{"id":12935,"date":"2023-12-30T18:01:03","date_gmt":"2023-12-30T21:01:03","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12935"},"modified":"2023-12-30T18:01:04","modified_gmt":"2023-12-30T21:01:04","slug":"festa-da-maternidade-de-maria-lc-215-21-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/festa-da-maternidade-de-maria-lc-215-21-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Festa da Maternidade de Maria \u2013 (Lc 2,15-21) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Festa da Maternidade de Maria \u2013 (Lc 2,15-21) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"705\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/monge-marcelo-barros-mst-1-705x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12936\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/monge-marcelo-barros-mst-1-705x1024.jpg 705w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/monge-marcelo-barros-mst-1-207x300.jpg 207w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/monge-marcelo-barros-mst-1-768x1115.jpg 768w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/monge-marcelo-barros-mst-1-1058x1536.jpg 1058w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/monge-marcelo-barros-mst-1.jpg 1102w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><figcaption>Padre monge Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No 1\u00ba de janeiro, oitavo dia da festa do Natal, cada ano, a Igreja repete o evangelho que conta que, na noite do Natal, assim que os anjos se foram, os pastores se dirigiram ao local que o mensageiro de Deus indicou. Foram visitar o menino nascido em Bel\u00e9m. E o evangelho nos chama para nos unir aos pastores que \u201c<em>louvam a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, podemos concluir essa festa do Natal que durou oito dias, contemplando o que escutamos, a partir do an\u00fancio da Palavra e do que podemos testemunhar de como o Natal de Jesus continua em n\u00f3s e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, nossa aten\u00e7\u00e3o vai sobretudo para o verso final desse evangelho que lemos, hoje: \u201c<em>E, quando se completaram os oito dias para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto, antes de ser concebido<\/em>\u201d (v. 21).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 atrav\u00e9s do rito da circuncis\u00e3o que Jesus se torna membro efetivo do povo da alian\u00e7a feita com Abra\u00e3o (Gn 17, 10- 11). \u00c9 pelo corte feito no seu membro sexual, na express\u00e3o maior da intimidade do menino, que se expressa que ele pertence a Deus. \u00c9 como se Deus tatuasse o seu pr\u00f3prio nome, marcasse com um sinal de perten\u00e7a aquilo que a pessoa tem de mais \u00edntimo e mais seu: o corpo em sua nudez, a sexualidade como identidade pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que a circuncis\u00e3o \u00e9 um rito ligado \u00e0 sociedade patriarcal. Privilegia o masculino. No entanto, \u00e0 medida que Jesus se assume como membro do povo judeu, abre a alian\u00e7a divina a toda a humanidade e at\u00e9 ao universo e faz com que \u201chomens e mulheres, todos e todas, sejamos iguais e como uma coisa s\u00f3\u201d (Gl 3, 28).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse evangelho alude \u00e0 circuncis\u00e3o, mas fala pouco desse rito. Parece sublinhar mais o nome: \u201c<em>d\u00e3o-lhe o nome de Jesus. (Ieoshu\u00e1: Deus salva), como o anjo tinha indicado\u201d.<\/em> \u00c9 na for\u00e7a desse nome que Jesus vai viver toda a sua vida a servi\u00e7o das pessoas, como testemunha do Amor Divino. \u201c<em>Esse \u00e9 o nome pelo qual as pessoas ser\u00e3o salvas\u201d (At 2,21). <\/em>\u00c9 o nome pelo qual o projeto divino se realizar\u00e1 e pelo qual o inimigo divisor ser\u00e1 vencido (Lc 10,17).<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, o desafio \u00e9 que, no decorrer da hist\u00f3ria, muitas vezes, o nome de Jesus, que significa salva\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o, foi usado para a conquista e para legitimar opress\u00f5es. Infelizmente, em nossos dias, muitas pessoas e mesmo ministros usam o nome de Jesus para atacar outras religi\u00f5es, para legitimar discrimina\u00e7\u00f5es sexuais, morais, raciais e para aben\u00e7oar armas e apoiar projetos pol\u00edticos opressivos. Por isso, \u00e9 muito importante o fato de que, h\u00e1 mais de 50 anos, os papas tenham proposto dedicarmos esse dia 1\u00ba de janeiro \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 medita\u00e7\u00e3o sobre a Paz do mundo. Cada ano, o Dia Mundial da Paz tem um tema pr\u00f3prio. No entanto, seja qual seja, o fato \u00e9 que <strong>n\u00e3o se construir\u00e1 a Paz, sem profundo respeito \u00e0 diversidade das culturas e \u00e0 liberdade religiosa e espiritual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vimos que, ao circuncidar o menino Jesus no oitavo dia, os pais o inserem na cultura do seu povo (judeu) e oficializam que o seu nome e sua miss\u00e3o \u00e9 ser Jesus, isso \u00e9, instrumento de salva\u00e7\u00e3o divina, mas atrav\u00e9s da inser\u00e7\u00e3o na sua cultura humana e religiosa. Assim sendo, esse evangelho pede de n\u00f3s duas atitudes complementares: a primeira \u00e9 assumirmos toda cultura humana, na qual somos chamados\/as a nos inserir, assim como Jesus assumiu a cultura do seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, no Brasil e em toda a Am\u00e9rica Latina, o Cristianismo trazido pelos colonizadores europeus n\u00e3o soube respeitar as culturas dos povos origin\u00e1rios e das comunidades negras. Ao contr\u00e1rio, por causa de uma leitura fundamentalista de alguns textos b\u00edblicos, as desprezaram como idolatria e como cultos demon\u00edacos. Temos com estas culturas imensa d\u00edvida hist\u00f3rica e moral.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda atitude ao qual esse evangelho nos chama \u00e9 testemunhar que se o nome de Jesus significa \u201cDeus salva\u201d, s\u00f3 se pode usar o nome de Jesus se for para o amor e a liberta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para controle, coer\u00e7\u00e3o e projetos de \u00f3dio e de discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os primeiros s\u00e9culos, no Ocidente, as Igrejas crist\u00e3s consagravam o 1\u00ba de janeiro a uma festa que centra nossa aten\u00e7\u00e3o na figura de Maria, m\u00e3e de Jesus. Maria, como figura da comunidade de f\u00e9 que escuta a Palavra, acolhe no cora\u00e7\u00e3o e a rumina. Esse evangelho diz claramente: \u201cMaria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (v. 19).<\/p>\n\n\n\n<p>Como Maria, somos chamados\/chamadas a viver esta rumina\u00e7\u00e3o da Palavra que se faz carne em nossas vidas e na vida do universo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Festa da Maternidade de Maria \u2013 (Lc 2,15-21) \u2013 Por Marcelo Barros No 1\u00ba de janeiro, oitavo dia da festa do Natal, cada ano, a Igreja repete o evangelho que conta que, na noite do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12936,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,44,38,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-12935","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12935"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12937,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12935\/revisions\/12937"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12936"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}