{"id":13730,"date":"2024-11-02T07:54:07","date_gmt":"2024-11-02T10:54:07","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13730"},"modified":"2024-11-02T07:54:12","modified_gmt":"2024-11-02T10:54:12","slug":"jubileu-para-toda-a-humanidade-o-novo-jubileu-a-fe-biblica-e-igreja-em-saida-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/jubileu-para-toda-a-humanidade-o-novo-jubileu-a-fe-biblica-e-igreja-em-saida-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"JUBILEU PARA TODA A HUMANIDADE (O NOVO JUBILEU, A F\u00c9 B\u00cdBLICA E IGREJA EM SA\u00cdDA) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>JUBILEU PARA TODA A HUMANIDADE (O NOVO JUBILEU, A F\u00c9 B\u00cdBLICA E IGREJA EM SA\u00cdDA) \u2013 Por <\/strong>Marcelo Barros<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mb5-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13731\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mb5-1024x682.jpeg 1024w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mb5-300x200.jpeg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mb5-768x512.jpeg 768w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mb5-1536x1023.jpeg 1536w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mb5-420x280.jpeg 420w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mb5.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Marcelo Barros. <em>Foto: <\/em>Paulo Ara\u00fajo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de dez anos, o papa Francisco tem provocado as Igrejas e o mundo com algumas palavras-chave, que, intercedendo \u00e0s pessoas e \u00e0s comunidades para que deem novos passos na dire\u00e7\u00e3o da renova\u00e7\u00e3o eclesial que o Conc\u00edlio Vaticano II prop\u00f4s (1962-1965). Como se pode comprovar nos acontecimentos hist\u00f3ricos, por diversos fatores, essa renova\u00e7\u00e3o conciliar foi interrompida durante, ao menos, quatro d\u00e9cadas, especialmente pela atua\u00e7\u00e3o de papas, bispos, padres e grupos cat\u00f3licos tradicionalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dez anos, em meio \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria estrutura, mas, de forma prof\u00e9tica e audaz, o papa Francisco tem proposto princ\u00edpios como \u201cIgreja dos pobres, miseric\u00f3rdia, Igreja em sa\u00edda, sinodalidade e outros crit\u00e9rios para que as comunidades crist\u00e3s voltem \u00e0s fontes do Evangelho e da f\u00e9 e, ao mesmo tempo, dialoguem com a humanidade e se coloquem a servi\u00e7o da paz, da justi\u00e7a e do cuidado com a M\u00e3e-Terra e a Vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Feitas estas considera\u00e7\u00f5es, \u00e9 pertinente nos perguntarmos no que a convoca\u00e7\u00e3o do novo Jubileu da Esperan\u00e7a, convocado pelo papa Francisco e marcado para o ano de 2025, tem rela\u00e7\u00e3o<s>&nbsp; <\/s>com esse caminho de renova\u00e7\u00e3o eclesial. Principalmente, \u00e9 urgente pensar em que esse Jubileu poder\u00e1 contribuir com as atuais causas urgentes e necess\u00e1rias da humanidade, especialmente as que dizem respeito \u00e0s pessoas empobrecidas e \u00e0s minorias.<\/p>\n\n\n\n<p>O papa Francisco convocou esse novo Jubileu ordin\u00e1rio para 2025 atrav\u00e9s da Bula <em>Spes non confundit<\/em>, (A esperan\u00e7a n\u00e3o confunde), de 9 de maio de 2024. A bula papal se refere ao in\u00edcio da hist\u00f3ria dos jubileus de forma positiva. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 como esquecer que a institui\u00e7\u00e3o do Jubileu come\u00e7ou em uma Igreja que ainda se movia com o esp\u00edrito de Cruzadas e os fieis sofriam o peso do sistema de penit\u00eancia que, na \u00e9poca, parecia ser o elemento mais importante da f\u00e9. A Igreja ensinava que Deus perdoa gratuitamente a culpa do pecado, mas, al\u00e9m da culpa, o pecado acarreta uma pena. Por essa pena que o pecado gera, \u00e9 necess\u00e1rio pagar, em penit\u00eancia e (ou) em dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o entre culpa e pena do pecado foi importante para os cofres da Igreja medieval. Ao criar o primeiro Jubileu no ano 1300, o papa Bonif\u00e1cio VIII incentivou a peregrina\u00e7\u00e3o a Roma, seguida das exig\u00eancias para se receber a indulg\u00eancia plen\u00e1ria das culpas e das d\u00edvidas <a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste percurso hist\u00f3rico, sabe-se que, desde o come\u00e7o, o assunto das indulg\u00eancias foram motivo de divis\u00e3o e de conflitos na Igreja. No s\u00e9culo XVI, o conflito com Lutero e os reformadores come\u00e7ou, principalmente, sobre a quest\u00e3o das indulg\u00eancias. At\u00e9 hoje, nos di\u00e1logos entre as Igrejas crist\u00e3s, o assunto das indulg\u00eancias provoca divis\u00e3o. Na prepara\u00e7\u00e3o do Jubileu do ano 2000, a Federa\u00e7\u00e3o Luterana Mundial se disp\u00f4s a participar da prepara\u00e7\u00e3o do Jubileu para propor ao mundo o perd\u00e3o das d\u00edvidas econ\u00f4micas dos pa\u00edses pobres. No entanto, em Roma, os irm\u00e3os e irm\u00e3s luteranos ficaram t\u00e3o impressionados com o eclesiocentrismo e a arrog\u00e2ncia com a qual senhores da hierarquia cat\u00f3lica davam ao Jubileu a dire\u00e7\u00e3o de uma devo\u00e7\u00e3o medieval, centrada na obten\u00e7\u00e3o da \u201cindulg\u00eancia plen\u00e1ria\u201d que decidiram deixar a comiss\u00e3o e declararam que se afastavam porque a penit\u00eancia deveria ter como meta o louvor de Deus e n\u00e3o a institui\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica. Na nota publicada para explicar sua sa\u00edda, declararam: <em>\u201co centro da f\u00e9 n\u00e3o pode ser a Igreja e sim unicamente Jesus Cristo\u201d<\/em> <a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste Jubileu da Esperan\u00e7a que o papa Francisco convoca para 2025, o site oficial do Jubileu afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO sinal peculiar e identificador do Ano Jubilar, tal como foi transmitido desde o primeiro Jubileu no ano 1300, \u00e9 a indulg\u00eancia que &#8220;pretende exprimir a plenitude do perd\u00e3o de Deus que n\u00e3o conhece fronteiras&#8221; atrav\u00e9s do Sacramento da Penit\u00eancia e dos sinais da caridade e da esperan\u00e7a\u00bb<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que a primeira quest\u00e3o que esse documento suscita \u00e9 uma quest\u00e3o de base. N\u00e3o se pode negar que, queira a hierarquia romana ou n\u00e3o, entre os cat\u00f3licos e cat\u00f3licas conscientes, no mundo atual, um n\u00famero cada vez menor&nbsp; e justamente os menos cr\u00edticos vivem ainda hoje essa cultura ligada ao pecado e \u00e0 necessidade de buscar frequentemente o sacramento da Penit\u00eancia, como era praticado h\u00e1 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensem voc\u00eas mesmos (as): em nossas comunidades, quantas pessoas est\u00e3o seriamente preocupadas em obter da hierarquia eclesi\u00e1stica o perd\u00e3o das culpas e das penas do pecado? Ali\u00e1s, atualmente, quantos cat\u00f3licos e cat\u00f3licas t\u00eam conhecimento do que significa indulg\u00eancia plen\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a quantos cat\u00f3licos e cat\u00f3licas, interessa que o papa abra as portas santas das bas\u00edlicas papais de Roma para receberem indulg\u00eancia plen\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que a linguagem e o m\u00e9todo com os quais esse Jubileu est\u00e1 sendo convocado sup\u00f5e um modelo de Igreja-Cristandade que deveria ter sido superado, principalmente, nesse contexto de uma Igreja sinodal e que valoriza as Igrejas particulares. No <strong><em>Avvenire, <\/em><\/strong>jornal di\u00e1rio da Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos Italianos (CEI), uma leitora chamada Maria Pia Vinciguerra escreveu como pergunta ao editor do jornal: \u201cEsse jubileu se arrisca de perder o seu verdadeiro sentido. Em Roma, se multiplicam canteiros de obra, os alugueis e pre\u00e7os de casa sobem de forma descomunal e a prefeitura se prepara para receber ao menos quatro milh\u00f5es de turistas ou peregrinos. Como ser\u00e1 que Jesus Cristo veria isso?