{"id":12923,"date":"2023-12-24T18:39:01","date_gmt":"2023-12-24T21:39:01","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12923"},"modified":"2023-12-24T18:39:03","modified_gmt":"2023-12-24T21:39:03","slug":"palavra-que-se-faz-gente-e-amor-jo-11-18-celebracao-do-dia-do-natal-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/palavra-que-se-faz-gente-e-amor-jo-11-18-celebracao-do-dia-do-natal-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Palavra que se faz Gente e Amor (Jo 1,1\u201318): celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Natal \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Palavra que se faz Gente e Amor (Jo 1,1\u201318): celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Natal \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-22-at-11.28.57.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12924\" width=\"781\" height=\"797\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-22-at-11.28.57.jpeg 552w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/WhatsApp-Image-2023-12-22-at-11.28.57-294x300.jpeg 294w\" sizes=\"auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px\" \/><figcaption>Jesus renascendo em Gaza, sob bombardeios de &#8220;israel&#8221; sionista genocida. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A cada ano, as Igrejas antigas costumam ler o pr\u00f3logo do Evangelho de Jo\u00e3o nas celebra\u00e7\u00f5es e cultos do dia do Natal. Proclamado como evangelho do Natal, o poema do pr\u00f3logo joanino revela que, para n\u00f3s, crist\u00e3os e crist\u00e3s, a festa do Natal n\u00e3o \u00e9 apenas mem\u00f3ria do nascimento de Jesus em Bel\u00e9m (que n\u00f3s recordamos na noite e na celebra\u00e7\u00e3o da Vig\u00edlia desta noite) e sim mais profundamente a contempla\u00e7\u00e3o da humanidade de Jesus em toda a sua vida. Na carne de Jesus, isso \u00e9, em sua humanidade, a Palavra de Deus armou sua tenda. Podemos sempre nos perguntar: \u201cO que isso tem a ver comigo e com voc\u00eas? E como crer nisso sem que caiamos em uma f\u00e9 que nos isole, ou nos separe da palavra de salva\u00e7\u00e3o que Deus nos d\u00e1 atrav\u00e9s das outras religi\u00f5es e caminhos espirituais?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos tamb\u00e9m meditar nas consequ\u00eancias ecoc\u00f3smicas da afirma\u00e7\u00e3o \u201cA Palavra se fez carne\u201d. Na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9, a humanidade e todo o cosmos foram assumidos como express\u00e3o ou narrativa de Deus. No final desse evangelho que, hoje, proclamamos, lemos uma esp\u00e9cie de conclus\u00e3o de tudo o que tinha sido dito antes: \u201c<em>Ningu\u00e9m nunca viu Deus. O Filho \u00fanico que \u00e9 divino e est\u00e1 na intimidade do Pai, foi quem o explicou para n\u00f3s\u201d<\/em> (v. 18). O verbo grego usado aqui \u201cexegh\u00e9sato\u201d (de onde vem o termo exegese), significa explicar, interpretar. Isso significa que Jesus \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o viva do Pai. N\u00e3o \u00e9 apenas Jesus que parece com Deus. \u00c9 Deus mesmo que, para n\u00f3s, assume o rosto e o corpo humano de Jesus. E como o texto diz que de sua plenitude, n\u00f3s recebemos gra\u00e7a sobre gra\u00e7a, significa que esse rosto divino n\u00e3o est\u00e1 apenas em Jesus, mas em todo ser humano e mesmo em toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Juda\u00edsmo, no s\u00e9culo XVI, o rabino Isaac Lur\u00eda aprofundou a teologia do tzim-tzum de Deus. O que \u00e9 isso? Tzim-tzum \u00e9 o retraimento ou a diminui\u00e7\u00e3o divina que a cria\u00e7\u00e3o do mundo implicou. Conforme esse pensamento judaico, como uma mulher, Deus engravidou do universo. No entanto, para dar \u00e0 luz \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, precisava aceitar n\u00e3o ser mais t\u00e3o completo. E de fato, ao dar a luz ao universo, os vasos contenedores do universo se perderam e centelhas ou fagulhas da divindade se espalharam por todo o universo. Assim, o universo n\u00e3o \u00e9 divino, mas foi divinizado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, crist\u00e3os e crist\u00e3s, podemos dizer o mesmo no Natal. Ao assumir a carne de Jesus \u00e9 todo o universo que \u00e9 assumido por Deus, de modo que, como diz Paulo na carta aos colossenses: \u201c<em>O Cristo \u00e9 a imagem do Deus invis\u00edvel, primog\u00eanito de toda a cria\u00e7\u00e3o, porque nele foram criadas todas as coisas que h\u00e1 nos c\u00e9us e na terra, vis\u00edveis e invis\u00edveis&#8230; Tudo foi criado por ele e para ele&#8230;\u201d<\/em> (Cl 1, 15- 16).