{"id":13727,"date":"2024-11-01T20:58:40","date_gmt":"2024-11-01T23:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13727"},"modified":"2024-11-01T20:58:46","modified_gmt":"2024-11-01T23:58:46","slug":"todos-os-santos-e-santas-de-deus-mt-51-12-o-anel-de-tucum-da-santidade-nossa-de-cada-dia-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/todos-os-santos-e-santas-de-deus-mt-51-12-o-anel-de-tucum-da-santidade-nossa-de-cada-dia-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"TODOS OS SANTOS E SANTAS DE DEUS: Mt 5,1-12. O ANEL DE TUCUM DA SANTIDADE NOSSA DE CADA DIA \u2013 Por Marcelo Barros\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>TODOS OS SANTOS E SANTAS DE DEUS: Mt 5,1-12. O ANEL DE TUCUM DA SANTIDADE NOSSA DE CADA DIA \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/todos-os-santos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13728\" width=\"779\" height=\"779\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/todos-os-santos.jpg 500w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/todos-os-santos-300x300.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/todos-os-santos-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 779px) 100vw, 779px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste domingo, no Brasil, dia 03 de novembro de 2024, a Igreja Cat\u00f3lica celebra todos os santos e santas.&nbsp;A festa de Todos os Santos e Santas \u00e9 a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela P\u00e1scoa de Jesus que manifesta a for\u00e7a e a beleza de sua ressurrei\u00e7\u00e3o na comunh\u00e3o dos santos e santas, ou seja, na unidade entre todas as pessoas do c\u00e9u e da terra, de cuja energia n\u00f3s todos\/as recebemos gra\u00e7as e b\u00ean\u00e7\u00e3os. C\u00e9u e terra em profunda conex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta festa, as comunidades leem o evangelho das bem-aventuran\u00e7as (Mateus 5,1\u201312). Bem-aventuran\u00e7as \u00e9 um termo que aparece de vez em quando nos salmos e nos livros prof\u00e9ticos do Primeiro Testamento b\u00edblico. Na espiritualidade popular brasileira, a b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. Os pais e m\u00e3es aben\u00e7oam os filhos e filhas. At\u00e9 quem pede esmola, agradece dizendo: Deus te aben\u00e7oe. Na espiritualidade dos povos b\u00edblicos, n\u00e3o se diz apenas Deus te aben\u00e7oe, mas \u201cBendito seja Deus por voc\u00ea, por sua vida e por tais e tais acontecimentos\u201d. Bendito seja o Amor Divino pelos alimentos que recebemos. A bendi\u00e7\u00e3o \u00e9 o estilo mais comum de ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica, \u00e9 um jeito de expressar gratid\u00e3o pelo mist\u00e9rio de amor que est\u00e1 em n\u00f3s e nos envolve. No entanto, o sujeito ou destinat\u00e1rio da bendi\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre Deus. As bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o outro tipo de bendi\u00e7\u00e3o e s\u00e3o dirigidas \u00e0s pessoas e n\u00e3o a Deus. \u00c9 como se passasse do estilo de ora\u00e7\u00e3o ritual para a ora\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, que \u00e9 dirigida \u00e0s pessoas e n\u00e3o diretamente a Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Mateus inicia o discurso da montanha, pondo na boca de Jesus oito bem-aventuran\u00e7as. Algumas tradu\u00e7\u00f5es simplesmente traduzem bem-aventurados por <em>Felizes<\/em> \u2013 as pessoas pobres de cora\u00e7\u00e3o, as pessoas humildes, as que choram e assim por diante. No entanto, a bem-aventuran\u00e7a tem um sentido mais objetivo do que apenas um sentimento ou emo\u00e7\u00e3o. Cont\u00e9m o sentimento, mas vai al\u00e9m. O padre Andr\u00e9 Chouraqui, que traduz muito literalmente o termo original, prefere a express\u00e3o: \u201c<em>Para frente, no caminho\u201d.