{"id":15152,"date":"2026-08-25T20:44:20","date_gmt":"2026-08-25T23:44:20","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15152"},"modified":"2026-08-25T20:45:00","modified_gmt":"2026-08-25T23:45:00","slug":"daniel-21-49-na-luta-anti-imperialist-divino-e-humano-sao-carne-e-unha-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/daniel-21-49-na-luta-anti-imperialist-divino-e-humano-sao-carne-e-unha-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"DANIEL 2,1-49 NA LUTA ANTI-IMPERIALISTA: DIVINO E HUMANO S\u00c3O \u201cCARNE E UNHA\u201d &#8211; Por frei Gilvander"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>DANIEL 2,1-49 NA LUTA ANTI-IMPERIALISTA: DIVINO E HUMANO S\u00c3O \u201cCARNE E UNHA\u201d<\/strong> &#8211; Por frei Gilvander Moreira<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"450\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Profeta-Daniel-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15153\" style=\"width:780px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Profeta-Daniel-1.jpg 450w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Profeta-Daniel-1-300x300.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Profeta-Daniel-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Profeta Daniel, obra de Aleijadinho, no adro dos Profetas em Congonhas do Campo, MG. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o m\u00eas da B\u00edblia, setembro, em 2026, somos convidados\/as a refletir sobre e a partir do livro de Daniel, um profeta apocal\u00edptico que gera esperan\u00e7a onda a esperan\u00e7a est\u00e1 por um fio. Detenhamo-nos no grande projeto b\u00edblico da est\u00e1tua gigante de p\u00e9s de barro do livro de Daniel, narrada em Daniel 2,1-49, que simboliza todos os sucessivos imp\u00e9rios opressores e exploradores, com seus poderes econ\u00f4mico, pol\u00edtico e ideol\u00f3gico, na esperan\u00e7a de que ele nos inspire a assumir posturas e compromissos na milit\u00e2ncia pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade anti-imperialista, justa e solid\u00e1ria, diante dos atuais, grandes e brutais projetos do capitalismo, em sua fase neoliberal, neocolonial.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o cap\u00edtulo 2 de Daniel, o rei Nabucodonosor fica profundamente perturbado por um sonho enigm\u00e1tico. Assustado, exige que os s\u00e1bios \u2013 magos, astr\u00f3logos, agoureiros e adivinhos \u2013 n\u00e3o apenas interpretem, mas adivinhem o sonho que tivera. <em>&#8220;O rei nos exige algo sobre-humano&#8221;<\/em>, reconhecem eles. Diante da incapacidade dos &#8220;s\u00e1bios&#8221;, o rei ordena a pena de morte para todos. Condenado \u00e0 morte, Daniel pede um prazo e, em uma vis\u00e3o, Deus lhe revela o mist\u00e9rio do sonho, deixando Daniel agradecido por uma \u201cbrecha\u201d que o fa\u00e7a escapar da execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a de pena de morte (Daniel 2,20-23). Levado diante do rei, Daniel desmascara o pretenso poder dos s\u00e1bios: <em>&#8220;N\u00e3o s\u00e3o capazes de desvendar o segredo&#8230; Mas h\u00e1 no c\u00e9u um Deus que revela os segredos&#8221;<\/em> (Daniel 2,27-28). Ou seja, pretensos s\u00e1bios usam, em v\u00e3o, o nome de Deus e, diante disso, torna-se necess\u00e1ria uma teologia libertadora, que compreenda \u201cos segredos de Deus\u201d nas entranhas da hist\u00f3ria. <em>\u201cMas h\u00e1 no c\u00e9u&#8230;\u201d<\/em> Esse &#8220;mas&#8221; \u00e9 uma conjun\u00e7\u00e3o adversativa que revela outra for\u00e7a e luz contrastantes. Trata-se da luta pela afirma\u00e7\u00e3o do Deus do povo exilado contra os \u00eddolos de todos os imp\u00e9rios. Daniel, ent\u00e3o, revela o sonho e sua interpreta\u00e7\u00e3o, mostrando o que acontecer\u00e1 &#8220;nos \u00faltimos dias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis o que o rei viu em seu sonho: uma grande est\u00e1tua, alta e muito brilhante, de