{"id":13639,"date":"2024-10-10T15:17:32","date_gmt":"2024-10-10T18:17:32","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13639"},"modified":"2024-10-10T15:20:37","modified_gmt":"2024-10-10T18:20:37","slug":"as-cidades-a-crise-climatica-e-a-revolucao-necessaria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/as-cidades-a-crise-climatica-e-a-revolucao-necessaria\/","title":{"rendered":"AS CIDADES, A CRISE CLIM\u00c1TICA E A REVOLU\u00c7\u00c3O NECESS\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"\n<p> <strong>AS CIDADES, A CRISE CLIM\u00c1TICA E A REVOLU\u00c7\u00c3O NECESS\u00c1RIA<\/strong> &#8211; Por Gilmar Mauro, Jade Percassi e Chico Barros<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Carta Capital<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image_processing20231120-3270-1hm5wgc.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13640\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image_processing20231120-3270-1hm5wgc.jpeg 800w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image_processing20231120-3270-1hm5wgc-300x200.jpeg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image_processing20231120-3270-1hm5wgc-768x512.jpeg 768w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image_processing20231120-3270-1hm5wgc-420x280.jpeg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Enchentes e secas extremas s\u00e3o efeitos tamb\u00e9m das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas &#8211; Silvio \u00c1vila \/ AFP<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o ambiental mundial \u00e9 extrema, o impacto nas cidades \u00e9 extremo e isso nos exige a\u00e7\u00f5es extremas. Temos de mudar radicalmente o sistema de produ\u00e7\u00e3o e seus m\u00e9todos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais tempo: a atual massa e a taxa de gases do efeito estufa na atmosfera, como CO2, \u00f3xido nitroso e metano, j\u00e1 s\u00e3o suficientes para derreter as geleiras. O processo de aquecimento, cada vez maior, \u00e9 inexor\u00e1vel e s\u00f3 vai piorar se a classe trabalhadora n\u00e3o se opuser.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso tudo j\u00e1 vai acontecer, pois gases como o CO2 e o \u00f3xido nitroso s\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o na atmosfera, demoram para se dissipar. Eles s\u00e3o exalados pelas queimadas, a ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o civil e os adubos qu\u00edmicos aplicados pelo agroneg\u00f3cio. Somam-se a eles o g\u00e1s metano, produzido pela pecu\u00e1ria no campo, e os lix\u00f5es nas cidades. \u00c9 uma massa muito grande de gases danosos expelida para a atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ac\u00famulo todo provoca a evapora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de forma mais intensa e r\u00e1pida \u2013 j\u00e1 devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da temperatura global em 1,5 grau \u2013, o que retroalimenta o pr\u00f3prio processo de aquecimento: mais nuvens e mais e mais aquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tantas nuvens, podem ocorrer cat\u00e1strofes como aconteceu no Rio Grande do Sul, com a entrada de uma frente fria, aliada a um bloqueio atmosf\u00e9rico, fazendo chover em um s\u00f3 m\u00eas, em um \u00fanico lugar, mais de 400mm. O que aconteceu no Rio Grande do Sul pode ocorrer em qualquer cidade brasileira. Imaginem uma chuva de 400mm em S\u00e3o Paulo. O que vai acontecer com os rios Tiet\u00ea e Pinheiros? V\u00e3o se juntar e os bueiros da cidade v\u00e3o explodir, com os rios canalizados, tampados pela cidade. Ou, ainda, imaginemos se esta precipita\u00e7\u00e3o acontece na regi\u00e3o de Belo Horizonte, com todas as barragens de rejeitos pr\u00f3ximas, ou Recife, ou Fortaleza. Esse tipo de chuva provocaria enormes problemas ambientais, especialmente para o povo das periferias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o tema central: s\u00e3o cidades insustent\u00e1veis pelos pontos de vista social, econ\u00f4mico e ambiental. S\u00e3o grandes conglomerados de pessoas que, irracionalmente, concentram tudo e consomem tudo em um mesmo lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o milh\u00f5es de toneladas de comida transportadas em caminh\u00f5es vindos de diversas regi\u00f5es do Pa\u00eds para esse tipo de cidade, todos os dias. S\u00e3o milh\u00f5es de toneladas de min\u00e9rios. Imaginem a quantidade de ferro e cimento, trazidos de fora, chegando nesses centros e gerando crateras enormes de onde foram retirados.