\u201d<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, podemos pressupor que a maioria dos irm\u00e3os e irm\u00e3s, agentes de pastorais sociais estejam preocupados (as) em celebrar esse Jubileu n\u00e3o no contexto da velha Cristandade e sim como evento de uma comunh\u00e3o de Igrejas locais com outra eclesiologia e outra espiritualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que a comunh\u00e3o das Igrejas locais (ou particulares) \u00e9 a Igreja Universal, da qual a Igreja particular de Roma \u00e9 primaz e ministra da Unidade e n\u00e3o deve ser confundida com a Igreja Universal. Se isso n\u00e3o fica claro, &nbsp;provavelmente, mesmo desejando uma renova\u00e7\u00e3o eclesial, estar\u00edamos vivendo e alimentando o antigo sistema religioso, que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 estranho ao evangelho, mas vai contra a proposta de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>O papa prop\u00f5e que esse seja o Jubileu da Esperan\u00e7a. Cabe a cada um (uma) de n\u00f3s garantir que a esperan\u00e7a lan\u00e7ada nesse Jubileu se diferencie de um conceito ainda comum no nosso mundo de compreender a esperan\u00e7a como mera passividade. Como cantava Geraldo Vandr\u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEsperar n\u00e3o \u00e9 saber.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quem sabe faz a hora,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>n\u00e3o espera acontecer\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o sentido b\u00edblico da esperan\u00e7a \u00e9 a expectativa e prepara\u00e7\u00e3o do reino de Deus, atrav\u00e9s de sinais como as curas e a comunh\u00e3o que antecipam o reinado divino no mundo. No Brasil, o educador Paulo Freire ressaltou a esperan\u00e7a que vem do verbo esperan\u00e7ar e n\u00e3o apenas de um esperar que pode ser passivo. Essa intui\u00e7\u00e3o freiriana \u00e9 profundamente b\u00edblica. Nessa mesma compreens\u00e3o, Byung-Chul Ham, fil\u00f3sofo coreano radicado na Alemanha, afirma: \u201c<em>Ao contr\u00e1rio do otimismo que n\u00e3o se coloca em caminho porque n\u00e3o carece de nada para existir, a esperan\u00e7a representa um movimento de busca. \u00c9 uma tentativa de ganhar apoio e dire\u00e7\u00e3o. Avan\u00e7a para o desconhecido e o que ainda n\u00e3o \u00e9, ultrapassando o sido, indo al\u00e9m do j\u00e1 existente. (&#8230;) P\u00f5e-se a caminho do novo, do completamente diferente, daquilo que nunca existiu<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso coincide com o que em uma de suas catequeses, o papa Francisco ensina:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO ap\u00f3stolo Paulo nos ajuda a colocar em foco o la\u00e7o estreit\u00edssimo entre a f\u00e9 e a esperan\u00e7a. Ele de fato afirma que Abra\u00e3o \u201cacreditou, firme na esperan\u00e7a contra toda esperan\u00e7a\u201d (Rm 4, 18). A nossa esperan\u00e7a n\u00e3o se rege por racioc\u00ednios, previs\u00f5es e seguran\u00e7as humanas; e se manifesta l\u00e1 onde n\u00e3o h\u00e1 mais esperan\u00e7a, onde n\u00e3o h\u00e1 mais nada em que esperar, justamente como acontece com Abra\u00e3o, diante de sua morte iminente e da esterilidade da mulher Sara. Aproximava-se o fim para eles, n\u00e3o podiam ter filhos e naquela situa\u00e7\u00e3o Abra\u00e3o acreditou e teve esperan\u00e7a contra toda esperan\u00e7a. E isso \u00e9 grande! A grande esperan\u00e7a se enra\u00edza na f\u00e9, e justamente por isso \u00e9 capaz de seguir al\u00e9m de toda esperan\u00e7a. Sim, porque n\u00e3o se baseia na nossa palavra, mas na Palavra de Deus<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>1 \u2013 Jubileu de uma Igreja em sa\u00edda e de tipo sinodal?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel conceber um Jubileu que se realize em um modelo novo de Igreja?&nbsp; Ou ser\u00e1 que os irm\u00e3os nos minist\u00e9rios ordenados, bispos em suas dioceses, p\u00e1rocos em suas par\u00f3quias mais abertas ao mundo e tamb\u00e9m os irm\u00e3os e irm\u00e3s, agentes de pastoral, inseridos ena caminhada das comunidades eclesiais de base e nos movimentos sociais, mesmo se dedicando com todas as suas for\u00e7as \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da Igreja na linha do evangelho, podem estar, contraditoriamente, refor\u00e7ando o modelo eclesial da velha Cristandade?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso sermos sinceros e realistas: nesse modelo antigo, n\u00e3o parece haver lugar para propostas como sinodalidade, Igreja em sa\u00edda e Cristianismo da Liberta\u00e7\u00e3o. E o clima de desilus\u00e3o que vimos nesse final do S\u00ednodo sobre a sinodalidade revela isso claramente. Depois de tantos anos de di\u00e1logo, o papa reserva a si dez quest\u00f5es fundamentais a serem decididas e o s\u00ednodo se conclui por certo esvaziamento de suas expectativas. O documento final chega a afirmar que Jesus Cristo quis e fundou a estrutura hier\u00e1rquica da Igreja. Isso significa que sinodalidade sim, mas desde que n\u00e3o toque no poder absoluto da hierarquia. E continuamos assim a procurar o quadrado do c\u00edrculo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 grave porque essa tens\u00e3o que existe nos ambientes pastorais e a encruzilhada com a qual se defronta qualquer pessoa que se insere nos muitos esfor\u00e7os e trabalhos de prepara\u00e7\u00e3o a esse Jubileu da Esperan\u00e7a 2025 sabe que o mundo precisa urgentemente de um jubileu de paz e de justi\u00e7a. E o povo de Deus tem o direito de viver um jubileu novo e mais profundo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na bula de convoca\u00e7\u00e3o para o Jubileu, o papa Francisco afirmou claramente: \u201c<em>Penso em todos os peregrinos de esperan\u00e7a, que chegar\u00e3o a Roma para viver o Ano Santo e em quantos, n\u00e3o podendo vir \u00e0 Cidade dos ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, v\u00e3o celebr\u00e1-lo nas Igrejas particulares<\/em>\u201d (n. 1).<\/p>\n\n\n\n<p>Na bula, o papa ainda prop\u00f5e que as dioceses retomem e valorizem \u201c<em>os mission\u00e1rios e mission\u00e1rias da miseric\u00f3rdia<\/em>\u201d (n. 23), especialmente para ir onde as pessoas t\u00eam mais dificuldade de manter a esperan\u00e7a. Pede que <em>\u201cnos mantenhamos todos e todas mais pr\u00f3ximos das juventudes<\/em>\u201d (n. 12). Prop\u00f5e que, nesse jubileu, se pense um modo de celebrar o mart\u00edrio que reconhe\u00e7a e valorize os m\u00e1rtires das diversas Igrejas crist\u00e3s que constituem o que o papa chamou de \u201c<em>ecumenismo de sangue<\/em>\u201d (n. 20).