apar\u00eancia impressionante, composta por metais de valor decrescente (ouro, prata, bronze, ferro, ferro e barro). A cabe\u00e7a era de ouro maci\u00e7o; o peito e os bra\u00e7os, de prata; a barriga e as coxas, de bronze; as pernas, de ferro; os p\u00e9s, de uma mistura de ferro e barro (Cf. Daniel 2,31-33). Ent\u00e3o, sem que ningu\u00e9m a tocasse, uma pedra soltou-se de uma montanha, atingiu os p\u00e9s da gigante est\u00e1tua e os despeda\u00e7ou. Imediatamente, toda a est\u00e1tua desmoronou, transformando-se em p\u00f3. Isto recorda a profecia b\u00edblica de G\u00eanesis 3,19: \u201cTu \u00e9s p\u00f3 e ao p\u00f3 retornar\u00e1s.\u201d Ningu\u00e9m e nenhum poder constru\u00eddo ser\u00e1 imortal, mas na hist\u00f3ria ser\u00e1 reduzido a p\u00f3. A pedra, ent\u00e3o, tornou-se uma grande montanha que encheu toda a terra.<\/p>\n\n\n\n<p><a>Daniel interpretou o sonho do rei da seguinte forma: &#8220;Vossa Majestade \u00e9 a cabe\u00e7a de ouro. Ap\u00f3s o seu reino, surgir\u00e1 outro, inferior (prata), depois um terceiro (bronze) e um quarto, duro como o ferro. No entanto, este \u00faltimo reino ter\u00e1 p\u00e9s, parte de ferro e parte de barro: forte por um lado, mas fraco e dividido por outro\u201d (Daniel 2,37-45). Provavelmente, os reinos dizem respeito aos imp\u00e9rios Babil\u00f4nico, Medo-P\u00e9rsico, Grego e S\u00edrio, cujo rei \u00e9 Ant\u00edoco IV. Essa divis\u00e3o interna e contradit\u00f3ria \u00e9 sua fraqueza fatal. Ent\u00e3o, Deus suscitar\u00e1 um reino que nunca ser\u00e1 destru\u00eddo. Esse reino \u00e9 simbolizado pela pedra que, \u201csem aux\u00edlio humano\u201d, rolou da montanha e esmiu\u00e7ou a gigante est\u00e1tua. \u201cRolar da montanha\u201d significa que tem origem divina, o que, no mais profundo, n\u00e3o exclui a participa\u00e7\u00e3o humana, pois n\u00e3o h\u00e1 dicotomia entre divino e humano, duas faces da mesma moeda.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o hebraica&nbsp;<em>d\u00ee l\u0101\u2019 \u1e07\u00ee\u1e0fayin<\/em> significa, literalmente, &#8220;que n\u00e3o [foi] por m\u00e3os&#8221;.&nbsp;A B\u00edblia, frequentemente, apresenta uma tens\u00e3o entre a\u00e7\u00e3o divina e a\u00e7\u00e3o humana na implementa\u00e7\u00e3o do reinado divino. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 obra de Deus (Ef 2,8), mas as pessoas crist\u00e3s s\u00e3o &#8220;cooperadoras de Deus&#8221; (1 Co 3,9). A pedrinha se desprende da montanha \u201csem a\u00e7\u00e3o humana\u201d, isso para afirmar a origem divina, mas os disc\u00edpulos e as disc\u00edpulas de Jesus Cristo s\u00e3o chamados a ser &#8220;pedras vivas&#8221; (1 Pedro 2,5), na constru\u00e7\u00e3o do reinado divino. Nos Evangelhos, Jesus alerta aos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas que n\u00e3o podem dar uma de Pilatos e \u201clavar as m\u00e3os\u201d diante das injusti\u00e7as e enfatiza: &#8220;Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer!&#8221; (Mc 6,34-44). Portanto, n\u00e3o podemos aceitar a postura dualista que insiste em excluir da a\u00e7\u00e3o divina toda e qualquer a\u00e7\u00e3o humana. Se observarmos o processo mais complexo, mesmo que n\u00e3o tenha tido no imediato a\u00e7\u00e3o humana, no processo mais amplo e profundo, com certeza, teve-a e sempre a tem. Divino e humano s\u00e3o \u201ccarne e unha\u201d. Acontece que o\/s autor\/es do livro de Daniel quer\/em enfatizar o poder maior da a\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Os p\u00e9s e os dedos, parte de ferro e parte de barro, significam um reino dividido&#8221;<\/em> (Dn 2,41-42), podre, pois \u00e9 contradit\u00f3rio, sustentado por mentiras, explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancias sem fim. Assim como numa corrente, o elo mais fr\u00e1gil \u00e9, paradoxalmente, o que determina sua for\u00e7a total \u2013 pois, se ele se rompe, toda a corrente se parte \u2013; os p\u00e9s da est\u00e1tua, em