{"id":160,"date":"2012-03-16T14:25:31","date_gmt":"2012-03-16T17:25:31","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=160"},"modified":"2012-03-16T14:25:31","modified_gmt":"2012-03-16T17:25:31","slug":"carta-de-frei-gilvander-contra-a-transposicao-do-rio-sao-francisco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/carta-de-frei-gilvander-contra-a-transposicao-do-rio-sao-francisco\/","title":{"rendered":"Carta de frei Gilvander contra a Transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">(Essa carta de frei Gilvander Lu\u00eds Moreira a Fernando Valen\u00e7a foi publicada no livro <strong><em><span style=\"font-size: medium;\">Trans Posi\u00e7\u00e3o Francisco<\/span><\/em><\/strong>, organiza\u00e7\u00e3o de Julio Meiron, M\u00e1rcia Vaitsman, Evandro Carlos Nicolau, Luzi Mizukami, Jarbas Galhardo e Paula Tubelis, S\u00e3o Paulo: Ed. Editorial, 2009, p. 65-72.)<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo Horizonte, 15 de fevereiro de 2009<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prezado Fernando Valen\u00e7a,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Li alguns \u201cartigos\u201c seu no s\u00edtio do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional defendendo o projeto de transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco. Em um deles, voc\u00ea diz que \u201c<em>o Projeto S\u00e3o Francisco n\u00e3o tem defeito! De nenhuma natureza! \u00c9 a obra de engenharia mais bem bolada que o ser humano fez at\u00e9 o presente, em mat\u00e9ria de transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua! Ningu\u00e9m pode apontar imperfei\u00e7\u00e3o\/erro, nele! Ao contr\u00e1rio, porque \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de Engenharia h\u00eddrica!<\/em>\u201c<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa sua afirma\u00e7\u00e3o e outras no mesmo n\u00edvel me levaram a escrever-lhe esta carta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como voc\u00ea, fui criado no Semi-\u00e1rido, n\u00e3o o nordestino, mas o mineiro. Fui criado em Arinos, noroeste de Minas. Tirei muita \u00e1gua na cisterna, no bra\u00e7o, tocando um saril que trazia o balde para cima, cisterna de 22 metros de profundidade. Quando a cisterna secava, busc\u00e1vamos \u00e1gua na grota da On\u00e7a. Quando esta secava, busc\u00e1vamos \u00e1gua no rio Claro (que cai no rio Urucuia, um dos grandes afluentes do Velho Chico), no ombro, no jegue, \u00e0 cavalo. Tomei muito banho em dois litros de \u00e1gua na bacia. Logo, Fernando, senti na minha pr\u00f3pria p\u00e9le o que \u00e9 sobreviver no semi-\u00e1rido, na escassez de \u00e1gua. Aprendi a ter encantamento, respeito e venera\u00e7\u00e3o pelas \u00e1guas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caro Fernando, dedico minha vida e meu sacerd\u00f3cio acompanhando Comunidades Eclesiais de Base \u2013 CEBs -, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra \u2013 CPT -, Pastorais Sociais e a Via Campesina. Lutamos por justi\u00e7a social, por reforma agr\u00e1ria e pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sustent\u00e1vel. Animado pela Campanha da Fraternidade de 2004 \u2013 \u00c1gua, fonte de vida \u2013 n\u00f3s da Par\u00f3quia N. Sra. do Carmo, de Belo Horiozonte, juntamente com as organiza\u00e7\u00f5es, acima citadas, abra\u00e7amos a defesa de mananciais de abastecimento p\u00fablico, especificamente lutamos contra a minera\u00e7\u00e3o de Cap\u00e3o Xavier, em  Nova Lima, regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, onde h\u00e1 quatro mananciais que abastecem dez por cento da capital mineira. Lamentavelmente a VALE est\u00e1, de forma autorit\u00e1ria e ao arrepio das leis ambientais, minerando Cap\u00e3o Xavier e, conforme o EIA-RIMA causar\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o na vaz\u00e3o dos mananciais da ordem de quarenta por cento. Estamos tamb\u00e9m participando do mutir\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de