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o papa prop\u00f5e que o Jubileu tenha um alcance que v\u00e1 para al\u00e9m das Igrejas. Expressa e defende a constru\u00e7\u00e3o de &nbsp;\u201c<em>uma alian\u00e7a social em prol da esperan\u00e7a<\/em>\u201d, iniciativa cada vez mais necess\u00e1ria no mundo dos empobrecidos e empobrecidas, que a sociedade dominante trata como descart\u00e1veis. Pede que <em>a imensa quantia econ\u00f4mica gasta nas guerras seja transferida para o cuidado das pessoas mais pobres e a defesa da M\u00e3e-Terra e da natureza,<\/em> assim como prop\u00f5e que <em>as pot\u00eancias ricas cancelem as d\u00edvidas dos pa\u00edses pobres <\/em>(n. 16). (Trata-se de cancelar e n\u00e3o de perdoar, j\u00e1 que, em geral, essas d\u00edvidas j\u00e1 foram mais do que pagas). Pede que o jubileu possa servir para a anistia de prisioneiros\/as e para a aboli\u00e7\u00e3o total da pena de morte, ainda vigente em alguns pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas dessas propostas, o papa j\u00e1 tinha formulado em enc\u00edclicas como a Fratelli Tutti e em muitos dos seus discursos. O fato de n\u00e3o terem sido suficientemente valorizadas, ou terem exercido pouca ou nenhuma consequ\u00eancia na pol\u00edtica dos pa\u00edses, mesmo aqueles cujos governos se apresentam como crist\u00e3os, comprova que a Cristandade, especialmente aquela que estava amalgamada com Estado, n\u00e3o existe mais como a conhec\u00edamos. Disso decorre que a hierarquia eclesi\u00e1stica n\u00e3o \u00e9 mais refer\u00eancia de orienta\u00e7\u00e3o para nenhum governo ou pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o fato de que at\u00e9 aqui essas propostas n\u00e3o t\u00eam conseguido criar nas bases uma contracultura que acentue esses valores de paz e de justi\u00e7a ecossocial revela que, no fundo, muitas Igrejas locais n\u00e3o aderem \u00e0s propostas do papa, quando essas se colocam na dire\u00e7\u00e3o da supera\u00e7\u00e3o do velho modelo de Igreja-Cristandade e na constru\u00e7\u00e3o de uma comunh\u00e3o eclesial baseada na sinodalidade e em sa\u00edda, a partir das periferias do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do que at\u00e9 aqui, foi explanado, algu\u00e9m pode se perguntar at\u00e9 que ponto as categorias de <em>sinodalidade<\/em> e de <em>Igreja em sa\u00edda<\/em> mudam alguma coisa na forma como esse novo jubileu est\u00e1 sendo preparado e, concretamente, se realizar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o fundamental \u00e9 se, neste novo tempo, do seio est\u00e9ril da velha Sara poder\u00e1 surgir uma vida nova, ou seja, um novo Isaac, filho da esperan\u00e7a. Em outras palavras: o que ser\u00e1 poss\u00edvel, mesmo a partir das velhas estruturas, pensar e fazer como profecia da esperan\u00e7a para o mundo e para as comunidades, no contexto desse Jubileu da Esperan\u00e7a? Que luzes de esperan\u00e7a, mesmo pequenas, poder\u00e3o surgir e refulgir?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta a essas perguntas n\u00e3o poder\u00e1 vir da B\u00edblia, nem de nenhuma tradi\u00e7\u00e3o antiga. \u00c9 um desafio novo que s\u00f3 poder\u00e1 ser respondido a partir da abertura a uma nova perspectiva de eclesialidade e de miss\u00e3o. No entanto, ser\u00e1 sempre \u00fatil ter clareza dos fundamentos b\u00edblicos que podemos encontrar para o que hoje se chama Jubileu na Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>2 \u2013 O \u201cs\u00e1bado\u201d na alian\u00e7a divina<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o na qual est\u00e1 assentada a proposta do Jubileu se encontra especificamente no cap\u00edtulo 25 do livro do Lev\u00edtico e tem alus\u00f5es em alguns trechos das profecias do 3\u00ba Isa\u00edas, o que deixa claro que se trata de uma legisla\u00e7\u00e3o que surgiu depois do tempo do cativeiro da Babil\u00f4nia. Isso significa que a ideia do Jubileu b\u00edblico prov\u00e9m do s\u00e9culo V antes de Cristo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estudamos hoje os diversos c\u00f3digos de leis contidos nos livros do \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros e Deuteron\u00f4mio, encontramos muitas leis e costumes que eram comuns a diversos povos e legisla\u00e7\u00f5es antigas, hoje, conhecidas. No entanto, as leis ligadas ao s\u00e1bado, ao ano sab\u00e1tico e ao Jubileu, n\u00e3o se encontram equivalentes em outros c\u00f3digos antigos do Oriente M\u00e9dio. \u00c9 pr\u00f3prio da f\u00e9 b\u00edblica. A lei sobre o s\u00e1bado tem v\u00e1rias formula\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Seis dias trabalhar\u00e1s. No s\u00e9timo dia, deves descansar para que repousem o teu boi, o teu cavalo e tenham um respiro o filho de tua serva e o estrangeiro<\/em>\u201d (Ex 23, 12). Ent\u00e3o, o primeiro significado do s\u00e1bado \u00e9 ser tempo de descanso: descanso das pessoas, dos animais e da pr\u00f3pria terra. Tamb\u00e9m na proclama\u00e7\u00e3o do dec\u00e1logo (Ex 20, 8- 11), a proposta \u00e9 \u201c<em>santificar o dia do s\u00e1bado<\/em>\u201d. Antes de tudo, essa santifica\u00e7\u00e3o se d\u00e1 n\u00e3o para que se fa\u00e7a algum culto ou rito especial, mas simplesmente pelo fato de n\u00e3o se trabalhar. Portanto, o mais sagrado \u00e9 o descanso. \u00c9 o direito ao descanso da Terra e dos que trabalham no campo. Nesses casos, a lei busca proteger a vida dos pobres e p\u00f4r um freio \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que a exig\u00eancia do S\u00e1bado foi especialmente importante na \u00e9poca do cativeiro babil\u00f4nico, quando os israelitas exilados, mas tamb\u00e9m os que ficaram na terra como servos dos propriet\u00e1rios babil\u00f4nicos, reivindicavam um dia livre para descansar e reconstruir sua consci\u00eancia e sua f\u00e9. Mesmo se hoje, j\u00e1 n\u00e3o se defende mais a teoria das quatro fontes do Pentateuco, conforme a maioria dos estudos, foi a partir da experi\u00eancia do cativeiro babil\u00f4nico, que foi escrito o relato da cria\u00e7\u00e3o que se encontra na primeira p\u00e1gina da B\u00edblia (Gn 1, 1 a 2, 3). Nesse texto, a plenitude ou cume de toda a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 o descanso do Senhor (JHWH), para, assim, legitimar o descanso dos escravos hebreus. Nos seus in\u00edcios, o s\u00e1bado teve assim um sentido social e religioso libertador (Dt 5,14-15).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a lei, assim como os dias t\u00eam o seu s\u00e1bado (o s\u00e9timo dia), tamb\u00e9m os anos t\u00eam o s\u00e1bado de anos (o s\u00e9timo ano). Mais do que apenas o descanso, o ano sab\u00e1tico era a proposta de libertar os escravos (ningu\u00e9m deveria ser escravo por mais de seis anos). Para isso, se deveriam perdoar as d\u00edvidas. Comumente era o endividamento que fazia com que as pessoas ca\u00edssem escravas dos credores e era preciso dar o descanso \u00e0 terra (Cf. Ex 21, 2 ss; 23, 10 e Lv 25).<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, a lei do ano sab\u00e1tico era dif\u00edcil para um povo que vivia da agricultura e dependia das colheitas. Como deixar a terra um ano inteiro sem cultivar? Provavelmente, o ano era sab\u00e1tico para alguns e o pr\u00f3ximo ano era sab\u00e1tico para outros, de modo que, enquanto uma turma descansava, a outra trabalhava. N\u00e3o era poss\u00edvel que todos parassem ao mesmo tempo. Tamb\u00e9m, possivelmente na hist\u00f3ria, os ricos come\u00e7aram a encontrar formas de exigir pagamento da d\u00edvida. Se no pr\u00f3ximo ano, automaticamente, a d\u00edvida teria de ser perdoada, o devedor prometia ao credor: \u201c<em>Por favor, me ajude que eu prometo pagar, mesmo em ano sab\u00e1tico\u201d. <\/em>E assim o ano sab\u00e1tico n\u00e3o funcionava do modo como tinha sido o projeto dos profetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o tempo do ex\u00edlio babil\u00f4nico terminou (538 A. C), a elite judaica que voltou para Jerusal\u00e9m quis reconstruir o templo, refazer a cidade e as institui\u00e7\u00f5es do passado. Uma comunidade disc\u00edpula do profeta Isa\u00edas (comumente chamada de 3\u00ba Isa\u00edas) se op\u00f4s a esse projeto e mostrou que o priorit\u00e1rio era reconstruir a vida e a liberdade do povo. O mais urgente era \u201c<em>proclamar um ano de gra\u00e7a e de justi\u00e7a do nosso Deus<\/em>\u201d (Is 61,1- 4).