{"id":222,"date":"2013-01-01T17:50:11","date_gmt":"2013-01-01T19:50:11","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=222"},"modified":"2013-01-01T17:50:11","modified_gmt":"2013-01-01T19:50:11","slug":"so-se-eu-arranjasse-uma-coluna-de-ferro-pra-agueentar-mais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/so-se-eu-arranjasse-uma-coluna-de-ferro-pra-agueentar-mais\/","title":{"rendered":"\u201cS\u00f3 se eu arranjasse uma coluna de ferro pra ag\u00fcentar mais&#8230;\u201d"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u201cS\u00f3 se eu arranjasse uma coluna de ferro pra ag\u00fcentar mais&#8230;\u201d<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"font-size: small;\">Gilvander Lu\u00eds Moreira<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>(S\u00edntese de Tese de Doutorado sobre o que acontece com os trabalhadores rurais na colheita do feij\u00e3o no munic\u00edpio de Una\u00ed, Noroeste de Minas.)<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Primeiras palavras&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, agradecemos, de cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 Dra. Magali Costa Guimar\u00e3es pela pesquisa realizada junto aos trabalhadores da colheita de feij\u00e3o no munic\u00edpio de Una\u00ed, que, al\u00e9m da grande produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, est\u00e1 sendo questionado, porque, segundo Relat\u00f3rio do deputado federal Padre Jo\u00e3o: \u201cEm m\u00e9dia, por ano 1.260 pessoas contraem c\u00e2ncer no munic\u00edpio de Una\u00ed\u201d, o que \u00e9 grav\u00edssimo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>A Tese de Magali \u00e9 mais um argumento cient\u00edfico que temos para fortalecer a luta pela produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis e de qualidade, sem agrot\u00f3xicos, com respeito \u00e0 dignidade dos trabalhadores. A Tese, abaixo, resumida, demonstra a grande injusti\u00e7a que envolve a produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o pelo agroneg\u00f3cio no Noroeste de Minas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso indiscriminado de agrot\u00f3xicos adoece inclusive os trabalhadores da colheita do feij\u00e3o. O pagamento por produ\u00e7\u00e3o imp\u00f5e a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, o que arrebenta com a sa\u00fade dos trabalhadores. As condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de transporte, a b\u00f3ia fria, as deficientes condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, a concorr\u00eancia incentivada entre os trabalhadores, dentre outros fatores, afetam dramaticamente a sa\u00fade dos trabalhadores. Muito mal-estar e pouco bem-estar! Enfim, o custo humano envolvido na produ\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o \u00e9 enorme, infelizmente n\u00e3o \u00e9 considerado na hora de alardear Una\u00ed como um celeiro de graus. Quantos trabalhadores est\u00e3o ficando com a coluna arrebentada? Quantos foram encostados porque se desgastaram na colheita do feij\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembrete importante:<\/strong> Quem come feij\u00e3o deveria conhecer os trabalhadores rurais que arrancam feij\u00e3o, ouvi-los, dialogar com eles. Se isso n\u00e3o for poss\u00edvel, ler na \u00edntegra a Tese da Dra. Magali Costa Guimar\u00e3es, disponibilizada na internet. Se n\u00e3o arrumar tempo para ler a Tese, pelo menos, sugiro, leia o Resumo da Tese que apresento, abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um sentimento de gratid\u00e3o \u00e0 Dra. Magali Costa Guimar\u00e3es pela realiza\u00e7\u00e3o da Tese, eis, abaixo, Resumo da Tese sobre o Custo Humano dos trabalhadores na colheita de feij\u00e3o no munic\u00edpio de Una\u00ed, MG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arinos, MG, 01 de janeiro de 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira, <a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 \u2013 Resumo da Tese de doutorado de Magali Costa sobre o Custo Humano na Produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o no Munic\u00edpio de Una\u00ed, Noroeste de Minas Gerais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tese de doutorado de Magali Costa Guimar\u00e3es, em Psicologia Social, pela UNB, Bras\u00edlia, 2007 \u2013 disponibilizada na