cisternas no semi-\u00e1rido. Isso tudo nos levou a abra\u00e7ar a luta contra o projeto de transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco. Vivo, hoje, na bacia s\u00e3o-franciscana. J\u00e1 morei no Pernambuco e fiz miss\u00f5es em v\u00e1rios munic\u00edpios do sert\u00e3o paraibano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguimos a trilha do bispo dom Fl\u00e1vio Cappio que tem santa autoridade para questionar este fara\u00f4nico e est\u00fapido projeto. Frei Luiz ouve, h\u00e1 mais de trinta anos, os clamores do rio S\u00e3o Francisco, do povo pobre da bacia s\u00e3o-franciscana e do semi-\u00e1rido nordestino. Ele \u00e9 um profeta na luta em defesa da vida do rio S\u00e3o Francisco e do seu Povo. Feliz de um povo que ouve a voz dos seus profetas. Temos assessoria jur\u00eddica muito boa. E estamos bem cal\u00e7ados pelo parecer de hidr\u00f3logos, ge\u00f3logos, doutores em recursos h\u00eddricos, soci\u00f3logos e em sintonia com a sabedoria popular do povo ribeirinho que \u00e9 empobrecido assim como o povo nordestino do semi-\u00e1rido. Assim, gostaria de elencar, abaixo, uma s\u00e9rie de argumentos que moveram Dom Cappio a fazer duas greves de fome contra o projeto de transposi\u00e7\u00e3o do Velho Chico e que nos move a continuar firmes na luta pela paralisa\u00e7\u00e3o das obras de transposi\u00e7\u00e3o, antes que seja tarde demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando, a maior devasta\u00e7\u00e3o ambiental da hist\u00f3ria do Brasil est\u00e1 em curso. A obra de Transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco \u00e9 algo muito grave que est\u00e1 acontecendo no Brasil. O governo federal do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva se nega \u201ccom unhas e dentes\u201d a um di\u00e1logo franco e transparente sobre o projeto. O poder midi\u00e1tico compactua com o Governo Federal e n\u00e3o abre espa\u00e7o para que um debate aut\u00eantico seja feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ge\u00f3grafo Aziz Ab\u2019S\u00e1ber<a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftn1\">[1]<\/a>, no artigo \u201cA quem serve a transposi\u00e7\u00e3o?\u201d, pondera: \u201cO risco final \u00e9 que, atravessando acidentes geogr\u00e1ficos consider\u00e1veis, como a eleva\u00e7\u00e3o da escarpa do Araripe \u2013 com grande gasto de energia! -, a transposi\u00e7\u00e3o acabe por significar apenas um canal t\u00edmido de \u00e1gua, de duvidosa validade econ\u00f4mica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da pol\u00edtica. No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espa\u00e7o em mercadoria\u201d,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando, \u00e9 muito sensato o voto de Ayres de Brito pela suspens\u00e3o da obra de transposi\u00e7\u00e3o. Ele foi voto vencido no plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal \u2013 STF -, em 19\/12\/2007, ocasi\u00e3o em que o STF autorizou o rein\u00edcio das obras. No seu voto, Ayres declarou: \u201cSe formos aplicar o princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o, as obras da Transposi\u00e7\u00e3o teriam que ser paralisadas. Se uma pessoa est\u00e1 doente, n\u00e3o pode doar sangue. Decis\u00f5es de tal envergadura deveriam ser discutidas pelo Congresso Nacional\u201d, conforme exig\u00eancia constitucional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concordamos com Dom Cappio, quando diz: \u201cO Rio S\u00e3o Francisco \u00e9 o grande fator de vida da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 aquele que garante a vida de milh\u00f5es de nordestinos. Por isso chamado de Pai e M\u00e3e de todo um povo. A vida do povo depende da vida do rio. Se o rio estiver bem, com sa\u00fade, o povo tamb\u00e9m gozar\u00e1 de sa\u00fade. Se o rio ficar doente, como se encontra hoje, o povo tamb\u00e9m sofrer\u00e1 as conseq\u00fc\u00eancias. E se o rio vier a morrer, o povo morrer\u00e1 com seu rio. A voca\u00e7\u00e3o do Velho Chico \u00e9 a de servir, gerar vida. Mas \u201can\u00eamico n\u00e3o doa sangue\u201d. Se quisermos que o Velho Chico continue sendo gerador de vida para milh\u00f5es de brasileiros do Semi-\u00c1rido, \u00e9 necess\u00e1rio que antes de tudo seja revitalizado.