{"id":14981,"date":"2026-02-01T21:23:10","date_gmt":"2026-02-02T00:23:10","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14981"},"modified":"2026-02-01T21:24:02","modified_gmt":"2026-02-02T00:24:02","slug":"novo-mapa-geopolitico-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/novo-mapa-geopolitico-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"NOVO MAPA GEOPOL\u00cdTICO &#8211; Por Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>NOVO MAPA GEOPOL\u00cdTICO &#8211; Por Frei Betto<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong> Steven Forti, professor da Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona, declarou que o retorno de Trump \u00e0 Casa Branca em janeiro de 2025 inaugurou uma nova era. O &#8220;mundo de ontem&#8221;, na express\u00e3o de Stefan Zweig, acabou. Nessa nova era, o neoimperialismo substitui a ordem liberal global criada no final da Segunda Grande Guerra pela l\u00f3gica imperial governada pela mistura da lei da barb\u00e1rie (a for\u00e7a faz o direito) e a divis\u00e3o do mundo em esferas de influ\u00eancia (a nova doutrina trumpista da \u201cgeopol\u00edtica hemisf\u00e9rica\u201d): a R\u00fassia cuida da Ucr\u00e2nia; a China, de Taiwan; Israel, de Gaza; os EUA, do continente americano acrescido do Canad\u00e1 e da Groenl\u00e2ndia etc.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para a Casa Branca, diplomacia e multilateralismo s\u00e3o coisas do passado. Organiza\u00e7\u00f5es supranacionais, como as Na\u00e7\u00f5es Unidas, n\u00e3o s\u00e3o mais reconhecidas como detentoras de qualquer autoridade, nem mesmo formal. \u201cChegou a hora dos predadores\u201d, alerta Giuliano Da Empoli. A nova era assemelha-se \u00e0 \u00e9poca do imperialismo do final do s\u00e9culo XIX. Agora trata-se de um hiperimperialismo, ou seja, um novo tipo caracterizado por uma hegemonia militarizada, coercitiva e tecnologicamente imposta sobre o Sul Global devido ao decl\u00ednio do Norte Global. &nbsp;Portanto, n\u00e3o se trata de um retorno \u00e0 era imperialista cl\u00e1ssica, e sim do estabelecimento de um sistema internacional neomon\u00e1rquico estruturado por um pequeno grupo de elites hiperprivilegiadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Chegamos a este ponto ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas de hegemonia neoliberal que, com a for\u00e7a de picaretas e motosserras, demoliu as paredes de sustenta\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio t\u00e3o meticulosamente constru\u00eddo ap\u00f3s 1945. Primeiro, as pol\u00edticas neoliberais \u2014 privatiza\u00e7\u00f5es, uberiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, cortes nos gastos sociais etc. \u2014 enfraqueceram o modelo do Estado de bem-estar social, aumentaram as desigualdades e fragmentaram a coes\u00e3o social. Tudo isso refor\u00e7ado pelo neoliberalismo ao incutir uma s\u00e9rie de \u201cvalores\u201d, como o individualismo desenfreado e a competitividade extrema, a ponto de se aliar aos setores etnonacionalistas e identit\u00e1rios da direita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O conceito de democracia vem sendo esvaziado e o poder efetivo desloca-se para as elites econ\u00f4micas. O resultado \u00e9 a configura\u00e7\u00e3o de um sistema p\u00f3s-democr\u00e1tico, no qual os organismos intermedi\u00e1rios \u2013 partidos, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es da sociedade civil \u2013 se declinam gradualmente. E os tecnoligarcas assumem o controle do Estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na era do neoliberalismo triunfante, a coniv\u00eancia entre os poderes pol\u00edtico e econ\u00f4mico era evidente. A influ\u00eancia das elites econ\u00f4micas era vis\u00edvel, malgrado as tentativas de ocult\u00e1-la. Na nova era, tudo \u00e9 feito \u00e0s escancaras. Isso se aplica tanto \u00e0 geopol\u00edtica quanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com as pot\u00eancias econ\u00f4micas. Por um lado, Trump bombardeia Caracas e sequestra Maduro para controlar diretamente os po\u00e7os de petr\u00f3leo