{"id":15048,"date":"2026-03-21T11:06:14","date_gmt":"2026-03-21T14:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15048"},"modified":"2026-03-21T11:06:15","modified_gmt":"2026-03-21T14:06:15","slug":"a-boa-nova-de-jesus-amizade-como-forca-de-vida-jo-111-45-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-boa-nova-de-jesus-amizade-como-forca-de-vida-jo-111-45-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"A BOA NOVA DE JESUS, AMIZADE COMO FOR\u00c7A DE VIDA (Jo 11,1-45) &#8211; Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A BOA NOVA DE JESUS, AMIZADE COMO FOR\u00c7A DE VIDA (Jo 11,1-45)<\/strong> &#8211; Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"225\" height=\"225\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/images-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15049\" style=\"width:751px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/images-4.jpg 225w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/images-4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0Irm\u00e3o Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 5\u00ba Domingo da Quaresma, meditamos no relato de como Jesus faz o seu amigo L\u00e1zaro voltar \u00e0 vida (Jo 1, 1- 45). No quarto evangelho, esse relato \u00e9 contado como o s\u00e9timo sinal que Jesus d\u00e1 aos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas, para que creiam nele como caminho para vida e ressurrei\u00e7\u00e3o e acolham a sua miss\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Como todos os sinais do Evangelho de Jo\u00e3o, o relato da reanima\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro tamb\u00e9m \u00e9 escrito de modo simb\u00f3lico. \u00c9 como se fosse uma pe\u00e7a teatral que se passa, simultaneamente, em dois planos: o da frente do palco \u00e9 a hist\u00f3ria contada, mas, por tr\u00e1s do texto, est\u00e1 a realidade das comunidades do evangelho no final do s\u00e9culo I.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto trata de uma cena da vida de Jesus, quando ele j\u00e1 estava na Judeia, aproximando-se de Jerusal\u00e9m para viver a sua P\u00e1scoa. Por tr\u00e1s do texto, essa hist\u00f3ria parece querer responder \u00e0s dificuldades e crises das comunidades crist\u00e3s no final do primeiro s\u00e9culo da era crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O texto fala de tr\u00eas personagens principais desse encontro com Jesus. L\u00e1zaro, Maria e Marta s\u00e3o tr\u00eas irm\u00e3os, amigos de Jesus que moram em Bet\u00e2nia, aldeia pr\u00f3xima a Jerusal\u00e9m. No entanto, ao contar essa hist\u00f3ria, o evangelho pode estar falando de Marta, Maria e L\u00e1zaro, como tr\u00eas tend\u00eancias ou correntes dentro das comunidades crist\u00e3s do final do s\u00e9culo I.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sempre afirmou que Marta representa a corrente crist\u00e3 mais pr\u00e1tica e inserida nos trabalhos, enquanto Maria representa o direito da mulher ser disc\u00edpula, cidad\u00e3, dedicada \u00e0 escuta&nbsp; e \u00e0 intimidade com Jesus.&nbsp;L\u00e1zaro era nome comum entre sacerdotes judaicos. Representa a parte das comunidades crist\u00e3s, ainda presa ao Juda\u00edsmo rab\u00ednico e, por isso, ainda, fechado no t\u00famulo da lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a aten\u00e7\u00e3o despertada para os dois planos da leitura, o da comunidade que l\u00ea e o plano do relato que as comunidades contam, vamos seguir a hist\u00f3ria como \u00e9 contada, para descobrir uma boa not\u00edcia, hoje, para n\u00f3s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Essa hist\u00f3ria conta que, ao se aproximarem de Jerusal\u00e9m, os disc\u00edpulos de Jesus estavam com medo. Sabiam que os sacerdotes e religiosos queriam matar Jesus. Por isso, n\u00e3o tinham querido vir com ele a Jerusal\u00e9m. De fato, para eles, era muito perigoso serem vistos, como pessoas ligadas a Jesus. O texto n\u00e3o alude \u00e0s disc\u00edpulas que faziam parte