{"id":1250,"date":"2018-02-15T14:46:07","date_gmt":"2018-02-15T16:46:07","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=1250"},"modified":"2018-02-25T08:14:55","modified_gmt":"2018-02-25T11:14:55","slug":"luta-pela-terra-de-trombas-formoso-e-ligas-ao-assentamento-oziel","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/luta-pela-terra-de-trombas-formoso-e-ligas-ao-assentamento-oziel\/","title":{"rendered":"Luta pela terra: de Trombas\/Formoso e Ligas ao Assentamento Oziel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Luta pela terra: de Trombas\/Formoso e Ligas ao Assentamento Oziel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Gilvander Moreira<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1251 aligncenter\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/conflito-agr\u00e1rio-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/conflito-agr\u00e1rio-300x213.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/conflito-agr\u00e1rio.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Antes das Ligas Camponesas (1955-1964), camponeses sem-terra do Maranh\u00e3o migraram para o estado de Goi\u00e1s e, na regi\u00e3o de Trombas, se instalaram em terras ainda \u201clivres\u201d. \u201cEles n\u00e3o sabiam, mas estavam entrando num territ\u00f3rio de conflitos potenciais, j\u00e1 com alta incid\u00eancia de grilagem de terras, falsifica\u00e7\u00f5es de documentos de propriedade e especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Os migrantes transformaram-se em posseiros. Os grileiros das terras tentaram convenc\u00ea-los a assinar contratos de arrendamento, o que viabilizaria posteriores expuls\u00f5es por via judicial. Os posseiros se recusaram, o que deu in\u00edcio \u00e0 viol\u00eancia. A repercuss\u00e3o do caso levou \u00e0 regi\u00e3o uns poucos militantes do Partido Comunista, que ensinaram aos camponeses modos de organiza\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia. Em Trombas, os posseiros rapidamente se organizaram em conselhos pol\u00edticos, os chamados \u201cConselhos de C\u00f3rrego\u201d e organizaram grupos armados de autodefesa\u201d (MARTINS, 1999, p. 63-64).<\/p>\n<p>Observe-se que grileiro \u201c\u00e9 o homem que se assenhoreia de uma terra que n\u00e3o \u00e9 sua, sabendo que n\u00e3o tem direito a ela, e atrav\u00e9s de meios escusos, suborno e falsifica\u00e7\u00e3o de documentos, obt\u00e9m finalmente os pap\u00e9is oficiais que o habilitam a vender a terra a fazendeiro e empres\u00e1rios. [&#8230;] Grileiro \u00e9 um aut\u00eantico traficante de terras\u201d (MARTINS, 1983, p. 104).<\/p>\n<p>Sendo produto das pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es do capital, os tr\u00eas mil camponeses posseiros de Trombas<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, assim, constitu\u00edram um territ\u00f3rio aut\u00f4nomo e, com o apoio de quatro militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), organizaram-se em Conselhos de C\u00f3rregos, trabalhavam coletivamente, inclusive com Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a, e fundaram a Associa\u00e7\u00e3o dos Lavradores de Formoso e Trombas (Cf. MARTINS, 1983, p. 72); conquistaram a cria\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Formoso e elegeram um de seus l\u00edderes, Jos\u00e9 Porf\u00edrio, como deputado estadual, mas logo nos jornais se \u2018plantou\u2019 a not\u00edcia: \u201cRep\u00fablica Socialista de Trombas,\u201d que somente no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, seis anos ap\u00f3s o golpe militar, foi invadida por tropas do ex\u00e9rcito brasileiro. \u201cDurante cerca de vinte anos, os camponeses de Trombas estiveram politicamente organizados num territ\u00f3rio pr\u00f3prio, imune ao poder do Estado. Tratava-se da t\u00e1tica pol\u00edtica usada na Guerra da Coreia, da mesma \u00e9poca, que foi a de conquistar e liberar territ\u00f3rios, ali instituindo a presen\u00e7a organizada de camponeses armados\u201d (MARTINS, 1999, p. 64).<\/p>\n<p>A partir de meados do s\u00e9culo XX, \u201ca luta pela terra crescera nos anos cinquenta, com as revoltas camponesas do Sudoeste do Paran\u00e1, a da regi\u00e3o de Porecatu, no mesmo Estado, e a da regi\u00e3o de Trombas, em Goi\u00e1s, sem contar a ampla e r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o das Ligas Camponesas, sobretudo no Nordeste\u201d (MARTINS, 1989, p. 47). Mas foi em Minas Gerais, \u201cum estado tradicionalmente olig\u00e1rquico, de pol\u00edtica fortemente clientel\u00edstica, que um desses focos de conflito, em Governador Valadares, serviu de estopim para o golpe militar\u201d (MARTINS, 1989, p. 47), na antiga Fazenda Minist\u00e9rio, de 1942 hectares, que j\u00e1 foi conquistada pelo MST, onde foi constitu\u00eddo o Assentamento Oziel Alves Pereira, com 68 fam\u00edlias assentadas, desde 25 de setembro de 1997.