{"id":15140,"date":"2026-08-18T18:24:29","date_gmt":"2026-08-18T21:24:29","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15140"},"modified":"2026-08-18T18:24:29","modified_gmt":"2026-08-18T21:24:29","slug":"pior-escravo-lambe-botas-de-quem-o-golpeia-os-povos-diante-dos-brutais-projetos-de-exploracao-dn-1-2-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/pior-escravo-lambe-botas-de-quem-o-golpeia-os-povos-diante-dos-brutais-projetos-de-exploracao-dn-1-2-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"PIOR ESCRAVO \u201cLAMBE BOTAS\u201d DE QUEM O GOLPEIA: Os Povos diante dos Brutais Projetos de Explora\u00e7\u00e3o (Dn 1-2) &#8211; Por frei Gilvander"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>PIOR ESCRAVO \u201cLAMBE BOTAS\u201d DE QUEM O GOLPEIA: Os Povos diante dos Brutais Projetos de Explora\u00e7\u00e3o (Dn 1-2)<\/strong> &#8211; Por frei Gilvander Moreira<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"186\" height=\"104\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/4267.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15141\" style=\"width:780px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><a>Como 2\u00ba texto subs\u00eddio para o m\u00eas a B\u00edblia (Setembro de 2026) sobre o Livro de Daniel queremos refletir mais um pouco sobre os dois primeiros cap\u00edtulos do Livro de Daniel que podem nos inspirar sobre como resistir diante de opress\u00f5es e explora\u00e7\u00f5es invenc\u00edveis \u00e0 primeira vista.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O livro de Daniel reflete a experi\u00eancia de pessoas que vivem em comunidade, pautando sua conviv\u00eancia e sua luta na f\u00e9 no Deus de seus antepassados, que lutaram por liberta\u00e7\u00e3o. Elas sustentam a postura existencial de que apenas o poder do Deus da vida \u00e9 inquestion\u00e1vel e imbat\u00edvel. Os outros poderes, sejam pol\u00edticos, econ\u00f4micos, religiosos ou culturais, por mais prepotentes que aparentem ser, s\u00e3o todos derrub\u00e1veis pela a\u00e7\u00e3o de quem acredita que Deus \u00e9 o \u00fanico poder absoluto (Dn 2,31-47). \u00c9 poss\u00edvel que o autor do Evangelho de Lucas tenha se inspirado em Dn 2,31-47 para afirmar, no C\u00e2ntico de Maria, que <em>&#8220;Deus dispersa os soberbos de cora\u00e7\u00e3o, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens e despede os&nbsp; ricos de m\u00e3os vazias&#8221;<\/em> (Lc 1,51-53).<\/p>\n\n\n\n<p>O livro do profeta Daniel tem a finalidade de animar a esperan\u00e7a, mesmo que esta esteja por um fio, na resist\u00eancia popular diante dos projetos opressores do grande capital, que atropelam e violentam a dignidade humana e os valores culturais ancestrais e religiosos dos povos das florestas, do campo e da cidade. A profecia de Daniel busca despertar o povo do sono let\u00e1rgico imposto pela ideologia dominante, que anestesia as consci\u00eancias e incute subservi\u00eancia e resigna\u00e7\u00e3o diante de projetos exploradores. Busca avivar a consci\u00eancia hist\u00f3rica de um povo que caminha de forma aut\u00f4noma, com f\u00e9 no Deus Jav\u00e9, solid\u00e1rio e libertador (Cf. Ex 13,17-15,19), reproduzindo sua identidade sociocultural, permanentemente amea\u00e7ada pelas idolatrias disfar\u00e7adas de &#8220;progresso&#8221;, &#8220;valor cultural do presente&#8221; ou &#8220;\u00faltima novidade&#8221;, mais do mesmo travestido de economia verde ou de liberdade abstrata. Estas s\u00e3o sedu\u00e7\u00f5es que, de m\u00faltiplas formas, armam ciladas para desumanizar e violar a dignidade da pessoa humana e da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do livro de Daniel, narra-se que <em>&#8220;no terceiro ano do reinado de Joaquim em Jud\u00e1, Nabucodonosor, rei da Babil\u00f4nia, sitiou Jerusal\u00e9m com seu ex\u00e9rcito&#8221;<\/em> (Dn 1,1). Ap\u00f3s quase dois anos de cerco, Jerusal\u00e9m foi invadida e devastada e o templo saqueado e destru\u00eddo. Nabucodonosor levou para o ex\u00edlio a fam\u00edlia real e outras fam\u00edlias importantes (Dn 1,3), a melhor for\u00e7a de trabalho: <em>&#8220;jovens sem nenhum defeito f\u00edsico, de boa apar\u00eancia&#8221;<\/em> e preparados para trabalhar em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, &#8220;cientistas&#8221; para servir na corte do rei (Dn 1,4). A eles foi ordenado que estudassem a literatura e a l\u00edngua da Babil\u00f4nia (Dn 1,4), ou seja, que assimilassem a cultura do imp\u00e9rio invasor. Deveriam <em>&#8220;ter uma ra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da comida e do vinho da mesa real&#8221;<\/em>, isto \u00e9, comer e beber da cultura do inimigo. Isso era estrat\u00e9gia para cooptar os escravizados de forma que eles introjetassem e assimilassem, em si mesmos, o modo de ser e de existir dos escravocratas. O pior escravo \u00e9 o que \u201clambe as botas\u201d daquele que o golpeia, imaginando que, assim, ir\u00e1 conseguir uma sobrevida.