\u201c<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num testemunho prof\u00e9tico, frei Luiz pondera: \u201cCheguei aos sert\u00f5es baianos do S\u00e3o Francisco, h\u00e1 33 anos atr\u00e1s, e logo me identifiquei com o rio. Dia ap\u00f3s dias, nestes anos todos, fui observando a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e social do Rio S\u00e3o Francisco e de seus afluentes. Os ribeirinhos diziam das dificuldades crescentes em tirar das \u00e1guas seu sustento: peixe escasso, vazantes menos produtivas, bancos de areia, navega\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, \u00e1guas polu\u00eddas, rasas &#8230; Em um ano de peregrina\u00e7\u00e3o, em 1992, das nascentes \u00e0 foz do Velho Chico, ficou evidente que seus principais problemas s\u00e3o o desmatamento, para as monoculturas e as carvoarias, que diminui os mananciais e provoca o assoreamento; a polui\u00e7\u00e3o urbana, industrial, miner\u00e1ria e agr\u00edcola; a irriga\u00e7\u00e3o, que al\u00e9m dos agrot\u00f3xicos, consome \u00e1guas; as barragens e hidrel\u00e9tricas que expulsam comunidades, impedem os ciclos naturais do rio e comprometem 80% de suas vaz\u00f5es com a energia el\u00e9trica; a pobreza e o abandono da popula\u00e7\u00e3o, a que mais sofre com as conseq\u00fc\u00eancias destes abusos.\u201c<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prezado Fernando, no artigo \u201ctestemunho acerca do bispo Dom Cappio, Leonardo Boff, te\u00f3logo da liberta\u00e7\u00e3o,\u00a0 assevera: \u201cO governo bolou o seu projeto, enfiou-o goela abaixo no povo, inventou audi\u00eancias, discuss\u00f5es no Congresso que nunca houve (perguntei a v\u00e1rios deputados que negaram absolutamente que houve tal discuss\u00e3o). N\u00e3o tomou em conta a opini\u00e3o da \u00a0comunidade cient\u00edfica como a de \u00a0Aldo Rabelo, nosso maior cientista em \u00e1guas, Ab\u2019Saber e de outros do pr\u00f3prio Nordeste, n\u00e3o considerou a proposta da ANA (Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas) que fez o Mapa de \u00c1guas do Nordeste com a proposta de abastecimento urbano (omitiu a inclus\u00e3o da \u00e1rea rural) envolvendo 34 milh\u00f5es de pessoas (a do governo apenas 12 milh\u00f5es) beneficiando mais de 1300 munic\u00edpios (o do governo s\u00e3o algumas centenas) a um pre\u00e7o que \u00e9 metade daquele or\u00e7ado oficialmente (cerca de 6 bilh\u00f5es de reais contra 3,6 da ANA), n\u00e3o incluindo o que j\u00e1 est\u00e1 em curso \u2013 o projeto da ASA (Articula\u00e7\u00e3o do Semi-\u00c1rido) &#8211; com a constru\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de cisternas (j\u00e1 se constru\u00edram 200 mil) num projeto inteligente (2 em um: duas cisternas, uma para beber, outra para irrigar e um peda\u00e7o de terra). Uma audi\u00eancia propalada pelo governo foi feita na quinta-feira de carnaval (imagine o carnaval da Bahia&#8230;) num hotel cinco estrelas, em Salvador, a 800 km do rio S. Francisco. Quem iria participar desta audi\u00eancia? \u00c9 pura formalidade&#8230;.E assim outras atitudes autorit\u00e1rias vindas de cima, desconsiderando a acumula\u00e7\u00e3o feita pelas comunidades, com discuss\u00f5es impositivas, coopta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e pol\u00edticas&#8230;..algo, portanto, nada democr\u00e1tico. Os que vivem na regi\u00e3o conhecem suas elites econ\u00f4micas, os interesses das grandes empreiteiras, os planos do agroneg\u00f3cio de exporta\u00e7\u00e3o, e a parca destina\u00e7\u00e3o, apenas 4% da \u00e1gua para a dessedenta\u00e7\u00e3o humana e animal.