{"id":14792,"date":"2025-10-14T10:36:47","date_gmt":"2025-10-14T13:36:47","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14792"},"modified":"2025-10-14T10:36:53","modified_gmt":"2025-10-14T13:36:53","slug":"muito-obrigado-papa-leao-xiv-pela-exortacao-dilexi-te-eu-te-amei-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/muito-obrigado-papa-leao-xiv-pela-exortacao-dilexi-te-eu-te-amei-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Muito obrigado, Papa Le\u00e3o XIV, pela Exorta\u00e7\u00e3o DILEXI TE (&#8220;Eu te amei&#8221;- Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Muito obrigado, Papa Le\u00e3o XIV<\/strong> &#8211; Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/unnamed-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14793\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/unnamed-1-1.jpg 900w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/unnamed-1-1-300x300.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/unnamed-1-1-150x150.jpg 150w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/unnamed-1-1-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Muito obrigado pela bela e oportuna exorta\u00e7\u00e3o <em>Dilexi te<\/em> sobre o cuidado com os pobres. Sua exorta\u00e7\u00e3o ganha especial sentido no mundo atual, no qual, o Capitalismo perdeu todas as suas m\u00e1scaras de sistema minimamente humanit\u00e1rio. Multid\u00f5es de migrantes e continentes inteiros como a \u00c1frica se tornaram descart\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa exorta\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m urgente em uma Igreja na qual muitos grupos considerados cat\u00f3licos e a maioria da hierarquia e do clero se divide entre posi\u00e7\u00f5es de direita e de extrema-direita, uns e outros aprisionados em uma vis\u00e3o de Igreja clerical, autorreferente e saudosa dos velhos tempos de Cristandade. Quem sabe, bispos e padres que n\u00e3o se preocuparam em ler as enc\u00edclicas do Papa Francisco, aceitem ler e levar a s\u00e9rio as suas exorta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A exorta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m far\u00e1 bem a outras Igrejas irm\u00e3s. Aqui no Brasil, nesses dias, uma Igreja evang\u00e9lica conhecida pediu ao Banco Central para abrir um banco. E continua considerada Igreja crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua exorta\u00e7\u00e3o \u00e9 um bom resumo do que uma boa enciclop\u00e9dia poderia trazer sobre a ajuda aos pobres nos textos b\u00edblicos, nos documentos da Patrologia e de toda a tradi\u00e7\u00e3o de vida religiosa na Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das bases da argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavra de Jesus: \u201cpobres,&nbsp; sempre tereis entre v\u00f3s\u201d (Mt 26,11). Na ceia de Bet\u00e2nia (casa dos pobres), Jesus cita o cap\u00edtulo 15 do Deuteron\u00f4mio que legisla sobre o ano sab\u00e1tico, a anistia das d\u00edvidas e a liberta\u00e7\u00e3o dos escravizados, para que n\u00e3o haja mais pobres na sociedade. No entanto, como a sociedade sempre encontra formas de manter as desigualdades injustas, \u00e9 preciso ajudar os pobres, porque entre v\u00f3s (e isso \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o), sempre haver\u00e1 gente empobrecida\u201d (Dt 15, 11).<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, o vocabul\u00e1rio b\u00edblico tem tr\u00eas termos hebraicos para designar o pobre. Na maioria dos textos, <em>anaw<\/em> ou <em>anawin<\/em> se traduz melhor por empobrecido do que por pobre. Os livros sapienciais falam dos anawin de Jahw\u00e9. \u00c9 a categoria social e pol\u00edtica do povo oprimido. O termo <em>ebion<\/em> tem o sentido de carente, enquanto <em>dal <\/em>designa a pessoa estruturalmente necessitada de cuidados especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa exorta\u00e7\u00e3o papal me fez recordar da palavra do querido e saudoso Dom Helder Camara, que, uma vez, o Papa Francisco citou: \u201cQuando eu ajudo os pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que s\u00e3o pobres, dizem que sou comunista\u201d. Do tempo de Dom Helder para c\u00e1, o mundo piorou tanto que, quem sabe, mesmo essa exorta\u00e7\u00e3o que trata mais do cuidado com os pobres e apenas alude \u00e0s causas estruturais da pobreza, possa ser acusada de comunista.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito obrigado, Papa Le\u00e3o, pela men\u00e7\u00e3o honrosa aos movimentos populares e ao seu manifesto desejo de que a Igreja se coloque na solidariedade concreta e na luta pac\u00edfica para vencer as causas estruturais da pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Por falar nisso, a sua carta traz uma longa lista de coisas boas que, em toda a hist\u00f3ria, a Igreja Cat\u00f3lica fez para os pobres. Recordou a proposta evang\u00e9lica e franciscana de uma Igreja dos pobres e para os pobres. No entanto, todos n\u00f3s sabemos que, embora todos esses textos sejam verdadeiros e importantes, no que diz respeito \u00e0 pr\u00e1tica concreta, a hierarquia eclesi\u00e1stica nem sempre agiu de acordo com esses princ\u00edpios. Durante a hist\u00f3ria, os representantes da Igreja se uniram aos imp\u00e9rios colonizadores e legitimaram a viol\u00eancia da conquista, da escravid\u00e3o e, portanto, da origem da pobreza estrutural da maioria de nossos povos. O Papa Jo\u00e3o Paulo II pediu perd\u00e3o pelos pecados de alguns filhos da Igreja, mas todos n\u00f3s sabemos que aqueles eclesi\u00e1sticos agiram como representantes da Igreja e endossados por documentos oficiais, que at\u00e9 os tempos do Papa Le\u00e3o XIII, condenavam todos os movimentos sociais, sindicatos e quaisquer organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, essa indiferen\u00e7a social e pol\u00edtica com a manifesta\u00e7\u00e3o do reinado divino no mundo continua ainda no DNA de muitos eclesi\u00e1sticos e espero que a sua exorta\u00e7\u00e3o provoque verdadeira convers\u00e3o estrutural e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Oro para que superemos o tempo em que seja necess\u00e1rio um papa escrever uma exorta\u00e7\u00e3o sobre a solidariedade necess\u00e1ria aos pobres. Que tenhamos cada vez mais bispos, padres e grupos crist\u00e3os que renovem o Pacto das Catacumbas e, cada vez mais, como pediam os bispos cat\u00f3licos na confer\u00eancia de Medell\u00edn (1968): \u201cna Am\u00e9rica Latina, a Igreja tome cada vez mais o rosto de uma Igreja pobre e despojada dos meios de poder, comprometida com a liberta\u00e7\u00e3o de toda a humanidade e de cada ser humano em sua integralidade\u201d (Med 5, 15).<\/p>\n\n\n\n<p>A mim, sua exorta\u00e7\u00e3o, Papa Le\u00e3o, me interpela n\u00e3o apenas a ajudar os pobres e ser solid\u00e1rio, mas a denunciar as causas estruturais da pobreza e a lutar contra as estruturas que, diariamente, a produzem e a multiplicam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito obrigado, Papa Le\u00e3o XIV &#8211; Por Marcelo Barros Muito obrigado pela bela e oportuna exorta\u00e7\u00e3o Dilexi te sobre o cuidado com os pobres. 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