{"id":15162,"date":"2026-09-01T08:08:54","date_gmt":"2026-09-01T11:08:54","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15162"},"modified":"2026-09-01T08:08:54","modified_gmt":"2026-09-01T11:08:54","slug":"profeta-daniel-todo-imperio-cai-e-ha-luz-no-meio-do-tunel-dn-1-2-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/profeta-daniel-todo-imperio-cai-e-ha-luz-no-meio-do-tunel-dn-1-2-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"PROFETA DANIEL: TODO IMP\u00c9RIO CAI E H\u00c1 LUZ NO MEIO DO T\u00daNEL (Dn 1-2) &#8211; Por Frei Gilvander"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>PROFETA DANIEL: TODO IMP\u00c9RIO CAI E H\u00c1 LUZ NO MEIO DO T\u00daNEL (Dn 1-2)<\/strong> &#8211; Por Frei Gilvander Moreira<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"194\" height=\"259\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/images-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15163\" style=\"width:780px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Profeta Daniel: Povos oprimidos derrugando imp\u00e9rios. Reprodu\u00e7\u00e3o de Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Continuando nossa reflex\u00e3o sobre o Livro de Daniel, dedicado ao m\u00eas da B\u00edblia \u2013 Setembro \u2013 em 2026, nos dedicamos especificamente aos dois primeiros cap\u00edtulos de Daniel (Dn 1 e 2), onde se narra o confronto entre uma pedrinha que se desprende de uma montanha, rola montanha abaixo e atinge o dedo mindinho de um dos p\u00e9s de uma gigante est\u00e1tua que parecia indestrut\u00edvel, mas foi reduzida a p\u00f3. Trata-se de uma met\u00e1fora que mostra o Deus da vida, solid\u00e1rio e libertador, ao lado dos povos violentados resistindo diante de brutais projetos imperialistas de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o de Daniel&nbsp;desmistifica a aparente solidez do imp\u00e9rio. A est\u00e1tua, embora imponente, tem&nbsp;p\u00e9s fr\u00e1geis&nbsp;\u2013 sinal de que o poder opressor n\u00e3o \u00e9 invenc\u00edvel. A pedra pequena que destr\u00f3i a est\u00e1tua \u00e9 uma&nbsp;met\u00e1fora da resist\u00eancia dos pequenos&nbsp;que vence a arrog\u00e2ncia do poder, assim como na narrativa sobre partilha de p\u00e3es nos evangelhos nos mostra que a iniciativa de uma crian\u00e7a ao partilhar os cinco pequenos p\u00e3es e os dois pequenos peixes que possu\u00eda interpelou a consci\u00eancia da multid\u00e3o, que resolveu partilhar o pouco que tinha e, assim, aconteceu o milagre da partilha\/multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, superando uma gigantesca injusti\u00e7a que significava o povo estar passando fome. Foi t\u00e3o eloquente este acontecimento que foi narrado seis vezes nos quatro evangelhos da B\u00edblia.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O eixo da literatura apocal\u00edptica de car\u00e1ter hist\u00f3rico \u00e9 o confronto Imp\u00e9rio-Povo, por isso a teologia apocal\u00edptica \u00e9 sempre teologia pol\u00edtica. A literatura apocal\u00edptica \u00e9 tamb\u00e9m uma literatura de esperan\u00e7a, que alimenta a perseveran\u00e7a dos povos reunidos nas lutas justas e necess\u00e1rias. Sempre se anuncia o ju\u00edzo de Deus, que p\u00f5e fim \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o e de explora\u00e7\u00e3o. O fim ser\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua gigante e a instaura\u00e7\u00e3o do Reinado divino, a partir do aqui e do agora.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo 2 do Livro de Daniel, o reino de Deus, que \u00e9 um reino de justi\u00e7a, de paz e de solidariedade, \u00e9 simbolizado por uma pedra que se desprende da montanha, sem a interven\u00e7\u00e3o imediata da m\u00e3o humana e destr\u00f3i a est\u00e1tua gigantesca que representa os imp\u00e9rios e que, depois de destru\u00ed-la, se transforma em uma grande montanha que encheu toda a terra (Dn 2,35). Eis um Projeto de esperan\u00e7a e utopia que aponta para um&nbsp;projeto de sociedade alternativa, baseada na justi\u00e7a e na soberania de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedra que se desprende da montanha e destr\u00f3i a est\u00e1tua representa o povo dos m\u00e1rtires, as minorias abra\u00e2micas, todos os que insistem em andar na contram\u00e3o \u201catrapalhando o s\u00e1bado\u201d, conforme canta Chico Buarque, seguindo por outros caminhos. Enfim, nos lembra todas as conquistas libert\u00e1rias j\u00e1 vivenciadas na hist\u00f3ria. \u00c9 luz n\u00e3o apenas no fim do t\u00fanel, mas no meio do t\u00fanel.