internet<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/GILVANDER\/Documents\/S%C3%B3%20se%20eu%20arranjasse%20uma%20coluna%20de%20ferro%20pra%20ag%C3%BCentar%20mais%20-%20Agroneg%C3%B3cio%20do%20feij%C3%A3o%20em%20Una%C3%AD%20esfola%20trabalhadores%20-%20tese%20de%20doutorado%20da%20UNB%20-%2029%2012%202012.docx#_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; , com o tema: <strong>\u201cS\u00f3 se eu arranjasse uma coluna de ferro pra ag\u00fcentar mais&#8230;\u201d &#8211; Contexto de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, custo humano do trabalho e viv\u00eancias de bem-estar e mal-estar entre trabalhadores rurais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo investigou trabalhadores rurais pertencentes a um Condom\u00ednio Rural, localizado em Una\u00ed\/MG, que realizam a atividade de arranquio e ajuntamento do feij\u00e3o. O Condom\u00ednio Rural Verde Gr\u00e3o \u00e9 um Cons\u00f3rcio de Empregadores e foi um dos pioneiros do Estado. Conforme a Portaria no. 1.964 de 01\/12\/1999, Cons\u00f3rcio de Empregadores Rurais refere-se \u00e0 jun\u00e7\u00e3o de produtores rurais, pessoas f\u00edsicas, com objetivo \u00fanico de contratar empregados rurais (BRASIL, 2002). A cria\u00e7\u00e3o de Condom\u00ednios ou Cons\u00f3rcios Rurais foi uma das alternativas encontradas para a formaliza\u00e7\u00e3o do trabalho no campo. Sua cria\u00e7\u00e3o \u00e9 incentivada onde h\u00e1 sazonalidade da produ\u00e7\u00e3o que acaba por impor a contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra tempor\u00e1ria e abre espa\u00e7o para o aliciamento e, em certas regi\u00f5es, para o trabalho for\u00e7ado (BRASIL, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde sua funda\u00e7\u00e3o, o Condom\u00ednio j\u00e1 realizou mais de vinte mil contrata\u00e7\u00f5es, sendo, portanto, um importante empregador de trabalhadores rurais na Regi\u00e3o. Atualmente, 167 grandes e m\u00e9dios produtores rurais do Munic\u00edpio de Una\u00ed e de Munic\u00edpios vizinhos fazem parte do Condom\u00ednio, incluindo-se mais de 200 propriedades atendidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nos resultados concluiu-se que: a) as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dispon\u00edveis aos trabalhadores rurais ainda requerem transforma\u00e7\u00f5es que levem em considera\u00e7\u00e3o o seu bem-estar. Identificou-se, entre outras coisas, que a aus\u00eancia ou a improvisa\u00e7\u00e3o de Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual, a forma de remunera\u00e7\u00e3o adotada, bem como a gest\u00e3o do absente\u00edsmo pela Organiza\u00e7\u00e3o t\u00eam contribu\u00eddo para elevar o custo humano do trabalho; b) a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho tende a seguir uma l\u00f3gica produtivista, de vi\u00e9s taylorista, ao igualar todos os trabalhadores e nivelar suas qualidades. O pagamento por produ\u00e7\u00e3o adotado \u00e9 fruto desta premissa e revela-se perverso, impondo determinado ritmo aos trabalhadores, refletindo nas rela\u00e7\u00f5es socioprofissionais e pode estar, ainda, na etiologia das doen\u00e7as osteomusculares relacionadas ao trabalho, bastantes comuns entre os trabalhadores dedicados a esta atividade; c) a atividade requer que os trabalhadores adotem uma postura inc\u00f4moda e lesiva; exige a execu\u00e7\u00e3o de movimentos repetitivos com os membros superiores, caracterizando-se por elevada exig\u00eancia f\u00edsica, contribuindo, assim, para a eleva\u00e7\u00e3o do absente\u00edsmo, para o surgimento das doen\u00e7as osteomusculares e, juntamente com as condi\u00e7\u00f5es de vida material desta popula\u00e7\u00e3o, colaboram para o desgaste e envelhecimento precoce dos trabalhadores; d) as estrat\u00e9gias de media\u00e7\u00e3o adotadas pelos trabalhadores pouco contribuem para amenizar as fortes exig\u00eancias da atividade e os aspectos contradit\u00f3rios do contexto produtivo; e) as viv\u00eancias de bem-estar resultam mais de uma forma de enfrentamento defensivo do que de identifica\u00e7\u00e3o ou sentimentos positivos em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho; f) prevalecem entre os trabalhadores rurais viv\u00eancias de mal-estar, identificadas nos sentimentos, atitudes e representa\u00e7\u00f5es negativas do trabalho reveladas em seus discursos. T\u00eam-se, com a investiga\u00e7\u00e3o, a confirma\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese formulada e as recomenda\u00e7\u00f5es propostas focam melhorias concernentes, principalmente, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Al\u00e9m de revelar a validade do suporte te\u00f3rico-metodol\u00f3gico para outros contextos