{"id":13525,"date":"2024-08-24T16:41:11","date_gmt":"2024-08-24T19:41:11","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13525"},"modified":"2024-08-24T16:41:17","modified_gmt":"2024-08-24T19:41:17","slug":"quando-a-proposta-de-jesus-e-insuportavel-jo-661-70-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/quando-a-proposta-de-jesus-e-insuportavel-jo-661-70-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Quando a proposta de Jesus \u00e9 insuport\u00e1vel (Jo 6,61-70) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Quando a proposta de Jesus \u00e9 insuport\u00e1vel (Jo 6,61-70) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13526\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed.jpg 900w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed-300x300.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed-150x150.jpg 150w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Marcelo Barros, padre e monge biblista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O evangelho, lido neste XXI Domingo do tempo comum, no ano B, (Jo\u00e3o 6,61-70), domingo, 25\/08\/24, mostra como o evangelho de Jo\u00e3o conta uma crise entre Jesus e o grupo dos seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses versos representam o final do cap\u00edtulo 6 do quarto evangelho. Ali se conta que Jesus reparte o alimento para uma multid\u00e3o e depois faz o discurso que comumente se chama sobre o P\u00e3o da Vida. Na primeira parte de sua fala, ele discute com as pessoas da multid\u00e3o que tinham vivido aquela partilha e representavam as pessoas de fora da religi\u00e3o e que se aproximavam de Jesus. Depois, a conversa se concentra mais nos judaizantes, ou seja, crist\u00e3os que continuam ligados \u00e0s observ\u00e2ncias da lei judaica. Finalmente, o confronto se d\u00e1 entre Jesus e os pr\u00f3prios disc\u00edpulos e disc\u00edpulas, que, conforme esse texto, desde o come\u00e7o n\u00e3o o compreendem e entram em uma barca sem ele, Jesus e, assim, enfrentam uma tempestade na escurid\u00e3o da noite e em meio \u00e0 f\u00faria das ondas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os quatro evangelhos contam que a atividade de Jesus na Galileia se conclui com um momento no qual ele percebe que fracassou em sua miss\u00e3o e decide se afastar do contato mais direto com a multid\u00e3o. A partir de ent\u00e3o, se dedica \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do grupo mais \u00edntimo dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas e conforme Lucas e Marcos, caminha para Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>No quarto evangelho, a crise \u00e9 contada como desencanto ou decep\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos em rela\u00e7\u00e3o a Jesus. O texto diz que: \u201cDepois que ouviram essas coisas, muitos disc\u00edpulos de Jesus disseram: \u2018<em>Esse modo de falar \u00e9 duro demais. Quem pode continuar ouvindo isso? <\/em>E desde ent\u00e3o, muitos voltaram atr\u00e1s e n\u00e3o quiseram mais segui-lo\u201d (Jo 6,60).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o texto, o que, nas palavras de Jesus, os disc\u00edpulos acharam duro e insuport\u00e1vel foi Jesus ter dito que quem n\u00e3o comesse a sua carne e n\u00e3o bebesse o seu sangue n\u00e3o teria a vida eterna. De fato, essas palavras s\u00e3o mais pesadas pelo contexto no qual se inserem. Jesus teria rompido com o modelo de messianismo judaico vigente em sua \u00e9poca e os disc\u00edpulos compreenderam que teriam de seguir um Cristo pobre, despojado e que se entrega pelos outros, no lugar de lutar e vencer em nome de Deus a luta contra o inimigo.<\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o de Jesus ao des\u00e2nimo dos disc\u00edpulos \u00e9 dupla. Em primeiro lugar, argumenta que se suas palavras s\u00e3o obst\u00e1culos para eles o seguirem, muito mais ser\u00e1 quando forem confrontados com a cruz e a aparente derrota do Cristo. Depois de ter salientado isso, mostra profundo respeito pela crise dos disc\u00edpulos. Respeita e pergunta aos doze que ficaram: Voc\u00eas tamb\u00e9m querem ir embora?