{"id":200,"date":"2025-07-12T09:51:00","date_gmt":"2025-07-12T12:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=200"},"modified":"2025-07-12T09:51:33","modified_gmt":"2025-07-12T12:51:33","slug":"o-bom-samaritano-hoje","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-bom-samaritano-hoje\/","title":{"rendered":"O BOM SAMARITANO HOJE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #800080;\">O BOM SAMARITANO HOJE.<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Por Maria do Ros\u00e1rio de Oliveira Carneiro<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/O%20BOM%20SAMARITANO%20HOJE%20-%20Sete%20retratos%20-%20por%20Maria%20do%20Ros%C3%A1rio%20de%20Oliveira%20Carneiro%20-%2018%2010%202012.doc#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sete retratos do \u201cBom Samaritano de hoje\u201d, abaixo descritos, foram escritos originalmente para o Livro <em>O Bom Samaritano: ontem e hoje<\/em>, de Carlos Mesters e Gilvander Moreira.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/O%20BOM%20SAMARITANO%20HOJE%20-%20Sete%20retratos%20-%20por%20Maria%20do%20Ros%C3%A1rio%20de%20Oliveira%20Carneiro%20-%2018%2010%202012.doc#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 &#8211; Sr. Joaquim e a sua mochila.<\/strong> Joaquim, morador de rua, vive nas ruas de uma capital do Brasil. Carregava uma mochila e dentro dela todos os bens que possu\u00eda. Numa noite, encostou-se debaixo de uma marquise para passar a noite. Ao despertar pela manh\u00e3, percebeu que algu\u00e9m lhe havia roubado a mochila. Embora lhe faltasse tudo que tinha, expressou aliviado: \u201cque favor voc\u00ea me fez, ladr\u00e3o! Estava muito pesada! Eu n\u00e3o precisava de tudo aquilo. Vou lutar para reconquistar o m\u00ednimo de que preciso para viver: documentos, um cobertor e umas poucas roupas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 &#8211; Sr. Levi dos livros.<\/strong> Levi \u00e9 morador de rua. Na sua juventude, concluiu o ensino fundamental e tinha o sonho de fazer uma faculdade. Mas por um infort\u00fanio, terminou jogado na rua, bebendo muito. Hoje, Levi est\u00e1 se reorganizando, lutando para se libertar do v\u00edcio do \u00e1lcool. Vive numa rep\u00fablica de moradores de rua. Sofre por perceber que muitos de seus irm\u00e3os moradores de rua s\u00e3o analfabetos. Ent\u00e3o, Levi, que adora ler e escrever e acredita na educa\u00e7\u00e3o como meio de liberta\u00e7\u00e3o, se prop\u00f4s a alfabetizar seus irm\u00e3os, moradores de rua, l\u00e1 na Rep\u00fablica onde mora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 &#8211; Sr. Jos\u00e9, o surdo-mudo.<\/strong> Jos\u00e9, morador de rua, \u00e9 surdo-mudo. Entrou numa igreja para orar. Orava balbuciando sua prece. Os seguran\u00e7as da Igreja pediram para ele se retirar porque o barulho da sua prece incomodava os fi\u00e9is. Era hora da adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo. Jos\u00e9 resistiu. N\u00e3o queria sair. Acabou sendo retirado com viol\u00eancia e pancada. Fizeram um processo criminal contra ele. Na audi\u00eancia, ao dar a palavra para que Jos\u00e9 contasse o que havia se passado, ele retirou do bolso um ter\u00e7o e com gestos (que foram traduzidos), explicou que havia entrado na Igreja para rezar. O barulho que \u201cincomodava os fi\u00e9is\u201d era sua conversa com Deus. Os guardas alegaram que a adora\u00e7\u00e3o ao sant\u00edssimo n\u00e3o podia ser atrapalhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 &#8211; Che Guevara e os leprosos.<\/strong> Che Guevara, argentino, m\u00e9dico, quando girava pela Am\u00e9rica Latina, Che\u00adgando a um lepros\u00e1rio na selva amaz\u00f4nica, foi advertido pela freira respons\u00e1vel para n\u00e3o entrar em contato com os leprosos, a n\u00e3o ser com luvas, para evitar cont\u00e1gio. Che achava que n\u00e3o podia obede\u00adcer \u00e0s ordens da irm\u00e3, pois n\u00e3o queria que a sua atitude de preven\u00e7\u00e3o aumentasse neles o sentimento de exclus\u00e3o. Por isso, de noite, sem luvas, ele ia e abra\u00e7ava os leprosos e os acolhia como irm\u00e3os. Estes choravam de emo\u00e7\u00e3o, porque Che os respeitava como gente. N\u00e3o houve nenhum cont\u00e1\u00adgio. Pelo contr\u00e1rio! Melhorou o ambiente, que se tornou mais fraterno e, por isso mesmo, mais crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 &#8211; Paulo, morador de rua.