{"id":15202,"date":"2026-10-10T06:47:04","date_gmt":"2026-10-10T09:47:04","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15202"},"modified":"2026-10-10T06:47:05","modified_gmt":"2026-10-10T09:47:05","slug":"o-tedio-politico-e-os-desafios-do-tempo-presente-por-irmao-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-tedio-politico-e-os-desafios-do-tempo-presente-por-irmao-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"O T\u00c9DIO POL\u00cdTICO E OS DESAFIOS DO TEMPO PRESENTE &#8211; Por irm\u00e3o Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O T\u00c9DIO POL\u00cdTICO E OS DESAFIOS DO TEMPO PRESENTE<\/strong> &#8211; Por irm\u00e3o Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"451\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15203\" style=\"width:780px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-5.jpg 680w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-5-300x199.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-5-420x280.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Irm\u00e3o Marcelo Barros, te\u00f3logo e biblista. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na noite desse domingo, 4 de outubro de 2026, mesmo quem n\u00e3o estava otimista e j\u00e1 previa o pior, descobriu que a realidade s\u00f3cio-pol\u00edtica brasileira est\u00e1 mais doente do que se pensava. Essas elei\u00e7\u00f5es mostraram que, para muita gente, a Pol\u00edtica partid\u00e1ria, que deveria ser voca\u00e7\u00e3o, tornou-se algo impr\u00f3prio e desaconselh\u00e1vel a menores de dezoito anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses dias, analistas ter\u00e3o o encargo de decifrar o que est\u00e1 por tr\u00e1s do fato de quase metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira votar contra si mesma e contra os interesses da classe trabalhadora e camponesa, assim como o fato de outros 39, 1 milh\u00f5es de eleitores (as) terem preferido absten\u00e7\u00e3o, sem falar nos quase 25% que votaram nulo ou em branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Como compreender o tamanho da aliena\u00e7\u00e3o das pessoas comuns, que nos morros do Rio de Janeiro, de S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Recife e outras cidades, escolhem como seus representantes, gente que vai organizar a sociedade contra a justi\u00e7a ecossocial e contra o direito das maiorias empobrecidas?<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo quem n\u00e3o acredita em \u201cpobre de direita\u201d, percebe que, cada dia, torna-se mais dif\u00edcil para as pessoas simples acreditarem que \u00e9 poss\u00edvel transformar a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida espiritual, um dos maiores obst\u00e1culos para o caminho \u00e9 o que, tradicionalmente, chama-se <em>ac\u00e9dia<\/em>, t\u00e9dio, que significa azedume. Pode-se explicar como t\u00e9dio espiritual ou apatia, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no s\u00e9culo V da era crist\u00e3, que o monge Jo\u00e3o Cassiano descreveu essa doen\u00e7a dos monges do deserto: uma esp\u00e9cie de letargia permanente, causada pela exaust\u00e3o interior e pela perda da esperan\u00e7a. Outro monge, Ev\u00e1grio P\u00f4ntico chama de \u201c<em>dem\u00f4nio do meio-dia<\/em>\u201d, uma esp\u00e9cie de torpor que paralisa a vida, como o calor do meio-dia provoca a sonol\u00eancia que dificulta o ritmo do trabalho e, para quem peregrina, a continuidade do caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>No tempo da pandemia da Covid-19, Boaventura de Sousa Santos usou o termo ac\u00e9dia, uma esp\u00e9cie de marasmo, para falar da sociedade contempor\u00e2nea<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Parece que, de l\u00e1 para c\u00e1, a doen\u00e7a se agravou e, ao menos no Brasil, o entorpecimento social tornou-se pand\u00eamico e ainda n\u00e3o se encontrou a vacina.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00edrus do individualismo e do consumismo instalou-se em muita gente, que, na pr\u00e1tica, passa a acreditar na ideologia do \u201ccada um por si\u201d, o que faz encarar as pol\u00edticas p\u00fablicas que beneficiam os empobrecidos como ajudas indevidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o mal \u00e9 espiritual, em princ\u00edpio, as religi\u00f5es poderiam ajudar. No entanto, infelizmente, no decorrer da Hist\u00f3ria, ao associar-se ao Colonialismo e, ao conviver, normalmente, com as estruturas in\u00edquas da sociedade, grande parcela das Igrejas crist\u00e3s e de outras religi\u00f5es contaminou a sociedade com os v\u00edrus da apatia e da insensibilidade social.