{"id":214,"date":"2012-12-10T10:36:14","date_gmt":"2012-12-10T12:36:14","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=214"},"modified":"2012-12-10T10:36:14","modified_gmt":"2012-12-10T12:36:14","slug":"jesus-de-nazare-um-profeta-radical","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/jesus-de-nazare-um-profeta-radical\/","title":{"rendered":"Jesus de Nazar\u00e9, um profeta radical?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #008000;\">Jesus de Nazar\u00e9, um profeta radical?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff00ff;\">A B\u00edblia respira profecia (Parte 5)<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Gilvander Lu\u00eds Moreira<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.6 \u2013 Jesus de Nazar\u00e9, um profeta que se tornou Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, o galileu de Nazar\u00e9<strong>,<\/strong> se tornou Cristo, filho de Deus. Como campon\u00eas, deve ter feito muitos calos nas m\u00e3os, na enxada e na carpintaria, ao lado de seu pai Jos\u00e9.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Os evangelhos fazem quest\u00e3o de dizer que Jesus nasceu em Bel\u00e9m, (em hebraico, \u201ccasa do p\u00e3o\u201d para todos), cidade pequena do interior. \u201c<em>\u00c9s tu Bel\u00e9m a menor entre todas as cidades, mas \u00e9 de ti que vir\u00e1 o salvador<\/em>\u201d, diz o evangelho de Mateus (Mt 2,6), resgatando a profecia de Miqu\u00e9ias (Miq 5,1).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.6.1 &#8211; De forma radical, Jesus mostra como resolver o problema da fome<\/strong>. <strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fome era um problema t\u00e3o s\u00e9rio na vida dos primeiros crist\u00e3os e crist\u00e3s, que os quatro evangelhos da B\u00edblia relatam Jesus partilhando p\u00e3es e saciando a fome do povo.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftn2\">[2]<\/a> \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o devemos historicizar os relatos de partilha de p\u00e3es como se tivessem acontecido tal como descrito. Os evangelhos foram escritos de quarenta a setenta anos depois. Logo, s\u00e3o interpreta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas que querem ajudar as primeiras comunidades a resgatar o ensinamento e a pr\u00e1xis original de Jesus. N\u00e3o podemos tamb\u00e9m restringir o sentido espiritual da partilha dos p\u00e3es a uma interpreta\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, como se a fome de p\u00e3o se saciasse pelo p\u00e3o partilhado na eucaristia. Isso seria espiritualiza\u00e7\u00e3o do texto. Eucaristia, celebrada em profunda sintonia com as agruras da vida, \u00e9 uma das fontes que sacia a fome de Deus, mas as narrativas das partilhas de p\u00e3es t\u00eam como finalidade inspirar solu\u00e7\u00e3o radical para um problema real e concreto: a fome de p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A beleza espiritual das narrativas de partilha de p\u00e3es est\u00e1 no processo seguido. Em uma s\u00e9rie de passos articulados e entrela\u00e7ados que constituem um processo libertador. O milagre n\u00e3o est\u00e1 aqui ou ali, mas no processo todo. Ei-lo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus mostra que o povo faminto \u201cvem das cidades\u201d, ou seja, as cidades, ao inv\u00e9s de serem locais de exerc\u00edcio da cidadania, se tornaram espa\u00e7os de exclus\u00e3o e de viol\u00eancia sobre os corpos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJesus atravessa para a outra margem do mar da Galileia\u201d (Jo 6,1), entra no mundo dos gentios, dos pag\u00e3os, dos impuros, enfim, dos exclu\u00eddos. Jesus n\u00e3o fica no mundo dos inclu\u00eddos, mas estabelece comunica\u00e7\u00e3o efetiva e afetiva entre os dois mundos, o dos inclu\u00eddos e o dos exclu\u00eddos. Assim, tabus e preconceitos desmoronam-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profundamente comovido, porque \u201cos pobres est\u00e3o como ovelhas sem pastor\u201d (Mc 6,34), Jesus percebe que os governantes e l\u00edderes da sociedade n\u00e3o estavam sendo libertadores, mas estavam colocando grandes fardos pesados nas costas do povo. Com olhar altivo e penetrante, Jesus v\u00ea uma grande multid\u00e3o de famintos que vem ao seu encontro, s\u00f3 no Brasil s\u00e3o milh\u00f5es de pessoas que t\u00eam os corpos implodidos pela bomba silenciosa da fome ou da m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o.