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Lucas, Jesus tomou esse texto para ler na sinagoga em Nazar\u00e9 e ali anunciar o seu projeto de vida e miss\u00e3o (Lc 4, 16- 21)<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>3 \u2013 A institui\u00e7\u00e3o do Jubileu<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00c9 prov\u00e1vel que o Ano Jubilar tenha sido institu\u00eddo, quando os profetas perceberam que o ano sab\u00e1tico j\u00e1 n\u00e3o funcionava. De acordo com o que est\u00e1 escrito no cap\u00edtulo 25 do livro do Lev\u00edtico, j\u00e1 n\u00e3o basta a institui\u00e7\u00e3o de um ano sab\u00e1tico, de sete em sete anos. Agora, ao menos de 50 em 50 anos, ou seja, no ano seguinte ao s\u00e9timo ano de sete sab\u00e1ticos, ocorreria o Jubileu. Chama-se assim por causa do <em>yobel<\/em>, o chifre de carneiro que servia de trombeta e deveria ser tocado para o come\u00e7o do ano de liberta\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ano do Jubileu consistiria em principalmente quatro elementos ou a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba&nbsp; &#8211; o perd\u00e3o das d\u00edvidas \u2013 de todas as d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba &#8211; a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos e escravas.<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba &#8211; a reforma agr\u00e1ria, ou seja, a redistribui\u00e7\u00e3o das terras.<\/p>\n\n\n\n<p>4\u00ba &#8211; o descanso da terra (hoje, dir\u00edamos ecologia integral).<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena perceber que at\u00e9 hoje no mundo, talvez sejam esses pontos fundamentais que unem os povos da Terra em uma luta conjunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a parte do povo judeu que tinha sido exilada voltou da Babil\u00f4nia para a Judeia, encontrou suas antigas terras ocupadas por colonos pobres que as cultivavam a servi\u00e7o de patr\u00f5es, muitas vezes, estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O cativeiro da Babil\u00f4nia havia durado exatamente&nbsp; 49 anos: do ano 587 a 538 a.C. Os judeus importantes (sacerdotes, nobres, etc) quiseram recuperar suas terras. H\u00e1 uma possibilidade de que a lei de devolver a terra no quinquag\u00e9simo ano aos seus antigos donos tenha surgido a partir do interesse desses setores, os sacerdotes que voltaram do Egito e queriam suas terras de volta. De certa forma, podemos comparar com o que acontece em nossos dias com as terras ind\u00edgenas que, em algumas regi\u00f5es do Brasil, h\u00e1 d\u00e9cadas est\u00e1 ocupada por posseiros. Assim, posseiros e ind\u00edgenas se veem como inimigos e os grandes propriet\u00e1rios ficam poupados. De fato, ind\u00edgenas e posseiros s\u00e3o ambos vitimas do sistema colonialista e escravocrata que corresponde hoje ao que eram imp\u00e9rios &nbsp;como o babil\u00f4nico do tempo antigo no qual surgiu a lei do jubileu.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja como for, o clima libertador do texto e o esp\u00edrito da tradi\u00e7\u00e3o anterior nos fazem pensar que o Jubileu era a favor do povo pobre da terra, que na B\u00edblia hebraica \u00e9 chamada de <em>am\u2019as haretz<\/em>, fam\u00edlias que haviam perdido terra e vivido de d\u00edvidas n\u00e3o pagas.<\/p>\n\n\n\n<p>A B\u00edblia conta que nos tempos de Neemias (445 a. C) ocorreu um clamor popular contra os judeus nobres. Neemias convoca uma assembleia e repreende os nobres. Ficou ent\u00e3o decidido que, para haver justi\u00e7a, se proclamaria uma liberta\u00e7\u00e3o dos escravos e um perd\u00e3o geral das d\u00edvidas (Ne 5,1-13). Nisso, consiste exatamente o ano do Jubileu, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 contado de 50 em 50 anos e sim quando o clamor dos oprimidos exige.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem acredite que o ano do Jubileu nunca foi exatamente praticado. Ele s\u00f3 poderia acontecer em um pa\u00eds no qual o povo pudesse ser dono de sua terra, mas esta lei surgiu justamente depois do dom\u00ednio babil\u00f4nico, quando o povo b\u00edblico permaneceu no dom\u00ednio persa; depois, veio a domina\u00e7\u00e3o dos gregos, em seguida dos s\u00edrios e, finalmente, no tempo de Jesus, dos romanos. N\u00e3o havia terra nem escravos para serem libertados porque n\u00e3o havia quem os libertasse. Todos eram dominados e subjugados a estrangeiros. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel funcionar jubileu em um mundo no qual a desigualdade \u00e9 vista como estrutura normal da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>De todo modo, a lei do Jubileu ficou sempre na consci\u00eancia do povo da B\u00edblia como reivindica\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica em defesa dos mais pobres. Ela recorda que a terra, a vida e a liberdade s\u00e3o dons divinos e n\u00e3o podem ser vendidos e comprados. Nenhum ser humano \u00e9 dono desses bens. Hoje h\u00e1 empresas que fazem at\u00e9 patentes \u2013 (t\u00edtulos) que as constituem como donas da sa\u00fade e da Vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>4 \u2013 Jesus, o jubileu e o reino.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 recordamos que, conforme Lucas, Jesus come\u00e7ou sua miss\u00e3o proclamando um ano jubilar e n\u00e3o apenas para israelitas e sim para todos, come\u00e7ando pelos \u201cde fora\u201d (Lc 4, 16 \u2013 21). A miss\u00e3o de Jesus \u00e9 trazer a liberta\u00e7\u00e3o a todos os oprimidos e \u201c<em>proclamar o ano de gra\u00e7a da parte de<\/em> <em>Deus<\/em>\u201d. Ali Jesus rejeita o projeto messi\u00e2nico como restaura\u00e7\u00e3o da monarquia dav\u00eddica contra o imp\u00e9rio romano, assim como rejeita a restaura\u00e7\u00e3o do templo de Jerusal\u00e9m. O projeto do reino em Jesus \u00e9 o compromisso com a vida das pessoas doentes, pessoas quebradas e oprimidas<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, as Igrejas t\u00eam dificuldade em compreender e aceitar isso. Aceitam um projeto religioso, uma esp\u00e9cie de jubileu espiritualista e centrada na pr\u00f3pria hierarquia eclesi\u00e1stica. No entanto, esse n\u00e3o \u00e9 o projeto de Jesus que parte do mais concreto e vai al\u00e9m do religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Um jubileu que usa os termos de Jesus mas para aplic\u00e1-los ao mundo interno da Igreja Cat\u00f3lica e se restringe a ritos e gestos simb\u00f3licos de car\u00e1ter eclesi\u00e1stico e espiritualista, al\u00e9m de n\u00e3o ter nada a ver com a proposta de Jesus no evangelho, \u00e9 contr\u00e1rio ao testemunho do projeto divino que deveria transformar o mundo. Conforme o texto de Lucas 4, 16- 31, Jesus n\u00e3o aceitou esse jubileu s\u00f3 interno e, por isso, os religiosos da sinagoga de Nazar\u00e9 sa\u00edram dali dispostos a mat\u00e1-lo (Cf. Lc 4,30).