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora possamos pensar que, desde os tempos da Rep\u00fablica, a situa\u00e7\u00e3o brasileira nunca foi t\u00e3o tr\u00e1gica quanto agora, o certo \u00e9 que j\u00e1 enfrentamos v\u00e1rios momentos pesados e desafiadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na noite da apura\u00e7\u00e3o dos votos, enquanto a televis\u00e3o mostrava a cat\u00e1strofe do resultado eleitoral desse primeiro turno, corri atr\u00e1s da s\u00e9rie \u201c<em>Betinho, no fio da espada<\/em>\u201d, produ\u00e7\u00e3o da Globo Play. Ali encontrei-me com o saudoso amigo de outras d\u00e9cadas. Recordei o Brasil no qual, depois de ter fundado a A\u00e7\u00e3o Popular, AP, Betinho teve de distanciar-se da Igreja e exilar-se no Chile, para n\u00e3o ser mais um torturado e assassinado pela ditadura militar-empresarial brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da s\u00e9rie, revi com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o a sua longa peregrina\u00e7\u00e3o pelo Chile, Cuba, Esc\u00f3cia, Canad\u00e1 e M\u00e9xico, para sobreviver e para prosseguir a sua miss\u00e3o de revolucion\u00e1rio. Emocionei-me com as cenas ver\u00eddicas que o filme reproduz do momento da anistia, \u201c<em>o b\u00eabado com chap\u00e9u coco, fazia irrever\u00eancias mil, pra&nbsp; noite do Brasil, que sonha com a volta do irm\u00e3o do Henfil, com tanta gente que partiu&#8230;\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1979, Betinho voltou ao Brasil e enfrentou lutas terr\u00edveis. A s\u00e9rie mostra o choro e desespero dele e do Henfil quando, em 1984, em meio a toda a luta pelas \u201c<em>Diretas J\u00e1<\/em>\u201d, a Emenda Dante de Oliveira \u00e9 derrotada na C\u00e2mara Federal e tudo parecia voltar ao ponto zero.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, junto a seus dois irm\u00e3os, como ele, hemof\u00edlicos, expostos \u00e0s transfus\u00f5es de sangue sem nenhum controle, descobriu a Aids, ainda sem qualquer cura. Mesmo convivendo diariamente com a morte, nunca parou. A s\u00e9rie mostra a sua imensa luta para, junto com Marcos Arruda e outros companheiros, fundar e depois manter o IBASE. Retrata-o, &nbsp;ainda no come\u00e7o dos anos 1990, lan\u00e7ando a <em>A\u00e7\u00e3o da Cidadania contra a Fome, a Mis\u00e9ria e pela Vida,<\/em> que apontou caminhos de solu\u00e7\u00e3o para tantas pessoas e, mais tarde, inspirou o Fome Zero e o Bolsa Fam\u00edlia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de tal quadro, n\u00e3o podemos desanimar! Podemos, sim, continuar a can\u00e7\u00e3o do Jo\u00e3o Bosco e acompanhar Elis Regina a cantar: \u201c<em>Mas, sei que uma dor, assim pungente, n\u00e3o h\u00e1 de ser inutilmente, a esperan\u00e7a dan\u00e7a, na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha, pode se machucar<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Olho a figura do Presidente Lula e vejo nele a figura de Jesus Cristo. Este, durante toda a sua vida adulta, no meio das periferias da vida, espalhou sementes e sinais da vinda do projeto divino para o mundo. Depois disso, foi preso e, conforme os evangelhos, diante do Governador Pilatos, viu o seu pr\u00f3prio povo preferir Barrab\u00e1s, que era um bandido a ele, profeta enviado de Deus, para salvar esse mesmo povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de todo o seu itiner\u00e1rio de vida p\u00fablica, o Presidente Lula, ao mesmo tempo que se consagra como o maior estadista vivo do mundo, vive, em seu pa\u00eds, o momento mais pesado de cruz. A pris\u00e3o foi, desonestamente, provocada por seus inimigos. Agora, com o aparato legal da Democracia, uma multid\u00e3o de brasileiros e brasileiras entorpecidos gritam pelo voto: Barrab\u00e1s, Barrab\u00e1s e o mandam para a cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>O convite que lhes fa\u00e7o agora \u00e9 que todos e todas n\u00f3s da caminhada de liberta\u00e7\u00e3o possamos ir com ele, n\u00e3o para a cruz da resigna\u00e7\u00e3o e da vitimiza\u00e7\u00e3o, que o Mel Gibson colocou no seu filme, mas a cruz da luta pac\u00edfica, valente e firme, na confian\u00e7a da vit\u00f3ria que ningu\u00e9m tirar\u00e1 dele e de n\u00f3s. Como escreveu o profeta Jo\u00e3o: \u201cA vit\u00f3ria que vence o mundo \u00e9 a nossa f\u00e9\u201d (1 Jo 5, 5).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2022\/01\/acedia-por-boaventura-de-sousa-santos\/\">https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2022\/01\/acedia-por-boaventura-de-sousa-santos\/<\/a>&nbsp; o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O T\u00c9DIO POL\u00cdTICO E OS DESAFIOS DO TEMPO PRESENTE &#8211; Por irm\u00e3o Marcelo Barros Na noite desse domingo, 4 de outubro de 2026, mesmo quem n\u00e3o estava otimista e j\u00e1 previa o pior, descobriu que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15203,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-15202","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15202"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15204,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15202\/revisions\/15204"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15203"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}