{"id":146,"date":"2012-02-04T19:23:13","date_gmt":"2012-02-04T21:23:13","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=146"},"modified":"2012-02-04T19:23:13","modified_gmt":"2012-02-04T21:23:13","slug":"pinheirinho-depois-da-desocupacao-ate-gente-tambem-virou-entulho12","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/pinheirinho-depois-da-desocupacao-ate-gente-tambem-virou-entulho12\/","title":{"rendered":"Pinheirinho: Depois da desocupa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 gente tamb\u00e9m virou entulho."},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Pinheirinho: Depois da desocupa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 gente tamb\u00e9m virou entulho.<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><em><span style=\"text-decoration: underline;\">Direito de moradia existe s\u00f3 para os que s\u00e3o propriet\u00e1rios.<\/span><\/em><\/p>\n<p align=\"center\">Por Evandro de P\u00e1dua Abreu, advogado.<\/p>\n<p align=\"center\">(Publicado no Jornal O TEMPO \u2013 em 04\/02\/2012, p. 18.)<\/p>\n<p><strong><figure id=\"attachment_145\" aria-describedby=\"caption-attachment-145\" style=\"width: 619px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"caption size-full wp-image-145\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/dona%20josefa%20dias%20-%20do%20pinheirinho.jpg\" border=\"0\" alt=\"Sobre reintegra\u00e7\u00e3o, a ex-moradora de Pinheirinho dona Josefa Diniz, 75 anos, com l\u00e1grima nos olhos, dedo apontando para o c\u00e9u, diz que \" title=\"O clamor de dona Josefa Dias ap\u00f3s ser despejada do Pinheirinho\" width=\"619\" height=\"464\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-145\" class=\"wp-caption-text\">O clamor de dona Josefa Dias ap\u00f3s ser despejada do Pinheirinho<\/figcaption><\/figure>Sobre reintegra\u00e7\u00e3o, a ex-moradora de Pinheirinho dona Josefa Diniz, 75 anos, com l\u00e1grima nos olhos, dedo apontando para o c\u00e9u, diz que &#8220;Deus est\u00e1 vendo tudo.&#8221; (<em>Foto: Reinaldo Marques\/Terra &#8211; 24\/01\/2012)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>O Brasil assistiu perplexo \u00e0 desocupa\u00e7\u00e3o de Pinheirinho, cuja comunidade de cerca de 6.000 pessoas, incluindo crian\u00e7as, idosos e doentes, foi jogada ao relento, na amargura, para dar cumprimento a uma decis\u00e3o judicial, como se as decis\u00f5es judiciais, inclusive as do colarinho-branco, fossem cumpridas com presteza e determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em favor de massa falida? Nos graves conflitos sociais, pouco importa se est\u00e1 em jogo o direito da massa falida ou da massa abastecida, importando, isso sim, solu\u00e7\u00f5es justas que s\u00f3 s\u00e3o obtidas atrav\u00e9s de bom senso e do di\u00e1logo, e n\u00e3o pela caneta severa do juiz e das bombas que, de efeito moral, muitas vezes produzem efeito imoral, sendo que, no caso de Pinheirinho, foram a prova de que o direito constitucional de moradia existe neste pa\u00eds s\u00f3 para os que t\u00eam condi\u00e7\u00e3o de ser ou que j\u00e1 nasceram propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois das bombas, vieram as m\u00e1quinas, impiedosas, transformando em entulho o sonho de um lugar para viver, sepultado pelos coveiros &#8220;bolsa-aluguel&#8221; e &#8220;cadastro-moradia&#8221;, o mesmo cadastro que o prefeito disse que respeitava, mas que admitiu prioridades depois que as casas foram derrubadas pelas garras de retroescavadeiras, le\u00f5es que vociferam sem clem\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se fossem tamb\u00e9m poeira dos escombros, l\u00e1 se foram os moradores de Pinheirinho, como p\u00e1ssaros sem ninho, buscando outros abrigos, quem sabe debaixo de viadutos, bem diferentes daqueles que, em Bras\u00edlia ou em S\u00e3o Paulo, fazem da chuva e do frio um embalo para o conforto das noites que s\u00f3 castigam &#8220;os outros&#8221; que est\u00e3o l\u00e1 fora sob as marquises.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o governador de S\u00e3o Paulo deve ter dormido tranq\u00fcilo, entendendo ter cumprido a sua obriga\u00e7\u00e3o de tranq\u00fcilizar os que, em entrevista, o viram e o ouviram dizer que a desocupa\u00e7\u00e3o foi feita com &#8220;seguran\u00e7a&#8221;, porque na presen\u00e7a de um ju\u00edz (?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governador deveria ter dito, isto sim, que, al\u00e9m da seguran\u00e7a, estava garantindo para os despejados n\u00e3o apenas abrigos tempor\u00e1rios, mas moradias definitivas e dignas, mesmo que modestas, como eram aquelas de Pinheirinho, medida que deveria ter sido tomada antes da senten\u00e7a que finalizou o triste epis\u00f3dio de motiva\u00e7\u00e3o apenas econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deveria o governador saber &#8211; e n\u00e3o sabe, assim como a inflex\u00edvel caneta da ju\u00edza, por maior respaldo jur\u00eddico\/legal que ela tenha &#8211; e, em sua passividade, deveria saber o prefeito que o direito dos empobrecidos, em especial o direito de n\u00e3o morar na rua, deveria contrapor-se \u00e0 gan\u00e2ncia dos que j\u00e1 t\u00eam muito, mas que sempre querem mais, mesmo que esse mais signifique disputar espa\u00e7o com crian\u00e7as e idosos indefesos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas barb\u00e1ries, como classificou a presidente Dilma Rousseff, continuam se repetindo nesta Terra de Santa Cruz, onde muitos governantes e incont\u00e1veis legisladores, em todos os n\u00edveis, alheios a tais injusti\u00e7as, parecem estar preocupados s\u00f3 com o que est\u00e1 acontecendo dentro e na periferia dos samb\u00f3dromos, n\u00e3o das cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a triste realidade do Brasil, cujas desigualdades n\u00e3o s\u00e3o percebidas e muito menos resolvidas pelos que n\u00e3o se acanham em usar o distintivo que o povo lhes confiou para defend\u00ea-lo, por\u00e9m que se desbotou na lapela desses promitentes p\u00fablicos, pelo descompromisso com os compromissos sociais assumidos, inclusive em penitentes visitas a Aparecida do Norte, aonde se chega, por paradoxal que seja, pela mesma estrada que leva a S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, que era a cidade do ITA, mas que, depois do massacre, passou a ser a cidade dos \u201centulhos de Pinheirinho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.otempo.com.br\/noticias\/ultimas\/?IdNoticia=194897,OTE&amp;busca=entulho&amp;pagina=1\">http:\/\/www.otempo.com.br\/noticias\/ultimas\/?IdNoticia=194897,OTE&amp;busca=entulho&amp;pagina=1<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pinheirinho: Depois da desocupa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 gente tamb\u00e9m virou entulho. 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