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caro Fernando, fa\u00e7o quest\u00e3o de citar tamb\u00e9m um nordestino, doutor em  semi-\u00e1rido. No artigo \u201cTRANSPOSI\u00c7\u00c3O: uma an\u00e1lise cartesiana\u201d, Manoel Bomfim Ribeiro<a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftn2\">[2]<\/a> demonstra que \u201e\u201co Nordeste j\u00e1 possui um grande manancial de \u00e1gua constru\u00eddo pela tenacidade do homem do Nordeste. \u00c9 um grande cubo de 37  quil\u00f4metros c\u00fabicos de \u00e1gua armazenados nos milhares de reservat\u00f3rios espalhados por todos os quadrantes do Semi-\u00c1rido. Falta apenas uma grande e potente rede de adutoras para levar essa \u00e1gua a todos os recantos desta grande regi\u00e3o. Essa rede j\u00e1 come\u00e7ou, faltando t\u00e3o-somente dota\u00e7\u00f5es e recursos para o aceleramento das obras. Essas adutoras independem do canal da Transposi\u00e7\u00e3o porque as \u00e1guas j\u00e1 est\u00e3o acumuladas nos seus reservat\u00f3rios&#8230; No ano de 2001, uma consulta ao BIRD<a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftn3\">[3]<\/a> feita pelo Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional sobre empr\u00e9stimo para a Transposi\u00e7\u00e3o, recebeu uma resposta negativa, aconselhando aquele Banco que se fizesse primeiro o aproveitamento das \u00e1guas j\u00e1 existentes no Semi-\u00c1rido. Um bolo de palmat\u00f3ria. Por essa raz\u00e3o, essa mega obra n\u00e3o possui recursos externos. A partir de 2004 \u00e9 a hist\u00f3ria que conhecemos. Houve muita discrep\u00e2ncia de projeto quanto aos volumes a transportar. De 300m\u00b3\/s mudaram para 260, 145 127, 64, 26, e por a\u00ed vai. Uma total incerteza do que pretendem, uma falta de an\u00e1lise aprofundada. O mais recente \u00e9 transportar 64m\u00b3\/s, mas a estrutura concebida e projetada \u00e9 para 127m\u00b3\/s, ou seja 2,1 bilh\u00f5es de m\u00b3\/ano. Vale lembrar que numa s\u00f3 noite chuvosa, com precipita\u00e7\u00e3o de 700 mm num ter\u00e7o do Semi-\u00c1rido (300.000 km\u00b2) desabam sobre esta superf\u00edcie exatamente 2,1 bilh\u00f5es de m\u00b3 de \u00e1gua, o volume que querem levar com tanto trabalho e despesas. Isso \u00e9 realidade, n\u00e3o \u00e9 sofisma. No meu livro, recentemente publicado, <strong><em>A POTENCIALIDADE DO SEMI-\u00c1RIDO BRASILEIRO<\/em><\/strong>, detalhamos os caminhos das \u00e1guas que ir\u00e3o ser transportadas pelos canais. Ser\u00e3o despejadas em oito a\u00e7udes que j\u00e1 det\u00eam 13 bilh\u00f5es de m\u00b3 de \u00e1gua nos seus bojos. O total, entretanto, que o Semi-\u00c1rido j\u00e1 acumula \u00e9 de 37 bilh\u00f5es de m\u00b3 de \u00e1gua, que, segundo o governo, n\u00e3o resolveram o problema h\u00eddrico da regi\u00e3o. Agora, entretanto, vai ser resolvido com 2,1 bilh\u00f5es. Tenham a santa paci\u00eancia! Isso \u00e9 uma afronta aos t\u00e9cnicos do Pa\u00eds, uma total falta de respeito aos engenheiros do Brasil. At\u00e9 o leigo, at\u00e9 o analfabeto n\u00e3o entende porque 2,10 bilh\u00f5es de m\u00b3 v\u00e3o abastecer 12 milh\u00f5es de habitantes e os 37 bilh\u00f5es n\u00e3o abastecem. Rid\u00edculo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando, desculpe, mas Manoel Bomfim tem muitos outros argumentos contra a Transposi\u00e7\u00e3o. Diz ele: \u201cTrata-se de uma obra in\u00f3cua e desprovida de significado, pois que o Nordeste Setentrional, penhoradamente, agradece e dispensa as \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco, por total e absoluta falta de necessidade, uma vez que j\u00e1 acumula, somente nos oito grandes a\u00e7udes, 13 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua, (cinco vezes e meia a Ba\u00eda da Guanabara), exatamente os oito a\u00e7udes plurianuais que ir\u00e3o receber os magros 2 bilh\u00f5es\/m\u00b3 anuais (127m\u00b3\/s) aduzidos do canal da Transposi\u00e7\u00e3o. A evapora\u00e7\u00e3o anual dos 13 bilh\u00f5es \u00e9 da ordem de 4 bilh\u00f5es, o dobro da \u00e1gua que vai chegar do rio. Mais ainda, os tr\u00eas estados mais \u00e1vidos por mais \u00e1gua, Para\u00edba, Rio Grande do Norte e Cear\u00e1 j\u00e1 acumulam nos seus imensos reservat\u00f3rios 26 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, 70% das \u00e1guas reservadas no Semi-\u00c1rido brasileiro, 11 vezes as \u00e1guas da baia da Guanabara. Pela vulnerabilidade desse grande Projeto, numa an\u00e1lise cartesiana, somos levados a pensar que ele n\u00e3o resistir\u00e1 a uma travessia administrativa e pode morrer na praia.