{"id":15171,"date":"2026-09-05T16:23:06","date_gmt":"2026-09-05T19:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15171"},"modified":"2026-09-05T16:23:06","modified_gmt":"2026-09-05T19:23:06","slug":"grito-dos-excluidos-e-das-excluidas-2026-terra-paz-moradia-mulheres-vivas-e-soberania-artigo-de-francisco-de-aquino-junior","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/grito-dos-excluidos-e-das-excluidas-2026-terra-paz-moradia-mulheres-vivas-e-soberania-artigo-de-francisco-de-aquino-junior\/","title":{"rendered":"Grito dos exclu\u00eddos e das exclu\u00eddas 2026 terra-paz-moradia, mulheres vivas e soberania. Artigo de Francisco de Aquino J\u00fanior"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Grito dos exclu\u00eddos e das exclu\u00eddas 2026 terra-paz-moradia, mulheres vivas e soberania. Artigo de Francisco de Aquino J\u00fanior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"227\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Pe-Francisco-Jr-300x227-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15172\" style=\"width:780px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Padre Francisco Aquino J\u00fanior. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O\u00a0Dia da P\u00e1tria\u00a0(7 de setembro) \u00e9 uma ocasi\u00e3o privilegiada para fazermos ecoar o\u00a0Grito dos exclu\u00eddos e das Exclu\u00eddas: denunciando toda forma de injusti\u00e7a, viol\u00eancia e opress\u00e3o; celebrando e fortalecendo as lutas por direitos no campo e na cidade. Em todas as regi\u00f5es do\u00a0Brasil, igrejas, comunidades religiosas, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es populares saem \u00e0s ruas em defesa da vida. O foco \u00e9 sempre o mesmo:\u00a0Vida em primeiro lugar!\u00a0Mas a defesa da vida implica luta pelas condi\u00e7\u00f5es que tornem poss\u00edvel uma vida digna para todas as pessoas. Por isso, o grito pela vida (que \u00e9 o tema geral) n\u00e3o pode ser um grito vazio, gen\u00e9rico e abstrato. Deve ser um grito por direitos reais e concretos (como o lema):\u00a0Na defesa da terra,\u00a0da paz e da moradia,\u00a0erguemos a voz:\u00a0mulheres vivas e soberania!Falando de\u00a0\u201cterra, teto e trabalho\u201d\u00a0num encontro mundial com movimentos populares, o\u00a0Papa Francisco\u00a0trata de necessidades e direitos fundamentais. Est\u00e1 em jogo aqui as condi\u00e7\u00f5es materiais b\u00e1sicas da vida humana. Claro que isso n\u00e3o \u00e9 tudo! \u00c9 preciso incluir aqui seguran\u00e7a alimentar, sa\u00fade, saneamento, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, lazer e tantos outros direitos que s\u00e3o fundamentais para viver com dignidade. Ou seja: 1) Falar de\u00a0terra, \u00e9 falar de territ\u00f3rio. E falar de territ\u00f3rio \u00e9 falar da ocupa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o social do espa\u00e7o. Isso envolve tanto os bens naturais (terra, \u00e1gua, clima, biodiversidade etc.), como os bens, os equipamentos e as rela\u00e7\u00f5es sociais (infraestruturas, servi\u00e7os sociais, economia, pol\u00edtica, cultura, religi\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es de poder etc.); 2) Falar de\u00a0teto, \u00e9 falar da casa, mas \u00e9 falar tamb\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es da moradia, dos equipamentos e servi\u00e7os sociais, do direito \u00e0 cidade e ao campo e da qualidade das rela\u00e7\u00f5es. A Campanha da Fraternidade de 2026, cujo tema \u00e9 Fraternidade e Moradia, chamou aten\u00e7\u00e3o para esse problema no\u00a0Brasil: o d\u00e9ficit habitacional passa de 6 milh\u00f5es de moradia; 26 milh\u00f5es de fam\u00edlias vivem em situa\u00e7\u00e3o inadequada, em \u00e1reas de risco, sem ou com infraestrutura insuficiente; 3) Falar de\u00a0trabalho, \u00e9 falar de meio e fonte de subsist\u00eancia porque \u00e9 da\u00ed que a maioria do povo tira seu sustento. Mas \u00e9 falar tamb\u00e9m de saberes e t\u00e9cnicas desenvolvidos e acumulados ao longo da hist\u00f3ria, de rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o (explora\u00e7\u00e3o ou coopera\u00e7\u00e3o), de concentra\u00e7\u00e3o ou divis\u00e3o dos bens produzidos, de constru\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o social, bem como de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e social. \u201cTerra,\u00a0teto,\u00a0trabalho\u201d indicam, assim, as condi\u00e7\u00f5es materiais b\u00e1sicas para uma vida digna.Junto a esse grito permanente por seguran\u00e7a alimentar, terra, teto, trabalho, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, lazer etc., erguemos nossa voz por\u00a0\u201cmulheres vivas e soberania\u201d. Dois grandes clamores e desafios de nosso tempo.