{"id":14752,"date":"2025-09-28T19:33:40","date_gmt":"2025-09-28T22:33:40","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14752"},"modified":"2025-09-28T19:47:58","modified_gmt":"2025-09-28T22:47:58","slug":"o-novo-conflito-do-ouro-em-mg-em-paracatu-mineradora-kinross-x-quilombolas-meio-ambiente-e-todo-o-povo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-novo-conflito-do-ouro-em-mg-em-paracatu-mineradora-kinross-x-quilombolas-meio-ambiente-e-todo-o-povo\/","title":{"rendered":"O NOVO CONFLITO DO OURO EM MG: EM PARACATU, MINERADORA KINROSS X QUILOMBOLAS, MEIO AMBIENTE E TODO O POVO"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O NOVO CONFLITO DO OURO EM MG: EM PARACATU, MINERADORA KINROSS X QUILOMBOLAS, MEIO AMBIENTE E TODO O POVO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2025\/09\/7258035-o-novo-conflito-do-ouro-em-minas-gerais.html#google_vignette\">https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2025\/09\/7258035-o-novo-conflito-do-ouro-em-minas-gerais.html#google_vignette<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/mateus-parreiras---estado-de-minas\/page\/1\/\">Mateus Parreiras &#8211; Estado de Minas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em Paracatu, noroeste mineiro, remanescentes de quilombo denunciam ter sido privados de mais da metade do territ\u00f3rio de seus ancestrais pela mineradora Kinross, de quem cobram R$ 1 bilh\u00e3o em duas a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"675\" height=\"450\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Kinross-mineradora.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14753\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Kinross-mineradora.jpg 675w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Kinross-mineradora-300x200.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Kinross-mineradora-420x280.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><figcaption>Vista da Mina Morro do Ouro, da mineradora canadense Kinross em Paracatu, Minas Gerais: barragem gigante &#8211; (cr\u00e9dito: Escrit\u00f3rio de Advocacia Barreto Dolabella\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma \u00e1rea de pr\u00e1ticas e hist\u00f3rias ancestrais, onde gera\u00e7\u00f5es de escravizados encontraram ref\u00fagio para escapar da servid\u00e3o e sobreviver \u00e0 crueldade, atualmente, tem mais da metade de seu terreno (52,3%) ocupada por estruturas de minera\u00e7\u00e3o de ouro, incluindo uma das maiores barragens de rejeitos do mundo, a Eust\u00e1quio. Sobre \u00e1rea que foi do antigo Quilombo do Machadinho, em Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, a 500 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, est\u00e3o represados nada menos do que 506,4 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos (m\u00b3) de rejeitos com tratamentos qu\u00edmicos, provenientes da Mina Morro do Ouro, explorada pela mineradora canadense Kinross.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que se tenha uma dimens\u00e3o do tamanho dessa represa, basta dizer que o volume de rejeitos que ela abriga \u00e9 10,3 vezes maior do que os 49 milh\u00f5es de m\u00b3 liberados pelo rompimento das barragens do Fund\u00e3o (Mariana MG) e da Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o (Brumadinho-MG), juntas. Expulsos pela minera\u00e7\u00e3o da multinacional, os quilombolas se foram e reclamam direitos na Justi\u00e7a Federal por meio de duas a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas (ACPs) com valor indenizat\u00f3rio de R$ 1 bilh\u00e3o, iniciadas em agosto de 2025. Nelas, afirmam n\u00e3o ter recebido pela explora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria terra, al\u00e9m de sofrerem com os impactos da minera\u00e7\u00e3o de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>O remanescente de quilombo afetado pela Kinross foi reconhecido pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares em 2004, mas at\u00e9 agora n\u00e3o foi titulado pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra). De acordo com as fam\u00edlias, posseiros e sitiantes ocuparam as terras do quilombo e as venderam para a gigante multinacional. A empresa nega irregularidades em sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que grande parte da terra reclamada pelos descendentes de povos ancestrais agora abriga a explora\u00e7\u00e3o mineral, em uma atividade que, de acordo com a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Meio Ambiente (Feam), \u00e9 de alto impacto ambiental. A pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o