\u201c<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caro Fernando, voc\u00ea deve conhecer Jo\u00e3o Abner Guimar\u00e3es J\u00fanior<a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftn4\">[4]<\/a>, que em in\u00fameras entrevistas sobre a transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do Rio S\u00e3o Francisco, sendo um perito no assunto, arremata: \u201cTransposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um projeto politicamente inconseq\u00fcente, economicamente invi\u00e1vel, socialmente injusto e ecologicamente covarde. Bastaria qualquer uma dessas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es ser verdadeira para justificar o abandono do projeto. A transposi\u00e7\u00e3o \u00e9 politicamente inconseq\u00fcente porque gera um conflito na federa\u00e7\u00e3o brasileira e nos estados do Nordeste que ser\u00e1 permanente, com tend\u00eancia a se agravar &#8211; uma briga pelo uso da \u00e1gua. No momento em que se tira \u00e1gua da bacia do S\u00e3o Francisco para levar para o Cear\u00e1, a Para\u00edba e o Rio Grande do Norte (os estados receptores), uma injusti\u00e7a \u00e9 cometida com o povo doador (alagoanos, baianos, mineiros, pernambucanos e sergipanos) que possui disponibilidade h\u00eddrica de 360 metros c\u00fabicos por segundo (m\u00b3\/s) para abastecer uma popula\u00e7\u00e3o de 13 milh\u00f5es de pessoas. No Cear\u00e1, por exemplo, a disponibilidade <em>per capita<\/em> \u00e9 melhor: 215 m\u00b3\/s para 7,5 milh\u00f5es, sendo que fen\u00f4meno semelhante acontece tamb\u00e9m com o Rio Grande do Norte. Outro aspecto fundamental \u00e9 que, na bacia do rio S\u00e3o Francisco, 335m\u00b3\/s dos 360m\u00b3\/s de \u00e1gua dispon\u00edvel j\u00e1 est\u00e3o comprometidos. Portanto, os 25m\u00b3\/s que o governo diz que vai tirar, n\u00e3o \u00e9 pouco, mas sim o que resta de \u00e1gua ainda n\u00e3o outorgada no rio. Esse n\u00famero de 1% (o governo alega que vai retirar apenas essa quantidade) \u00e9 relativo a vaz\u00e3o m\u00e9dia na barragem de Sobradinho, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma boa refer\u00eancia. Deve-se trabalhar com a vaz\u00e3o firme (aquilo que \u00e9 garantido que o rio vai ter, mesmo em per\u00edodos de seca), que \u00e9 de 1.860m\u00b3\/s. Desses, apenas 360 est\u00e3o dispon\u00edveis. O resto, 1.500m\u00b3\/s, j\u00e1 \u00e9 utilizado para a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. E essa \u00e1gua tem uma fun\u00e7\u00e3o important\u00edssima. 95% da energia do Nordeste \u00e9 de fonte hidr\u00e1ulica &#8211; uma fonte barata. \u00c9 um erro dizer que o S\u00e3o Francisco est\u00e1 jogando \u00e1gua no mar. Esta \u00e1gua tem uma fun\u00e7\u00e3o importante como geradora de energia. \u00c9 da\u00ed que vem o segundo conflito gerado pela transposi\u00e7\u00e3o. Um conflito nacional. Como o sistema CHESF (Companhia Hidrel\u00e9trica do S\u00e3o Francisco) j\u00e1 est\u00e1 funcionando no seu limite, a transposi\u00e7\u00e3o vai implicar uma mudan\u00e7a muito grande na matriz energ\u00e9tica no Nordeste uma vez que ser\u00e1 necess\u00e1rio trazer energia de fora ou ger\u00e1-la por meio de termoel\u00e9tricas, o que polui mais e \u00e9 mais dispendioso. Al\u00e9m disso, ter\u00e1 que se produzir energia para a transposi\u00e7\u00e3o e para os usos da nova \u00e1gua nos estados receptores; para n\u00e3o falar da \u00e1gua que vai ser retirada com a transposi\u00e7\u00e3o. A implica\u00e7\u00e3o disso tudo \u00e9 um aumento de custo da energia el\u00e9trica em todo o sistema nacional.