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Mateus, h\u00e1 uma alus\u00e3o ao projeto do jubileu na pr\u00f3pria proposta de ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensina aos disc\u00edpulos (Mt 6, 9 \u2013 15). O Pai Nosso seria, assim, uma ora\u00e7\u00e3o que sup\u00f5e a realiza\u00e7\u00e3o do Jubileu. Cada frase da ora\u00e7\u00e3o nos faz assumir o projeto divino (<em>santificado seja o teu nome, venha o teu reino e fa\u00e7a-se a tua vontade<\/em>). Confia a Deus os problemas ou desafios da comunidade que se tornam pedidos: <em>d\u00e1-nos o p\u00e3o de cada dia e perdoa nossas d\u00edvidas<\/em>. E liberta-nos do que nos amea\u00e7a: <em>a tenta\u00e7\u00e3o e o mal<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do Conc\u00edlio Vaticano II, em algumas l\u00ednguas atuais, a Igreja Cat\u00f3lica e outras Igrejas traduziram o texto da ora\u00e7\u00e3o mudando <em>d\u00edvidas<\/em> por <em>ofensas. <\/em>De fato, na vers\u00e3o de Lucas, o termo se pode traduzir por ofensa ou pecado. Mas, n\u00e3o em Mateus. Ali o termo se refere claramente \u00e0 d\u00edvida econ\u00f4mica. No contexto da ora\u00e7\u00e3o (conforme Mateus), se diz que a comunidade cumpriu a exig\u00eancia do ano sab\u00e1tico ou do jubileu: (\u201c<em>assim como n\u00f3s j\u00e1 temos perdoado aos nossos devedores (<\/em>no grego<em> ofeiletes\u201d- <\/em>o verbo grego est\u00e1 no aoristo que indica uma a\u00e7\u00e3o j\u00e1 passada). E essa comunidade pede a Deus que proclame um ano jubilar para que sejam perdoada a d\u00edvida (<em>ofeile<\/em>) que temos com os nossos credores<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante reler o relato de Pentecostes \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o ou da espiritualidade do Jubileu. Como j\u00e1 vimos, Jesus anunciou em Nazar\u00e9 um novo ano de Jubileu a partir do fato de que o Esp\u00edrito Santo veio sobre ele e o enviou (Lc 4, 16- 19). Conforme a comunidade de Lucas, aquela proclama\u00e7\u00e3o do Jubileu na sinagoga de Nazar\u00e9 foi o Pentecostes de Jesus. Ali, ele recebeu o Esp\u00edrito Santo, como os ap\u00f3stolos, disc\u00edpulos e disc\u00edpulas receber\u00e3o depois da ressurrei\u00e7\u00e3o na festa de Pentecostes. Receber\u00e3o o Esp\u00edrito como dom messi\u00e2nico para curar, libertar e proclamar os sinais do reino de Deus que vem para transformar esse mundo (Atos 2).<\/p>\n\n\n\n<p>O sopro divino que abriu as \u00e1guas do mar para a liberta\u00e7\u00e3o dos antigos hebreus agora abre as \u00e1guas do batismo \u2013 mergulho \u2013 para uma vida nova que realiza a igualdade (n\u00e3o h\u00e1 mais diferen\u00e7as entre judeus e gregos, escravos e livres, homens e mulheres) \u2013 Gl 3, 27- 28). E Paulo reafirma: \u201c<em>Onde estiver o Esp\u00edrito de Deus, a\u00ed haver\u00e1 liberdade\u201d<\/em> (2 Cor 3, 17). \u201c<em>Foi para que sejamos livres que Cristo nos libertou<\/em>\u201d (Gl 5, 1 . 13).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>5 &#8211; Conclus\u00e3o: \u00e9 urgente um novo jubileu ecum\u00eanico e laical<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o precisamos repetir que esse sistema social e econ\u00f4mico \u00e9 invi\u00e1vel e \u201cmata\u201d a natureza, o ecossistema, os povos origin\u00e1rios a inf\u00e2ncia das crian\u00e7as, as mulheres e idosos, nas guerras pelo mundo afora, enfim \u201cmata\u201d a Esperan\u00e7a de um mundo de iguais. Como disse o papa Francisco aos movimentos sociais em Cochabamba: <em>\u201cDigamos sem medo: n\u00f3s queremos uma verdadeira mudan\u00e7a, uma transforma\u00e7\u00e3o das estruturas. Esse sistema n\u00e3o funciona mais. Os lavradores, os trabalhadores, as comunidades e as aldeias n\u00e3o o suportam mais. E n\u00e3o o suporta mais a Terra, a irm\u00e3 e M\u00e3e-Terra, como dizia S\u00e3o Francisco\u201d<\/em><a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\"><em><strong>[12]<\/strong><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Da sociedade civil internacional e principalmente dos povos do sul, est\u00e3o soando novas trombetas que n\u00e3o s\u00e3o mais apenas chifres de carneiro (<em>jobel<\/em>). Os clamores dos povos crucificados de hoje e da Terra amea\u00e7ada em sua sobreviv\u00eancia s\u00e3o as trombetas de um novo poss\u00edvel jubileu internacional e para um novo mundo poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, mais do que nunca, \u00e9 cruel a desumanidade dos governos lacaios desse sistema in\u00edquo e das empresas transnacionais que se revelam insens\u00edveis ao sofrimento dos migrantes, dos refugiados e das v\u00edtimas das guerras, das viol\u00eancias e da fome provocadas por esse sistema. A maioria das pessoas no mundo assiste a tudo isso como se fosse normal, ou na chamada \u201cnormose\u201d, como, por exemplo, que pessoas como o dono da Amazon e de outras multinacionais lucrem anualmente bilh\u00f5es de d\u00f3lares, sem fazer nada, sem trabalhar, sem produzir nada. S\u00f3 com a\u00e7\u00f5es, no chamado mercado vol\u00e1til ou das criptomoedas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 poucos dias, a revista Forbes publicou os dez brasileiros mais ricos do mundo e publicou a riqueza que cada um acumula:<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo Luiz Saverin &#8211; R$ 155,97 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Vicky Sarfati Safra e fam\u00edlia &#8211; R$ 110,17 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge Paulo Lemann e fam\u00edlia &#8211; R$ 91,81 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Marcel Herrmann Telles e fam\u00edlia &#8211; R$ 60,82 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Alberto da Veiga Sicupira e fam\u00edlia &#8211; R$ 49,35 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Roberto Moreira Salles &#8211; R$ 38,45 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Moreira Salles &#8211; R$ 36,15 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre Behring da Costa &#8211; R$ 34,82 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Santos Esteves &#8211; R$ 32,71 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Miguel Gellert Krigsner &#8211; R$ 28,69 bilh\u00f5es\u2026<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, surpreendentemente o ministro Fernando Haddad afirmou que, no Brasil, nenhum ministro da Economia consegue que os mais ricos paguem impostos, isso \u00e9, a taxa que seria de direito do Estado, ou seja, aquela que deveria reverter em servi\u00e7os e benef\u00edcios para o povo. Quanto mais aceitem uma reforma tribut\u00e1ria que regule os impostos de forma proporcional e que quem ganha mais pague mais.<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, o que \u00e9 mais cruel \u00e9 que em um sistema como esse, essa realidade \u00e9 considerada normal. Como o cientista social Jess\u00e9 de Souza afirmou na confer\u00eancia de abertura do recente Congresso de Teologia Pastoral da FAJE, em Belo Horizonte: \u201c<em>No Brasil, a elite se especializou em roubar. N\u00e3o faz outra coisa do que roubar<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado relevante e escandaloso especialmente para os que se dizem crist\u00e3os, \u00e9 que frente&nbsp; a essa realidade, a rea\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es tem sido muito t\u00edmida e pouco expressiva. Embora o Conselho Mundial de Igrejas e na Igreja Cat\u00f3lica, o papa Francisco e alguns bispos tenham se pronunciado fortemente contra essa realidade social e econ\u00f4mica, para muitos crist\u00e3os, tanto ministros como fieis, esse assunto parece n\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o direta com a viv\u00eancia da f\u00e9. Parecem comportar-se como nos s\u00e9culos XVIII e XIX, nos quais conventos e religiosos, bispos e padres cat\u00f3licos, assim como pastores evang\u00e9licos consideravam normal terem escravos e conviverem com comunidades de fieis nas quais os crist\u00e3os vendiam e compravam pessoas humanas como se fossem \u201cpe\u00e7as\u201d (assim chamavam na Am\u00e9rica Latina os negros e negras sequestrados na \u00c1frica).