identificou contamina\u00e7\u00e3o por ars\u00eanio em \u00e1guas subterr\u00e2neas naquelas terras e interveio. O ars\u00eanio \u00e9 um metaloide usado na explora\u00e7\u00e3o do ouro, e \u00e9 considerado extremamente t\u00f3xico para o homem e os ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>De dentro da terra quilombola partem v\u00e1rios mananciais diretamente ligados ao Rio Paracatu. Segundo o Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (Igam), fluem contaminados em alto n\u00edvel por metais pesados. O Rio Paracatu, ao lado do Rio das Velhas, s\u00e3o os maiores afluentes do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n\n\n\n<p>O Quilombo do Machadinho ainda reserva corredores de Cerrado e de Mata Atl\u00e2ntica em quase 50% da sua totalidade livre de minera\u00e7\u00e3o, comportando esp\u00e9cies vegetais vulner\u00e1veis e 13 grandes mam\u00edferos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. &#8220;Muitas pessoas viviam l\u00e1 dentro do territ\u00f3rio dos nossos antepassados. Plantavam, viviam da agricultura. Faziam rapadura, farinha, tinha os raizeiros&#8230; Iam at\u00e9 a cidade de carro\u00e7a para fazer as vendas na feira de Paracatu&#8221;, conta o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Quilombo do Machadinho (Aquima), Claudin\u00eas Lopes.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2025\/09\/7254998-estudo-alerta-para-uso-de-mercurio-na-mineracao-ilegal.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudo alerta para uso de merc\u00fario na minera\u00e7\u00e3o ilegal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 que chegou a Kinross. Conseguiram comprar algumas fazendas ao lado do quilombo. Come\u00e7amos a nos sentir encurralados, porque eles faziam pesquisa, as estradas foram destru\u00eddas, os garimpeiros foram proibidos de minerar de forma violenta. Perdemos o direito de ir e vir. At\u00e9 os rios que a gente usava para beber foram perdidos&#8221;, relata Lopes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as duas ACPs que tramitam na Justi\u00e7a Federal, a indeniza\u00e7\u00e3o pretendida pelos quilombolas e moradores dos bairros Alto da Colina e Bela Vista II \u2014 muitos deles tamb\u00e9m quilombolas que deixaram a terra reconhecida \u2014 visa &#8220;suprimir viola\u00e7\u00f5es socioambientais, culturais, espirituais e territoriais, al\u00e9m de graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os quilombolas nunca receberam um percentual pela explora\u00e7\u00e3o do ouro nas terras que s\u00e3o reconhecidas como deles. Al\u00e9m desse percentual, cobramos uma repara\u00e7\u00e3o pelos impactos \u00e0 sa\u00fade e psicol\u00f3gicos que eles sofrem. Pedimos tamb\u00e9m uma liminar para barrar o avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o e estabelecer o seguro ambiental miner\u00e1rio &#8211; uma remunera\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de um sal\u00e1rio&#8221;, afirma o advogado Guilherme Dolabella, do escrit\u00f3rio Barreto\/Dolabella, que representa as comunidades e suas associa\u00e7\u00f5es nas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas entre os relacionados ao quilombo, h\u00e1 cerca de 1.800 pessoas atingidas e que s\u00e3o representadas pela Associa\u00e7\u00e3o dos Quilombolas do Machadinho (Aquima). Nos dois bairros afetados de Paracatu, a a\u00e7\u00e3o corre em nome da associa\u00e7\u00e3o dos moradores, que re\u00fane um n\u00famero ainda n\u00e3o contabilizado de atingidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perigo para a sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para fundamentar os danos \u00e0 sa\u00fade que a a\u00e7\u00e3o indica serem provocados pela minera\u00e7\u00e3o, os advogados recorreram a um estudo cient\u00edfico apresentado no 3\u00ba Congresso da Sociedade de An\u00e1lise de Risco Latino-Americano, que revelou \u00edndice m\u00e9dio de ars\u00eanio de 14,7 micro grama por litro (\u00b5g\/L) na urina de moradores de Paracatu, com picos de 32,5 \u00b5g\/L.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia, a \u00e1gua, quando atinge um n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o de ars\u00eanio acima de 10\u00b5g\/L, ultrapassa a toler\u00e2ncia para ser considerada pot\u00e1vel, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos laboratoriais do Laborat\u00f3rio de Ensino de Biotecnologia (Labiotec) da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU), Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e peritos do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) indicam na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica dos atingidos a presen\u00e7a de ars\u00eanio e metais pesados em solo e cursos d&#8217;\u00e1gua, assim como na urina da popula\u00e7\u00e3o de Paracatu.