{"id":12146,"date":"2023-06-09T18:37:27","date_gmt":"2023-06-09T21:37:27","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12146"},"modified":"2023-06-09T18:37:29","modified_gmt":"2023-06-09T21:37:29","slug":"a-ceia-de-jesus-profecia-de-um-mundo-sem-exclusoes-mt-99-13-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-ceia-de-jesus-profecia-de-um-mundo-sem-exclusoes-mt-99-13-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"A ceia de Jesus, profecia de um mundo sem exclus\u00f5es (Mt 9,9-13). Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A ceia de Jesus, profecia de um mundo sem exclus\u00f5es (Mt 9,9-13)<\/strong>. Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Marcelo_Barros_OSB.jpeg.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12147\" width=\"777\" height=\"1036\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Marcelo_Barros_OSB.jpeg.jpeg 375w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Marcelo_Barros_OSB.jpeg-225x300.jpeg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 777px) 100vw, 777px\" \/><figcaption>Padre e monge Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste X Domingo comum do ano de 2023, o evangelho lido pelas comunidades &#8211; Mateus 9,9-13 &#8211; nos traz uma das passagens do evangelho que at\u00e9 hoje mais nos provocam e desafiam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as palavras e as a\u00e7\u00f5es que os evangelhos contam de Jesus s\u00e3o prof\u00e9ticas e suscitam das pessoas que a escutam um posicionamento a favor ou contra. No entanto, de todas as atitudes de Jesus, provavelmente, a que mais provocou estranheza e dificuldade de aceita\u00e7\u00e3o por parte das pessoas de todas as classes sociais foi o que hoje se chama a &#8220;comensalidade aberta&#8221;, ou seja, o fato de Jesus comer com pecadores e com todo tipo de gente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sociedade daquele tempo, as refei\u00e7\u00f5es eram express\u00f5es importantes de rela\u00e7\u00f5es sociais. Atualmente, se come em pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o de shoppings ou em restaurante de comida r\u00e1pida (<em>fast food<\/em>). Come-se em p\u00e9 ou em balc\u00e3o, sozinho ou acompanhado. Comer se torna rotina necess\u00e1ria \u00e0 sobreviv\u00eancia. Nas cidades, para quem trabalha no com\u00e9rcio, n\u00e3o tem outro jeito. Mesmo em casa, quantas vezes, as pessoas fazem o prato na mesa e v\u00e3o comer diante da televis\u00e3o, para n\u00e3o perder o jornal, o jogo, ou a novela. E as pessoas acham isso normal..&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas sociedades tradicionais, a refei\u00e7\u00e3o era sinal de pertencer ao mesmo grupo. Comer com pessoas de outro grupo social ou com algu\u00e9m que a sociedade considerava pecador\/a era muito grave. Era isso que Jesus fazia: comer com marginais, pecadores e gente de m\u00e1 fama. De toda a vida de Jesus, essa atitude foi a que mais escandalizou aos bem-pensantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os religiosos e pessoas importantes da sociedade j\u00e1 estranharam o fato de Jesus ter chamado para o grupo dos seus disc\u00edpulos pessoas como os pescadores, Pedro e Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o. Mais ainda estranho ele ter chamado para ser disc\u00edpulo Sim\u00e3o, o Zelota, que era de um grupo contra os romanos. Isso provocava temor, mas ao mesmo tempo admira\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, provavelmente, o que mais chocou a sociedade e os religiosos foi ele ter chamado para ser disc\u00edpulo um cobrador de impostos. Os publicanos eram odiados por serem colaboradores dos romanos na coleta de impostos e nas informa\u00e7\u00f5es sobre as pessoas. Os publicanos cobravam os impostos dos pobres que faziam o pequeno com\u00e9rcio. Este imposto era para garantir as estruturas de domina\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio: estradas, pontes, postos de vigil\u00e2ncia. E os romanos exigiam impostos pesados. O que os publicanos coletavam a mais ia para o pr\u00f3prio bolso. Por isso, eram considerados como corruptos e desonestos. Eram odiados especialmente pelos religiosos. Nenhum rabino ou mestre aceitaria um publicano como disc\u00edpulo. Jesus n\u00e3o somente chamou Mateus para ser disc\u00edpulo, como fez com ele o que os evangelhos n\u00e3o dizem ter feito com nenhum dos outros ap\u00f3stolos: foi jantar na casa dele e aceitou a companhia de muitos colegas de trabalho de Mateus.