\u00a0 &#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o sentiu medo dos pobres, encarou-os e procura superar a fome que os golpeava e humilhava. Apareceram dois projetos para resgatar a cidadania do povo faminto. O primeiro foi apresentado por Filipe: \u201cOnde vamos comprar p\u00e3o para alimentar tanta gente?\u201d (Jo 6,5). No mesmo tom, outros disc\u00edpulos tentavam lavar as m\u00e3os: \u201cDespede as multid\u00f5es para que v\u00e3o aos povoados comprar alimento para si.\u201d (Mt 14,15). Filipe est\u00e1 dentro do mercado e pensa a partir do mercado. Est\u00e1 pensando que o mercado \u00e9 um deus capaz de salvar as pessoas. Cheio de boas inten\u00e7\u00f5es, Filipe n\u00e3o percebe que est\u00e1 enjaulado na idolatria do mercado. <br \/> &#8212;&#8212;&#8212;&#8211;O segundo projeto \u00e9 posto \u00e0 baila por Andr\u00e9, outro disc\u00edpulo de Jesus, que, mesmo se sentindo fraco, acaba revelando: \u201cEis um menino com cinco p\u00e3es e dois peixes\u201d (Jo 6,9). Jesus acorda nos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas a responsabilidade social, ao dizer: \u201cVoc\u00eas mesmos devem alimentar os famintos\u201d (Mt 14,16). Jesus quer m\u00e3os \u00e0 obra. Nada de desculpas esfarrapadas e racionaliza\u00e7\u00f5es que tranq\u00fcilizam consci\u00eancias. Jesus pulou de alegria e, abra\u00e7ando o projeto que vem de Andr\u00e9 (em grego, <em>andros<\/em> = humano), anima o povo a \u201csentar na grama\u201d (Jo 6,10). Aqui aparecem duas caracter\u00edsticas fundamentais do processo protagonizado por Jesus para levar o povo da exclus\u00e3o \u00e0 cidadania. Jesus convida o povo para se sentar. Por qu\u00ea? Na sociedade escravocrata do imp\u00e9rio romano somente as pessoas livres, cidad\u00e3s, podiam comer sentadas. Os escravos deviam comer de p\u00e9, pois n\u00e3o podiam perder tempo de trabalho. Era s\u00f3 engolir e retomar o servi\u00e7o \u00e1rduo. Um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o era escrava e outro ter\u00e7o, semi-escrava. Logo, quando Jesus inspira o povo para sentar-se, ele est\u00e1, em outros termos, defendendo que os escravos t\u00eam direitos e devem ser tratados como cidad\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que sentar na grama? A refer\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de \u201cgrama\u201d no local indica que o povo est\u00e1 no campo, na zona rural, e \u00e9 a partir de uma reorganiza\u00e7\u00e3o da vida no campo que poder\u00e1 advir uma solu\u00e7\u00e3o radical para a fome que aflige o povo nas cidades. Em outras palavras, o combate que liberta da fome passa necessariamente pela realiza\u00e7\u00e3o de uma aut\u00eantica Reforma Agr\u00e1ria. N\u00e3o d\u00e1 para continuar a in\u00edqua estrutura fundi\u00e1ria no Brasil.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus estimula a organiza\u00e7\u00e3o dos famintos. \u201cSentem-se, em grupos de cem, de cinq\u00fcenta,\u00a0 &#8230;\u201d (Mc 6,40). Assim, Jesus e os primeiros crist\u00e3os nos inspiram que o problema da fome s\u00f3 ser\u00e1 resolvido, de forma justa, quando o povo marginalizado e exclu\u00eddo se organizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJesus agradeceu a Deus&#8230;\u201d A dimens\u00e3o da m\u00edstica foi valorizada. A luz e a for\u00e7a divinas permeiam os processos de luta. Faz bem reconhecer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem reparte o p\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Jesus, mas os disc\u00edpulos. Jesus provoca a solidariedade conclamando para a organiza\u00e7\u00e3o dos marginalizados como meio para se chegar \u00e0 cidadania de e para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRecolham os peda\u00e7os que sobraram, para n\u00e3o se desperdi\u00e7ar nada.\u201d (Jo 6,12). Economia que evita o desperd\u00edcio. Quase 1\/3 da alimenta\u00e7\u00e3o produzida \u00e9 jogada no lixo, enquanto tantos passam fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas perceberam a profecia realizada por Jesus nas entranhas dos fatos humanos. Jesus n\u00e3o quis ser bajulado e retirou-se, de novo, para uma montanha. Exercer a solidariedade de forma gratuita e libertadora. N\u00e3o estabelecer v\u00ednculos que geram depend\u00eancia em quem \u00e9 ajudado e consci\u00eancia tranq\u00fcila em quem d\u00e1 coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.6.2 \u2013 De forma clandestina, Jesus e os seus companheiros e companheiras entram em Jerusal\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma