{"id":12185,"date":"2023-06-18T08:48:43","date_gmt":"2023-06-18T11:48:43","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12185"},"modified":"2023-06-18T08:48:45","modified_gmt":"2023-06-18T11:48:45","slug":"xi-domingo-comum-mt-936-108-discipulado-de-jesus-na-cura-do-mundo-doente-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/xi-domingo-comum-mt-936-108-discipulado-de-jesus-na-cura-do-mundo-doente-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"XI Domingo Comum (Mt 9,36-10,8): \u00a0Discipulado de Jesus na cura do mundo doente. Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>XI Domingo Comum (Mt 9,36-10,8): Discipulado de Jesus na cura do mundo doente<\/strong>. Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/download.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12186\" width=\"782\" height=\"1175\"\/><figcaption>Marcelo Barros, padre e monge.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste XI Domingo comum do ano (A), o evangelho lido nas comunidades cat\u00f3licas e algumas evang\u00e9licas (Mt 9,36 a 10,8) nos conduz a um ponto central no evangelho de Mateus. Trata-se de como Jesus escolhe os seus disc\u00edpulos, quem s\u00e3o eles e como Jesus os\/as envia ao mundo para curar as feridas da humanidade. O ponto de partida \u00e9 um olhar de compaix\u00e3o, que, no original grego, significa \u201camor das entranhas\u201d de Jesus sobre a realidade do mundo e das pessoas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na B\u00edblia, o ponto de partida da f\u00e9 judaica \u00e9 o livro do \u00caxodo. Ali, est\u00e1 escrito que Deus se manifestou na sar\u00e7a ardente e diz a Mois\u00e9s: \u201c<em>Eu vi e ouvi a opress\u00e3o e sofrimento do meu povo que est\u00e1 no cativeiro e desci para libert\u00e1-lo\u201d<\/em> (Ex 3,7). No evangelho que lemos hoje, do mesmo modo que Deus no \u00caxodo, tamb\u00e9m Jesus v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o do povo e tem suas entranhas tomadas de compaix\u00e3o, isso \u00e9, de solidariedade amorosa.&nbsp;O termo \u00e9 o mesmo usado para falar do \u00fatero das mulheres, o que nos faz contemplar uma dimens\u00e3o feminina em Deus e no pr\u00f3prio Jesus. E essa dimens\u00e3o feminina se expressa pela op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da solidariedade libertadora da compaix\u00e3o divina.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Na sua primeira parte, o evangelho mostra como as multid\u00f5es correm para Jesus. As pessoas o buscavam para serem curadas de doen\u00e7as, para serem libertadas de qualquer energia negativa que, na cultura da \u00e9poca, era considerada um esp\u00edrito mau. Jesus revelava a todos uma vis\u00e3o de Deus como m\u00e3e que &nbsp;cuida dos filhos e filhas. Ele confirmava que todas aquelas pessoas que a religi\u00e3o do templo considerava impuras por serem doentes eram as pessoas prediletas do Amor Divino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De repente, diz o evangelho, o movimento se inverte. Antes, era o povo que buscava Jesus. As multid\u00f5es se dirigiam a ele, em busca de ajuda e o seguiam. Agora, o movimento \u00e9 o contr\u00e1rio. \u00c9 Jesus que decide n\u00e3o ir diretamente ao povo, mas enviar os disc\u00edpulos. O centro do evangelho agora \u00e9 a realidade do mundo. Se antes as pessoas eram atra\u00eddas para Jesus e o seguiam, a partir desse momento, n\u00e3o s\u00e3o mais as multid\u00f5es que seguem Jesus. \u00c9 Jesus que se volta para o povo e quer, atrav\u00e9s dos disc\u00edpulos, olhar a vida das pessoas e transformar a realidade do mundo. A realidade do povo carente \u00e9 o foco principal e definitivo da boa not\u00edcia do reinado divino no mundo. Essa \u00e9 a miss\u00e3o que Jesus d\u00e1 aos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas. Esse \u00e9 o evangelho de hoje: ser disc\u00edpulo\/a de Jesus \u00e9 ter os seus olhos fixos nas pessoas carentes.