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho de Mt 9,9-13diz que Jesus, ao passar, viu Mateus no posto de coletoria de impostos&nbsp; e o chamou. Ao passar de onde para onde? Cafarnaum tinha sido um lugar de pessoas socialmente marginalizadas e consideradas pecadoras. \u00c9 neste percurso de inser\u00e7\u00e3o junto aos marginalizados que Jesus toma a iniciativa de chamar Mateus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mateus \u00e9 um nome hebraico que significa &#8220;dom de Deus&#8221; e o seu nome s\u00f3 aparece nos evangelhos nesta passagem e na lista dos ap\u00f3stolos no cap\u00edtulo 10. Jesus chama um rapaz considerado publicamente pecador para ser disc\u00edpulo e janta em sua casa e com seus companheiros de pecado. Quase ningu\u00e9m percebe que, ao chamar Mateus para abandonar o trabalho de coletor de impostos dos romanos, Jesus est\u00e1 deslegitimando o imp\u00e9rio a partir de uma de suas bases mais importantes.&nbsp;Os romanos e seus aliados n\u00e3o podiam gostar de ver Jesus tirar um publicano do seu trabalho e afast\u00e1-lo do meio deles. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Este evangelho mostra a cena de um jantar do qual Jesus participou. E nesta ceia, recebeu cobradores de impostos, pecadores e gente considerada de vida errada.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, muitas vezes, as nossas Igrejas se comportam de forma contr\u00e1ria a Jesus. Se um homem ou mulher vive uma situa\u00e7\u00e3o de casamento que a lei da Igreja considera irregular, n\u00e3o pode ter fun\u00e7\u00f5es na comunidade. \u00c0s vezes, padres e catequistas argumentam que mesmo que eles\/elas aceitassem isso, &#8220;o povo n\u00e3o entenderia&#8221;.&nbsp; Jesus nunca teve esse tipo de prud\u00eancia, quando se tratava de preconceito ou discrimina\u00e7\u00e3o contra algu\u00e9m. De acordo com o evangelho, ele mesmo tomou a iniciativa e chamou Mateus. Simplesmente. E este deixou o posto de coletoria e o seguiu. Andr\u00e9 e Pedro n\u00e3o foram obrigados a deixar definitivamente a pesca. O cobrador de impostos, sim. Aqui, Jesus cita um prov\u00e9rbio: \u201cS\u00e3o os doentes que precisam de m\u00e9dico e n\u00e3o os sadios\u201d, um ensinamento b\u00edblico: \u201cQuero a miseric\u00f3rdia e n\u00e3o o sacrif\u00edcio\u201d (Os 6,6) e uma aplica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: \u201cN\u00e3o vim chamar os justos, mas os pecadores\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao insistir na miseric\u00f3rdia, Jesus cita o profeta Os\u00e9ias (Quero a miseric\u00f3rdia e n\u00e3o o sacrif\u00edcio (Os 6,6)) e pede que os judeus voltem \u00e0 sua tradi\u00e7\u00e3o mais antiga. Para as comunidades atuais, o desafio que permanece \u00e9 como retomar a prioridade que Jesus e a m\u00edstica judaica deram \u00e0 miseric\u00f3rdia nas nossas rela\u00e7\u00f5es di\u00e1rias e na forma de organizar a comunidade. \u00c9 preciso que a humanidade possa perceber que nossas Igrejas s\u00e3o comunidades de compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia. Elas n\u00e3o podem ser principalmente institui\u00e7\u00f5es de culto, de moral e de disciplina.&nbsp;&nbsp;\u00c9 preciso que nossas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas deixem de primar pelos rituais de poder sagrado do celebrante e sejam sacramentos, isso \u00e9, sinais e instrumentos de inclus\u00e3o social, igualdade e comunh\u00e3o. Ao chamar o publicano Mateus para ser disc\u00edpulo, Jesus n\u00e3o justifica ou legitima uma Pastoral que se centre nos ricos. Jesus nos chama a nos inserir, a dialogar com o povo pobre e a usar a compaix\u00e3o solid\u00e1ria como rem\u00e9dio para curar este mundo.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ceia de Jesus, profecia de um mundo sem exclus\u00f5es (Mt 9,9-13). 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