<\/em>&nbsp;De fato, o termo bem-aventuran\u00e7as \u00e9 muito rico. Qualquer que seja a tradu\u00e7\u00e3o cont\u00e9m um aspecto, mas n\u00e3o consegue expressar toda a riqueza que o termo evang\u00e9lico cont\u00e9m. Diferentemente de aben\u00e7oado e tamb\u00e9m de feliz, bem-aventurado\/a significaria a pessoa que recebe de Deus o reconhecimento de sua dignidade e do sentido para a sua vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer que uma pessoa \u00e9 bem-aventurada \u00e9 afirmar que ela \u00e9 querida por Deus. \u00c9 algu\u00e9m que Deus proclama como sendo algu\u00e9m de sua predile\u00e7\u00e3o. N\u00e3o porque Deus queira a pobreza, ou goste que as pessoas chorem ou vivam em situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a. \u00c9 justamente o contr\u00e1rio. Deus privilegia as pessoas pobres e injusti\u00e7adas para lhes dar for\u00e7a de se libertarem e, assim, elas n\u00e3o mais serem v\u00edtimas da injusti\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades do evangelho de Mateus ainda viviam em um mundo no qual as infelicidades da vida eram atribu\u00eddas ao fato de que Deus teria esquecido essas pessoas ou at\u00e9, por alguma raz\u00e3o, as condenado \u00e0 pobreza e \u00e0 infelicidade. O mundo as considerava malvistas e mal faladas.&nbsp;Jesus subverte esse pensamento e deixa claro: Ao contr\u00e1rio, s\u00e3o justamente essas pessoas que o Pai de Amor considera bem-aventuradas: as que assumem a pobreza \u2013 viver de forma simples e austera &#8211; como op\u00e7\u00e3o de vida, as que s\u00e3o pequenas, s\u00e3o humildes, trabalham pela paz, etc&#8230; Esse \u00e9 o crit\u00e9rio de santidade de Jesus: \u00e9 uma santidade social e pol\u00edtica e n\u00e3o apenas uma forma de virtude interior e \u00edntima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A santidade que Deus quer tem um jeito diferente da imagem habitual do santo e da santa. No meio de todos os nossos problemas, fragilidades e mesmo contradi\u00e7\u00f5es, vamos testemunhando o reino divino no mundo, ou seja, a realiza\u00e7\u00e3o do projeto de justi\u00e7a e paz. Nos tempos da ditadura militar-civil-empresarial no Brasil, tempos de persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades e movimentos de base, muitos de n\u00f3s \u00e9ramos reconhecidos como sendo da caminhada por carregar no dedo o anel de tucum. Pedro Casald\u00e1liga insistia que ter esse anel era uma responsabilidade imensa: era sinal de que pertencemos \u00e0 caminhada de liberta\u00e7\u00e3o dos pobres. Como diz a carta aos Romanos: Assim como Abra\u00e3o, \u201c<em>esperando contra toda a esperan\u00e7a<\/em>\u201d (Rm 4,18), vamos em frente obedecendo \u00e0 palavra que nos mandou partir em miss\u00e3o libertadora no meio do povo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos tempos, tomamos consci\u00eancia de que essa comunh\u00e3o de amor e de participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio da Vida n\u00e3o abrange apenas as pessoas batizadas, ou seja, crist\u00e3s. Envolve, sim, todas as pessoas que, em qualquer caminho espiritual e mesmo fora das igrejas e religi\u00f5es, s\u00e3o tocadas e conduzidas pelo amor divino. \u00c9 a comunh\u00e3o dos santos e das santas que nos faz reverenciar hoje os nossos ancestrais, honrados nas espiritualidades dos povos origin\u00e1rios e tamb\u00e9m nas diversas comunidades de espiritualidade afrodescendentes: Orix\u00e1s, Inquices, Vodus e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Leonardo Boff e muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s que nos apresentam a Cosmologia atual falam da \u201ccomunidade da Vida\u201d. Fritjof Capra, cientista e f\u00edsico, escreve: \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 propriedade de um \u00fanico organismo ou esp\u00e9cie, mas de um sistema ecol\u00f3gico. Nenhum organismo individual vive em isolamento\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. N\u00f3s seres humanos somos os animais que mais dependem de todo o meio ambiente e de todos os outros seres vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O