{"id":12149,"date":"2023-06-09T19:46:31","date_gmt":"2023-06-09T22:46:31","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12149"},"modified":"2023-06-09T19:46:32","modified_gmt":"2023-06-09T22:46:32","slug":"planeta-terra-vai-ao-medico-por-padre-alfredo-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/planeta-terra-vai-ao-medico-por-padre-alfredo-goncalves\/","title":{"rendered":"Planeta Terra vai ao m\u00e9dico. Por Padre Alfredo Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Planeta Terra vai ao m\u00e9dico. <\/strong>Por Pe. Alfredo. J. Gon\u00e7alves, cs<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/alfredo-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12150\" width=\"780\" height=\"586\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/alfredo-2.jpg 418w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/alfredo-2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><figcaption>Padre Alfredo Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8211; Doutor, n\u00e3o estou bem. Sinto-me cansado, abatido, sem vontade de fazer nada. Tenho at\u00e9 medo de perder a rota de minha \u00f3rbita. N\u00e3o possuo mais o vigor dos \u00faltimos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Deixa ver como andam a febre e a press\u00e3o!&#8230; Sim, v\u00ea-se logo, v\u00e1rios sintomas mostram irregularidade. A press\u00e3o oscila demais e a febre se mant\u00e9m cronicamente alta. Os territ\u00f3rios, mares, oceanos e geleiras que formam a pele que cobre tua superf\u00edcie sofrem de um aquecimento geral e progressivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Febre, claro, isso eu sinto nos calafrios que me sacodem! Extremos de calor e frio se alternam por todo meu corpo. O ar que respiro parece raro e ralo, como se me custasse encontrar oxig\u00eanio. Vivo agitado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Entendo, \u00e9 isso mesmo, uma agita\u00e7\u00e3o febril mexe com todos teus poros, percorre toda tua pele. Pequenos organismos, aos milhares e milh\u00f5es, se deslocam em todas as dire\u00e7\u00f5es sobre tua superf\u00edcie inteira. Como se estivessem incertos e inquietos, inseguros e impacientes. O que andam buscando?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; S\u00e3o os terr\u00e1queos, doutor, seres vivos chamados humanos. Mudam-se \u00e0s multid\u00f5es de um lado para outro, cada vez mais agitados. Tem lugares em meu corpo onde a escassez \u00e9 tanta e tamanha que assusta. Em outras regi\u00f5es o que impera \u00e9 a fartura de um certo dinheiro, ouro, riqueza \u2013 ou do capital, como eles dizem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E o que tem a ver isso com o vaiv\u00e9m sem fim de tantos seres vivos?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Simples, doutor, os tais terr\u00e1queos seguem as oportunidades de melhorar a pr\u00f3pria vida. Dizem que esse tal de capital costuma abrir portas. Por isso, eles correm da escassez para a fartura. Buscam as migalhas que esta \u00faltima deixa cair por onde passa. Mas poucos encontram sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mas vejo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso! Tamb\u00e9m os demais seres vivos sobre tua superf\u00edcie, da fauna e da flora, andam irrequietos. O ambiente em que nascem, crescem, vivem e se multiplicam se deteriora dia a dia, ano a ano, s\u00e9culo a s\u00e9culo. N\u00e3o s\u00e3o poucas as esp\u00e9cies que se perderam, e outras que desapareceram para sempre. O comando absoluto dos terr\u00e1queos parece n\u00e3o levar em conta esse sumi\u00e7o de tanta vida. Vou precisar de uns exames mais apurados, de \u00e1gua e ar, radiografia, tomografia!&#8230; Necessito de um diagn\u00f3stico completo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Era o que eu esperava. Quero saber o que se passa com meu organismo. Ele se encontra muito perrengue. Mesmo sem exames, doutor, d\u00e1 para ver a olho nu que esses terr\u00e1queos s\u00e3o desunidos, divididos por cercas que chamam de fronteiras. At\u00e9 para se comunicar usam l\u00ednguas diferentes. Um punhado deles vai juntando dinheiro e riqueza, enquanto a maioria s\u00f3 junta car\u00eancia e doen\u00e7a, pobreza e fome. Eles n\u00e3o s\u00e3o capazes de se entender para a distribui\u00e7\u00e3o dos bens da natureza, e menos ainda para a distribui\u00e7\u00e3o daquilo que fabricam com suas pr\u00f3prias m\u00e3os. O que mais me sacode o corpo s\u00e3o suas brigas: tens\u00f5es, atritos, conflitos, guerras, viol\u00eancia!&#8230; A gan\u00e2ncia de uns coexiste com a mis\u00e9ria de outros. Luxo e lixo lado a lado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tens raz\u00e3o, os exames convergem sobre essas desaven\u00e7as. As assimetrias s\u00e3o muitas e m\u00faltiplas. A busca pelo aumento desse tal de capital explora e devasta o equil\u00edbrio do ambiente. Ademais, nessa corrida fren\u00e9tica, concentram em poucas m\u00e3os e poucas regi\u00f5es a renda e a riqueza de s\u00e9culos de trabalho. V\u00ea-se que a enfermidade \u00e9 grave, sem d\u00favida, mas o rem\u00e9dio est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o, basta abrir os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O rem\u00e9dio est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o! E ent\u00e3o, doutor, o que devo fazer?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Em primeiro lugar, tem que parar de agredir a natureza somente para satisfazer a cobi\u00e7a desse punhado de milion\u00e1rios ou bilion\u00e1rios. Tem jeito de conviver com outros seres vivos e com o ritmo da biodiversidade. Basta de emitir gases de efeito estufa que s\u00f3 agravam a febre. Urge mudar o modo de utilizar sabiamente os bens que se encontram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da vida em todas as suas formas. O \u201cviver bem\u201d ostensivo da minoria deve dar lugar ao \u201cbem viver\u201d s\u00f3brio e s\u00e1bio de todos. Depois, vem a convalescen\u00e7a: um tempo de aten\u00e7\u00e3o e cuidado extremo com essa \u201ccasa comum\u201d que \u00e9 o planeta Terra. \u00c9 preciso recompor o equil\u00edbrio, diminuir a velocidade do bin\u00f4mio produ\u00e7\u00e3o e consumo. Por fim, vem a tarefa que talvez seja a mais dif\u00edcil: redistribuir de maneira equ\u00e2nime seja o que fornece a natureza, seja o que produzem o conjunto dos terr\u00e1queos. Ent\u00e3o, sim, estes poder\u00e3o continuar a se deslocar. As viagens fazem parte da cultura da humanidade. Mas n\u00e3o mais de forma for\u00e7ada pela pobreza e pela necessidade, e sim por vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Pe. Alfredo. J. Gon\u00e7alves, cs, vice-presidente do SPM \u2013 S\u00e3o Paulo, 07\/06\/2023<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Planeta Terra vai ao m\u00e9dico. Por Pe. Alfredo. J. Gon\u00e7alves, cs &#8211; Doutor, n\u00e3o estou bem. Sinto-me cansado, abatido, sem vontade de fazer nada. Tenho at\u00e9 medo de perder a rota de minha \u00f3rbita. 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