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A ingest\u00e3o ou a inala\u00e7\u00e3o do ars\u00eanio pode levar a disfun\u00e7\u00f5es cardiovasculares, desordens neurol\u00f3gicas, diabetes, desordens hematol\u00f3gicas, c\u00e2ncer em diferentes \u00f3rg\u00e3os (f\u00edgado, pele e rins) e arteriosclerose&#8221;, segundo o Cetem.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca) alerta que a exposi\u00e7\u00e3o a metais pesados pode induzir a &#8220;danos gen\u00e9ticos, causar quadros de intoxica\u00e7\u00e3o aguda ou cr\u00f4nica e outras doen\u00e7as, como diabetes, aterosclerose, doen\u00e7as neurol\u00f3gicas ou cardiovasculares e, inclusive, c\u00e2ncer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Explos\u00f5es, sirenes, \u00e1gua envenenada e revolta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma vida de medo constante \u00e9 exposta na A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica movida contra a mineradora Kinross pelos quilombolas e moradores dos bairros Alto da Colina e Bela Vista II, em Paracatu, no Noroeste de Minas. O temor se refere, sobretudo, ao estado de seguran\u00e7a e poss\u00edvel risco de rompimento da Barragem Eust\u00e1quio, da companhia de explora\u00e7\u00e3o de ouro. As comunidades destacam que a situa\u00e7\u00e3o se deve ao fato de j\u00e1 terem sido encontradas fissuras e trincas que acabaram sendo reparadas na estrutura. Mas tamb\u00e9m pela lembran\u00e7a do desespero devido ao acionamento em falso das sirenes de evacua\u00e7\u00e3o, em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>As explos\u00f5es constantes na mina afetam estruturas de casas e constru\u00e7\u00f5es, provocando trincas e rachaduras, segundo relatos de moradores. Mas abalam tamb\u00e9m seu estado psicol\u00f3gico, uma vez que ocorrem diariamente, especificamente \u00e0s 15h30, sendo apelidadas de &#8220;bomba das 15h30&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A mineradora teria de tirar a popula\u00e7\u00e3o e realoc\u00e1-la em casas pagas por eles, mas nada disso foi feito. O dano psicol\u00f3gico e a ang\u00fastia s\u00e3o muito evidentes. Muitos reclamam da intimida\u00e7\u00e3o dos seguran\u00e7as da empresa, que n\u00e3o permitem que criem gado nas suas terras, fecham acessos, estradas e perseguem com trucul\u00eancia as pessoas. Quando estivemos l\u00e1, fomos acompanhados por carros suspeitos. Neste dia, n\u00e3o ocorreu a explos\u00e3o&#8221;, afirma o advogado Guilherme Dolabella, do escrit\u00f3rio Barreto\/Dolabella, que representa moradores e suas associa\u00e7\u00f5es nas a\u00e7\u00f5es movidas contra a companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2024\/08\/6922510-quilombos-e-impunidade-residuo-da-logica-escravocrata.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quilombos e impunidade: res\u00edduo da l\u00f3gica escravocrata<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Primeiro veio a revolta de ver essa barragem cheia de veneno em mais da metade do territ\u00f3rio que era dos nossos av\u00f3s. Minha av\u00f3 chorava sempre. A gente viu perder a cultura, as tradi\u00e7\u00f5es. L\u00e1 tinha festa de folia, festa de S\u00e3o Jo\u00e3o, cavalgada&#8230;&#8221;, relata Claudin\u00eas Lopes, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Quilombolas do Machadinho (Aquima). &#8220;Al\u00e9m disso, tem a situa\u00e7\u00e3o p\u00e9ssima de vida nos bairros para onde muitas pessoas foram. No Alto da Colina, que \u00e9 o bairro mais pr\u00f3ximo de l\u00e1, eles colocaram um muro, mas, mesmo assim, os impactos, rachaduras, a poeira&#8230;Tudo \u00e9 um pesadelo&#8221;, considera Lopes.<\/p>\n\n\n\n<p>A Barragem Eust\u00e1quio \u00e9 formada por dois diques selantes e come\u00e7ou a operar em 4 de janeiro de 2010, ap\u00f3s o reconhecimento do territ\u00f3rio quilombola. Os rejeitos passam por tritura\u00e7\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o por gravidade, peneiramento e processos qu\u00edmicos. A represa de rejeitos ocupa mil hectares (ha), dos 1.152 ha de \u00e1rea com estruturas miner\u00e1rias dentro dos 2.200 ha de terreno quilombola.