bi\u00f3logo Emmanuel Almada escreve: \u201c<em>O amor tamb\u00e9m \u00e9 fen\u00f4meno biol\u00f3gico, como belamente demonstrado por Humberto Maturana. Segundo o neurobi\u00f3logo chileno, \u201co amor \u00e9 fen\u00f4meno biol\u00f3gico que n\u00e3o requer justifica\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 o amor, a emo\u00e7\u00e3o, que fundamenta a socializa\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 ele que permite os encontros recorrentes entre os indiv\u00edduos. Para Maturana, o movimento contr\u00e1rio ao amor \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o e a indiferen\u00e7a. Convivendo com os empobrecidos e em profunda harmonia com a natureza, Francisco de Assis compreendeu que \u201cs\u00f3 o amor constr\u00f3i\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ao alargar o espectro do amor para os outros sistemas vivos, \u00e9 poss\u00edvel compreender o amor como base de todas as alian\u00e7as, n\u00e3o s\u00f3 entre humanos. \u00c9 essa tend\u00eancia de viver juntos, de aten\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a que permitiu, ao longo da hist\u00f3ria ecol\u00f3gica da terra, o encontro entre esp\u00e9cies, inclusive entre parasitas e seus hospedeiros. Foi assim, num processo amoroso, como nos ensinou Lynn Margulis, que h\u00e1 bilh\u00f5es de anos, na imensid\u00e3o dos mares primevos, uma bact\u00e9ria aer\u00f3bica penetrou em outra anaer\u00f3bica (como parasita ou como alimento, n\u00e3o se sabe), formando os primeiros eucariotos dos quais descendemos (Lynn, 1967, p. 14). (&#8230;) \u00c9 o jogo autopoi\u00e9tico que caracteriza o encontro entre sistemas vivos descrito tamb\u00e9m por Maturana e Varela, onde se muda para continuar a ser (o mesmo)<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria de Maturana e Varela pode nos ajudar a compreender melhor quando Leonardo Boff, junto a pensadores de todo o mundo, afirma a espiritualidade como o desenvolvimento desta abertura interior ao amor e processo de amadurecimento interior e de plena realiza\u00e7\u00e3o humana \u00e9 dimens\u00e3o antropol\u00f3gica universal e se manifesta muito al\u00e9m das religi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta festa dos santos e santas, podemos escutar de novo o chamado divino para a santidade que hoje toma forma diferente de outros tempos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso abrirmos os olhos para esse novo olhar sobre a realidade e a nossa voca\u00e7\u00e3o. A festa de hoje confirma cada um\/uma de n\u00f3s nessa caminhada. Vamos em frente e com esperan\u00e7a de que nossa vit\u00f3ria n\u00e3o vem de uma conjuntura mais positiva, mas sim da for\u00e7a do amor divino que est\u00e1 em n\u00f3s. Esse \u00e9 o segredo da santidade nossa de cada dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, a comunidade ecum\u00eanica de Taiz\u00e9 tem uma ora\u00e7\u00e3o muito repetida na prece do meio dia que diz: <em>Guarda-nos, Senhor, na alegria, na simplicidade e na miseric\u00f3rdia, segundo o evangelho (das bem-aventuran\u00e7as). Aben\u00e7oa-nos nesse caminho..\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; FRITJOF CAPRA, <strong>As Conex\u00f5es Ocultas, Ci\u00eancia para uma vida sustent\u00e1vel, <\/strong>Sao Paulo, Ed. Cultrix, 2002, p. 23.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TODOS OS SANTOS E SANTAS DE DEUS: Mt 5,1-12. O ANEL DE TUCUM DA SANTIDADE NOSSA DE CADA DIA \u2013 Por Marcelo Barros\u00a0 Neste domingo, no Brasil, dia 03 de novembro de 2024, a Igreja<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,38,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13727","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13727"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13729,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13727\/revisions\/13729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13728"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}