<\/strong> Numa noite de frio, Paulo foi roubado por policiais e fiscais de uma prefeitura. Tomaram dele o cobertor e todos os seus pertences pessoais, inclusive os documentos. Paulo denunciou o roubo e passou a estimular seus amigos, v\u00edtimas do mesmo crime, a tamb\u00e9m denunciarem. N\u00e3o s\u00f3 estimulava como ia junto com eles fazer a den\u00fancia. Perguntado se n\u00e3o teria medo de denunciar policiais e agentes p\u00fablicos, ele respondeu: \u201cTenho duas sa\u00eddas: denunciar, mesmo correndo risco de sofrer retalia\u00e7\u00e3o, ou permanecer apanhando nas ruas. Escolhi denunciar n\u00e3o s\u00f3 por mim, mas por todos os meus companheiros que tamb\u00e9m vivem nas ruas, porque viver na rua j\u00e1 \u00e9 uma viol\u00eancia e n\u00e3o podemos apanhar mais, sobretudo de quem tem a miss\u00e3o de nos proteger\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 &#8211; Comunidade Dandara.<\/strong> Em Belo Horizonte havia uma \u00e1rea de terra de 315 mil metros quadrados, que h\u00e1 mais de 40 anos se encontrava abandonada, sem cumprir a fun\u00e7\u00e3o social. A construtora Modelo, que reivindicava a posse na justi\u00e7a, estava devendo milh\u00f5es em IPTU. Em Belo Horizonte h\u00e1 mais de 70 mil fam\u00edlias sem moradias, sobrevivendo em \u00e1reas de risco, pagando o aluguel caro, morando de favor, em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. S\u00e3o pobres sendo assaltados no seu sagrado direito de viver com dignidade. As Brigadas Populares, o MST e uma Rede de Apoio se uniram e convidaram centenas de fam\u00edlias sem-teto para se organizar e ocupar a \u00e1rea que estava abandonada. Hoje, esta \u00e1rea se chama Comunidade Dandara. As fam\u00edlias que vivem l\u00e1 (em torno de 1.000 fam\u00edlias) constru\u00edram suas casas de alvenarias, plantam hortali\u00e7as nos quintais, participam das lutas e muitas pessoas se tornaram lideran\u00e7as na luta pela moradia digna na Cidade. Afirmam, com muita convic\u00e7\u00e3o: esta terra foi Deus quem nos deu!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 &#8211; Marcos, morador de rua e homossexual.<\/strong> Certa vez, foi impedido por seguran\u00e7as de entrar em uma C\u00e2mara de Vereadores. Indignado com a forma como foi tratado, denunciou os seguran\u00e7as. Em audi\u00eancia, quando lhe foi perguntado se desejaria alguma quantia em dinheiro para reparar o dano, Marcos disse: \u201cEu gostaria que todos os seguran\u00e7as que trabalham em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e nas empresas passassem por uma forma\u00e7\u00e3o para poderem entender que eu sou igual a todo mundo, tenho os mesmos direitos. Que todos saibam que os moradores de rua t\u00eam direito e s\u00e3o cidad\u00e3os. Que fique assegurado que nunca mais, nem eu, nem qualquer outro morador de rua ou homossexual seja barrado de entrar e sair em qualquer lugar deste pa\u00eds\u201d. Disse ainda que fez a den\u00fancia n\u00e3o s\u00f3 por ele mesmo, mas para ajudar a quebrar o ciclo de viol\u00eancia e preconceito pelo qual ele e seus companheiros de rua t\u00eam sido v\u00edtimas constantemente.<\/p>\n<p>Belo Horizonte, MG, Brasil, 18 de outubro de 2012.<\/p>\n<hr size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/O%20BOM%20SAMARITANO%20HOJE%20-%20Sete%20retratos%20-%20por%20Maria%20do%20Ros%C3%A1rio%20de%20Oliveira%20Carneiro%20-%2018%2010%202012.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> Advogada Popular, integrante da Rede de Apoio e Solidariedade \u00e0s Ocupa\u00e7\u00f5es urbanas em Belo Horizonte, MG; da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra \u2013 CPT -; trabalha com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e catadores de material recicl\u00e1vel; e-mail: <a href=\"mailto:mrosariodeoliveira@yahoo.com.br\">mrosariodeoliveira@yahoo.com.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/O%20BOM%20SAMARITANO%20HOJE%20-%20Sete%20retratos%20-%20por%20Maria%20do%20Ros%C3%A1rio%20de%20Oliveira%20Carneiro%20-%2018%2010%202012.doc#_ftnref2\">[2]<\/a> Cf. Livro <em>O Bom Samaritano: ontem e hoje<\/em>, de Carlos Mesters e Gilvander Moreira, S\u00e3o Leopoldo, CEBI, 2012, encontr\u00e1vel tamb\u00e9m em <a href=\"http:\/\/www.cebi.org.br\/\">www.cebi.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O BOM SAMARITANO HOJE. Por Maria do Ros\u00e1rio de Oliveira Carneiro[1] Os sete retratos do \u201cBom Samaritano de hoje\u201d, abaixo descritos, foram escritos originalmente para o Livro O Bom Samaritano: ontem e hoje, de Carlos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-200","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14553,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions\/14553"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}