do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo 11 de Jo\u00e3o, n\u00e3o se fala dos disc\u00edpulos. Em Bet\u00e2nia, Jesus est\u00e1 sozinho. S\u00f3 aparecem os tr\u00eas irm\u00e3os, aos quais Jesus vem visitar. Para Jesus tamb\u00e9m, o ambiente de Jerusal\u00e9m era muito perigoso, principalmente, por ocasi\u00e3o da festa da P\u00e1scoa, na qual a popula\u00e7\u00e3o da cidade triplicava. Por isso, o evangelho conta que ele&nbsp; se escondia do outro lado do rio Jord\u00e3o. Estava clandestino. Mesmo assim, vai a Bet\u00e2nia para estar com Marta e Maria, que choravam a morte de L\u00e1zaro, seu irm\u00e3o. \u00c9 em Bet\u00e2nia, (em hebraico, casa dos pobres) que viviam os disc\u00edpulos e \u00e9 na casa dos pobres que Jesus se hospedava, at\u00e9 quando foi preso e condenado. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho acentua que o processo de reanima\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro foi como aventura de amizade. A partir da amizade de Jesus por L\u00e1zaro e pelas duas irm\u00e3s, ele fez o an\u00fancio da vida e da&nbsp; ressurrei\u00e7\u00e3o para toda a humanidade. Assim ele nos confirma que, por meio da amizade com ele, qualquer rela\u00e7\u00e3o de amizade pode ser for\u00e7a e luz para enfrentarmos o medo e a morte. Em nossa vida, podemos ter a feliz experi\u00eancia de uma amizade que, em determinado momento, torna-se para n\u00f3s cen\u00e1rio, atrav\u00e9s do qual Jesus nos diz, como disse ao amigo L\u00e1zaro: \u201c<em>Vem para fora! Sai desse t\u00famulo,<\/em> no qual est\u00e1s prostrado\u201d&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>O que significa Jesus dizer que a doen\u00e7a ou a morte de L\u00e1zaro \u00e9 para a gl\u00f3ria de Deus?&nbsp; Como a doen\u00e7a de algu\u00e9m pode ser para a gl\u00f3ria de Deus? Talvez a tradu\u00e7\u00e3o mais correta e atual dessa palavra seja: <em>A gl\u00f3ria de Deus se expressa quando enfrentamos a doen\u00e7a e at\u00e9 a morte.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Jesus chega tarde a Bet\u00e2nia. L\u00e1zaro j\u00e1 tinha sido sepultado havia quatro dias. Jesus diz: \u201c<em>Eu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida. Quem cr\u00ea em mim ainda que esteja morto viver\u00e1\u201d<\/em> (Jo 11,25).<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus, a ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser algo do futuro. Tem de ser experi\u00eancia presente e vivida agora e j\u00e1. Para muita gente, a f\u00e9 liberta do medo, porque traz uma revela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o divina. Mas, a palavra de Jesus traz uma promessa de ressurrei\u00e7\u00e3o que nos faz vencer a morte, como Jesus. O grito de Jesus \u201c<em>L\u00e1zaro, vem para fora!\u201d <\/em>(Jo 11,43) hoje, traduz-se de outras formas. Ele nos chama \u201cpara fora\u201d. Para fora de quais t\u00famulos e de quais situa\u00e7\u00f5es de morte?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o que Jesus fez n\u00e3o foi ressuscitar o amigo, j\u00e1 que depois L\u00e1zaro morreu de novo. A reanima\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de L\u00e1zaro foi sinal e an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Jesus nutria por L\u00e1zaro um amor de predile\u00e7\u00e3o (o evangelho usa raramente este termo grego <em>phileo<\/em>). Ao restituir a vida ao amigo, Jesus acarreta a ira dos religiosos e esses decidem mat\u00e1-lo. Jesus coloca em risco a pr\u00f3pria vida para restituir a vida a um amigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No romance \u201c<em>Crime e Castigo<\/em>\u201d, Dostoeivski conta que o jovem Raskonikov tinha cometido um crime terr\u00edvel: matou uma senhora idosa s\u00f3 para sentir-se acima da lei. Depois disso, ele encontra Sonya, jovem prostituta, pela qual est\u00e1 apaixonado. A mo\u00e7a est\u00e1 com o evangelho aberto, na p\u00e1gina que conta que Jesus tira L\u00e1zaro do t\u00famulo e o restitui \u00e0 vida. Os dois jovens se amam, mas ele sente que tem de ir para a pris\u00e3o pagar por seu crime e ela, por ter sido prostituta, jamais ser\u00e1 aceita pelas pessoas como esposa dele. Ele revela a Sonya o seu des\u00e2nimo e ela se refere a esse evangelho e comenta:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Fazia quatro dias que L\u00e1zaro j\u00e1 estava morto. Mesmo assim, Jesus tirou-o do t\u00famulo e o fez reviver. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, mesmo se sou prostituta e voc\u00ea um assassino que matou algu\u00e9m, h\u00e1 esperan\u00e7a&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Daqui a uma semana, estaremos come\u00e7ando a Semana Santa. Ela pode ser o momento para acolhermos uma Palavra, que nos ressuscite de nossos medos, de nossos des\u00e2nimos e nossos fechamentos interiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos intensificar o desejo e a prepara\u00e7\u00e3o interior para celebrar a P\u00e1scoa como profecia que nos ajuda a viver na vida cotidiana e no nosso modo de ser um caminho pascal. A ceia de Jesus tem de ser vivida a partir do compromisso de trabalhar para que todos e todas tenham seguran\u00e7a e soberania alimentar e a fome seja superada no Brasil e no mundo. Que essa nova celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa nos fa\u00e7a descobrir o modo de viver a f\u00e9 como express\u00e3o de solidariedade e uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada ano, no 22 de mar\u00e7o, a ONU celebra o Dia internacional da \u00c1gua que, para as espiritualidades origin\u00e1rias, mas tamb\u00e9m para a espiritualidade judaica e crist\u00e3 representa a fonte da vida e \u00e9, no mundo, o primeiro sinal do Esp\u00edrito Divino. Neste ano de 2026, a ONU prop\u00f5e como tema para este dia a rela\u00e7\u00e3o entre \u00c1gua e G\u00eanero. Com a crise h\u00eddrica que o Capitalismo depredador provoca, as maiores e primeiras v\u00edtimas s\u00e3o mulheres e meninas que, em muitas culturas, s\u00e3o encarregadas de buscar \u00e1gua e providenciar \u00e1gua para a fam\u00edlia ou para a comunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 n\u00e3o pode ser individualista e sim vivida como comunh\u00e3o na di\u00e1spora, ou seja, na&nbsp; dispers\u00e3o do mundo.&nbsp; \u00c9 assim que, como disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus, revivemos, hoje, em nossas vidas, a amizade de Jesus que Marta, Maria e L\u00e1zaro viviam. \u00c9 assim que, mesmo cada um e cada uma, com sua vida pr\u00f3pria, une-se aos outros irm\u00e3os e irm\u00e3s no caminho da ressurrei\u00e7\u00e3o nossa e de todo o mundo. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Amo tanto viver<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Todas as vezes que eu canto \u00e9 amor<br>Transfigurado na luz<br>Nos raios m\u00e1gicos de um refletor<br>Na cor que o instante produz<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Todas as vezes que eu canto \u00e9 a dor<br>Todos os fios da voz<br>Todos os rios que o pranto chorou<br>Na vida de todos n\u00f3s<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tudo que eu sei aprendi<br>Olhando o mundo dali<br>Do patamar da can\u00e7\u00e3o<br>Que deixa descortinar o cen\u00e1rio da paix\u00e3o<br>Aonde vejo a vagar meu cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tudo que eu canto \u00e9 a f\u00e9, \u00e9 o que \u00e9<br>\u00c9 o que h\u00e1 de criar mais beleza<br>Beleza que \u00e9 presa do tempo<br><br><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E, a um s\u00f3 tempo, eterna no ser<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Todas as vezes que eu canto<br>Amo tanto viver&nbsp; (Gilberto Gil \u2013 1980)<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/som13.com.br\/gilberto-gil\/amo-tanto-viver\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A BOA NOVA DE JESUS, AMIZADE COMO FOR\u00c7A DE VIDA (Jo 11,1-45) &#8211; Por Marcelo Barros \u00a0\u00a0Irm\u00e3o Marcelo Barros. 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