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de repensar as cidades, em uma perspectiva de delas aproximar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, em novos assentamentos de reforma agr\u00e1ria, o que exigiria menos transporte. Para a constru\u00e7\u00e3o civil, devemos primeiro ocupar os im\u00f3veis vazios e apenas reformar os atuais edif\u00edcios. As novas constru\u00e7\u00f5es devem fazer uso de materiais reciclados, com o reuso do entulho e da pr\u00f3pria terra extra\u00edda dos canteiros de obras, al\u00e9m de construirmos com madeira advinda dos reflorestamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c\u00c9 uma necessidade urgente.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim afirmamos, pois a emiss\u00e3o dos gases do aquecimento global n\u00e3o vai parar por si s\u00f3, pela simples raz\u00e3o de que o capital s\u00f3 \u00e9 capital quando se acumula e se expande permanentemente. Nenhuma empresa ou pa\u00eds do mundo vai abolir as tecnologias criadas pela segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial. Se compreendermos que o 1% mais rico do planeta contribui com 50% da emiss\u00e3o de gases do efeito estufa \u2013 segundo a Oxfam \u2013, a responsabiliza\u00e7\u00e3o do sistema capitalista de produ\u00e7\u00e3o pelo crime planet\u00e1rio fica ainda mais clara.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um processo que se retroalimenta e estamos alcan\u00e7ando o \u201cponto de n\u00e3o retorno\u201d muito rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para resolver, basta acabar com a ind\u00fastria de guerra, modificar a ind\u00fastria automotiva, parar com a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e com os hidrocarbonetos em geral, que geram o pl\u00e1stico e contaminante do solo dos oceanos e at\u00e9 das pessoas com os micropl\u00e1sticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como solu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de termos de plantar 80 milh\u00f5es de hectares de \u00e1rvores para a pronta capta\u00e7\u00e3o de CO2, \u00e9 necess\u00e1rio repensar o consumo e, por consequ\u00eancia, toda ind\u00fastria \u2013 com destaque para a constru\u00e7\u00e3o civil \u2013 de modo a se abolir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de repensar as cidades, os transportes, a cultura alimentar \u2013 \u00e9 poss\u00edvel dar de comer a toda humanidade de forma agroecol\u00f3gica \u2013 nas pr\u00f3prias agroflorestas, com tecnologias apropriadas, aliando preserva\u00e7\u00e3o da natureza a rela\u00e7\u00f5es de trabalho justas e democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa transformar a terra e os bens da natureza em patrim\u00f4nio p\u00fablico coletivo, com a reforma agr\u00e1ria e a reforma urbana populares. Significa descentralizar a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, desadensando os grandes centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que fatalmente implica em fazermos uma revolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 a \u00fanica alternativa que temos. N\u00e3o apenas com a tomada dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u2013 como historicamente temos defendido \u2013, mas, agora, com novos paradigmas tecnol\u00f3gicos e de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio para vivermos uma nova cultura, com outras formas de sociabilidade e felicidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Gilmar Mauro \u00e9 cientista social, da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do MST e colaborador da Rede BrCidades.\/Jade Percassi \u00e9 cientista social, do Coletivo de Cultura do MST. \/Chico Barros \u00e9 arquiteto e urbanista, do Setor de Forma\u00e7\u00e3o do MST.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2024\/10\/08\/as-cidades-a-crise-climatica-e-a-revolucao-necessaria\/\">https:\/\/mst.org.br\/2024\/10\/08\/as-cidades-a-crise-climatica-e-a-revolucao-necessaria\/<\/a> &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS CIDADES, A CRISE CLIM\u00c1TICA E A REVOLU\u00c7\u00c3O NECESS\u00c1RIA &#8211; Por Gilmar Mauro, Jade Percassi e Chico Barros[1] Fonte: Carta Capital[2] A situa\u00e7\u00e3o ambiental mundial \u00e9 extrema, o impacto nas cidades \u00e9 extremo e isso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,38,49,48,27,56,29,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-das-mulheres","category-direitos-humanos","category-meio-ambiente","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13639"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13642,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13639\/revisions\/13642"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13640"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}