longa marcha da Galileia a Jerusal\u00e9m, da periferia \u00e0 capital (Lc 9,51-19,27), Jesus e seu movimento est\u00e3o \u00e0s portas de Jerusal\u00e9m. De forma clandestina, n\u00e3o confessando os verdadeiros motivos, Jesus e o seu grupo entram em Jerusal\u00e9m, narra o Evangelho de Lucas (Lc 19,29-40). De alguma forma deve ter acontecido essa entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m, provavelmente n\u00e3o tal como narrado pelo evangelho, que tem tamb\u00e9m um tom midr\u00e1xico, ou seja, quer tornar presente e viva uma profecia do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois disc\u00edpulos recebem a tarefa de viabilizar a entrada na capital, de forma humilde, mas firme e corajosa. Deviam arrumar um jumentinho \u2013 meio de transporte dos pobres -, mas deviam fazer isso disfar\u00e7adamente, de forma \u201cclandestina\u201d. O texto repete o seguinte: \u201cSe algu\u00e9m lhes perguntar: \u201cPor que voc\u00eas est\u00e3o desamarrando o jumentinho?\u201d, digam somente: \u2018Porque o Senhor precisa dele\u2019\u201d. A repeti\u00e7\u00e3o indica a necessidade de se fazer a prepara\u00e7\u00e3o da entrada na capital de forma clandestina, sutil, sem alarde. Se dissessem a verdade, a entrada em Jerusal\u00e9m seria proibida pelas for\u00e7as de repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os \u201cpr\u00f3prios mantos\u201d prepararam o jumentinho para Jesus montar. Foi com o pouco de cada um\/a que a entrada em Jerusal\u00e9m foi realizada. A alegria era grande no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas. \u201c<em>Bendito o que vem como rei<\/em>&#8230;\u201d Viam em Jesus outro modelo de exercer o poder, n\u00e3o mais como domina\u00e7\u00e3o, mas como gerenciamento do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ouvir o an\u00fancio dos disc\u00edpulos \u2013 um novo jeito de exerc\u00edcio do poder \u2013 certo tipo de fariseu se incomoda e tenta sufocar aquele evangelho. Hipocritamente chamam Jesus de mestre, mas querem domestic\u00e1-lo, dom\u00e1-lo. \u201c<em>Manda que teus disc\u00edpulos se calem<\/em>.\u201d, impunham os que se julgavam salvos e os mais religiosos. \u201cManda&#8230;!\u201d Dentro do paradigma \u201cmandar-obedecer\u201d, eles s\u00e3o os que mandam. N\u00e3o sabem dialogar, mas s\u00f3 impor. \u201cQue se calem!\u201d, gritam. Quem anuncia a paz como fruto da justi\u00e7a testemunha fraternidade e luta por justi\u00e7a, o que incomoda o <em>status quo<\/em> opressor. Mas Jesus, em alto e bom som, com a autoridade de quem vive o que ensina, profetisa: \u201c<em>Se meus disc\u00edpulos (profetas) se calarem, as pedras gritar\u00e3o<\/em>.\u201d (Lc 19,40). Esse alerta do galileu virou refr\u00e3o de m\u00fasica das Comunidades Eclesiais de Base: \u201c<em>Se calarem a voz dos profetas, as pedras falar\u00e3o. Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascer\u00e3o&#8230; O poder tem ra\u00edzes na areia, o tempo faz cair. Uni\u00e3o \u00e9 a rocha que o povo usou pra construir<\/em>&#8230;!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.6.3 \u2013 Jesus chuta o pau da barraca do deus capital.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quatro evangelhos da B\u00edblia<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftn4\">[4]<\/a> relatam que Jesus, pr\u00f3ximo \u00e0 maior festa judaico-crist\u00e3, a P\u00e1scoa, impulsionado por uma ira santa, invadiu o templo de Jerusal\u00e9m, lugar mais sagrado do que os templos da idolatria do capital que muitas vezes tem a cruz de Cristo pendurada em um ponto de destaque. Furioso como todo profeta, ao descobrir que a institui\u00e7\u00e3o tinha transformado o templo em uma esp\u00e9cie de Banco Central do pa\u00eds + sistema banc\u00e1rio + bolsa de valores, Jesus \u201cfez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e bois, destinados aos sacrif\u00edcios. Derramou pelo ch\u00e3o as moedas dos cambistas e virou suas mesas. Aos que vendiam pombas (eram os que diretamente negociavam com os mais pobres porque os pobres s\u00f3 conseguiam comprar pombos e n\u00e3o bois), Jesus ordenou: \u2018Tirem estas coisas daqui e n\u00e3o fa\u00e7am da casa do meu Pai uma casa de neg\u00f3cio.