venezuelanos. A palavra \u201cdemocracia\u201d n\u00e3o aparece em seus discursos e est\u00e1 longe de ser um de seus objetivos, mesmo que apenas superficialmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por outro, os tecnoligarcas do Vale do Sil\u00edcio n\u00e3o querem apenas encher os bolsos; defendem abertamente projetos autorit\u00e1rios e antidemocr\u00e1ticos \u2014 novas monarquias absolutas movidas pela efici\u00eancia e governadas por CEOs-reis, seguindo o modelo do Catar ou de Singapura. Passamos da uni\u00e3o entre pol\u00edtica e economia do tipo neoliberal &#8220;cl\u00e1ssico&#8221; para a vontade expl\u00edcita de capturar o Estado atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de um &#8220;complexo tecnol\u00f3gico autorit\u00e1rio&#8221; que visa controlar os mecanismos de governan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na era do decl\u00ednio do neoliberalismo, a democracia, mesmo como mera formalidade, \u00e9 considerada um ornamento. De fato, est\u00e1 reduzida a uma sombra do que j\u00e1 foi. Desde 2008, a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o mundial vivendo em democracias diminui constantemente. Hoje atinge o modesto patamar de 28% (dado de 2024).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A tend\u00eancia \u00e9 clara. H\u00e1 cerca de vinte anos, vivenciamos a primeira grande onda de autocratiza\u00e7\u00e3o desde a Segunda Grande Guerra. Isto \u00e9, cada vez mais pa\u00edses se tornam autocracias eleitorais. Mant\u00eam uma apar\u00eancia de respeito \u00e0s regras democr\u00e1ticas \u2014 at\u00e9 mesmo na R\u00fassia de Putin elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas \u2014, mas a democracia \u00e9, na melhor das hip\u00f3teses, uma casca vazia. Quer queiramos ou n\u00e3o, a era que se iniciou est\u00e1 destinada a ser a era das autocracias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A extrema-direita \u00e9 o principal ator da nova era, juntamente com os l\u00edderes autorit\u00e1rios no poder em grande parte do mundo \u2014 Putin, Xi Jinping, Erdogan, Modi, os petro-monarcas do Golfo etc.<\/p>\n\n\n\n<p>No Ocidente, \u00e9 a extrema-direita que melhor representa esta nova era. Ganha terreno eleitoral e chega ao poder em diversos pa\u00edses, dos EUA \u00e0 Argentina, de Israel \u00e0 It\u00e1lia, da Hungria a El Salvador e ao Chile. T\u00e3o logo tem oportunidade, estabelece sistemas eleitorais autocr\u00e1ticos: a separa\u00e7\u00e3o de poderes \u00e9 corro\u00edda, o pluralismo midi\u00e1tico \u00e9 atacado e os direitos de grandes segmentos da popula\u00e7\u00e3o desaparecem. O homem forte se apresenta como representante do povo, despreza os controles democr\u00e1ticos e coloca em movimento um projeto etnonacionalista reacion\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora existam diferen\u00e7as e peculiaridades nacionais \u2014 afinal, cada partido \u00e9 produto da cultura pol\u00edtica de seu pa\u00eds \u2014, a extrema-direita deve ser entendida como uma grande fam\u00edlia global. As refer\u00eancias ideol\u00f3gicas e as estrat\u00e9gias pol\u00edticas e de comunica\u00e7\u00e3o utilizadas s\u00e3o, na verdade, id\u00eanticas. Al\u00e9m disso, participam das mesmas redes transnacionais formadas por funda\u00e7\u00f5es, institutos e&nbsp;<em>think tanks <\/em>que, nos \u00faltimos anos, t\u00eam trabalhado incansavelmente para desenvolver uma agenda comum, export\u00e1vel e adapt\u00e1vel a diferentes contextos: veja-se a Heritage Foundation ou a rede Conservadorismo Nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os governos autorit\u00e1rios de direita acreditam travar uma batalha conjunto contra inimigos comuns: a esquerda, o liberalismo, o globalismo, o movimento&nbsp;<em>Woke<\/em>&nbsp; e o politicamente correto. Contudo, as caracter\u00edsticas desta nova era n\u00e3o s\u00e3o as mesmas do per\u00edodo entre guerras: passou-se um s\u00e9culo desde os regimes de Hitler e Mussolini. O mundo mudou profundamente: a pol\u00edtica de massas j\u00e1 n\u00e3o existe; a atomiza\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 tecnologia digital \u00e9 a marca distintiva desta nova era. O \u201cpovo\u201d, a \u201cmassa\u201d, agora se fragmenta em indiv\u00edduos encerrados em suas bolhas digitais. O que temos diante de n\u00f3s \u00e9 uma nova extrema-direita que defende um autoritarismo p\u00f3s-liberal, anti-igualit\u00e1rio e orientado para a efici\u00eancia. As suas ra\u00edzes encontram-se no pensamento anti-iluminismo e no reacionarismo antiliberal do final do s\u00e9culo XVIII.