{"id":14939,"date":"2026-01-03T10:57:00","date_gmt":"2026-01-03T13:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14939"},"modified":"2026-01-10T17:18:37","modified_gmt":"2026-01-10T20:18:37","slug":"o-ser-humano-tem-ainda-futuro-por-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-ser-humano-tem-ainda-futuro-por-leonardo-boff\/","title":{"rendered":"O ser humano tem ainda\u00a0futuro?\u00a0&#8211; Por Leonardo Boff\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O ser humano tem ainda&nbsp;futuro?&nbsp;<\/strong>&#8211; Por Leonardo Boff&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20200706-26197-jxc56o.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14940\" width=\"779\" height=\"520\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20200706-26197-jxc56o.jpeg 512w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20200706-26197-jxc56o-300x200.jpeg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20200706-26197-jxc56o-420x280.jpeg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 779px) 100vw, 779px\" \/><figcaption>Leonardo Boff<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 de praxe em cada final de ano se fazer um balan\u00e7o, uma esp\u00e9cie de leitura de cego que capta apenas o que \u00e9 relevante. Seriam demasiadas&nbsp;coisas a serem lembradas. Apenas observamos que h\u00e1 uma lenta e irrefre\u00e1vel degrada\u00e7\u00e3o do nosso modo de habitar a Terra. O aquecimento global est\u00e1 crescendo cada ano e j\u00e1 mostra seus efeitos catastr\u00f3ficos no mundo todo com grandes inunda\u00e7\u00f5es, tuf\u00f5es e queimadas fenomenais. Assistimos no Rio Grande do Sul uma enchente desastrosa, destruindo partes de inteiras cidades, al\u00e9m dos danos na agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Fala-se que entramos numa era geol\u00f3gica nova, o&nbsp;<em>antropoceno<\/em>, vale dizer, o meteoro&nbsp;rasante, destruidor da natureza n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o pr\u00f3prio ser humano. Outros v\u00e3o mais longe e acrescentam que estamos na era do&nbsp;<em>necroceno<\/em>, quer dizer, a maci\u00e7a morte (<em>necro<\/em>) de esp\u00e9cies, na ordem de 70-100 mil&nbsp;segundo o conhecido bi\u00f3logo Edward Wilson. Ultimamente o n\u00famero de inc\u00eandios cresceram tanto no mundo inteiro que j\u00e1 se fala do&nbsp;<em>piroceno (piros<\/em>&nbsp;em grego \u00e9 fogo), a fase mais avan\u00e7ada e perigosa do antropoceno. Acresce ainda a perversa desigualdade social, pois 1% de ricos possuem mais riqueza que mais da metade da humanidade (4,7 bilh\u00f5es), o que \u00e9 uma inf\u00e2mia e uma nega\u00e7\u00e3o de humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Face a tal n\u00edvel de degrada\u00e7\u00e3o generalizada, nunca vista antes da presen\u00e7a do ser humano no processo de evolu\u00e7\u00e3o, muitos, entre eles grandes nomes da ci\u00eancia se perguntam se n\u00e3o estamos pr\u00f3ximos do fim poss\u00edvel da esp\u00e9cie humana. E com raz\u00e3o, pois n\u00e3o se trata de fantasmas, mas de sinais perturbadores. O pr\u00eamio Nobel de biologia de 1974, Christian de Duve em seu minucioso livro&nbsp;<em>Poeira Vital, a vida como imperativo c\u00f3smico<\/em>&nbsp;(Campus 1997) afirma que nos dias de hoje \u201ca evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica marcha em ritmo acelerado para uma grave instabilidade; de certa forma, o nosso tempo lembra uma daquelas importantes rupturas na evolu\u00e7\u00e3o, assinaladas por extin\u00e7\u00f5es em massa\u201d. O cientista Norman Myers calculou que somente no Brasil, se est\u00e3o extinguindo nos \u00faltimos 35 anos quatro esp\u00e9cies por dia. Th\u00e9odore Monod, um not\u00e1vel naturalista, deixou como testamento um texto de reflex\u00e3o com esse t\u00edtulo: \u201cE se&nbsp;<em>a aventura humana vier a falhar<\/em>\u201d (2000)? Assevera: \u201csomos capazes de uma conduta insensata e demente; pode-se a partir de agora temer tudo, tudo mesmo, inclusive a aniquila\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que