{"id":15073,"date":"2026-04-05T11:02:16","date_gmt":"2026-04-05T14:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15073"},"modified":"2026-04-05T11:02:17","modified_gmt":"2026-04-05T14:02:17","slug":"pascoa-historia-e-utopias-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/pascoa-historia-e-utopias-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"P\u00c1SCOA, HIST\u00d3RIA E UTOPIAS \u2013 Por Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>P\u00c1SCOA, HIST\u00d3RIA E UTOPIAS \u2013 Por Frei Betto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"449\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image_processing20200201-29235-x5nooa-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15074\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image_processing20200201-29235-x5nooa-1.jpg 800w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image_processing20200201-29235-x5nooa-1-300x168.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image_processing20200201-29235-x5nooa-1-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0Frei Betto. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/p>\n\n\n\n<p> A P\u00e1scoa \u00e9 a principal festa das Igrejas crist\u00e3s: celebra a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Em sua origem, \u00e9 a grande festa judaica que comemora a liberta\u00e7\u00e3o dos hebreus da escravid\u00e3o no Egito, em 1250 a.C., sob o reinado do fara\u00f3 Rams\u00e9s II. Curioso \u00e9 que, ao contr\u00e1rio das religi\u00f5es persas e mesopot\u00e2micas, babil\u00f4nicas e gregas, o juda\u00edsmo e o cristianismo n\u00e3o celebram mitos, e sim fatos hist\u00f3ricos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; \u00c9 hist\u00f3rico que Mois\u00e9s conduziu o processo que levou os hebreus a se livrarem do jugo em que viviam. E, malgrado as obras de Feuerbach e Renan e, posteriormente, o rasteiro ate\u00edsmo estalinista, hoje nenhum historiador de respeito nega a exist\u00eancia hist\u00f3rica de Jesus, atestada por historiadores n\u00e3o-crist\u00e3os que lhe foram contempor\u00e2neos, como Fl\u00e1vio Josefo e T\u00e1cito. Ali\u00e1s, h\u00e1 mais documentos cient\u00edficos sobre a exist\u00eancia de Jesus que de S\u00f3crates, que s\u00f3 conhecemos via Plat\u00e3o. O que ultrapassa a historiografia \u00e9 a cren\u00e7a em sua ressurrei\u00e7\u00e3o, que pertence \u00e0 esfera da(o) (a)f\u00e9(to).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Os evangelhos registram a presen\u00e7a de Jesus em Jerusal\u00e9m por ocasi\u00e3o das festas pascais. Foi numa delas, a do ano 30, que ele, preso por blasf\u00eamia e subvers\u00e3o, recebeu a pena capital e morreu crucificado. Tinha 36 ou 37 anos de idade, pois hoje sabemos que o monge Dion\u00edsio, o Pequeno, se equivocou, no s\u00e9culo VI, ao calcular o in\u00edcio de nossa era. Dion\u00edsio n\u00e3o conhecia o zero e est\u00e1 comprovado que na morte do rei Herodes, no ano 4 antes de nossa era, Jesus j\u00e1 havia nascido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; A vis\u00e3o do tempo como processo hist\u00f3rico marca profundamente a nossa cultura. A B\u00edblia herdou-a dos persas e, assim, quebrou a circularidade grega. Tr\u00eas grandes pilares de nossos atuais paradigmas o demonstram: Jesus, Marx e Freud. Todos tr\u00eas judeus. Na proposta de Jesus, a nossa felicidade (salva\u00e7\u00e3o) depende de nossa capacidade de amar. O Reino de Deus n\u00e3o \u00e9 algo &#8220;l\u00e1 em cima&#8221;, e sim \u201cl\u00e1 na frente\u201d, no futuro onde a hist\u00f3ria atinge a sua plenitude, em um mundo livre de opress\u00f5es. E tamb\u00e9m o seu limite, pela irrup\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a divina entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Marx analisa o capitalismo a partir das forma\u00e7\u00f5es sociais que o precedem e vislumbra, ap\u00f3s a sua supera\u00e7\u00e3o, um futuro de partilha e harmonia. Freud, nas mesmas \u00e1guas da historicidade, vai buscar no inconsciente marcado por nossas experi\u00eancias mais primevas a explica\u00e7\u00e3o para o nosso atual perfil psicol\u00f3gico, tendo em vista o resgate da sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Ora, um dos efeitos mais nefastos do neoliberalismo est\u00e1 condensado no famoso vatic\u00ednio de Fukuyama: &#8220;A hist\u00f3ria acabou&#8221;. \u00c9 claro que o nipo-americano, funcion\u00e1rio do Departamento de Estado, sabe muito bem que as empresas transnacionais n\u00e3o pensam em deter seu ganancioso processo de acumula\u00e7\u00e3o do capital e, portanto, sua hist\u00f3ria de cobi\u00e7a e espolia\u00e7\u00e3o. O que ele pretende sugerir \u00e9 que n\u00f3s devemos, como diria Dante hoje, abandonar \u00e0 porta do mercado toda esperan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Na lata de lixo da hist\u00f3ria, que recolhe os escombros do Muro de Berlim, devemos jogar tamb\u00e9m nossos ideais, utopias e sonhos de um mundo. E, conformados, sujeitar-nos ao imp\u00e9rio da livre concorr\u00eancia e da globocolonizaliza\u00e7\u00e3o, o novo nome do antigo colonialismo, pois faz do Planeta uma col\u00f4nia sob a hegemonia de meia d\u00fazia de na\u00e7\u00f5es submissas ao ditames b\u00e9licos da Casa Branca.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; A P\u00e1scoa crist\u00e3 sinaliza que, malgrado tanta mis\u00e9ria e desesperan\u00e7a, em Cristo temos a certeza de vit\u00f3ria da justi\u00e7a sobre a injusti\u00e7a e da vida sobre a morte. Aceitar que &#8220;a hist\u00f3ria acabou&#8221; \u00e9 cair no engodo da eterniza\u00e7\u00e3o do presente: a malha\u00e7\u00e3o que nos promete eterna juventude; o apego aos bens como se f\u00f4ssemos imortais; a acumula\u00e7\u00e3o como se lev\u00e1ssemos terras e tesouros para o al\u00e9m-t\u00famulo; as drogas como suced\u00e2neo diab\u00f3lico de uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o aprendeu a sonhar com Jesus, Gandhi, Luther King e Che Guevara.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; \u00c9 isso que a Igreja celebra agora: Cristo vive e sua vit\u00f3ria sobre os poderes deste mundo \u00e9 a garantia de que os sonhos brotados do cora\u00e7\u00e3o e da f\u00e9 s\u00e3o semente de &#8220;um novo c\u00e9u e uma nova Terra&#8221;, como prenuncia o Apocalipse. E, como diz a can\u00e7\u00e3o de Raul Seixas, um sonho que muitos sonham se faz realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Betto \u00e9 escritor, autor de \u201cUm homem chamado Jesus\u201d (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual:&nbsp;<a href=\"http:\/\/freibetto.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">freibetto.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00c1SCOA, HIST\u00d3RIA E UTOPIAS \u2013 Por Frei Betto \u00a0 \u00a0 \u00a0Frei Betto. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais A P\u00e1scoa \u00e9 a principal festa das Igrejas crist\u00e3s: celebra a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. 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