<\/p>\n\n\n\n<p>A est\u00e1tua de p\u00e9s de barro \u00e9 a imagem perfeita dos grandes projetos opressores de hoje.&nbsp;Eles se apresentam com a&nbsp;cabe\u00e7a de ouro&nbsp;do marketing, com ritmo cada vez mais acelerado na produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e consumo e do &#8220;desenvolvimento&#8221; para uma minoria, \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o da maioria e da devasta\u00e7\u00e3o dos bens da natureza; o&nbsp;peito de prata&nbsp;do capital financeiro internacional, as&nbsp;coxas de bronze&nbsp;do aparato estatal e militar que os sustenta e as&nbsp;pernas de ferro&nbsp;de uma explora\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel dos bens naturais e do trabalho precarizado. No entanto, seus&nbsp;p\u00e9s s\u00e3o de ferro e barro: alicer\u00e7ados em&nbsp;injusti\u00e7as, desigualdades, mentiras, destrui\u00e7\u00e3o ambiental e na nega\u00e7\u00e3o da dignidade humana e na tritura\u00e7\u00e3o da natureza, que \u00e9 sagrada e tem muitos direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os &#8220;novos colonialismos&#8221;&nbsp;\u2013 seja o&nbsp;extrativismo predat\u00f3rio, a&nbsp;financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza, a&nbsp;invas\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionais&nbsp;por grandes empreendimentos ou a&nbsp;imposi\u00e7\u00e3o cultural e econ\u00f4mica&nbsp;por meio da idolatria do mercado e endividamento dos povos \u2013 s\u00e3o imp\u00e9rios modernos com p\u00e9s de ferro e barro. Eles s\u00e3o&nbsp;intrinsecamente divididos: prometem prosperidade para todos, mas geram exclus\u00e3o; vendem a imagem de solidez, mas s\u00e3o fr\u00e1geis, porque sua exist\u00eancia depende da submiss\u00e3o de muitos para o benef\u00edcio de poucos. A&nbsp;crise clim\u00e1tica nos deixando \u00e0 beira de um brutal colapso clim\u00e1tico, as&nbsp;pandemias de desigualdade, as&nbsp;revoltas populares&nbsp;e a&nbsp;resist\u00eancia dos povos origin\u00e1rios&nbsp;s\u00e3o as &#8220;pedrinhas&#8221; que, vindas da &#8220;montanha&#8221; da organiza\u00e7\u00e3o e da consci\u00eancia coletiva dos movimentos populares, come\u00e7am a golpear essa base fr\u00e1gil.<\/p>\n\n\n\n<p>O cap\u00edtulo 2 de Daniel termina com o rei Nabucodonosor prostrando-se diante do profeta apocal\u00edptico e reconhecendo o Deus de Daniel. Tentou coopt\u00e1-lo, oferecendo-lhe o governo da Babil\u00f4nia, mas Daniel recusou, indicando outros para os cargos. Assim, a profecia e a resist\u00eancia seguiram seu curso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contextos pol\u00edticos onde os poderosos se julgam onipotentes \u00e9, tremendamente, revolucion\u00e1rio afirmar, como fez Daniel, que o \u00fanico poder imbat\u00edvel \u00e9 o de Deus e que s\u00f3 Ele est\u00e1 no comando da hist\u00f3ria. Dessa forma, deslegitimamos os pretensos poderosos e apontamos para um poder que n\u00e3o \u00e9 exercido por nenhum ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>BH, 1\u00ba\/09\/26<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico, em Roma, It\u00e1lia; assessor da CPT, CEBI e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas; autor de livros e artigos. E-mail:&nbsp;<a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\/\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Canal no You Tube:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander\">https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp; &nbsp;No Instagram: @gilvanderluismoreira \u2013&nbsp;Facebook: Gilvander Moreira III \u2013 No&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira\">https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf. Mt 14,13-21; Mt 15, 32-39; Mc 6,30-44; Mc 8,1-10; Lc 9,10-17; Jo 6,1-15.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PROFETA DANIEL: TODO IMP\u00c9RIO CAI E H\u00c1 LUZ NO MEIO DO T\u00daNEL (Dn 1-2) &#8211; Por Frei Gilvander Moreira[1] Continuando nossa reflex\u00e3o sobre o Livro de Daniel, dedicado ao m\u00eas da B\u00edblia \u2013 Setembro \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15163,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,46,44,49,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-15162","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15162"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15164,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15162\/revisions\/15164"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15163"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}