{"id":13644,"date":"2024-10-12T08:38:51","date_gmt":"2024-10-12T11:38:51","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13644"},"modified":"2024-10-12T08:38:56","modified_gmt":"2024-10-12T11:38:56","slug":"um-juiz-forano-padre-joao-bosco-burnier-martirizado-na-festa-de-n-sra-aparecida-em-1976","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/um-juiz-forano-padre-joao-bosco-burnier-martirizado-na-festa-de-n-sra-aparecida-em-1976\/","title":{"rendered":"UM JUIZ FORANO: PADRE JO\u00c3O BOSCO BURNIER, MARTIRIZADO NA FESTA DE N. SRA. APARECIDA EM 1976"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>UM JUIZ FORANO: PADRE JO\u00c3O BOSCO BURNIER, MARTIRIZADO NA FESTA DE N. SRA. APARECIDA EM 1976<\/strong> &#8211; Por Pedro Ribeiro de Oliveira<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Martir-Padre-Joao-Bosco-Penido-Burnier-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13645\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Martir-Padre-Joao-Bosco-Penido-Burnier-1024x576.jpg 1024w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Martir-Padre-Joao-Bosco-Penido-Burnier-300x169.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Martir-Padre-Joao-Bosco-Penido-Burnier-768x432.jpg 768w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Martir-Padre-Joao-Bosco-Penido-Burnier-1536x864.jpg 1536w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Martir-Padre-Joao-Bosco-Penido-Burnier.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 festeja os santos e as santas no dia da sua morte, por ser este o momento em que o sentido de sua vida revela-se plenamente. Isso se aplica ainda com mais for\u00e7a quando se trata de m\u00e1rtires: quem doa sua vida pela causa do Reino de Deus. Neste 12 de outubro vamos festejar um m\u00e1rtir nascido em Juiz de Fora: o Padre Jo\u00e3o Bosco Penido Burnier, S.J.<\/p>\n\n\n\n<p>Irm\u00e3o do Padre Vicente Burnier \u2013 que permaneceu aqui e, apesar da surdez tornou-se sacerdote, atuando na Pastoral dos Surdos \u2013 Jo\u00e3o Bosco estudou na Universidade Gregoriana de Roma e foi ordenado sacerdote em 1946. Voltou para o Brasil em 1954, como vice-provincial da nossa regi\u00e3o, e participou da funda\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas de Juiz de Fora. Formado antes do Conc\u00edlio Vaticano II, numa Teologia que rejeitava a Modernidade, Padre Jo\u00e3o Bosco assumiu a renova\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja, mas conservava certos elementos do passado, como o modo de se vestir: se n\u00e3o usasse a batina, vestia roupa preta.<\/p>\n\n\n\n<p>Muita coisa mudou quando foi transferido para Diamantino (MT), para atuar como mission\u00e1rio junto aos Povos Bei\u00e7os-de-pau, Bakairi, Merure e Bororo. Ao assumir a causa ind\u00edgena, assumiu tamb\u00e9m a causa dos posseiros e pe\u00f5es que lutavam pela posse da terra. Convidado a compor a coordena\u00e7\u00e3o regional do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) Padre Jo\u00e3o Bosco participou de uma reuni\u00e3o na Prelazia de S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia, onde prolongou sua estadia para estar com o bispo Pedro Casald\u00e1liga, ent\u00e3o acusado pelos militares de atividades contr\u00e1rias ao regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto preparavam a festa de N. Sra. Aparecida em Ribeir\u00e3o Bonito, atual munic\u00edpio de Ribeir\u00e3o Cascalheira, Dom Pedro foi chamado para interceder por tr\u00eas mulheres que estavam sendo torturadas na delegacia. Padre Jo\u00e3o Bosco o acompanhou e ainda de longe podiam ouvir os gemidos de dor das mulheres. Chegando \u00e0 delegacia, Padre Burnier dirigiu-se a um dos soldados, dizendo que denunciaria a tortura \u00e0s autoridades se ela n\u00e3o terminasse naquele momento. N\u00e3o conhecendo o bispo, aquele policial pensava que fosse o homem alto, em trajes eclesi\u00e1sticos, e n\u00e3o aquele que usava sand\u00e1lias de dedo\u2026 Deu-lhe uma bofetada e desferiu um tiro de rev\u00f3lver. Gravemente ferido, o religioso n\u00e3o resistiu e faleceu na madrugada do dia seguinte, tendo sido enterrado no cemit\u00e9rio dos Jesu\u00edtas, em Diamantino.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da sua morte, o povo invadiu a delegacia, soltou os presos, destruiu e incendiou a cadeia e ergueu uma capela que at\u00e9 hoje \u00e9 visitada especialmente por ocasi\u00e3o da Romaria dos M\u00e1rtires da Caminhada, realizadas a cada 4 anos desde 1986. Nas palavras do bispo Casald\u00e1liga \u201cuma igreja que n\u00e3o guarda a mem\u00f3ria viva de seus m\u00e1rtires n\u00e3o tem direito a sobreviver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte dessa Igreja da cidade onde nasceu o Padre Jo\u00e3o Bosco Burnier, n\u00e3o podemos deixar que seu mart\u00edrio caia no esquecimento. A mem\u00f3ria de sua defesa da vida das mulheres torturadas precisa ser celebrada, para que esse mart\u00edrio seja fonte de motiva\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o evangelizadora da nossa Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Gilvander Moreira: \u201cO padre Jo\u00e3o Bosco Burnier, ap\u00f3s o soldado Ezy, na porta de uma cadeia em Ribeir\u00e3o Cascalheira, MT, dar um soco fort\u00edssimo no rosto dele e descarregar tamb\u00e9m no seu rosto um golpe de rev\u00f3lver e, num segundo gesto fulminante, o tiro fatal, no cr\u00e2nio<em>,&nbsp;<\/em>agonizando em um autom\u00f3vel pelas estradas esburacadas do Xingu, antes de morrer em Goi\u00e2nia no dia 12 de outubro de 1976, padre Jo\u00e3o Bosco lamentou com saudade comovedora ao bispo Dom Pedro Casald\u00e1liga: \u201c<em>Sinto n\u00e3o ter tomado nota do que os \u00edndios (Tapirap\u00e9) falaram.<\/em>..\u201d.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM JUIZ FORANO: PADRE JO\u00c3O BOSCO BURNIER, MARTIRIZADO NA FESTA DE N. 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