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da realidade que vivemos, em tese n\u00e3o haveria necessidade que o Papa Francisco convocasse esse Jubileu da Esperan\u00e7a, a fim de que fossem tratadas quest\u00f5es que deveriam ser enfrentadas por todos n\u00f3s , especialmente os que se encontram inseridos nos diversos movimentos da igreja e fora dela. No entanto, ele convocou. E, com isso somos desafiados a escutar na voz prof\u00e9tica que nos chama ao Jubileu, a pr\u00f3pria voz do Esp\u00edrito que nos convoca e que fique claro: ele s\u00f3 merecer\u00e1 o nome de jubileu da esperan\u00e7a, se os seus protagonistas principais forem as pessoas empobrecidas da terra e todas as v\u00edtimas desse sistema que mata.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa certeza de f\u00e9, precisa derivar uma \u201cespiritualidade do Jubileu\u201d que d\u00ea continuidade \u00e0 m\u00edstica da sinodalidade que ainda ficou muito dentro dos muros da Igreja e ainda n\u00e3o perpassou para a sociedade ou se o fez foi ainda&nbsp; muito pouco.<\/p>\n\n\n\n<p>O di\u00e1logo espiritual que a caracterizou se torna assim uma verdadeira m\u00edstica sab\u00e1tica: da liberta\u00e7\u00e3o da M\u00e3e-Terra, liberta\u00e7\u00e3o das pessoas e dos povos. Que sejam as lideran\u00e7as de periferia, as vozes das juventudes e das pessoas desigrejadas que possam nos conduzir, como na par\u00e1bola de Jesus sobre o samaritano, que sendo herege e \u201cde fora\u201d \u00e9 quem socorre a humanidade ferida. Ser\u00e1 que n\u00e3o se poderia pensar em um s\u00ednodo n\u00e3o apenas das Igrejas, mas das religi\u00f5es a favor da Vida?<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que esse Jubileu da esperan\u00e7a poder\u00e1 representar um novo passo de rela\u00e7\u00e3o mais livre entre as Igrejas locais e a Igreja de Roma?<\/p>\n\n\n\n<p>Ao constatar que o papa Francisco se revela mais aberto \u00e0 realidade e mais corajoso nas mudan\u00e7as do que a maioria dos nossos bispos e do clero de nossas dioceses, podemos ter a tenta\u00e7\u00e3o de n\u00e3o insistir na autonomia e liberdade das Igrejas locais, pois parece que a orienta\u00e7\u00e3o do papa e sua autoridade nos permite caminhar mais de acordo com o evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, precisamos ter clareza de que essa situa\u00e7\u00e3o anormal na qual a profecia parece vir de cima e n\u00e3o de baixo \u00e9 resultado doentio dos 35 anos do inverno eclesial provocado pela \u201c<em>volta \u00e0 grande disciplina<\/em>\u201d, como denominava t\u00e3o acertadamente o saudoso padre Lib\u00e2nio<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o a pagar por prolongarmos essa anomalia quase bipolar de <em>mantermos<\/em> o sistema de Cristandade porque ele parece mais prof\u00e9tico e atual do que o modelo eclesiol\u00f3gico da comunh\u00e3o de Igrejas locais \u00e9 alto demais e tudo indica que tem curta dura\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que depende de um papa que, pelo que vemos em Roma e no mundo, nada indica que ter\u00e1 continuidade na sua linha de orienta\u00e7\u00e3o. De novo, a melhor orienta\u00e7\u00e3o deve ser para n\u00f3s a do evangelho: \u201c<em>A verdade vos libertar\u00e1<\/em>\u201d (Jo 8, 35).<\/p>\n\n\n\n<p>Em um livro significativamente chamado \u201cCrist\u00e3os rumo ao s\u00e9culo XXI\u201d, o padre Jos\u00e9 Comblin lembrava que \u201c<em>segundo a B\u00edblia, a liberdade \u00e9 a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser da humanidade e o eixo central de toda a sua exist\u00eancia. Pois, Deus \u00e9 Amor e o amor n\u00e3o pode existir sem liberdade. (&#8230;). A vida da Igreja, na tarefa da evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 como uma festa de casamento. <\/em>(Assim, se d\u00e1 na proposta desse jubileu)<em> Tudo o que \u00e9 belo e gostoso \u00e9 oferecido. S\u00f3 falta uma coisa: a noiva, isso \u00e9, a liberdade<\/em>!\u201d<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>6 \u2013 Sinais de liberta\u00e7\u00e3o para o mundo e para as Igrejas.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como vimos, provavelmente, mesmo nos tempos b\u00edblicos, o Jubileu era mais&nbsp; uma utopia desejada do que uma lei posta em pr\u00e1tica. No entanto, isso n\u00e3o impediu que, conforme o evangelho de Lucas, Jesus tenha anunciado ao povo a sua voca\u00e7\u00e3o de profeta anunciando um novo jubileu, como an\u00fancio de liberta\u00e7\u00e3o para o mundo inteiro (Lc 4,16-21).<\/p>\n\n\n\n<p>Sonhar n\u00e3o \u00e9 proibido e, ao contr\u00e1rio, \u00e9 quase a \u00fanica sa\u00edda quando outras portas se fecham. Ent\u00e3o, somos desafiados e desafiadas a propor n\u00e3o apenas ao papa, mas principalmente a nossas comunidades e para termos claro para n\u00f3s mesmos (as), a Igreja que queremos e como essa pode anunciar ao mundo que o reinado divino vem para toda a humanidade e o universo e n\u00e3o somente para os ambientes eclesiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Da nossa reflex\u00e3o j\u00e1 ficou claro que como a profecia \u00e9 a partir de baixo e do n\u00e3o poder, tamb\u00e9m o Jubileu n\u00e3o mudar\u00e1 nada nas estruturas do mundo e das Igrejas. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 na linha do sinal (sacramento) e a\u00ed sim pode contribuir para a mudan\u00e7a da realidade mas como an\u00fancio e sinal.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos pensar em resolver a atual crise eclesial pelo caminho que seria regredir ao passado da Cristandade. S\u00f3 a liberdade e a sinodalidade podem ser caminhos de salva\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, sendo, tentemos fazer nossa lista de sugest\u00f5es-propostas para o mundo novo com o qual sonhamos e para a Igreja que desejamos viver como caminho de realiza\u00e7\u00e3o atual do evangelho de Jesus no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomemos a clareza de que \u00e9 urgente:<\/p>\n\n\n\n<p><em>I &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o ao mundo:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba \u2013 Que a f\u00e9 crist\u00e3 retome sua voca\u00e7\u00e3o de ser profecia de um mundo novo. \u00c9 urgente refazer a esperan\u00e7a de que outro modo de organizar o mundo \u00e9 necess\u00e1rio e poss\u00edvel. E as pessoas e comunidades de f\u00e9 (crist\u00e3, ou budista, ou mu\u00e7ulmana ou de qualquer outro caminho espiritual) devem ser profetas dessa urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba &#8211; \u00c9 importante assumir a Ecologia Integral como elemento central e constitutivo da f\u00e9 crist\u00e3. \u00c9 a sacralidade da Vida que Jesus veio sinalizar e trazer ao mundo. Por isso, a convers\u00e3o precisa tamb\u00e9m ser convers\u00e3o ecol\u00f3gica (porque h\u00e1 pecado ecol\u00f3gico)<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba &#8211; Nos dias atuais, por v\u00e1rios motivos, o caminho dos f\u00f3runs sociais parece enfraquecido ou quase esgotado. A pr\u00f3pria palavra Igreja (<em>ekklesia<\/em>) poderia hoje ser traduzida por f\u00f3rum, ou seja, assembleia convocada para se reunir. Ser\u00e1 que as Igrejas crist\u00e3s n\u00e3o poderiam e deveriam ser provocadoras de um novo f\u00f3rum da sociedade civil internacional?