especial os dedos (at\u00e9 o mindinho), s\u00e3o a base que sustenta todo o corpo. Sendo constitu\u00eddos de materiais incompat\u00edveis \u2013 &#8220;ferro e barro&#8221; n\u00e3o se misturam (Dn 2,43) \u2013, representam o ponto mais fr\u00e1gil. Um golpe nessa base faz desmoronar toda a estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>O cap\u00edtulo 2 de Daniel termina dizendo que o rei &nbsp;se prostrou diante dele e reconheceu a sua profecia. Tentou coopt\u00e1-lo, propondo faz\u00ea-lo governador de todas as prov\u00edncias da Babil\u00f4nia, mas ele n\u00e3o aceitou. Sugeriu que o poder fosse exercido por outras lideran\u00e7as da confian\u00e7a de Daniel. Assim, a profecia seguiu o seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contextos pol\u00edticos de poderosos exercendo o poder, pretendendo ser onipotentes, \u00e9 tremendamente revolucion\u00e1rio afirmar, como o fez o profeta Daniel, que o \u00fanico poder imbat\u00edvel \u00e9 o de Deus e s\u00f3 ele est\u00e1 no \u201cvolante\u201d da hist\u00f3ria. Assim, ele deslegitima os pretensos poderosos e afirma outro poder que n\u00e3o \u00e9 o exercido por nenhum ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, segundo a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, o \u00fanico poder que Deus tem \u00e9 o poder do amor, pois \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4,8), ou seja, o amor \u00e9 Deus. Logo, o poder do Deus da vida est\u00e1 em n\u00f3s, especialmente nos empobrecidos, permeando e perpassando a trama das rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais. O divino est\u00e1 no humano. Sem a participa\u00e7\u00e3o humana, tecendo novas rela\u00e7\u00f5es e construindo institui\u00e7\u00f5es com o poder democratizado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer desmoronar os podres poderes. Reconhecer a beleza espiritual da profecia de Daniel, a est\u00e1tua gigante sendo desmoronada por uma pedrinha, \u00e9 dizer: a \u00faltima palavra ser\u00e1 da vida, da liberdade e n\u00e3o dos podres poderes. Isso suscita esperan\u00e7a e faz a luta continuar. Assim como o\/a ciclista mant\u00e9m o equil\u00edbrio ao olhar para a frente, cultivar uma utopia revolucion\u00e1ria \u00e9 vital e imprescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da resist\u00eancia dos povos b\u00edblicos explorados, a pedrinha pode ser interpretada como a&nbsp;luta dos povos oprimidos, inspirada por Deus contra o dom\u00ednio sel\u00eaucida, que insistia em expandir o imp\u00e9rio grego sobre uma gama maior de povos.<\/p>\n\n\n\n<p>BH, 25\/08\/26<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico, em Roma, It\u00e1lia; assessor da CPT, CEBI e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas; autor de livros e artigos. E-mail:&nbsp;<a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\/\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Canal no You Tube:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander\">https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp; &nbsp;No Instagram: @gilvanderluismoreira \u2013&nbsp;Facebook: Gilvander Moreira III \u2013 No&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira\">https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DANIEL 2,1-49 NA LUTA ANTI-IMPERIALISTA: DIVINO E HUMANO S\u00c3O \u201cCARNE E UNHA\u201d &#8211; Por frei Gilvander Moreira[1] Para o m\u00eas da B\u00edblia, setembro, em 2026, somos convidados\/as a refletir sobre e a partir do livro<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15153,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-15152","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15152"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15155,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15152\/revisions\/15155"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15153"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}