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prezado Fernando, precisamos ouvir tamb\u00e9m outro nordestino: Jo\u00e3o Suassuna<a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftn5\">[5]<\/a>, que no texto \u201cTransposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco: Caneco de ouro\u201d informa: \u201cdiante do potencial h\u00eddrico existente na Regi\u00e3o, os t\u00e9cnicos da SBPC recomendaram, em reuni\u00e3o no Recife, em agosto de 2004, que se procedesse \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma infra-estrutura hidr\u00e1ulica capaz de atender \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o, partindo-se das bacias dos estados que seriam receptores das \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco (Cear\u00e1, Rio Grande do Norte e Para\u00edba), para as bacias dos estados exportadores (Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais), isto \u00e9, de jusante para montante, priorizando-se o acesso \u00e0s \u00e1guas das represas, dos po\u00e7os, cisternas rurais, barragens subterr\u00e2neas, etc., fontes estas detentoras de volumes capazes de suprir, at\u00e9 com certa folga, as necessidades di\u00e1rias da popula\u00e7\u00e3o nordestina, bastando, para tanto, proceder-se ao indispens\u00e1vel gerenciamento desses recursos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando, n\u00e3o podemos esquecer tamb\u00e9m dos direitos dos povos ind\u00edgenas e quilombolas. O projeto de Transposi\u00e7\u00e3o atinge de forma violenta ainda, direta ou indiretamente, mais de 40 comunidades ind\u00edgenas e 153 comunidades quilombolas localizadas nas regi\u00f5es da bacia do Rio S\u00e3o Francisco, tornando-o totalmente inconstitucional, uma vez que n\u00e3o foram consultados os pr\u00f3prios ind\u00edgenas e muito menos tramitou pelo Congresso Nacional, inst\u00e2ncia respons\u00e1vel para dar autoriza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando, n\u00e3o acredite na propaganda do Governo Federal. \u00c9 enganosa. A verdade \u00e9 que a transposi\u00e7\u00e3o atende primeiramente aos interesses de grupos do agroneg\u00f3cio e das ind\u00fastrias e em seguida \u00e0s necessidades do povo sofredor, o que configura falta de equidade. Os dados falam por si: 70% da \u00e1gua deve ser destinada a projetos de irriga\u00e7\u00e3o, 26% para a ind\u00fastria e abastecimento urbano e 4% para popula\u00e7\u00f5es rurais do Semi-\u00c1rido. Fernando, aten\u00e7\u00e3o! N\u00e3o se irrite! Esses dados est\u00e3o escritos no Projeto. \u00c9 s\u00f3 ler na \u00edntegra o projeto. N\u00e3o podemos ler somente a pe\u00e7a publicit\u00e1ria de Ciro Gomes e Geddel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando, imagino que voc\u00ea j\u00e1 deve estar nervoso. Tenha calma. Ou\u00e7a s\u00f3 mais um pouquinho. Estou terminando. Para arrematar, digo: a transposi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, mas n\u00e3o ir\u00e1 muito longe, nem muito menos terminar\u00e1, pois \u00e9 um projeto invi\u00e1vel economicamente, ilegal e imoral segundo as leis ambientais e segundo a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, injusto eticamente, politicamente autorit\u00e1rio e ecologicamente insustent\u00e1vel. A hist\u00f3ria julgar\u00e1 o Presidente Lula e os apoiadores deste insano e covarde projeto, a obra mais cara da hist\u00f3ria do Brasil. Um campon\u00eas do Cear\u00e1 disse: \u201cProjeto grande, fara\u00f4nico, n\u00e3o beneficia os pequenos. O que beneficia os pequenos s\u00e3o projetos pequenos, multiplicados aos milhares\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso projeto \u00e9 muito maior. Queremos \u00e1gua para 44 milh\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 para 12. Para nove estados, n\u00e3o apenas quatro. Para 1356 munic\u00edpios, n\u00e3o apenas 397. Tudo pela metade do pre\u00e7o. O Atlas e as iniciativas da ASA (sociedade civil) s\u00e3o muito mais abrangentes e t\u00eam finalidade no abastecimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caro Fernando, n\u00e3o deu para ser mais conciso. Se os argumentos, acima arrolados, n\u00e3o forem o suficiente, sugiro a leitura do livro<em> Dom Cappio: Rio e Povo<\/em>, que organizei, Co-ed. CEBI-CPT e Diocese de Barra, S\u00e3o Leopoldo, RS, 2008. L\u00e1 est\u00e3o 57 pequenos textos de 23 intelectuais org\u00e2nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P.S.: Concordo inteiramente com os argumentos de Vitorio Rodrigues de Andrade, de Petrolina, PE, exposto em carta enviada a Ot\u00e1vio Carvalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, com todo respeito, manifesto minha posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao projeto de transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco. O Rio, a biodiversidade e o povo agradecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem mais para o momento, um abra\u00e7o terno,<\/p>\n<p>Atenciosamente<\/p>\n<p>Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr width=\"33%\" size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> Tomo a liberdade de identificar algumas pessoas que ser\u00e3o citadas nessa carta para que n\u00e3o paire d\u00favida sobre a idoneidade delas. Aziz, por exemplo, \u00e9 Professor-Em\u00e9rito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP e Professor Convidado do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftnref2\">[2]<\/a> Engenheiro civil, com especializa\u00e7\u00e3o em Geologia e hidrologia; ex-diretor do DNOCS \u2013 Departamento Nacional de Obras contra a seca -; ex-secret\u00e1rio geral do Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia; ex-diretor da CODEVASF \u2013 Companhia de Desenvolvimento do Vale do S\u00e3o Francisco -; ex-consultor da OEA \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos; conselheiro da Funda\u00e7\u00e3o Franco-Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento (FUBR\u00c1S); membro do Instituto do Sol, cidad\u00e3o honor\u00e1rio em 27 munic\u00edpios do Semi-\u00c1rido. Autor do livro <em>A Potencialidade do Semi-\u00c1rido Brasileiro<\/em> (O Rio S\u00e3o Francisco: Transposi\u00e7\u00e3o e Revitaliza\u00e7\u00e3o, uma an\u00e1lise), Bras\u00edlia, 2007. \u201cLivro imprescind\u00edvel para compreender o Semi-\u00c1rido, seu povo, sua riqu\u00edssima biodiversidade e uma imensa riqueza cultural\u201d, diz Dom Cappio.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftnref3\">[3]<\/a> Banco Internacional para Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftnref4\">[4]<\/a> Engenheiro civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), doutor em Engenharia Hidr\u00e1ulica e Saneamento pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Professor do curso de engenharia civil da UFRN. Entre 2003 e 2004, Abner exerceu a fun\u00e7\u00e3o de diretor-geral do Instituto de Gest\u00e3o das \u00c1guas do Estado do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftnref5\">[5]<\/a> Eng\u00ba Agr\u00f4nomo e Pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/G:\/Gilvander\/Gilvander%20C%20e%20D\/Carta%20de%20Gilvander%20a%20Fernando%20Valen%C3%A7a%20-%20CONTRA%20A%20TRANSPOSI%C3%87%C3%83O%20%2015%2002%202009%20Projeto%20Expedi%C3%A7%C3%A3o%20Francisco.doc#_ftnref6\">[6]<\/a> Mestre em Exegese B\u00edblica, professor de Teologia B\u00edblica, assessor da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra \u2013 CPT -, de Comunidades Eclesiais de Base \u2013 CEBs -, de Pastorais Sociais e da Via Campesina. E-mail: <a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Essa carta de frei Gilvander Lu\u00eds Moreira a Fernando Valen\u00e7a foi publicada no livro Trans Posi\u00e7\u00e3o Francisco, organiza\u00e7\u00e3o de Julio Meiron, M\u00e1rcia Vaitsman, Evandro Carlos Nicolau, Luzi Mizukami, Jarbas Galhardo e Paula Tubelis, S\u00e3o Paulo:<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-160","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}