{"id":14747,"date":"2025-09-27T10:09:10","date_gmt":"2025-09-27T13:09:10","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14747"},"modified":"2025-09-28T15:48:19","modified_gmt":"2025-09-28T18:48:19","slug":"quando-o-proprio-deus-e-impotente-lc-1619-31-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/quando-o-proprio-deus-e-impotente-lc-1619-31-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"QUANDO O PR\u00d3PRIO DEUS \u00c9 IMPOTENTE (Lc 16,19-31).  Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>QUANDO O PR\u00d3PRIO DEUS \u00c9 IMPOTENTE (Lc 16,19-31)<\/strong>.  Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"530\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14749\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1.jpeg 800w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1-300x199.jpeg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1-768x509.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Padre Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Para o XXVI Domingo comum C<\/strong>, o evangelho proposto \u00e9 Lucas 16,19 \u201331, em que Jesus conta uma par\u00e1bola que, muitas vezes, foi mal usada pelas Igrejas. Por muito tempo, padres e pastores pregaram que esse mundo est\u00e1 mesmo perdido e a salva\u00e7\u00e3o ser\u00e1 s\u00f3 depois da morte. Assim, quem \u00e9 pobre deveria se conformar em sofrer e viver na indig\u00eancia, confiantes de que depois da sua morte, ter\u00e3o o c\u00e9u como recompensa. Quanto aos ricos, podem aproveitar bem a vida que levam e, como Deus \u00e9 bom, antes de morrer, se convertam, deixem algum dinheiro para obras da Igreja e entrem em alguma confraria que celebrar\u00e1 missa por suas almas at\u00e9 o fim do mundo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 incr\u00edvel como at\u00e9 hoje esse tipo de postura religiosa pietista, individualista e antievang\u00e9lica continua, de um modo ou de outro, a ser praticado. No Congresso Nacional, evang\u00e9licos e tamb\u00e9m cat\u00f3licos tradicionalistas formam a bancada da B\u00edblia, mas sem nenhuma sensibilidade em rela\u00e7\u00e3o aos sofrimentos das pessoas empobrecidas. Rezaram o Pai-Nosso enquanto comemoravam a aprova\u00e7\u00e3o de PEC da blindagem e da bandidagem e a institui\u00e7\u00e3o de voto secreto. Abuso da dimens\u00e3o de f\u00e9. Parecem exatamente com esse rico an\u00f4nimo do evangelho que \u00e9 posto em confronto com o pobre L\u00e1zaro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente reler o texto a partir do seu contexto. Todo o cap\u00edtulo 16 de Lucas discute a quest\u00e3o sobre como quem \u00e9 disc\u00edpulo ou disc\u00edpula de Jesus deve viver a rela\u00e7\u00e3o com a riqueza. Por tr\u00e1s desse cap\u00edtulo, estava a den\u00fancia de que os religiosos ligados ao templo e \u00e0 sinagoga eram apegados ao dinheiro. \u00c9 a eles que essa hist\u00f3ria se dirige. \u00c9 poss\u00edvel que o evangelho a tenha tomado de um antigo conto eg\u00edpcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os evangelhos, essa par\u00e1bola \u00e9 a \u00fanica na qual um dos protagonistas tem nome pr\u00f3prio. Ele \u00e9 descrito como pobre, mendigo e se chama L\u00e1zaro: nome hebraico que significa \u201cDeus ajuda\u201d. Apesar de come\u00e7ar dizendo <em>\u201chavia um homem rico e um homem pobre\u201d<\/em>, n\u00e3o comenta sobre qualidades morais. N\u00e3o diz que o rico era mau e o pobre era bom. O que caracteriza o rico \u00e9 a roupa de luxo, os divertimentos, e a fartura na refei\u00e7\u00e3o. O rico se veste de p\u00farpura. Trata-se de uma roupa que passou pela tintura vermelha da secre\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios carac\u00f3is mar\u00edtimos raros. Por isso, era roupa distintiva de reis, pr\u00edncipes e, conforme o livro do \u00caxodo, fazia parte dos paramentos sacerdotais (Ex 28,5). Que esse rico da hist\u00f3ria se vestia de p\u00farpura parece ir\u00f4nico, como \u00e9, hoje, afronta aos pobres ver padres e pastores que gostam de usar paramentos dourados e luxuosos nas celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, o pobre \u00e9 descrito como maltrapilho, com o corpo coberto de feridas e exercia a mendic\u00e2ncia na porta do rico. Ambos morrem e a situa\u00e7\u00e3o se inverte. O rico sofre nas chamas do fogo e pede socorro e L\u00e1zaro \u00e9 acolhido no seio de Abra\u00e3o, express\u00e3o \u00fanica em todo o evangelho e que parece revelar o carinho e a op\u00e7\u00e3o que Deus tem pelos pobres, j\u00e1 que na hist\u00f3ria, o Pai Abra\u00e3o representa Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos quatro evangelhos, o texto de Lucas \u00e9 o mais cr\u00edtico contra a riqueza (<em>Mamon<\/em>). J\u00e1 no in\u00edcio do evangelho, Lucas coloca no c\u00e2ntico de Maria palavras muito radicais:<em>&nbsp;\u201cEle derruba os poderosos dos seus tronos e levanta os humilhados. D\u00e1 fartura aos que t\u00eam fome e manda os ricos embora, com as m\u00e3os vazias (Lc 1,52-53). <\/em>Nas Bem-aventuran\u00e7as, Lucas \u00e9 o \u00fanico que, al\u00e9m das esperan\u00e7as para os pobres, amea\u00e7a os ricos: \u201cA<em>i de voc\u00eas que agora s\u00e3o ricos, pois j\u00e1 tiveram a sua vida boa.&nbsp;Ai de voc\u00eas que agora t\u00eam tudo, pois v\u00e3o passar fome. Ai de voc\u00eas que agora est\u00e3o rindo, pois v\u00e3o chorar e se lamentar\u201d (Lc 6,24-25).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria do evangelho de hoje, parece que Jesus diz que essa invers\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es s\u00f3 se d\u00e1 depois da morte. Se isso for compreendido como projeto divino, estamos interpretando o evangelho de modo errado. Jesus conta essa hist\u00f3ria como profeta para advertir aos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de que eles devem se converter aqui e agora, enquanto \u00e9 tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que a par\u00e1bola se situa em uma cultura que distingue, de um lado, a realidade desse mundo e do outro, da vida depois da morte. Essa imagem ainda dualista faz parte da cultura da \u00e9poca e Jesus n\u00e3o se preocupa em evit\u00e1-la. De todo modo, a hist\u00f3ria deixa claro que o decisivo \u00e9 a vida aqui e agora, no mundo. N\u00e3o adianta querer mudar as coisas depois da morte. Na tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, poder\u00edamos at\u00e9 dizer que n\u00e3o adianta missa de defunto para quem na vida n\u00e3o foi sens\u00edvel e solid\u00e1rio aos irm\u00e3os e irm\u00e3s empobrecidas. Para Jesus, o que importa \u00e9 que postura tomamos diante das profundas desigualdades que ferem o nosso mundo e aparecem em torno de n\u00f3s. Jesus forma os seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas para se organizarem como comunh\u00e3o de vida e partilha do que somos e do que temos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas primeiras comunidades crist\u00e3s, uma quest\u00e3o delicada foi a rela\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus com o dinheiro e as riquezas. J\u00e1 vimos no domingo passado que a proposta de Jesus \u00e9 que possamos colaborar para uma economia solid\u00e1ria e em fun\u00e7\u00e3o da Vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o texto, o rico pede ao Pai Abra\u00e3o: <em>\u201cMande que L\u00e1zaro molhe o dedo na \u00e1gua e venha refrescar a minha l\u00edngua\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo naquela situa\u00e7\u00e3o, o rico continua vendo o pobre como mero servi\u00e7al e \u00e9 exatamente as caracter\u00edsticas acima que ser\u00e3o as acusa\u00e7\u00f5es e defesas no julgamento. A hist\u00f3ria fala do pai Abra\u00e3o como sendo Deus.&nbsp; E diz que Abra\u00e3o responde ao rico: <em>\u201cMeu filho, lembre que voc\u00ea recebeu na sua vida todas as coisas boas, por\u00e9m L\u00e1zaro s\u00f3 recebeu o que era mau. E agora ele est\u00e1 feliz aqui, enquanto voc\u00ea est\u00e1 sofrendo\u201d (<\/em>v. 25).