<\/p>\n<p>Nascidas em 1955, no Engenho Galileia, em Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, Pernambuco, as Ligas de camponeses \u201carrendat\u00e1rios submetidos a formas arcaicas de pagamento de renda-em-trabalho, pediram e obtiveram permiss\u00e3o do fazendeiro para organizar uma cooperativa funer\u00e1ria para amenizar os custos de sepultamento dos mortos\u201d (MARTINS, 1999, p. 60). As Ligas Camponesas chegaram a ser mais de 1200 pelo Brasil afora e fizeram a elite econ\u00f4mica e militar temer a crolagem do sistema capitalista e, para abortar a marcha de emancipa\u00e7\u00e3o humana, impuseram o golpe militar-civil-empresarial em 31 de mar\u00e7o de 1964. \u201cQuando houve o golpe de 1964, as Ligas, al\u00e9m de serem hostilizadas pelo governo de Goulart, pelo partido Comunista e pela igreja Cat\u00f3lica, estavam divididas internamente, o que as enfraquecera\u201d (MARTINS, 1983, p. 226).<\/p>\n<p>Cada Sem Terra, de alguma forma, consciente ou inconscientemente, carrega em si, na luta pela terra, o legado de rebeldia e indigna\u00e7\u00e3o de Sep\u00e9 Tiaraju, de Zumbi dos Palmares, de Dandara, dos camponeses que \u2018viviam em comunidade\u2019 em Canudos, dos posseiros de Trombas e Formoso, dos lavradores do Contestado, dos camponeses arrendat\u00e1rios das Ligas Camponesas e de milhares que foram assassinados ou feridos no corpo e na alma na luta pela terra nos \u00faltimos cinquenta anos.<\/p>\n<p>Em 32 anos de luta, o MST conquistou com muita luta, com muito suor, sangue e l\u00e1grimas, terra para cerca de 370 mil fam\u00edlias<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, mas milhares de companheiros foram tombados na luta pela terra no Brasil. A CPT, desde 1975, acompanha, da perspectiva da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, a luta pela terra no Brasil, com uma presen\u00e7a pastoral solid\u00e1ria e prof\u00e9tica ao lado dos camponeses e de seus movimentos do\/no campo.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>.<\/p>\n<p>MARTINS, Jos\u00e9 de Souza. <strong>O poder do atraso:<\/strong> <strong>ensaios de Sociologia da Hist\u00f3ria Lenta.<\/strong> 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: HUCITEC, 1999.<\/p>\n<p>______. <strong>Caminhada no ch\u00e3o da noite: emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e liberta\u00e7\u00e3o nos movimentos sociais do campo.<\/strong> S\u00e3o Paulo: HUCITEC, 1989.<\/p>\n<p>______. <strong>Os Camponeses e a Pol\u00edtica no Brasil: as lutas sociais no campo e seu lugar no processo pol\u00edtico.<\/strong> 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 1983.<\/p>\n<p>Belo Horizonte, MG, 15\/02\/2018.<\/p>\n<p><strong>Obs<\/strong>. 1: Os v\u00eddeos, abaixo, ilustram o texto, acima.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>O clamor das Comunidades Pesqueiras\/Vazanteiras de Minas Gerais por justi\u00e7a. 3\u00aa Parte. BH\/MG. 13\/11\/2017<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_60365\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oEOQu6tLOnI?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p><strong>Comunidades Pesqueiras\/Vazanteiras de Minas Gerais lutam na defesa de seus territ\u00f3rios. 2\u00aa Parte. BH\/MG. 13\/11\/2017<\/strong><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_58400\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PcAbeMBFayY?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP<strong>\/<\/strong>SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma, It\u00e1lia; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas; prof. de \u201cMovimentos Sociais Populares e Direitos Humanos\u201d no IDH, em Belo Horizonte, MG.<\/p>\n<p>E-mail: <a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Facebook: Gilvander Moreira III<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf. AMADO, Jana\u00edna. <strong>Movimentos Sociais no Campo: a Revolta de Formoso, Goi\u00e1s, 1948-1964<\/strong>. Projeto de Interc\u00e2mbio de Pesquisa Social em Agricultura, Rio de Janeiro: abril de 1980, mimeo; Cf. tamb\u00e9m ABREU, Sebasti\u00e3o de Barros. <strong>Trombas \u2013 A Guerrilha de Z\u00e9 Porf\u00edrio.<\/strong> Bras\u00edlia: Editora Goethe, 1985. Este autor foi testemunha da revolta de Trombas e Formoso e dela participou ativamente.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cf. <a href=\"http:\/\/antigo.mst.org.br\/jornal\/289\/estados\">http:\/\/antigo.mst.org.br\/jornal\/289\/estados<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luta pela terra: de Trombas\/Formoso e Ligas ao Assentamento Oziel Gilvander Moreira[1] Antes das Ligas Camponesas (1955-1964), camponeses sem-terra do Maranh\u00e3o migraram para o estado de Goi\u00e1s e, na regi\u00e3o de Trombas, se instalaram em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1251,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,17,25],"tags":[],"class_list":["post-1250","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaque","category-luta-pela-terra-e-reforma-agraria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1250"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1250\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1252,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1250\/revisions\/1252"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1251"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}