{"id":13613,"date":"2024-09-28T08:37:34","date_gmt":"2024-09-28T11:37:34","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13613"},"modified":"2024-09-28T08:37:40","modified_gmt":"2024-09-28T11:37:40","slug":"eleicoes-e-a-sindrome-da-gata-borralheira-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/eleicoes-e-a-sindrome-da-gata-borralheira-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"ELEI\u00c7\u00d5ES E A S\u00cdNDROME DA GATA BORRALHEIRA \u2013 Por Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>ELEI\u00c7\u00d5ES E A S\u00cdNDROME DA GATA BORRALHEIRA \u2013 Por Frei Betto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/images-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13614\" width=\"779\" height=\"490\"\/><figcaption>Frei Betto. Reprodu\u00e7\u00e3o de Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pol\u00edtica \u00e9 como salsicha, melhor n\u00e3o saber como se faz. Em se tratando de campanha eleitoral, tudo fica mais complicado, pois os ingredientes da receita quase nunca condizem com o paladar dos eleitores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os candidatos pertencem a um partido que, teoricamente, defende um programa para o munic\u00edpio. N\u00e3o sei qual seria o resultado de uma pesquisa que pedisse aos candidatos para destacarem dez pontos fundamentais do programa de seus partidos. Desconfio de que a maioria nunca o leu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ocorre que h\u00e1 quem prioriza a prefer\u00eancia partid\u00e1ria e n\u00e3o o candidato. Se o pol\u00edtico troca de partido, corre o risco de perder a elei\u00e7\u00e3o, pois muitos eleitores negam apoio a quem cede ao pecado da infidelidade partid\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, os partidos transformam-se em confedera\u00e7\u00f5es de tend\u00eancias. S\u00e3o como a matrioska, a cole\u00e7\u00e3o de bonecas russas encaixadas uma dentro da outra.&nbsp;Abrigam&nbsp;partidecos que, por sua vez, travam disputas internas. Como diria tia Quit\u00e9ria, deve ser por isso que se chamam partidos&#8230; Alguns deveriam ser qualificados de repartidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na elei\u00e7\u00e3o o que conta &#8211; al\u00e9m do hor\u00e1rio gratuito no r\u00e1dio e na TV &#8211; \u00e9 o marketing. Nessa \u00e1rea ocorre a mais evidente contradi\u00e7\u00e3o, resultante de tr\u00eas afluentes que desaguam numa imensa pororoca: o candidato, o partido e a ag\u00eancia de publicidade contratada para maquiar o pol\u00edtico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os partidos n\u00e3o costumam ter assessoria de imprensa e, muito menos, departamento de marketing, o que \u00e9 uma falha. Aos candidatos, que em geral n\u00e3o podem dispor de assessoria permanente, n\u00e3o resta alternativa sen\u00e3o improvisar. Procuram um jornalista que tenha com eles um m\u00ednimo de afinidade ideol\u00f3gica e, se poss\u00edvel, afetiva, e o contratam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H\u00e1 casos em que o assessor de imprensa \u00e9 um profissional de aluguel &#8211; trabalha para quem paga, n\u00e3o importa se o candidato \u00e9 de direita (para n\u00e3o cair no chav\u00e3o, recorro a Bobbio: ou seja, aceita como natural e\/ou justific\u00e1vel a desigualdade social) ou de esquerda (n\u00e3o se conforma com a desigualdade social).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tudo se complica quando chega a hora do r\u00e1dio e da TV. Os marqueteiros eleitorais s\u00e3o poucos e, em geral, disputad\u00edssimos. Por isso, s\u00e3o caros. E trabalham para quem paga. Os partidos de direita, plenos de poder e dinheiro, contratam os mais competentes. Para a direita tudo \u00e9 mais simples, pois se move por interesses, ao contr\u00e1rio da esquerda, que se move por princ\u00edpios (ou deveria faz\u00ea-lo).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na falta de clareza de seus princ\u00edpios e no af\u00e3 de ganhar a elei\u00e7\u00e3o, a esquerda acaba agindo espelhada na direita: contrata a pre\u00e7o astron\u00f4mico uma equipe de publicidade que nada tem a ver com a sua proposta pol\u00edtica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Marqueteiros eleitorais dificilmente s\u00e3o de esquerda. Eis um complicador. Algu\u00e9m deve ceder: o marqueteiro, ao se submeter \u00e0s decis\u00f5es da coordena\u00e7\u00e3o da campanha, ou o candidato, ao se conformar \u00e0s exig\u00eancias de marketing.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em geral, cede o candidato e, com ele, o programa da campanha, a \u00edndole do partido e o perfil ideol\u00f3gico que atrai seus eleitores. Resultado: a s\u00edndrome da gata borralheira &#8211; o pol\u00edtico \u00e9 popular e progressista, mas, em m\u00e3os da fada marqueteira, ganha o perfil de linda donzela e ainda acredita que atrair\u00e1 eleitores quais pr\u00edncipes enamorados. Nesse baile de nobres, seu discurso adquire modera\u00e7\u00e3o, os temas pol\u00eamicos ficam debaixo do tapete, j\u00e1 n\u00e3o se pode distinguir entre a gata borralheira e as mo\u00e7as da corte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H\u00e1 na propaganda pol\u00edtica uma abissal diferen\u00e7a entre o munic\u00edpio real e o eleitoral. Muito do que se mostra na TV \u00e9 cen\u00e1rio e montagem de est\u00fadio. E haja fake news! Eis-nos em plena virtualidade pol\u00edtica! O eleitor recebe, pela janelinha eletr\u00f4nica, um produto t\u00e3o maquiado quanto um presunto ou uma margarina. O candidato n\u00e3o fala o que pensa nem o que sente. L\u00ea no teleprompter um texto elaborado pelos marqueteiros. Tudo soa falso: o sorriso, o tom de voz, o gesto e, quase sempre, as promessas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A propaganda eleitoral pela TV e redes digitais pesa muito nas oscila\u00e7\u00f5es da bolsa eleitoral de um candidato. Ocorre que o meio \u00e9 a mensagem e a TV e as redes ve\u00edculos viciados. Nelas o conte\u00fado importa menos que a emo\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em se tratando de campanha, tudo se complica, porque sobe nas pesquisas quem produz mais efeitos especiais. O bonito ganha do feio, o rico do pobre, o histri\u00f4nico do t\u00edmido, o mentor de assassinos daquele que defende os direitos humanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em suma, essa engrenagem eleitoral \u00e9 para manter o sistema e, com ele, as oligarquias no poder. A esquerda chegar ao poder \u00e9 t\u00e3o vi\u00e1vel quanto acertar n\u00fameros premiados nas loterias. Mas vale tentar, desde que haja fidelidade ao drama de milh\u00f5es de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza e, nos munic\u00edpios, sobrevivem em condi\u00e7\u00f5es desumanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Betto \u00e9 escritor, autor de \u201cCartas da pris\u00e3o\u201d (Companhia das Letras), entre outros livros. Livraria virtual:&nbsp;<a href=\"http:\/\/freibetto.org\/\">freibetto.org<\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELEI\u00c7\u00d5ES E A S\u00cdNDROME DA GATA BORRALHEIRA \u2013 Por Frei Betto &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pol\u00edtica \u00e9 como salsicha, melhor n\u00e3o saber como se faz. 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