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta de Pedro, em nome dos doze, \u00e9 bastante realista. Ele responde: Querer ir embora, queremos, mas para onde? Para quem? S\u00f3 Tu tens palavras de vida eterna e por isso cremos e sabemos que \u00e9s o consagrado de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, n\u00e3o se compreende uma espiritualidade centrada na dor e na negatividade. N\u00f3s mesmos temos imensa dificuldade de aceitar que a palavra e a proposta de Deus pare\u00e7am derrotadas no mundo. Compreendemos que a morte de Jesus significou o atestado de derrota para a esperan\u00e7a messi\u00e2nica que, na \u00e9poca, o povo tinha e era leg\u00edtima. Se o imp\u00e9rio romano condenou Jesus \u00e0 crucifix\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ele foi visto como Messias e fracassou.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma anedota da vida de Santa Tereza d\u2019\u00c1vila conta que, um dia, ao ir fundar uma comunidade de irm\u00e3s em regi\u00e3o muito in\u00f3spita, no meio da travessia, em rio caudaloso, o barco virou e, com muita dificuldade, Tereza chegou \u00e0 margem do outro lado. Ofegante, quis se queixar de Deus que o fizera viver aquele perigo. Escutou no cora\u00e7\u00e3o a voz de Jesus que lhe disse:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Assim, eu trato os meus amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tereza n\u00e3o hesitou em responder:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Por isso, voc\u00ea tem t\u00e3o poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>Anedotas \u00e0 parte, todas as pessoas que vivem a f\u00e9 sabem que, em meio ao caminho, de um modo ou de outro, \u00e9 comum se encontrar obst\u00e1culos e crises. \u00c9 comum que pessoas que no come\u00e7o o viviam com entusiasmo, de repente o abandonem.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata apenas do fen\u00f4meno que, no Brasil, o censo diz que cresce mais: o n\u00famero das pessoas sem religi\u00e3o. Claro que sem religi\u00e3o ou sem Igreja n\u00e3o quer dizer sem f\u00e9, ou sem espiritualidade. Menos ainda significa pessoas que abandonaram Jesus. \u00c0s vezes, quem abandona Jesus, justamente o abandona por cargos eclesi\u00e1sticos e por busca de interesse na institui\u00e7\u00e3o. Nesse texto do evangelho que ouvimos hoje, a crise e a dificuldade de compreender Jesus n\u00e3o veio dos seus advers\u00e1rios nem dos ateus. Veio dos ap\u00f3stolos, isso \u00e9, do grupo que se considerava mais \u00edntimo.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior desafio da f\u00e9, at\u00e9 hoje, \u00e9 n\u00e3o renunciar \u00e0 esperan\u00e7a messi\u00e2nica de que o mundo tem salva\u00e7\u00e3o e de que as injusti\u00e7as do mundo podem ser vencidas. Ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 verdade que a palavra e a proposta de Jesus n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a esperan\u00e7a da liberta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A proposta de Jesus \u00e9 o reinado divino no mundo e isso abrange todas as dimens\u00f5es da vida e n\u00e3o apenas o que chamam de \u201cespiritual\u201d. As Igrejas n\u00e3o podem agir em nome de Jesus se n\u00e3o levam a s\u00e9rio esse desafio.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos continuar teimando na loucura da esperan\u00e7a messi\u00e2nica e pedir a Deus que nosso modo de celebrar a ceia de Jesus possa testemunhar essa esperan\u00e7a messi\u00e2nica concreta para o mundo, para as Igrejas e para n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUANDO A PROPOSTA DE JESUS \u00c9 INSUPORT\u00c1VEL (Jo 6,60-69): EVANGELHO PARA AL\u00c9M DOS TEMP(L)OS. Com Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_32703\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J6AsfQsKtYo?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a proposta de Jesus \u00e9 insuport\u00e1vel (Jo 6,61-70) \u2013 Por Marcelo Barros O evangelho, lido neste XXI Domingo do tempo comum, no ano B, (Jo\u00e3o 6,61-70), domingo, 25\/08\/24, mostra como o evangelho de Jo\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13526,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,27,30,43,26,18],"tags":[],"class_list":["post-13525","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao","category-videos-de-frei-gilvander"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13527,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13525\/revisions\/13527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13526"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}