{"id":15145,"date":"2026-08-22T09:20:10","date_gmt":"2026-08-22T12:20:10","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15145"},"modified":"2026-08-22T09:20:11","modified_gmt":"2026-08-22T12:20:11","slug":"quem-e-jesus-para-nos-mt-1613-20-por-marcelo-barros-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/quem-e-jesus-para-nos-mt-1613-20-por-marcelo-barros-2\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s (Mt 16,13-20) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s (Mt 16,13-20) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"447\" height=\"447\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/images-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15146\" style=\"width:780px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/images-2.jpg 447w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/images-2-300x300.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/images-2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Irm\u00e3o Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Neste XXI Domingo Comum, dia 23\/08\/26, o evangelho faz-nos retomar, hoje, a mesma pergunta que Jesus fez aos disc\u00edpulos: E voc\u00eas, quem dizem que eu sou?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o pede resposta apenas intelectual, a ser dada de acordo com o Credo recitado nas Igrejas. Essa pergunta s\u00f3 pode ser respondida profundamente com o testemunho de nossas vidas. \u00c9 pelo nosso modo de ser e de viver que as pessoas poder\u00e3o entender quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s, ou seja, o papel e a import\u00e2ncia que Jesus tem na nossa vida<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00c9 normal que a mesma pessoa possa ser vista a partir de \u00e2ngulos diversos, a depender de quem a v\u00ea e da experi\u00eancia que tem com ela. Durante s\u00e9culos, habituamo-nos a ver Jesus a partir de imagens europeias. Apresentaram sempre um Jesus branco e identificado com t\u00edtulos e fun\u00e7\u00f5es de poder na sociedade ocidental. Foram astutos em trocar a m\u00edstica do reinado divino no mundo pela espiritualidade do Cristo Rei, cujo poder \u00e9 exercido atrav\u00e9s da Igreja e de seus leg\u00edtimos representantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em nome de Jesus que os conquistadores colonizaram nosso continente, escravizaram os seus habitantes originais e estabeleceram uma estrutura, que at\u00e9 hoje mant\u00e9m as desigualdades e discrimina\u00e7\u00f5es da coloniza\u00e7\u00e3o. Usaram a cruz e a espada. N\u00e3o podemos esquecer que as fortalezas de guerra que os colonizadores constru\u00edram contra os povos origin\u00e1rios chamavam-se e, at\u00e9 hoje, alguns chamam-se: Forte do Bom Jesus, Senhor do Bonfim e outros nomes semelhantes. At\u00e9 hoje, vemos crucifixos em c\u00e2maras municipais e assembleias legislativas, respons\u00e1veis por referendar leis injustas e discriminat\u00f3rias. Vemos eclesi\u00e1sticos cat\u00f3licos, evang\u00e9licos e pentecostais, coniventes com essa estrutura in\u00edqua e sempre em nome de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, hierarquias eclesi\u00e1sticas e muitos grupos crist\u00e3os apresentam Jesus como o Cristo-rei, Senhor e Deus. Cada vez mais, aumenta n\u00famero de pessoas que se perguntam sobre se essas imagens de Cristo apresentadas pelas Igrejas t\u00eam algo a ver com o Jesus de Nazar\u00e9 que viveu na Palestina h\u00e1 21 s\u00e9culos. De fato, com exce\u00e7\u00e3o de duas ou tr\u00eas refer\u00eancias em obras de escritores do final do s\u00e9culo I da era crist\u00e3, o pouco que sabemos sobre Jesus vem do testemunho dos evangelhos. E esses falam de Jesus, a partir do olhar de comunidades crist\u00e3s que, mesmo baseadas em testemunhos mais antigos,&nbsp; escreveram seus relatos mais de 40 ou mais de 50 anos depois da sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.&nbsp;E fazer, n\u00e3o de forma assistencialista, mas com jeito libertador que n\u00e3o gera depend\u00eancia e contribui para as pessoas e comunidades, em comunh\u00e3o com os outros marginalizados e marginalizadas, se emancipem.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos contempor\u00e2neos comparam relatos e fazem pesquisas arqueol\u00f3gicas sobre as sociedades do Oriente M\u00e9dio no primeiro s\u00e9culo. Em seus escritos, John Crossan mostra Jesus como \u201ccampon\u00eas judeu do Mediterr\u00e2neo\u201d. Reza Aslan descreve o Jesus hist\u00f3rico como zelota, isso \u00e9, como militante que lutava para libertar a Palestina e o povo das garras do Imp\u00e9rio Romano. Ligando hist\u00f3ria e ades\u00e3o da f\u00e9, Jos\u00e9 Antonio Pagola publicou v\u00e1rios livros para ajudar-nos a redescobrir a humanidade de Jesus, em seu mundo cultural, suas op\u00e7\u00f5es e sua proposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todos os estudos