{"id":15209,"date":"2026-10-24T09:14:58","date_gmt":"2026-10-24T12:14:58","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=15209"},"modified":"2026-10-24T09:14:58","modified_gmt":"2026-10-24T12:14:58","slug":"flavio-bolsonaro-o-filho-seria-diferente-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/flavio-bolsonaro-o-filho-seria-diferente-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"Fl\u00e1vio Bolsonaro, o filho, seria diferente? &#8211; Por Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Fl\u00e1vio Bolsonaro, o filho, seria diferente?<\/strong> &#8211; Por Frei Betto<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"500\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/frei-betto.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15210\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/frei-betto.jpeg 750w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/frei-betto-300x200.jpeg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/frei-betto-420x280.jpeg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Frei Betto. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Jair Bolsonaro governou o Brasil durante quatro anos (2019-2022). Quatro anos bastaram para deixar um legado que n\u00e3o pode ser apagado por propaganda eleitoral nem conveniente amn\u00e9sia que costuma visitar pol\u00edticos e eleitores em ano de elei\u00e7\u00e3o. Foram anos de conflitos com as institui\u00e7\u00f5es, ataques \u00e0s urnas eletr\u00f4nicas, agress\u00f5es \u00e0 imprensa, desprezo pela ci\u00eancia, devasta\u00e7\u00e3o ambiental e uma pol\u00edtica social marcada por recuos. A pergunta, agora, \u00e9 inevit\u00e1vel: com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, seria diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Veio a Covid-19. O presidente que deveria unir o pa\u00eds diante de uma trag\u00e9dia mundial preferiu minimizar a doen\u00e7a, atacar medidas de prote\u00e7\u00e3o, desacreditar vacinas e promover medicamentos sem efic\u00e1cia comprovada. O Brasil ultrapassou 700 mil mortes. Setecentas mil vidas n\u00e3o s\u00e3o estat\u00edsticas: s\u00e3o pais, m\u00e3es, filhos, irm\u00e3os, av\u00f3s, amigos. S\u00e3o cadeiras vazias \u00e0 mesa do almo\u00e7o de domingo. S\u00e3o abra\u00e7os que n\u00e3o aconteceram. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito da Covid, no Senado, investigou a atua\u00e7\u00e3o do governo e apontou uma s\u00e9rie de condutas que considerou graves, e recomendou o indiciamento de Jair Bolsonaro e de outras pessoas. N\u00e3o foi uma inven\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o nem uma manchete de jornal. Foi o resultado de meses de investiga\u00e7\u00e3o parlamentar, depoimentos, documentos e contratos. Mesmo assim, Jair Bolsonaro jamais reconheceu responsabilidade pol\u00edtica pela condu\u00e7\u00e3o da pandemia. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Enquanto o mundo corria atr\u00e1s das vacinas, o governo brasileiro colecionava controv\u00e9rsias. Enquanto cientistas explicavam como reduzir a transmiss\u00e3o do v\u00edrus, o presidente aparecia em aglomera\u00e7\u00f5es e ironizava o perigo. Enquanto fam\u00edlias choravam seus mortos, o negacionismo era transformado em bandeira pol\u00edtica. A ci\u00eancia, que deveria ser b\u00fassola, virou advers\u00e1ria. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; E n\u00e3o foi apenas a pandemia. Na Amaz\u00f4nia, o desmatamento disparou. Os n\u00fameros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais registraram taxas elevadas durante o governo Bolsonaro. A floresta, que o planeta inteiro considera patrim\u00f4nio ambiental estrat\u00e9gico, passou a ser tratada por setores do governo como entrave \u00e0 expans\u00e3o econ\u00f4mica. Para madeireiros ilegais, garimpeiros e grileiros, a mensagem era clara: avancem. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Os povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m pagaram uma conta dolorosa. Enquanto garimpo ilegal, invas\u00f5es e doen\u00e7as avan\u00e7avam sobre territ\u00f3rios protegidos, a pol\u00edtica oficial frequentemente tratava a prote\u00e7\u00e3o ind\u00edgena como obst\u00e1culo ao desenvolvimento. O drama Yanomami tornou-se s\u00edmbolo de uma trag\u00e9dia que n\u00e3o nasceu de um dia para outro. A pergunta \u00e9 inevit\u00e1vel: quem pretende governar o Brasil, segundo o programa bolsonarista, aprendeu alguma coisa com aquela tr\u00e1gica realidade? Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Na pol\u00edtica econ\u00f4mica e social, o governo Bolsonaro terminou com infla\u00e7\u00e3o, endividamento, pobreza e fome ainda presentes no cotidiano de milh\u00f5es. Bolsonaro terminou seu mandato desmontando o Bolsa Fam\u00edlia para substitu\u00ed-lo pelo Aux\u00edlio Brasil, em uma opera\u00e7\u00e3o cercada de interesses eleitorais. Quando a fome vira instrumento de marketing pol\u00edtico, alguma coisa est\u00e1 profundamente errada. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Surgiu o or\u00e7amento secreto. Bilh\u00f5es de reais em emendas de relator foram distribu\u00eddos sem a transpar\u00eancia que deveria acompanhar o dinheiro p\u00fablico. O Supremo Tribunal Federal considerou o mecanismo incompat\u00edvel com os princ\u00edpios constitucionais de transpar\u00eancia e publicidade. Democracia n\u00e3o \u00e9 apenas apertar uma tecla na urna a cada quatro anos. \u00c9 tamb\u00e9m saber para onde vai o dinheiro dos impostos. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O cap\u00edtulo mais perigoso foi a rela\u00e7\u00e3o de Bolsonaro com a&nbsp; democracia. Durante meses, o presidente questionou as urnas eletr\u00f4nicas sem apresentar provas capazes de sustentar suas suspeitas. Insinuou fraude. Convocou apoiadores. Criou um ambiente de desconfian\u00e7a. Depois da derrota eleitoral, recusou-se a reconhecer explicitamente o resultado e permaneceu em sil\u00eancio diante de manifesta\u00e7\u00f5es que pediam ruptura institucional. Apoiou os golpistas, assim como havia elogiado os torturadores do per\u00edodo militar. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O resultado daquela atmosfera todos conhecemos: 8 de janeiro de 2023. Milhares de pessoas invadiram e depredaram as sedes dos Tr\u00eas Poderes, em uma tentativa de provocar uma ruptura institucional. A democracia brasileira resistiu. As institui\u00e7\u00f5es reagiram. A sociedade n\u00e3o permitiu que a aventura golpista triunfasse. Mas a li\u00e7\u00e3o permanece: democracia n\u00e3o combina com pol\u00edtico que perde a elei\u00e7\u00e3o e tenta convencer seus seguidores de que a elei\u00e7\u00e3o foi roubada. Com seu filho, Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Fl\u00e1vio Bolsonaro tem todo o direito de construir sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Ser filho de Jair Bolsonaro n\u00e3o o condena a repetir o pai. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o o absolve de explicar que heran\u00e7a pol\u00edtica pretende carregar. Se deseja apresentar-se como continuidade, deve explicar por que considera positivo aquilo que foi feito. Se deseja apresentar-se como mudan\u00e7a, precisa dizer claramente o que far\u00e1 de diferente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; N\u00e3o basta dizer \u201csou Fl\u00e1vio, n\u00e3o sou Jair\u201d. \u00c9 preciso responder: ser\u00e1 diferente diante de uma pandemia? Ser\u00e1 diferente diante da ci\u00eancia? Ser\u00e1 diferente diante do SUS? Ser\u00e1 diferente diante dos pobres? Ser\u00e1 diferente diante da Amaz\u00f4nia? Ser\u00e1 diferente diante dos ind\u00edgenas? Ser\u00e1 diferente diante da imprensa? Ser\u00e1 diferente diante do Supremo Tribunal Federal? Ser\u00e1 diferente diante das urnas eletr\u00f4nicas?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; H\u00e1 uma pergunta ainda mais simples. Se amanh\u00e3 ocorrer uma nova emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, Fl\u00e1vio confiar\u00e1 nos m\u00e9dicos e cientistas ou repetir\u00e1 o negacionismo do pai? Se a Amaz\u00f4nia estiver novamente sob amea\u00e7a, proteger\u00e1 a floresta ou priorizar\u00e1 os interesses do agroneg\u00f3cio predat\u00f3rio, do garimpo e da grilagem? Se perder uma elei\u00e7\u00e3o, reconhecer\u00e1 imediatamente o resultado ou procurar\u00e1 uma desculpa para desacreditar as urnas?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 uma heran\u00e7a familiar como uma casa, uma fazenda ou uma conta banc\u00e1ria. Cada candidato responde pelo que pensa, pelo que promete e pelo que faz. Mas quem pede ao eleitor o direito de governar precisa aceitar tamb\u00e9m o direito do eleitor de perguntar. E, diante do legado de Jair Bolsonaro, essa pergunta n\u00e3o pode ser evitada: Com Fl\u00e1vio Bolsonaro ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O Brasil j\u00e1 experimentou o original. N\u00e3o precisa comprar a continua\u00e7\u00e3o sem antes ler a bula. J\u00e1 conheceu o negacionismo, a guerra contra a ci\u00eancia, o conflito permanente com as institui\u00e7\u00f5es, o ataque \u00e0s urnas, a devasta\u00e7\u00e3o ambiental e a pol\u00edtica transformada em espet\u00e1culo. O eleitor tem o direito de saber se est\u00e1 diante de uma mudan\u00e7a real ou apenas de uma nova embalagem para o mesmo produto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A resposta n\u00e3o deve ser dada pelo marketing eleitoral. Deve ser dada pelo programa de governo, pela hist\u00f3ria pol\u00edtica, pelas alian\u00e7as e, sobretudo, pelos compromissos assumidos diante do povo brasileiro. Afinal, quatro anos de governo n\u00e3o s\u00e3o uma brincadeira de fam\u00edlia. S\u00e3o a vida de mais de 200 milh\u00f5es de brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Eis a pergunta que a elei\u00e7\u00e3o coloca diante de cada eleitor: queremos repetir uma experi\u00eancia que deixou mais de 700 mil mortos pela Covid-19, aprofundou conflitos institucionais e assistiu ao avan\u00e7o da devasta\u00e7\u00e3o ambiental? Ou queremos outro caminho? Fl\u00e1vio Bolsonaro pode responder como quiser. Mas o eleitor tamb\u00e9m pode responder com seu voto. E antes de apertar a tecla, talvez seja prudente perguntar uma \u00faltima vez: com Fl\u00e1vio Bolsonaro, ser\u00e1 diferente?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Dia 25 de outubro vote na democracia. Vote Lula! Vote 13!<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Betto \u00e9 escritor, autor do romance \u201cO Voo da Locomotiva\u201d (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: <a href=\"http:\/\/freibetto.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">freibetto.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fl\u00e1vio Bolsonaro, o filho, seria diferente? &#8211; Por Frei Betto &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Jair Bolsonaro governou o Brasil durante quatro anos (2019-2022). 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