00e3s&#8221; trocam presentes e se empanturram em lautas ceias, milhares de crian\u00e7as est\u00e3o reeditando o nascimento de Jesus nas mais prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, voltadas ao abandono de uma sociedade ego\u00edsta, injusta e cruel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo Horizonte, MG, Brasil, 21\/12\/2011.<\/p>\n<div>\n<hr style=\"text-align: justify;\" \/>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Documents%20and%20Settings\/provincia\/Meus%20documentos\/Novo%20Testamento\/Novo%20Testamento%20A%20a%20H\/Conto%20de%20Natal%20Eliseu%20Lopes.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> eliseu hugo de lucena lopes. Identidade: hugo. eliseu codinome religioso.\u00a0 Nasceu no s\u00edtio Pil\u00f5es, interior do Cear\u00e1.\u00a0 Estudou nos semin\u00e1rios de Fortaleza e S\u00e3o Vicente em Petr\u00f3polis, onde foi ordenado padre Lazarista.\u00a0 Entrou depois na Ordem Dominicana, onde lhe impuseram o nome de Eliseu e estudou na Escola Teol\u00f3gica de Saint-Maximin, na Fran\u00e7a.\u00a0\u00a0 Dispensado do celibato, casou-me com Vera L\u00facia e Deus os aben\u00e7oou com tr\u00eas filhos: Jo\u00e3o, Isabel e Marcos.\u00a0 Desde 1979, trabalhou no Centro Ecum\u00eanico de Estudos B\u00edblicos \u2013 CEBI \u2013 <a href=\"http:\/\/www.cebi.org.br\/\">www.cebi.org.br<\/a> &#8211; at\u00e9 o dia 22\/11\/2002, quando passou para a vida em plenitude, vida terna e eterna. Eliseu Lopes deixou um grande legado espiritual e prof\u00e9tico no CEBI, pois contribuiu enormemente para o desenvolvimento do Leitura Popular, comunit\u00e1ria e militante da B\u00edblia. Eliseu Lopes foi tamb\u00e9m um grande batalhador na resist\u00eancia contra a ditadura militar-civil-empresarial que se abateu sobre o povo brasileiro de 31\/03\/1964 a 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conto de Natal Eliseu Lopes[1], in memoriam Contos e contos de Natal existem para todos os gostos. &#8220;Conto de Natal&#8221; tornou-se um g\u00eanero liter\u00e1rio cl\u00e1ssico e todo escritor que se prezava publicava o seu ou<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-120","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}