\u00c9 preciso gritar pela vida das mulheres, v\u00edtimas de tantas formas cotidianas de viol\u00eancia: verbal, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial, religiosa e at\u00e9 f\u00edsica. Dados do\u00a0F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica\u00a0apontam que mais de 1500 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio em 2025; a cada seis horas uma mulher \u00e9 assassinada no\u00a0Brasil. Em janeiro de 2026, o judici\u00e1rio brasileiro registrou 947 casos de feminic\u00eddio. E quando uma mulher chega a ser assassinada, ela j\u00e1 foi violentada muitas vezes e de muitas maneiras. N\u00e3o podemos silenciar esse grito: \u201cChega de feminic\u00eddio\u201d! \u201cNenhuma mulher a menos\u201d! \u201cQuando uma mulher diz n\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o\u201d! \u201cLugar de mulher \u00e9 onde ela quiser\u201d! Essa n\u00e3o \u00e9 uma luta apenas das mulheres, mas de toda sociedade&#8230;E \u00e9 preciso gritar por democracia e soberania, quando elas s\u00e3o atacadas e amea\u00e7adas dentro e fora do pa\u00eds. Vejam: 1) Temos vivido nos \u00faltimos anos ataques constantes \u00e0\u00a0democracia no Brasil\u00a0e at\u00e9 tentativa de golpe de Estado. N\u00e3o podemos esquecer o 8 de janeiro de 2023. N\u00e3o s\u00e3o \u201c\u00e1guas passadas\u201d, infelizmente. \u00c9 verdade que nossa democracia \u00e9 mais formal que real: embora afirme a igualdade de todas as pessoas perante a lei, n\u00e3o torna essa igualdade realidade. De fato, n\u00e3o somos todos iguais! Em todo caso, ela p\u00f5e alguns limites na vontade de poder das elites e dos aventureiros de plant\u00e3o, assegura alguns direitos na sociedade e possibilita a altern\u00e2ncia de governo por meio das elei\u00e7\u00f5es. 2) Al\u00e9m da defesa de nossa fr\u00e1gil e limitada democracia, temos que defender nossa soberania nacional, quando ela \u00e9 amea\u00e7ada por for\u00e7as externas. Vivemos no meio de uma disputa de poder entre as grandes pot\u00eancias econ\u00f4micas mundiais. E um fator decisivo nessa disputa s\u00e3o as chamadas \u201cterras raras\u201d, essenciais para a fabrica\u00e7\u00e3o de tecnologias avan\u00e7adas. Elas S\u00e3o o \u201couro\u201d ou \u201cpetr\u00f3leo\u201d do s\u00e9culo 21: A\u00a0China\u00a0concentra cerca de 49% dessas \u201cterras raras\u201d; o\u00a0Brasil\u00a0tem a segunda maior reserva, com cerca de 23%; os\u00a0EUA\u00a0ocupam a s\u00e9tima posi\u00e7\u00e3o com cerca de 2,1%. Da\u00ed a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do Brasil na atual geopol\u00edtica mundial. Os ataques do governo Trump ao Brasil\u00a0(tarifa\u00e7o, pix, judici\u00e1rio etc.) s\u00e3o estrat\u00e9gias pol\u00edticas de press\u00f5es e controle sob a segunda maior reserva de \u201cterras raras\u201d do mundo. Mais do que nunca temos que defender nossa soberania: O Brasil \u00e9 nosso! O Brasil n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda! \u201cTire as m\u00e3os, o Brasil \u00e9 nosso ch\u00e3o\u201d!Tudo isso \u00e9 condi\u00e7\u00e3o e meio para que haja\u00a0paz\u00a0no\u00a0Brasil\u00a0e no mundo. Como afirma o profeta\u00a0Isaias: \u201ca obra da justi\u00e7a ser\u00e1 a paz e o servi\u00e7o da justi\u00e7a resultar\u00e1 em sossego e seguran\u00e7a para sempre\u201d (Is 32,17). N\u00e3o h\u00e1 paz sem justi\u00e7a. Se queremos a paz no mundo (paz verdadeira e n\u00e3o paz do cemit\u00e9rio!), devemos trabalhar pela justi\u00e7a. O\u00a0Papa Paulo VI\u00a0falou disso com muita clareza em sua Carta Enc\u00edclica Populorum Progressio: sobre o desenvolvimento dos povos: \u201cCombater a mis\u00e9ria e lutar contra a injusti\u00e7a \u00e9 promover n\u00e3o s\u00f3 o bem-estar, mas tamb\u00e9m o progresso humano e espiritual de todos e, portanto, o bem comum da humanidade. A paz n\u00e3o se reduz a uma aus\u00eancia de guerra, fruto do equil\u00edbrio sempre prec\u00e1rio das for\u00e7as. Constr\u00f3i-se, dia a dia, na busca de uma ordem querida por Deus, que traz consigo uma justi\u00e7a mais perfeita entre os homens\u201d (PP 76). O desejo de paz deve se traduzir no empenho cotidiano pela viv\u00eancia da fraternidade e na luta por direitos que tornem poss\u00edvel uma vida digna para todas as pessoas. Nosso grito pela paz no\u00a0Brasil\u00a0e no mundo \u00e9, assim, um grito por direitos. Nesse dia\u00a0Sete de Setembro unamos\u00a0e ergamos nossa voz: Terra, paz e moradia! Mulheres vivas!Soberania!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grito dos exclu\u00eddos e das exclu\u00eddas 2026 terra-paz-moradia, mulheres vivas e soberania. 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