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ideias extremistas se normalizaram. Ideias antes consideradas inaceit\u00e1veis tornaram-se senso comum e, como \u00faltimo recurso, s\u00e3o consagradas em lei. Na R\u00fassia e na Hungria, a homossexualidade \u00e9 legalmente equiparada \u00e0 pedofilia. Nos EUA, declarar-se antifascista implica sermembro de um grupo terrorista. J\u00e1 n\u00e3o choca ningu\u00e9m quando influenciadores proeminentes do movimento MAGA afirmam publicamente que as mulheres n\u00e3o deveriam ter o direito ao voto, ou quando o presidente argentino Javier Milei considera a justi\u00e7a social um c\u00e2ncer que deve ser erradicado, ou quando membros do governo israelense definem os palestinos como \u201canimais\u201d e defendem o genoc\u00eddio no cen\u00e1rio mundial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Teorias da conspira\u00e7\u00e3o abundam, a come\u00e7ar pela Grande Substitui\u00e7\u00e3o, segundo a qual as elites globalistas estariam executando um plano para substituir a popula\u00e7\u00e3o europeia por imigrantes mu\u00e7ulmanos. O presidente da maior pot\u00eancia mundial pode declarar repetidamente sua inten\u00e7\u00e3o de anexar outros territ\u00f3rios, mesmo os de pa\u00edses aliados como a Groenl\u00e2ndia ou o Canad\u00e1, desprezando o direito internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A nova era n\u00e3o \u00e9 apenas a da p\u00f3s-verdade, da desinforma\u00e7\u00e3o e das not\u00edcias falsas, mas tamb\u00e9m um tempoem que a polariza\u00e7\u00e3o se tornou comum. Al\u00e9m das consequ\u00eancias da hegemonia neoliberal, essa mudan\u00e7a n\u00e3o pode ser compreendida sem considerar o impacto das novas tecnologias, que possibilitaram a dissemina\u00e7\u00e3o viral de ideias e narrativas extremistas e, consequentemente, a normaliza\u00e7\u00e3o da extrema-direita e do autoritarismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que as duas \u00faltimas palavras do ano de 2024, segundo o Dicion\u00e1rio Oxford, tenham sido &#8220;brain rot&#8221; (apodrecimento cerebral), referindo-se \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o mental causada pelo consumo excessivo de conte\u00fado online de baixa qualidade e, em 2025, &#8220;rage bait&#8221; (isca de raiva), referindo-se a conte\u00fado online criado para provocar indigna\u00e7\u00e3o e gerar fortes rea\u00e7\u00f5es emocionais, explorando a polariza\u00e7\u00e3o e o funcionamento dos algoritmos das redes sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A maioria dos partidos e institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas n\u00e3o compreendeque tudo mudou. Raciocinam com base em paradigmas ultrapassados e prop\u00f5em solu\u00e7\u00f5es antiquadas que, al\u00e9m de serem irrealistas neste s\u00e9culo XXI, j\u00e1 n\u00e3o despertam qualquer interesse, nem mesmo entre aqueles que as defendem. Assim, vemos uma direita democr\u00e1tica em claro decl\u00ednio e em profunda crise de identidade (vide PSDB). Apesar de seus erros e defici\u00eancias, poucos \u2014 Lula, S\u00e1nchez, Sheinbaum, Petro, Mamdami \u2014 parecem compreender o cerne da quest\u00e3o: nada ser\u00e1 como antes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A nova era \u00e9 caracterizada pela renovada centralidade do uso pol\u00edtico da religi\u00e3o em todo o mundo. Embora esse n\u00e3o seja um fen\u00f4meno&nbsp;recente nos mundos mu\u00e7ulmano ou hindu, certamente \u00e9 no Ocidente moderno, onde, ap\u00f3s d\u00e9cadas de seculariza\u00e7\u00e3o, muitos consideravam a religi\u00e3o algo do passado. Apesar do aumento