e pesquisas, Jesus continua desconhecido, n\u00e3o somente para o mundo, mas sobretudo para as pr\u00f3prias Igrejas. Muitos preferem olhar Jesus como mito do que levar a s\u00e9rio sua humanidade e segui-lo como mestre de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O saudoso amigo Jos\u00e9 Maria Castillo, te\u00f3logo espanhol, formado na tradi\u00e7\u00e3o jesu\u00edta, publicou o livro: <em>O Evangelho marginalizado<\/em> (Ed. Vozes). Ali, o autor mostrava que o evangelho foi e \u00e9 marginalizado, em primeiro lugar, pelas pr\u00f3prias Igrejas crist\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, a partir do s\u00e9culo IV, o Cristianismo foi absorvido pelo Imp\u00e9rio Romano, os crist\u00e3os come\u00e7aram a falar de Jesus como \u201cCristo Pantocrator\u201d, isso \u00e9 como imperador no trono. Este \u201cSenhor de tudo\u201d tinha como vig\u00e1rios na terra os reis e imperadores. Pouco a pouco, ensinaram que esse vig\u00e1rio de Cristo seria o bispo de Roma, o papa.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XIII, S\u00e3o Francisco de Assis insistiu na contempla\u00e7\u00e3o do Cristo pobre e nu, na Cruz. Inventou como espiritualidade a adora\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio de Natal e a devo\u00e7\u00e3o ao Caminho da Cruz (a chamada Via Sacra).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de 50 anos, muitas comunidades latino-americanas, pentecostais, cat\u00f3licas e evang\u00e9licas, veem Jesus como o Cristo Libertador e recebem dele for\u00e7a e inspira\u00e7\u00e3o para a resist\u00eancia em um mundo desigual e para testemunhar o projeto divino como justi\u00e7a, paz, liberta\u00e7\u00e3o para todos e comunh\u00e3o com a Terra e toda a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as pessoas comprometidas com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo, o que mais atrai na pessoa de Jesus libertador \u00e9 que Ele assume essa fun\u00e7\u00e3o a partir da inser\u00e7\u00e3o no mundo como pobre. Assim, testemunha o amor de Deus pelas pessoas vulner\u00e1veis. Identifica-se com elas, nos diversos tipos de cruz em que at\u00e9 hoje a sociedade dominante crucifica povos inteiros, sacrificados aos interesses dos imp\u00e9rios atuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma imagem esgota a realidade de Jesus.&nbsp; Temos sempre de perseverar n busca e aprofundar cada vez mais o mist\u00e9rio da sua pessoa e da sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio para as Igrejas e religi\u00f5es estabelecidas \u00e9 que Jesus sempre quis identificar-se com as v\u00edtimas da explora\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, o que mais escandalizava os religiosos \u00e9 que Jesus convivia e \u201c<em>comia com as prostitutas e com as pessoas consideradas de m\u00e1 vida\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda hoje, mesmo eclesi\u00e1sticos abertos ao social t\u00eam dificuldade de alargar essa abertura \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, \u00e0 luta contra o colonialismo, n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mico e social, mas tamb\u00e9m cultural e religioso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Religiosos estranharam que, h\u00e1 alguns anos, na festa de Natal, um grupo de humor apresentasse a figura de um Jesus gay. Ficaram escandalizados com o fato de &nbsp;que, no Rio de Janeiro, no desfile de Carnaval de 2020, a Mangueira tomasse como enredo o <em>Jesus da Gente<\/em>. Isso \u00e9 triste, quando sabemos que Jesus sempre colocou-se contra o poder religioso, quando esse pretendia&nbsp; aprisionar Deus em sua gaiola sagrada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos mais atentos \u00e0 Hist\u00f3ria lembram que at\u00e9 a abertura do Canal de Suez, em 1864, a regi\u00e3o da atual Palestina era considerada como pertencente \u00e0 \u00c1frica. Portanto, Jesus nasceu, viveu e morreu como africano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus revela-se nas v\u00edtimas e exclu\u00eddos do mundo. O testemunho que ele pede de n\u00f3s \u00e9 claro: \u201c<em>Tudo o que fizerem a um desses pequeninos, \u00e9 a mim que fazem<\/em>\u201d (Mt 25, 31ss).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s (Mt 16,13-20) \u2013 Por Marcelo Barros &nbsp;Neste XXI Domingo Comum, dia 23\/08\/26, o evangelho faz-nos retomar, hoje, a mesma pergunta que Jesus fez aos disc\u00edpulos: E voc\u00eas, quem dizem que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15146,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-15145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15145"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15147,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15145\/revisions\/15147"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15146"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}