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos pontos ao centro da Barragem Eust\u00e1quio foi considerado pela Funda\u00e7\u00e3o Estadual do Meio Ambiente (Feam) de alta vulnerabilidade natural \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos, ou seja, pontos em que a \u00e1gua subterr\u00e2nea est\u00e1 mais sujeita a ser polu\u00edda. O restante da \u00e1rea foi considerado de m\u00e9dia de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A 230 metros da barragem, pr\u00f3ximo ao C\u00f3rrego Rapadura, a Feam identificou \u00e1reas contaminadas que constam como estando sob interven\u00e7\u00e3o por &#8220;descarte e deposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos&#8221; provocando &#8220;contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas por ars\u00eanio&#8221;. No Quilombo do Machadinho h\u00e1 v\u00e1rios mananciais sob influ\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o. Um dos c\u00f3rregos da por\u00e7\u00e3o Sul, por exemplo, percorre 2 quil\u00f4metros dentro da \u00e1rea delimitada para o quilombo e a deixa, seguindo mais um quil\u00f4metro e meio at\u00e9 chegar ao C\u00f3rrego Espalha.<\/p>\n\n\n\n<p>O Espalha \u00e9 um dos principais afluentes do alto C\u00f3rrego Rico, manancial que tamb\u00e9m vem de dentro da minera\u00e7\u00e3o, margeando o bairro atingido Bela Vista II. O curso d&#8217;\u00e1gua atravessa o centro urbano de Paracatu, \u00e1reas rurais e de matas, em uma viagem de 86 quil\u00f4metros ao longo da qual recebe diretamente 21 contribui\u00e7\u00f5es significativas e des\u00e1gua diretamente no Rio Paracatu.<\/p>\n\n\n\n<p>Na parte Norte do territ\u00f3rio quilombola, o C\u00f3rrego do Eust\u00e1quio forma a barragem de mesmo nome, recebendo duas contribui\u00e7\u00f5es principais, de um manancial dentro da \u00e1rea em demarca\u00e7\u00e3o e de outro que vem da minera\u00e7\u00e3o, formado na Barragem Tanque Espec\u00edfico XII de rejeitos classe 1 (perigosos) e alto potencial de dano ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de deixar a barragem, o c\u00f3rrego segue por 2 quil\u00f4metros at\u00e9 desembocar no Ribeir\u00e3o Santa Rita. Ali, antes do povoado de Lagoa e da conflu\u00eancia com o Ribeir\u00e3o S\u00e3o Pedro, a taxa de contamina\u00e7\u00e3o por metais pesados medida entre 2021 e 2023 pela Feam \u00e9 considerada m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse manancial segue por 25 quil\u00f4metros at\u00e9 a conflu\u00eancia com o Ribeir\u00e3o S\u00e3o Pedro, de l\u00e1 por mais 74 quil\u00f4metros at\u00e9 o Ribeir\u00e3o Entre Ribeiros que des\u00e1gua no Rio Paracatu 67 quil\u00f4metros depois.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conflitos h\u00eddricos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Praticamente 85% do territ\u00f3rio quilombola se encontra em \u00e1rea considerada de conflito por uso de recursos h\u00eddricos superficiais (c\u00f3rregos e ribeir\u00f5es) das sub-bacias do Ribeir\u00e3o S\u00e3o Pedro e Ribeir\u00e3o Santa Rita. O comprometimento da disponibilidade de \u00e1guas subterr\u00e2neas superou a capacidade. Por esse motivo, o Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (Igam) n\u00e3o permite novas capta\u00e7\u00f5es, sendo a \u00e1rea considerada de restri\u00e7\u00e3o e controle de \u00e1guas subterr\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1rvores tamb\u00e9m na lista de extin\u00e7\u00e3o ainda ocorrem no Quilombo do Machadinho. Entre elas, o baruzeiro (Dipteryx alata), nativo do Cerrado e amea\u00e7ado na categoria vulner\u00e1vel segundo a Lista Vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), devido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de madeira e a perda dos habitats.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O NOVO CONFLITO DO OURO EM MG: EM PARACATU, MINERADORA KINROSS X QUILOMBOLAS, MEIO AMBIENTE E TODO O POVO Fonte: https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2025\/09\/7258035-o-novo-conflito-do-ouro-em-minas-gerais.html#google_vignette Por&nbsp;Mateus Parreiras &#8211; Estado de Minas Em Paracatu, noroeste mineiro, remanescentes de quilombo denunciam<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,47,46,44,38,49,35,27,30,56,29,43,26],"tags":[],"class_list":["post-14752","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-agua","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-dos-quilombolas","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-meio-ambiente","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14752"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14752\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14755,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14752\/revisions\/14755"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}