&nbsp;Como seria importante que nossas Igrejas percebessem isso: ser disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus \u00e9 ter os olhos fixos nas pessoas marginalizadas e carentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dizer isso, a primeira imagem que Jesus usa \u00e9 a da colheita nos campos. Em tempo de colheita, n\u00e3o se pode esperar. Ou se colhe rapidamente ou se perde tudo. E Jesus diz isso em sua ora\u00e7\u00e3o ao Pai: est\u00e1 na hora da colheita e h\u00e1 poucos oper\u00e1rios. Manda trabalhadores para a tua lavoura. Os trabalhadores s\u00e3o enviados do Pai. \u00c9 o Pai quem manda. E manda para a colheita da lavoura no mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma leitura fundamentalista, tanto cat\u00f3lica, como evang\u00e9lica, identifica a lavoura de Deus com o trabalho religioso da Igreja. A colheita seria conquistar pessoas para a Igreja. Quem interpreta deste modo, confunde miss\u00e3o com proselitismo. Quando Jesus envia os disc\u00edpulos em miss\u00e3o n\u00e3o faz refer\u00eancia a nada religioso. N\u00e3o fala em templo, cultos ou sacrif\u00edcios. A preocupa\u00e7\u00e3o dele \u00e9 curar doen\u00e7as, libertar as pessoas das energias negativas (esp\u00edritos maus) e testemunhar o projeto de mundo como Deus quer que o mundo seja.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, depois de ter pedido ao Pai que mande trabalhadores para a sua colheita, Jesus chama doze pessoas a serem enviadas. No grego, o termo enviado \u00e9 ap\u00f3stolo. Ao chamar os doze, ele os reconhece como enviados do Pai. A tradi\u00e7\u00e3o judaica diz que doze foram os filhos de Jac\u00f3 que deram origem \u00e0s tribos de Israel. Na B\u00edblia, doze indica um conjunto do povo. Doze significa todos n\u00f3s, chamados e enviados ao mundo para testemunhar o projeto divino no mundo. Quando Lucas conta esse mesmo fato do envio em miss\u00e3o, diz que Jesus chamou doze ap\u00f3stolos, mas os disc\u00edpulos e disc\u00edpulas eram 72. E inclui algumas mulheres. Em nossos dias, o papa Francisco determinou que a Igreja Cat\u00f3lica celebrasse Santa Maria Madalena com o t\u00edtulo oficial de ap\u00f3stola, tal qual os doze homens que Jesus chamou. Portanto, \u00e9 normal que, n\u00f3s todos, mulheres e homens, exijamos o direito sagrado das mulheres terem pleno acesso aos minist\u00e9rios ordenados na Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria, ao menos um primeiro passo no sentido do mais justo e correto que seria superar essa distin\u00e7\u00e3o entre ordenados e n\u00e3o ordenados\/as e voltar ao Cristianismo original que s\u00f3 tinha um sacramento da ordem: o batismo. Era o mergulho pleno na consagra\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do povo oprimido).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que quem quer ser disc\u00edpulo de Jesus tem de aprender dele \u00e9 o modo de olhar para as pessoas do povo: com olhar compassivo e solid\u00e1rio. O discipulado que Jesus prop\u00f5e \u00e9 fazer com que o centro de nossas vidas e de nossa a\u00e7\u00e3o seja o outro, principalmente as pessoas carentes e sofredoras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu coment\u00e1rio ao evangelho de Mateus, Sandro Galazzi explica: \u201c<em>Neste texto do evangelho, a men\u00e7\u00e3o \u00e0s multid\u00f5es tem clara conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: ovelhas sem pastor. \u00c9 a imagem apropriada para indicar a dispers\u00e3o, desorganiza\u00e7\u00e3o, falta de vida comum. \u00c9 multid\u00e3o, mas ainda n\u00e3o \u00e9 povo (organizado). \u00c9 justamente o contr\u00e1rio do povo: \u00e9 ajuntamento, mas cada um enxerga por si, busca seu pasto, quer sua salva\u00e7\u00e3o. Hoje, \u00e9 preciso superar a imagem de sociedade que nos vem desta p\u00e1gina e que reflete a concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da \u00e9poca. Hoje, pensar em povo como ovelhas guiadas por um ou mais pastores soa como antidemocr\u00e1tico, fascista e muito eclesi\u00e1stico \u2013 se bem que a tenta\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica de se achar um pastor que d\u00ea jeito na situa\u00e7\u00e3o ainda esteja bem presente na pr\u00e1tica pol\u00edtica das multid\u00f5es<\/em>\u201d. (Galazzi, S., O evangelho de Mateus, Fonte editorial, 2012, p. 115).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp; miss\u00e3o de Jesus n\u00e3o se det\u00e9m nos templos ou par\u00f3quias. Preocupa-se com a vida do povo e nos manda curar as doen\u00e7as e libertar as pessoas das energias do desamor e da morte. O classismo e racismo, revelado em tantos epis\u00f3dios ocorridos cada dia em torno de n\u00f3s mostram que temos de retomar a miss\u00e3o compassiva de Jesus para curar este mundo doente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>XI Domingo Comum (Mt 9,36-10,8): Discipulado de Jesus na cura do mundo doente. 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