surgiu como&nbsp;<em>homo habilis<\/em>&nbsp;h\u00e1 mais de dois milh\u00f5es de anos vem desequilibrando sua rela\u00e7\u00e3o para com a natureza. At\u00e9 quarenta mil anos atr\u00e1s os danos ecol\u00f3gicos eram insignificantes. Mas a partir desta data come\u00e7ou um assalto sistem\u00e1tico \u00e0 biosfera. Em poucas centenas de anos, os ca\u00e7adores extinguiram os mamutes, as pregui\u00e7as-gigantes e outros mam\u00edferos pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Na era industrial (1850) foram desenvolvidos instrumentos que tornaram bem-sucedida a domina\u00e7\u00e3o\/devasta\u00e7\u00e3o da natureza. Nos dias atuais, este processo se agravou a ponto de que os noves itens (<em>planetary bounderies<\/em>) que sustentam a vida est\u00e3o celeramente caindo, no termo,&nbsp;tornando imposs\u00edvel a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 h\u00e1 2 milh\u00f5es de anos que estamos&nbsp;dentro da Idade do Gelo. A atual fase interglacial quente come\u00e7ou h\u00e1 11.400 anos (per\u00edodo do Holoceno). Conforme os padr\u00f5es do passado dever\u00edamos ingressar num novo per\u00edodo de resfriamento. Entretanto nossa esp\u00e9cie alterou profundamente a natureza da atmosfera. V\u00e1rios gases de efeito estufa como o CO2, o metano e outros importantes est\u00e3o aquecendo todo o planeta. At\u00e9 2030 n\u00e3o poderia alcan\u00e7ar dois graus, pois seria desastroso para grande parte da humanidade e para a natureza. J\u00e1 agora em 2025 atingimos 1,77\u00baC.<\/p>\n\n\n\n<p>A estes problemas acresce a car\u00eancia de \u00e1gua pot\u00e1vel (s\u00f3 3% \u00e9 doce) e a super popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana que j\u00e1 ocupou 83% do planeta depredando-o. Poder\u00e3o os seres humanos viver juntos numa \u00fanica Casa Comum? N\u00e3o somos seres pac\u00edficos, mas extremamente agressivos, faltos de coopera\u00e7\u00e3o e de cuidado. O astr\u00f4nomo real Sir Martin Rees da Inglaterra em seu livro \u201c<em>Hora Final:<\/em>&nbsp;<em>o desastre ambiental amea\u00e7a o futuro da humanidade<\/em>\u201d (2005) estima que, a correrem as coisas como correm, podemos nos liquidar ainda neste s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar deste quadro sombrio neste final de 2025 mantenho a esperan\u00e7a de que o ser humano, com sua intelig\u00eancia, raz\u00e3o cordial e sentido de sobreviv\u00eancia decidir\u00e1 pela continuidade da vida neste planeta e n\u00e3o pelo suic\u00eddio coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00f3gico,&nbsp;precisamos ter paci\u00eancia para com o ser humano. Ele n\u00e3o est\u00e1 pronto ainda. Tem muito a aprender. Em rela\u00e7\u00e3o ao tempo c\u00f3smico&nbsp;possui menos de um minuto de vida no planeta. Mas com ele, a evolu\u00e7\u00e3o deu um salto, de inconsciente se f\u00eaz consciente. E com a consci\u00eancia pode decidir que destino quer para si. Nesta perspectiva, a situa\u00e7\u00e3o atual representa antes um desafio que um desastre, a travessia para um patamar mais alto e n\u00e3o um mergulho na auto-destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora cabe-nos mostrar amor \u00e0 vida em sua majest\u00e1tica diversidade, ter com-paix\u00e3o para com todos os que sofrem, realizar rapidamente a justi\u00e7a social necess\u00e1ria e amar a Grande M\u00e3e, a Terra. Incentivam-nos as Escrituras judaico-crist\u00e3s: \u201cEscolha a vida e viver\u00e1s (Deut 30,28)\u201d. Andemos depressa, pois n\u00e3o temos muito tempo a perder.<\/p>\n\n\n\n<p>Leonardo Boff escreveu: Homem: sat\u00e3 ou anjo bom, Record 2008; <em>Cuidar da Casa Comum: <\/em>pistas para protelar o fim do mundo, Vozes 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ser humano tem ainda&nbsp;futuro?&nbsp;&#8211; Por Leonardo Boff&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 de praxe em cada final de ano se fazer um balan\u00e7o, uma esp\u00e9cie de leitura de cego que capta apenas o que \u00e9 relevante. 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