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da senten\u00e7a de Deus, o rico fala como se, durante a vida, n\u00e3o tivesse se dado conta de ter escolhido uma forma de vida na qual o outro n\u00e3o existe.&nbsp; \u00c9 isso que constitui o inferno: a incapacidade de conviver com as outras pessoas e de pensar no bem-comum. A realidade depois da morte s\u00f3 revela ao rico de modo mais claro o que ele tinha constru\u00eddo durante a vida inteira. Como se pudesse mudar isso, o rico pede a Abra\u00e3o para mandar L\u00e1zaro avisar a seus irm\u00e3os. Avisar de qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, para quem se enriqueceu explorando outras pessoas, o outro n\u00e3o existe e se h\u00e1 sofrimento do mundo, a pessoa pensa que nada tem a ver com isso. \u201cN\u00e3o \u00e9 problema meu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da guerra na Alemanha, muitas pessoas disseram que apoiavam o governo nazista porque n\u00e3o sabiam dos campos de concentra\u00e7\u00e3o. Esqueceram de dizer que faziam de tudo para n\u00e3o saber. Muitas pessoas crentes votam em governantes assassinos e cru\u00e9is dizendo n\u00e3o saberem que \u00e9 assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Na par\u00e1bola, fica claro que essa postura esconde uma indiferen\u00e7a que \u00e9 perversa. Hoje, a mesma palavra pode ser dita por quem opta pelos pol\u00edticos de direita e de extrema-direita que constituem 70% do Congresso Nacional:<em> \u201cSe n\u00e3o escutam Mois\u00e9s nem os profetas, n\u00e3o v\u00e3o crer, mesmo que algu\u00e9m ressuscite.\u201d<\/em> Ou seja, se n\u00e3o ouvem a palavra de Deus nas entranhas da hist\u00f3ria e das rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais, n\u00e3o ouvem mais ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, as pessoas pensam no rico avarento ou insens\u00edvel e no pobre generoso. A par\u00e1bola n\u00e3o discute sentimentos, nem do rico, nem do pobre. O que \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 a vida que um e o outro leva. A injusti\u00e7a prov\u00e9m da riqueza em si e da desigualdade que ela provoca. Quem vive na riqueza se entrega \u00e0 riqueza como \u00eddolo. O evangelho chama isso de idolatria, j\u00e1 que Mamon, o deus do dinheiro \u00e9 um \u00eddolo. A riqueza \u00e9 idolatria, porque a sua l\u00f3gica passa a ser a l\u00f3gica dos seus interesses e do seu lucro e n\u00e3o a proposta de Deus no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, esse sistema id\u00f3latra se expressa no Capitalismo que cria o inferno aqui na terra. Na l\u00f3gica capitalista, n\u00e3o existe possibilidade de amor e solidariedade. Tudo \u00e9 pensado e organizado em proveito pr\u00f3prio. Atualmente, no Congresso Nacional, grande parte dos congressistas d\u00e1 ao povo o testemunho triste de que est\u00e3o ali n\u00e3o para representar a popula\u00e7\u00e3o e servir ao bem comum, mas, sim, para explorar o bem p\u00fablico em benef\u00edcio de si mesmos e de seus aliados. Quem vota nessas pessoas tem a responsabilidade de ser conivente, como quem segura a escada para o ladr\u00e3o subir. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho apresenta a vida do rico como algo que conduz a um lugar de tormento. \u00c9 o que a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 chama de inferno. O inferno contradiz Deus. Nem Deus pode mudar. Deus n\u00e3o criou inferno, nem condena ningu\u00e9m ao inferno. Conforme essa par\u00e1bola, o pr\u00f3prio Deus revela que n\u00e3o pode mudar a situa\u00e7\u00e3o. Nem Deus pode fazer as pessoas deixarem o ego\u00edsmo, o individualismo, a indiferen\u00e7a e o desamor. &nbsp;A par\u00e1bola conta de forma simb\u00f3lica e em termos antigos que \u00e9 a op\u00e7\u00e3o que as pessoas fazem nessa vida, aqui e agora que determina que suas vidas e seu futuro sejam salvos, ou irremediavelmente perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso mundo atual, n\u00e3o se trata apenas da avareza como virtude moral e do amor ao dinheiro que desviam os cora\u00e7\u00f5es de pessoas. Trata-se, sim, de um sistema que domina o mundo e que erige o lucro como dogma fundamental acima da pr\u00f3pria vida humana e da vida no planeta. \u00c9 a idolatria da riqueza como sistema e op\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pol\u00edtica, muitas vezes, \u00e9 necess\u00e1rio fazer malabarismos para se construir juntos um projeto de na\u00e7\u00e3o. No plano da f\u00e9, a espiritualidade tamb\u00e9m exige op\u00e7\u00f5es e escolhas nem sempre f\u00e1ceis. A Sinodalidade que o saudoso Papa Francisco propunha como modo normal da Igreja ser tem que se expressar n\u00e3o apenas nas rela\u00e7\u00f5es sociais, mas na forma como a Igreja, as ordens religiosas e as comunidades crist\u00e3s exercem a economia e lidam com o dinheiro. Que o Esp\u00edrito de Deus nos conduza no caminho da comunh\u00e3o ao servi\u00e7o da Vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7amos a m\u00fasica <em>Cidad\u00e3o<\/em>, cantada por Z\u00e9 Ramalho, de 1992, Composi\u00e7\u00e3o de L\u00facio Barbosa Dos Santos:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;T\u00e1 vendo aquele edif\u00edcio, mo\u00e7o?<br>Ajudei a levantar<br>Foi um tempo de afli\u00e7\u00e3o<br>Era quatro condu\u00e7\u00e3o<br>Duas pra ir, duas pra voltar<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje depois dele pronto<br>Olho pra cima e fico tonto<br>Mas me vem um cidad\u00e3o<br>E me diz, desconfiado<br>Tu &#8216;t\u00e1 a\u00ed admirado<br>Ou &#8216;t\u00e1 querendo roubar?<\/p>\n\n\n\n<p>Meu domingo &#8216;t\u00e1 perdido<br>Vou pra casa entristecido<br>D\u00e1 vontade de beber<br>E pra aumentar o meu t\u00e9dio<br>Eu nem posso olhar pro pr\u00e9dio<br>Que eu ajudei a fazer<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;T\u00e1 vendo aquele col\u00e9gio, mo\u00e7o?<br>Eu tamb\u00e9m trabalhei l\u00e1<br>L\u00e1 eu quase me arrebento<br>Fiz a massa, pus cimento<br>Ajudei a rebocar<\/p>\n\n\n\n<p>Minha filha inocente<br>Vem pra mim toda contente<br>Pai, vou me matricular<br>Mas me diz um cidad\u00e3o<br>Crian\u00e7a de p\u00e9 no ch\u00e3o<br>Aqui n\u00e3o pode estudar<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dor doeu mais forte<br>Por que \u00e9 que eu deixei o norte?<br>Eu me pus a me dizer<br>L\u00e1 a seca castigava<br>Mas o pouco que eu plantava<br>Tinha direito a comer<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;T\u00e1 vendo aquela igreja, mo\u00e7o?<br>Onde o padre diz am\u00e9m<br>Pus o sino e o badalo<br>Enchi minha m\u00e3o de calo<br>L\u00e1 eu trabalhei tamb\u00e9m<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 foi que valeu a pena<br>Tem quermesse, tem novena<br>E o padre me deixa entrar<br>Foi l\u00e1 que Cristo me disse<\/p>\n\n\n\n<p>Rapaz deixe de tolice<br>N\u00e3o se deixe amedrontar<br>Fui eu quem criou a terra<br>Enchi o rio, fiz a serra<br>N\u00e3o deixei nada faltar<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o homem criou asa<br>E na maioria das casas<br>Eu tamb\u00e9m n\u00e3o posso entrar<br>Fui eu quem criou a terra<br>Enchi o rio, fiz a serra<br>N\u00e3o deixei nada faltar<br>Hoje o homem criou asas<br>E na maioria das casas<br>Eu tamb\u00e9m n\u00e3o posso entrar<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?sca_esv=879ff1ce65093d89&amp;sxsrf=AE3TifPV7UDJP5Q4xflk4IFSwlN1BABvfw:1758551074210&amp;q=ze+ramalho+cidad%C3%A3o&amp;si=AMgyJEv2kRomQrviob_IymX8xqtX8IGz2GoUU6BcwIRJrcTDwJdAFZfsC9lGlSE2cq_VMR_jT_M0NARLms_uxGO1tj1MVV3LwqXrexoXZhaWZv6N20a8XbjwxCkoZygAJHO1pOzYhpct&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiA4uOgyeyPAxU2r5UCHUQ2NdcQyNoBKAB6BAgaEAA&amp;ictx=1\"><br><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QUANDO O PR\u00d3PRIO DEUS \u00c9 IMPOTENTE (Lc 16,19-31). 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