{"id":13556,"date":"2024-09-08T08:17:23","date_gmt":"2024-09-08T11:17:23","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13556"},"modified":"2024-09-08T08:17:29","modified_gmt":"2024-09-08T11:17:29","slug":"integrar-no-amor-as-pessoas-excluidas-mc-7-31-37-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/integrar-no-amor-as-pessoas-excluidas-mc-7-31-37-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Integrar no amor as pessoas exclu\u00eddas Mc 7, 31- 37 \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Integrar no amor as pessoas exclu\u00eddas Mc 7, 31- 37 \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/sddefault.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13557\" width=\"779\" height=\"584\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/sddefault.jpg 640w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/sddefault-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 779px) 100vw, 779px\" \/><figcaption>Marcelo Barros, padre e monge da Teologia Libertadora<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste XXIII domingo comum (do ano B) o evangelho Marcos 7, 31 a 37 mostra que Jesus deixa a Galileia e no territ\u00f3rio estrangeiro revela que o projeto libertador de Deus e o seu reinado estende o seu amor a todos e todas, sem fronteiras de ra\u00e7a e de religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que Marcos fale da passagem de Jesus na regi\u00e3o de Tiro e Sid\u00f4nia, hoje, L\u00edbano, para confirmar a presen\u00e7a de comunidades crist\u00e3s ali existentes, nos anos 70 do primeiro s\u00e9culo, \u00e9poca na qual o evangelho foi escrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, conta que trazem a Jesus um homem surdo e que mal podia falar. As pessoas lhe pedem que imponha as m\u00e3os sobre o surdo-mudo. Jesus o retira do meio da multid\u00e3o e cria com ele uma rela\u00e7\u00e3o pessoal. Em uma rela\u00e7\u00e3o afetuosa, de pessoa a pessoa, Jesus toca nele e o cura. Ao usar saliva como instrumento de medicina tradicional e tocar na l\u00edngua do homem, Jesus desobedece \u00e0s normas religiosas. Olha para o c\u00e9u, suspira, como se fizesse um grande esfor\u00e7o&nbsp; e diz a palavra aramaica: Efata, Abre-te. Imediatamente, os ouvidos do homem se abrem e a l\u00edngua se solta. O homem come\u00e7a a falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s dessa cena, o evangelho recorda algo do G\u00eanesis, quando Deus insufla na primeira humanidade o seu sopro de vida. Jesus d\u00e1 a uma pessoa estrangeira a vida nova ao lhe dar a capacidade de escutar e falar. No entanto, depois de cur\u00e1-lo, lhe pro\u00edbe de contar as pessoas. Por que essa clandestinidade? \u00c9 poss\u00edvel que Jesus tenha pedido segredo pelo fato de estar na Dec\u00e1pole, um territ\u00f3rio no qual ele n\u00e3o tinha apoio nenhum e o an\u00fancio do reinado divino pede o maior cuidado. Tamb\u00e9m pode ser que tenha feito isso para n\u00e3o ser confundido com algum milagreiro poderoso. Seria um imenso contraste para um Jesus pobre, fr\u00e1gil e que caminha para a Cruz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, ministros e fieis das mais diversas Igrejas acham que a f\u00e9 deve se expressar apenas dentro do campo religioso, atrav\u00e9s de ritos e normas cultuais, o que Jesus tinha denunciado como postura falsa e hip\u00f3crita.<\/p>\n\n\n\n<p>O Evangelho de hoje mostra que Jesus, depois de ter rompido com os religiosos de Jerusal\u00e9m, atravessa o lago e vai de encontro \u00e0s pessoas sem religi\u00e3o, ou de outra tradi\u00e7\u00e3o cultural e religiosa. O evangelho n\u00e3o conta que Jesus tenha feito nenhum discurso para essas pessoas. O que ele fez foi curar os males que as pessoas sofriam. Curou uma crian\u00e7a, filha de mulher estrangeira e, nesse relato que lemos hoje, cura um surdo-mudo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o somente Jesus n\u00e3o pretende lhes ensinar nada, mas, ao contr\u00e1rio, pede que guardem segredo. O que Jesus fez foi o que o grande educador Paulo Freire mostrou ser essencial na educa\u00e7\u00e3o: dar \u00e0s pessoas a capacidade de expressar-se por si mesmas e interpretar o mundo em que vivem. Paulo Freire baseia o seu m\u00e9todo educativo no di\u00e1logo, como Jesus que, em primeiro lugar, abriu os ouvidos do surdo-mudo, para que ele pudesse ouvir e falar. Para n\u00f3s, aquele surdo-mudo \u00e9 s\u00edmbolo de uma multid\u00e3o que, hoje, no plano da educa\u00e7\u00e3o e da consci\u00eancia cidad\u00e3, precisa ser integrada e libertada da sua surdez e mudez.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as a Deus, no Brasil e em todo o mundo se desenvolvem organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e movimentos populares que d\u00e3o voz e vez \u00e0s pessoas da classe trabalhadora e aos sem trabalho, sem teto e sem p\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o mais estranho \u00e9 que apesar de que o papa Francisco tenha, pessoalmente, querido encontrar com movimentos populares, n\u00e3o parece que essa iniciativa tenha servido para comprometer mais as Igrejas locais com os movimentos populares. As Igrejas e religi\u00f5es continuam tendo muita dificuldade em testemunhar o projeto divino do amor e da justi\u00e7a ecossocial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse evangelho nos chama a nos sentir curados por Jesus e consagrados para escutar o chamado prof\u00e9tico que o Esp\u00edrito diz hoje \u00e0s Igrejas e ao mundo. O Esp\u00edrito nos envia aos exclu\u00eddos e exclu\u00eddas do Brasil e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso pa\u00eds, celebramos ontem o XXX Grito dos Exclu\u00eddos e exclu\u00eddas. Nele, dissemos: \u201cTodas as formas de vida importam. Mas, quem se importa?\u201d. No Brasil atual, os povos origin\u00e1rios s\u00e3o os mais ignorados e exclu\u00eddos da vida e da liberdade. O chamado Marco Temporal \u00e9 um absurdo jur\u00eddico e uma medida de desumanidade que n\u00e3o pode ser aceita por nenhuma pessoa que tenha o m\u00ednimo senso de humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para todos\/as n\u00f3s, o di\u00e1logo \u00e9 sempre um desafio a ser vivido, n\u00e3o somente como estrat\u00e9gia de trabalho ou m\u00e9todo, mas como espiritualidade, ou seja, caminho de aprofundamento da intimidade divina.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 podemos dizer que vivemos o evangelho quando nos inserimos nesse di\u00e1logo divino de Jesus com as outras culturas, outras religi\u00f5es e com todo ser humano. Assim, poderemos falar com palavras, mas principalmente pela nossa postura de vida, a profecia do evangelho do amor solid\u00e1rio, da justi\u00e7a eco-social e da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obs<\/strong>.: A videorreportagem no link, abaixo, versa sobre o assunto tratado, acima.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Integrar no amor as pessoas exclu\u00eddas &#8211; Mc 7,31-37 &#8211; Evangelho para al\u00e9m dos temp(l)os &#8211; 08\/09\/2024<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_34760\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mwPZt6ZXNYo?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Integrar no amor as pessoas exclu\u00eddas Mc 7, 31- 37 \u2013 Por Marcelo Barros Neste XXIII domingo comum (do ano B) o evangelho Marcos 7, 31 a 37 mostra que Jesus deixa a Galileia e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13557,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,38,27,30,43,26,32],"tags":[],"class_list":["post-13556","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao","category-videos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13556"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13556\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13558,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13556\/revisions\/13558"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13557"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}