do n\u00famero de ateus e agn\u00f3sticos, atualmente l\u00edderes autorit\u00e1rios utilizam a religi\u00e3o mais do que nunca, invocando a suposta prote\u00e7\u00e3o de Deus, como se fossem monarcas absolutos por gra\u00e7a divina. Encontramos suas varia\u00e7\u00f5es mais d\u00edspares nos mundos cat\u00f3lico, protestante, evang\u00e9lico e ortodoxo, mas tamb\u00e9m no juda\u00edsmo, hindu\u00edsmo e islamismo: a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Patriarca Kirill \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia; as refer\u00eancias de Netanyahu ao Antigo Testamento para justificar o genoc\u00eddio em Gaza e a ocupa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia; o uso do hindu\u00edsmo por Modi; Trump, que se considera salvo por Deus por ter escapado da tentativa de assassinato em Boulder; Milei citando compulsivamente a Tor\u00e1; Bolsonaro batizado no Rio Jord\u00e3o e recebendo assist\u00eancia espiritual de pastores; a defesa da identidade crist\u00e3 da Hungria e da It\u00e1lia por Orb\u00e1n e Meloni&#8230;&nbsp;&nbsp;Um novo tipo de nacionalismo crist\u00e3o, que caminha lado a lado com o sionismo judaico, est\u00e1 cada vez mais ativo nas fileiras da extrema-direita. \u00c9 uma religi\u00e3o que se manifesta de forma agressiva, excludente e baseada na identidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diante dessa conjuntura, a resposta \u00e0 antiga quest\u00e3o leninista &#8220;O que fazer?&#8221; s\u00f3 pode ser coletiva. Iludir-se pensando que a derrota da extrema-direita em uma elei\u00e7\u00e3o espec\u00edfica significa uma virada \u00e9 pura ilus\u00e3o. Enquanto isso, podemos evitar cair no abismo. Os partidos democr\u00e1ticos devem evitar sucumbir ao canto de sereia da extrema-direita e defender as institui\u00e7\u00f5es e os direitos arduamente conquistados. E as institui\u00e7\u00f5es europeias opor-se veementemente ao neoimperialismo autorit\u00e1rio dos EUA, emergindo da letargia da \u201cvassalagem feliz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Neste momento, \u00e9 necess\u00e1rio desvincular-se do que se tornou o v\u00ednculo atl\u00e2ntico: construir uma autonomia estrat\u00e9gica genu\u00edna \u2014 que n\u00e3o pode ser meramente militar e, muito menos, baseada em fundamentos nacionais \u2014 e defender o que resta do multilateralismo, abrindo-se aos atores democr\u00e1ticos do Sul Global. No m\u00ednimo, devem ser envidados esfor\u00e7os para governar a economia, redistribuir a riqueza e reduzir as desigualdades. E enfatizar a quest\u00e3o ambiental \u2014 agora relegada a segundo plano \u2014 e a tecnol\u00f3gica, com tudo o que isso implica, como a urgente regula\u00e7\u00e3o das redes, pondo fim \u00e0 depend\u00eancia das grandes empresas de tecnologia dos EUA, cujos projetos autorit\u00e1rios devem ser combatidos sem hesita\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c9 necess\u00e1rio repensar completamente os paradigmas existentes: os antigos j\u00e1 n\u00e3o funcionam nesta nova era. Portanto, devemos reconstruir a sociedade, agora fragmentada e atomizada, criar um senso de comunidade, que n\u00e3o seja do tipo identit\u00e1rio e etnonacionalista da extrema-direita, reacender a batalha de ideias, e forjar alian\u00e7as e redes transnacionais, porque a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser meramente local. Todos devemos nos comprometer coletivamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Betto \u00e9 escritor, autor de \u201cPor uma Educa\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica e Participativa\u201d (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual:&nbsp;<a href=\"http:\/\/freibetto.org\/\">freibetto.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOVO MAPA GEOPOL\u00cdTICO &#8211; Por Frei Betto &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Steven Forti, professor da Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona, declarou que o retorno de Trump \u00e0 Casa Branca em janeiro de 2025 inaugurou uma nova era. 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