<\/p>\n\n\n\n<p>O profeta Daniel e seus companheiros Ananias, Misael e Azarias, recusaram-se a comer e a beber da comida e da bebida do pal\u00e1cio do rei Nabucodonosor. <em>&#8220;Vamos comer s\u00f3 vegetais e beber s\u00f3 \u00e1gua&#8221;<\/em> (Dn 1,12). Eles fazem a op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o se contaminarem, como sinal de cr\u00edtica ao imperialismo e resist\u00eancia cultural e religiosa, preservando sua identidade ancestral. A alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel era a \u201cespinha dorsal\u201d da cultura de um povo que sofrera a escravid\u00e3o no Egito devido ao imperialismo dos fara\u00f3s e que, para conquistar a terra prometida, teve, antes, que marchar &#8220;quarenta anos pelo deserto&#8221;. A m\u00edstica que anima a resist\u00eancia popular passa, necessariamente, pela reprodu\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o dos valores ancestrais camponeses. Preservar os valores culturais \u00e9 um princ\u00edpio \u00e9tico indispens\u00e1vel na luta para resistir e desmoronar os megaprojetos exploradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contexto de escassez, tornou-se imprescind\u00edvel cuidar da qualidade dos alimentos. Por isso, as regras alimentares deviam ser levadas a s\u00e9rio (Cf. Ez 4,13-14; Os 9,3; Est 4,14; Jt 10,5; 1Mc 1,62-63; 2Mc 6,18-31). Ap\u00f3s dez dias, o capataz do imp\u00e9rio babil\u00f4nico viu que aqueles que se alimentaram apenas com vegetais e \u00e1gua \u2013 ou seja, com a &#8220;comida de verdade&#8221;, a dos Macabeus, protagonistas da resist\u00eancia popular, diante da opress\u00e3o do rei Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes, que os obrigava a comer carne de porco \u2013 estavam mais saud\u00e1veis. Ao final de Dn 1, diz-se que <em>&#8220;Daniel ficou trabalhando e servindo na casa real at\u00e9 o primeiro ano do reinado de Ciro&#8221;<\/em> (Dn 1,21), cerca de 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na B\u00edblia, encontramos muitas narrativas de grandes projetos que foram enfrentados por povos injusti\u00e7ados e marginalizados, entre os quais destacamos seis: 1) A Constru\u00e7\u00e3o da Torre de Babel (G\u00eanesis 11,1-9); 2) A constru\u00e7\u00e3o de um bezerro de ouro (\u00caxodo 32,1-35); 3) A est\u00e1tua gigante de p\u00e9s de barro do livro do profeta Daniel (Daniel 2,1-49); 4) O mercado no entorno do templo de Jerusal\u00e9m (Mateus 21,12-13; Jo\u00e3o 2,14-16); 5) O com\u00e9rcio ao redor da deusa \u00c1rtemis (Atos 19,23-40); 6) O drag\u00e3o do Apocalipse (Apocalipse 12,1-12).<\/p>\n\n\n\n<p>BH\/MG, 18\/08\/26<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico, em Roma, It\u00e1lia; assessor da CPT, CEBI e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas; autor de livros e artigos. E-mail:&nbsp;<a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\/\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Canal no You Tube:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander\">https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp; &nbsp;No Instagram: @gilvanderluismoreira \u2013&nbsp;Facebook: Gilvander Moreira III \u2013 No&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira\">https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PIOR ESCRAVO \u201cLAMBE BOTAS\u201d DE QUEM O GOLPEIA: Os Povos diante dos Brutais Projetos de Explora\u00e7\u00e3o (Dn 1-2) &#8211; Por frei Gilvander Moreira[1] Como 2\u00ba texto subs\u00eddio para o m\u00eas a B\u00edblia (Setembro de 2026)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15141,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-15140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15140"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15140\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15142,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15140\/revisions\/15142"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15141"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}