\u201d Essa a\u00e7\u00e3o de Jesus foi o estopim para sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pena de morte, mas Jesus ressuscitou e vive tamb\u00e9m em milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o aceitam nenhuma opress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 \u2013 E agora, Jos\u00e9? E agora, Maria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, os tempos s\u00e3o outros, mas o sistema do capital, uma engrenagem de moer vidas, est\u00e1 em pleno funcionamento. O capitalismo, como um castelo de areia, est\u00e1 podre. A idolatria do mercado e do capital est\u00e1 levando a humanidade e todas as criaturas da biodiversidade ao abismo. A maior devasta\u00e7\u00e3o ambiental da hist\u00f3ria da humanidade cresce em progress\u00e3o geom\u00e9trica. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o cada vez mais afetando a vida humana, vegetal e animal. \u201cO tempo est\u00e1 doido\u201d, dizem muitos. Doidos mesmos s\u00e3o os egoc\u00eantricos que mandam e desmandam acrisolados no pr\u00f3prio umbigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Intuo que as profecias das parteiras, de Elias, Miqu\u00e9ias, Am\u00f3s, Oseias e de Jesus de Nazar\u00e9 est\u00e3o vivas, hoje, no ensinamento e na pr\u00e1tica do MST<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftn5\">[5]<\/a>, de Dandara \u2013 ocupa\u00e7\u00e3o que se tornou comunidade em Belo Horizonte, MG -, do Movimento dos Atingidos por Barragens \u2013 MAB -, da Via Campesina, de muitos sindicatos que ainda continuam combativos, de milhares de Comunidades Eclesiais de Base \u2013 CEBs -, que mesmo silenciadas e perseguidas, continuam testemunhando um jeito rebelde de encarnar o evangelho do Galileu de Nazar\u00e9. Em milh\u00f5es de pessoas de boa vontade, em tantos movimentos populares vejo a profecia viva. No Movimento dos Negros, dos ind\u00edgenas, dos deficientes, das mulheres &#8230;\u00a0 Por isso vejo que a B\u00edblia respira profecia. Quem tem ouvidos para ouvir, ou\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo Horizonte, MG, 10 de dezembro de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr width=\"33%\" size=\"1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; conselheiro do Conselho Estadual dos Direitos Humanos de Minas Gerais \u2013 CONEDH; e-mail: <a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a> &#8211; facebook: Gilvander Moreira &#8211; <strong>Obs<\/strong>.: Esse texto \u00e9 a 5\u00aa e \u00faltima parte do artigo \u201cA B\u00edblia respira Profecia: \u201cSe calarem a voz dos profetas &#8230;\u201d, publicado na Revista Estudos B\u00edblicos, Vol. 29, n. 113, jan\/mar\/2012, pp. 37-56, revista que tem como t\u00edtulo geral: B\u00edblia, uma Paideia libertadora. Esse artigo foi publicado tamb\u00e9m na Revista Horizonte Teol\u00f3gico, vol. 11, n. 21, jan-jul\/2012, p. 43-70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftnref2\">[2]<\/a> Cf. Mt 14,13-21; Mc 6,32-44; Lc 9,10-17 e Jo 6,1-13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftnref3\">[3]<\/a> Dados e informa\u00e7\u00f5es comparativas do Movimento dos Pequenos Agricultores \u2013 MPA \u2013 revelam a s\u00edntese da estrutura fundi\u00e1ria Brasileira em 2003: como agricultura familiar, abaixo de 200 hectares, h\u00e1 3.895.968 de im\u00f3veis rurais (91,9% dos im\u00f3veis) compreendendo uma \u00e1rea de 122.948.252 hectares (29,2% do territ\u00f3rio), enquanto apenas 32.264 propriedades rurais (0,8% dos im\u00f3veis rurais) t\u00eam acima de 2 mil hectares, constituindo um territ\u00f3rio de 132.631.509 de hectares. Essas grandes propriedades t\u00eam em m\u00e9dia 4.110,8 hectares, correspondendo a 31,6% do territ\u00f3rio. CF. LAUREANO, Delze dos Santos, O MST e a Constitui\u00e7\u00e3o, um sujeito hist\u00f3rico na luta pela reforma agr\u00e1ria no Brasil, Ed. Express\u00e3o Popular, S\u00e3o Paulo, 2007, p. 60.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftnref4\">[4]<\/a> Mt 21,12-13; Mc 11,15-19; Lc 19,45-46 e Jo 2,13-17.<\/p>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/FREI%20GILVANDER\/Documents\/Jesus%20de%20Nazar%C3%A9,%20um%20profeta%20radical%20-%20p%20site%20-%205a%20parte%20-%20por%20Gilvander%20-%2010%2012%202012.doc#_ftnref5\">[5]<\/a> Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra \u2013 <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/\">www.mst.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus de Nazar\u00e9, um profeta radical? A B\u00edblia respira profecia (Parte 5) Gilvander Lu\u00eds Moreira[1] 2.6 \u2013 Jesus de Nazar\u00e9, um profeta que se tornou Cristo. Jesus, o galileu de Nazar\u00e9, se tornou Cristo, filho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}