<\/p>\n\n\n\n<p>O papa Francisco convocou e realizou tr\u00eas encontros com lideran\u00e7as e representantes de movimentos populares? Essa experi\u00eancia poderia ser continuada e ampliada n\u00e3o apenas como \u201cencontro dos movimentos sociais com o papa\u201d e sim como encontros da humanidade com as religi\u00f5es promotoras de Paz e Justi\u00e7a ecossocial. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que n\u00e3o dever\u00edamos tomar consci\u00eancia de que, em um mundo como o nosso, as Igrejas crist\u00e3s devem exercer a voca\u00e7\u00e3o de convocar um f\u00f3rum da humanidade por um mundo de paz, justi\u00e7a e cuidado com a M\u00e3e-Terra e com a Vida?&nbsp; Esse jubileu n\u00e3o poderia ser uma semente dessa voca\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>4\u00ba &#8211; Seria fundamental nesse caminho, que as Igrejas (A Igreja Cat\u00f3lica e o Conselho Mundial de Igrejas e outras Igrejas) retomassem as intui\u00e7\u00f5es de organismos da sociedade civil como \u00c1gora dos\/das Habitantes da Terra e tantos outros e juntos declararem ilegal a Pobreza (n\u00e3o os pobres) e explicitar o c\u00f3digo de \u00c9tica que impe\u00e7a a concentra\u00e7\u00e3o vergonhosa de renda como acontece atualmente no mundo. \u00c9 urgente retomar a intui\u00e7\u00e3o de Betinho em uma luta mundial contra a fome e a mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>5\u00ba &#8211; Para isso, \u00e9 fundamental que a sociedade civil internacional tenha instrumentos eficazes para garantir a primazia da vida na sua integralidade e n\u00e3o permitir a hegemonia dos interesses do capital e da elite que domina o mundo. \u00c9 preciso garantir a prioridade do trabalho em condi\u00e7\u00f5es dignas como estruturante da vida social, bem como a prioridade do bem comum sobre os interesses particulares.<\/p>\n\n\n\n<p>6\u00ba &#8211; \u00c9 urgente reconhecer, valorizar e desenvolver o potencial das novas gera\u00e7\u00f5es para criar uma sociedade fundada em uma real democracia, na justi\u00e7a social, no respeito \u00e0 diversidade, solid\u00e1ria, pac\u00edfica e sustent\u00e1vel. Que essa prioriza\u00e7\u00e3o das juventudes possa consolidar e fortalecer o necess\u00e1rio di\u00e1logo intergeracional que, conforme o papa Francisco, \u00e9 fundamental para a paz do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>7\u00ba &#8211; \u00c9 urgente que nesse Jubileu ou em consequ\u00eancia dele, as Igrejas possam declarar ao mundo que \u00e9 terrorista quem usa as armas em atentados violentos, mas tamb\u00e9m quem as fabrica e as vende. As Igrejas deveriam declarar terroristas os pa\u00edses produtores de armas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>II &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o especificamente ao Brasil:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba &#8211; Por respeito \u00e0 natureza laical do Brasil, n\u00e3o podemos pedir que o Jubileu tenha dimens\u00e3o social e pol\u00edtica no pa\u00eds. No entanto, podemos n\u00f3s, crist\u00e3os e crist\u00e3s, testemunhar que a mem\u00f3ria b\u00edblica n\u00e3o deve ser feita para defender pautas morais que discriminam pessoas e acabam por oprimir a sociedade. A tradi\u00e7\u00e3o do Jubileu \u00e9 de liberta\u00e7\u00e3o em todos os sentidos. Que a inspira\u00e7\u00e3o do Jubileu nos leve a unir todas as Igrejas crist\u00e3s que aceitarem para exigir do Estado brasileiro absoluta rejei\u00e7\u00e3o ao imoral Marco Temporal e, ao contr\u00e1rio, pleno reconhecimento dos territ\u00f3rios dos povos origin\u00e1rios. Tamb\u00e9m que o Jubileu seja tempo de avan\u00e7o na realiza\u00e7\u00e3o de verdadeira reforma agr\u00e1ria e de uma Justi\u00e7a para todos e todas no campo e na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba &#8211; Que a Igreja Cat\u00f3lica e outras Igrejas cobrem do Governo Federal a ratifica\u00e7\u00e3o do Tratado de Escaz\u00fa. Isso \u00e9 importante como programa de prote\u00e7\u00e3o aos defensores dos direitos humanos e da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba &#8211; Que, possamos celebrar a COP 30 em novembro de 2025 em Bel\u00e9m, inserindo na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira e nas nossas leis municipais e estaduais, a consci\u00eancia dos &#8220;direitos da natureza&#8221;, como j\u00e1 existem em outros pa\u00edses, inclusive em nosso continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja essa a nossa resposta \u00e0 barb\u00e1rie das queimadas que dominaram o Brasil neste ano de 2024 e tem sido constante no decorrer dos anos. Que possamos criar em nossas Igrejas o compromisso de \u201cQueimadas zero\u201d como compromisso pascal para 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>4\u00ba &#8211; Que seja destacado o combate a todo tipo de racismo, principalmente contra pessoas negras, v\u00edtimas hist\u00f3ricas da escravid\u00e3o que ainda continua como estilo social em nossa sociedade. Que este jubileu seja ocasi\u00e3o de comprometer as Igrejas crist\u00e3s na defesa fraterna e solid\u00e1ria contra o racismo religioso e todo tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra cultos afrodescendentes e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>III &#8211; Mais especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa Igreja:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00c9 preciso recolher e de fato valorizar as sugest\u00f5es que a consulta sinodal da Igreja Cat\u00f3lica recolheu e est\u00e1 ainda acolhendo das comunidades do mundo inteiro. Aqui v\u00e3o apenas alguns exemplos de propostas:<\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; valorizar a autonomia e a liberdade das Igrejas locais que precisam ter seu rosto pr\u00f3prio e n\u00e3o serem Igrejas na Amaz\u00f4nia, ou no Nordeste do Brasil, com sotaque romano. \u00c9 preciso que a f\u00e9 seja a mesma, mas a forma de celebrar e de viv\u00ea-la na miss\u00e3o seja pr\u00f3pria de cada Igreja local ou regional.<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; O papa Francisco tem denunciado o clericalismo como uma doen\u00e7a. Contudo, o clericalismo depende da clericalidade, ou seja, enquanto na Igreja vigorar um sistema clerical, n\u00e3o h\u00e1 como evitar o clericalismo. O rem\u00e9dio \u00fanico poss\u00edvel \u00e9 retomar a dimens\u00e3o laical da f\u00e9 e a partir disso eliminar a diferen\u00e7a entre pessoas sagradas pela ordena\u00e7\u00e3o e pessoas n\u00e3o ordenadas.<\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211; Enquanto a eucaristia de Jesus continuar sendo considerado \u201co santo sacrif\u00edcio da Missa\u201d a ser feito pelo sacerdote ordenado para isso e do modo clerical, nunca conseguiremos sair do clericalismo e de um Cristianismo reduzido \u00e0 religi\u00e3o ritual. Por isso, talvez com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, a contribui\u00e7\u00e3o mais importante desse novo Jubileu poderia ser retomar para toda a Igreja o costume que j\u00e1 se espalha nas comunidades eclesiais de celebrarem o \u00e1gape ecum\u00eanico no qual a comunidade com padre ou sem padre faz a mem\u00f3ria da ceia de Jesus em uma refei\u00e7\u00e3o de amizade e centrada no di\u00e1logo e na partilha. Est\u00e1 em andamento o processo de um pequeno livro com subs\u00eddios para a celebra\u00e7\u00e3o desses \u00e1gapes eucar\u00edsticos e ecum\u00eanicos.