<\/p>\n\n\n\n<p>Desde tempos muito antigos, povos origin\u00e1rios acreditavam que todos os seres vivos, plantas e animais t\u00eam esp\u00edrito e formam conosco um s\u00f3 corpo espiritual. No Nordeste, os povos ind\u00edgenas acreditam nos Encantados que moram na mata, nas pedras, nos rios e nas montanhas sagradas. Ser\u00e1 que n\u00e3o podemos ligar essa forma de crer com o que os cientistas dizem quando falam que a Terra \u00e9 como um superorganismo vivo que tem certas fun\u00e7\u00f5es de qualquer organismo vivo?<\/p>\n\n\n\n<p>Como seria bom que essa festa de Natal nos abrisse para ver a encarna\u00e7\u00e3o divina na Terra, nas \u00e1guas e em todo ser vivo. O Natal abre a porta para que todos n\u00f3s, disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus, possamos ver a encarna\u00e7\u00e3o do projeto divino no mundo que se expressou plenamente na pessoa de Jesus, agora tamb\u00e9m revelada nos Encantados, nos Orix\u00e1s e em toda manifesta\u00e7\u00e3o de amorosidade que v\u00ea a natureza como sagrada e divina.<\/p>\n\n\n\n<p>A antiga espiritualidade oriental insistia que a finalidade do Verbo se fazer carne seria a diviniza\u00e7\u00e3o de tudo o que \u00e9 humano. Hoje, assumimos isso, como voca\u00e7\u00e3o humana para sermos cada vez mais semelhantes a Jesus.&nbsp; \u00c0 medida que nos tornamos humanos e cada vez mais humanizados\/as, assim como Jesus se humanizou plenamente em sua vida, poderemos viver mais profundamente a semelhan\u00e7a divina em n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>O exegeta espanhol Juan Matteo nos ensina que o termo grego <em>Logos<\/em> que traduzimos por Palavra pode tamb\u00e9m ser traduzido por Projeto. De fato, essa Palavra-projeto \u00e9 a meta de toda a cria\u00e7\u00e3o: aquilo que o Theillard de Chardin chamava de \u201ccristifica\u00e7\u00e3o do universo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a diviniza\u00e7\u00e3o era mais vista como processo pessoal e moral. Atualmente, precisamos ver a cristifica\u00e7\u00e3o do universo como voca\u00e7\u00e3o a qual devemos testemunhar e colaborar, como tamb\u00e9m a cristifica\u00e7\u00e3o da sociedade, atrav\u00e9s de uma pol\u00edtica de justi\u00e7a e de promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana para todos e todas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Natal se torna assim a celebra\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica de toda pessoa que quer seguir o caminho humano de Jesus.<\/strong> A louva\u00e7\u00e3o do Natal, composta pelo nosso saudoso irm\u00e3o Reginaldo Veloso afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c\u00c9 bom cantar um bendito,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;um canto novo, um louvor:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Humano, Deus se tornando,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;divino, o humano se achou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>De Deus, o Verbo se encarna<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e entre n\u00f3s habitou,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;Dos tristes consola\u00e7\u00e3o,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>dos pobres libertador&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Palavra que se faz Gente e Amor (Jo 1,1\u201318): celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Natal \u2013 Por Marcelo Barros A cada ano, as Igrejas antigas costumam ler o pr\u00f3logo do Evangelho de Jo\u00e3o nas celebra\u00e7\u00f5es e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12924,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,38,48,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-12923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direitos-das-mulheres","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12923"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12925,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12923\/revisions\/12925"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12924"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}