<\/p>\n\n\n\n<p>4 &#8211; \u00c9 urgente aprofundar um novo modelo de rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja de Roma como primaz da comunh\u00e3o cat\u00f3lica e as Igrejas locais. Isso diz respeito ao modo de escolher os bispos, ao modo de exercer a disciplina \u00e9tica e jur\u00eddica e ao modo de viver os minist\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>5 &#8211; Seria poss\u00edvel pensar novos minist\u00e9rios masculinos e femininos que v\u00e3o al\u00e9m dos atuais minist\u00e9rios ordenados?<\/p>\n\n\n\n<p>E cada um\/ uma de voc\u00eas que leem essa p\u00e1gina pode continuar essa lista e trazer outras contribui\u00e7\u00f5es urgentes e importantes. Essas est\u00e3o aqui expostas apenas como amostras e exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome da vida, em nome da m\u00e3e Terra e da natureza amea\u00e7ada, como em nome da humanidade, somos convidados\/as para um novo Jubileu que diga a tudo isso: Basta! Um novo Jubileu que ecoe e responda ao <em>grito dos pobres e grito da Terra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente que, a partir dos menores movimentos at\u00e9 os mais exponenciais, as Igrejas e religi\u00f5es n\u00e3o somente apoiem, mas participem das diversas iniciativas que est\u00e3o surgindo em todos os continentes para firmar uma nova alian\u00e7a das religi\u00f5es e das culturas, uma nova alian\u00e7a da humanidade para construirmos&nbsp; um mundo novo, a partir da defesa dos direitos dos mais pobres e da M\u00e3e Terra.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; Marcelo Barros, monge beneditino, te\u00f3logo e escritor, \u00e9 assessor das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares como o MST. Tem 64 livros publicados, dos quais o mais recente \u00e9 Os segredos do nosso encanto (O que a f\u00e9 crist\u00e3 pode aprender das espiritualidades ind\u00edgenas e negras), Ed. Recriar, 2023. Neste m\u00eas de novembro, na celebra\u00e7\u00e3o dos seus 80 anos de vida, lan\u00e7ar\u00e1 \u201cDeslumbramentos nos encontros e desencontros da vida\u201d (Marcas das amizades em minha hist\u00f3ria), Ed. Recriar, 2024. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> &#8211; Quem quiser aprofundar a hist\u00f3ria do in\u00edcio do Jubileu: VAUCHER, Andr\u00e9. <strong>La spiritualit\u00e9 du Moyen Age occidental \u2013 VIII \u2013 XIIIe si\u00e8cle. <\/strong>Paris: Seuil, 1994. Traduzido para o portugu\u00eas: Lisboa: Editorial Estampa, 1995, pp. 25- 26.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> &#8211; Sobre isso ver a revista La Vie 2793\/ 17 mars 1999, p. 68.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> &#8211; https:\/\/www.iubilaeum2025.va\/pt\/notizie\/comunicati\/2024\/porte-sante-basiliche-papali.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> &#8211; Cf. MUOLO, Mimmo. <strong>Botta e risposta. <\/strong>In <strong><em>Avvenire <\/em><\/strong>\u2013 Idee e Lettere. Sabato, 19 ottobre 2024, p. 16.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> &#8211; HAM, Byung-Chul. <strong>O Esp\u00edrito da Esperan\u00e7a contra a sociedade do medo. <\/strong>Petr\u00f3polis: Vozes, 2024, p. 16.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> &#8211; Cf. https:\/\/noticias.cancaonova.com\/especiais\/pontificado\/francisco\/catequese-do-papa-esperar-contra-toda-esperanca\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> &#8211; Sobre isso ver: V\u00c1RIOS AUTORES, <strong>Jubileu,<\/strong> in RIBLA, Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-americana, n. 33, 1999. Em portugu\u00eas: Ed Vozes, Em espanhol: Ed. CLAI, Quito, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> &#8211; De fato, Jesus uniu o texto de Is 61, 1- 2 a outro texto vindo do contexto hist\u00f3rico de um an\u00fancio de jubileu extraordin\u00e1rio: Is 58, 6. V\u00e1rios exegetas n\u00e3o hesitam em interpretar que, conforme Lucas, na sinagoga de Nazar\u00e9, Jesus proclamou um Jubileu extraordin\u00e1rio (Cf. entre outros: FABRIS, Ronaldo. <strong>I Vangeli: Luca. <\/strong>Assisi: Citadella Editrice, 1\u00aa ed. 2003, p. 107 e tamb\u00e9m CASALEGNO, Alberto. <strong>Lucas. <\/strong><em>A caminho com Jesus mission\u00e1rio. <\/em>S\u00e3o Paulo: Loyola, 2003, p. 107. O que provocou rejei\u00e7\u00e3o e hostilidade por parte dos homens da sinagoga foi que Jesus deixou claro que esse Jubileu que ele proclamava era de liberta\u00e7\u00e3o para toda a humanidade e a partir de fora, isso \u00e9, privilegiava aqueles e aquelas que eram estrangeiros (as) e fora da cultura e da religi\u00e3o deles. Uma pergunta importante \u00e9 se esse novo Jubileu da Esperan\u00e7a, concentrado em Roma e com acento posto na recep\u00e7\u00e3o individual de indulg\u00eancias, vai nessa dire\u00e7\u00e3o do Jubileu anunciado por Jesus em Nazar\u00e9. <em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> &#8211; Aqui, retomo algumas reflex\u00f5es escritas em MARCELO BARROS, <strong>Jubileu para um novo tempo<\/strong> \u2013 Ed. Paulinas, 1997. Traduzido e adaptado em italiano <strong>Giubileo per un nuovo tempo, <\/strong>Piombino, Tracce Edizioni, 1998. Ver tamb\u00e9m: &nbsp;MARCELO BARROS, (con altri autori), <strong>Giubileo purificato, <\/strong><em>Itinerari di conversione personale e di riforma ecclesiale, <\/em>Bologna, EMI, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> &#8211; Cf. BRUCE MALINA e RICHARD ROHRBAUGH, <strong>Evangelhos Sin\u00f3ticos \u2013 <\/strong>Coment\u00e1rios \u00e0 luz das Ci\u00eancias Sociais, S\u00e3o Paulus, Ed. Paulus, 2018, p. 63. (O livro \u00e9 tradu\u00e7\u00e3o do original ingl\u00eas: <em>Social-Science Commentary on the Synotic Gospels, <\/em>Augsburg Fortress, Box 1209, Minneapolis, MN 55440.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> &#8211; &nbsp;PAPA FRANCESCO, <strong>Partecipazione al II incontro mondiale dei movimenti popolari, <\/strong>09 luglio 2015, vedi: <em>w2.vatican.va<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> -Veja mais em <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2024\/08\/27\/conheca-os-dez-brasileiros-mais-ricos-segundo-ranking-da-forbes.htm?cmpid=copiaecola\">https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2024\/08\/27\/conheca-os-dez-brasileiros-mais-ricos-segundo-ranking-da-forbes.htm?cmpid=copiaecola<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> &nbsp;&#8211; Cf. LIB\u00c2NIO, J. B. <strong>A volta \u00e0 grande disciplina: <\/strong><em>reflex\u00e3o teol\u00f3gico-pastoral sobre a atual conjuntura da Igreja.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 2\u00aa ed. 1983.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; LIB\u00c2NIO, J. B. <strong>Cen\u00e1rios de Igreja. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Loyola, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> &#8211; COMBLIN, Jos\u00e9. <strong>Crist\u00e3os rumo ao s\u00e9culo XXI: <\/strong><em>nova caminhada da liberta\u00e7\u00e3o. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus, 1996, p. 65 ss.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JUBILEU PARA TODA A HUMANIDADE (O NOVO JUBILEU, A F\u00c9 B\u00cdBLICA E IGREJA EM SA\u00cdDA) \u2013 Por Marcelo Barros[1] H\u00e1 mais de dez anos, o papa Francisco tem provocado as Igrejas e o mundo com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13731,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,46,44,38,49,27,30,29,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13730"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13732,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13730\/revisions\/13732"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13731"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}