produtivos, a pesquisa abre novas perspectivas de estudo necess\u00e1rias \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do contexto de trabalho rural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O campo, o mundo do trabalho rural, parece se constituir no \u2018patinho feio\u2019 da Psicologia, muito pouco estudado. Os instrumentos, os m\u00e9todos constru\u00eddos pela Psicologia s\u00e3o, segundo Albuquerque (2002, p. 38), \u201c[&#8230;] baseados e pensados para a popula\u00e7\u00e3o urbana\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve tamb\u00e9m um grande avan\u00e7o no que se refere \u00e0 mecaniza\u00e7\u00e3o, quimifica\u00e7\u00e3o e, mais recentemente, ao desenvolvimento de <em>softwares <\/em>que facilitam o gerenciamento e tomada de decis\u00f5es gerenciais (NANTES, 1997).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minas Gerais ocupa o segundo lugar na produ\u00e7\u00e3o de milho, feij\u00e3o e alho; o terceiro lugar na produ\u00e7\u00e3o de tomate e sexto na produ\u00e7\u00e3o de soja (FUNDA\u00c7\u00c3O JO\u00c3O PINHEIRO, 2003; INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL DE MINAS GERAIS, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Regi\u00e3o Noroeste \u00e9 a maior produtora de gr\u00e3os do Estado e tem sido vista como uma das mais promissoras, possuindo \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e de solo para a produ\u00e7\u00e3o dos mais diversos tipos de produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 denominada como \u2018celeiro de gr\u00e3os\u2019, possuindo a maior \u00e1rea irrigada da Am\u00e9rica Latina e sobressaindo-se na produ\u00e7\u00e3o de soja, feij\u00e3o, milho, algod\u00e3o, entre outros produtos agropecu\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Munic\u00edpio de Una\u00ed se sobressai na produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria do Noroeste. Em 2004 foi destacado como o maior produtor nacional de feij\u00e3o, ficando em oitavo lugar na produ\u00e7\u00e3o de sorgo e em d\u00e9cimo na produ\u00e7\u00e3o de milho. \u00c9, ainda, o Munic\u00edpio de maior extens\u00e3o territorial de Minas e possui o segundo maior rebanho bovino do Estado (PREFEITURA MUNICIPAL DE UNA\u00cd, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme afirma Salazar (1999), o \u2018poder de mando\u2019 \u00e9, ainda, o que prevalece nestas rela\u00e7\u00f5es. Este modelo de gest\u00e3o \u00e9 uma heran\u00e7a hist\u00f3rica com origem na forma\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria do Brasil, tendo sido j\u00e1 bastante retratado por historiadores e intelectuais (o poder dos grandes coron\u00e9is em s\u00e9culos passados \u00e9 um bom exemplo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade executada requer dom\u00ednio de t\u00e9cnicas e imp\u00f5e, muitas vezes, uma rotina di\u00e1ria, no m\u00ednimo, desgastante: hor\u00e1rios extremamente r\u00edgidos, com longas jornadas de trabalho; a quase inexist\u00eancia de dias para descanso; disciplina na execu\u00e7\u00e3o das tarefas; rigor e aten\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios b\u00e1sicos de seguran\u00e7a no trabalho; trabalho ao ar livre, sob sol ou sob chuva e longas dist\u00e2ncias a serem percorridas durante um dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OMS confirma o car\u00e1ter insalubre da atividade rural, demonstrando o aumento no n\u00famero de acidentes (com m\u00e1quinas e tamb\u00e9m animais pe\u00e7onhentos), les\u00f5es (as m\u00fasculo-esquel\u00e9ticas s\u00e3o bastante freq\u00fcentes entre trabalhadores rurais) e doen\u00e7as de toda ordem (c\u00e2ncer ocupacional, envenenamento com agrot\u00f3xicos, doen\u00e7as respirat\u00f3rias, infecciosas, parasitoses).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A colheita de feij\u00e3o \u00e9 realizada em muitas propriedades por trabalhadores informais chamados de \u2018b\u00f3ia-fria\u2019 ou \u2018clandestinos\u2019 que se submetem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho. A presen\u00e7a do clandestino acaba afetando o trabalho daqueles que est\u00e3o em rela\u00e7\u00f5es formalizadas. E, mesmo os formalizados, costumam atuar, quando necessitam, como trabalhadores clandestinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3tese levantada pela pesquisadora Magali Costa Guimar\u00e3es: As caracter\u00edsticas e \u2018contradi\u00e7\u00f5es\u2019 do <em>contexto de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola <\/em>\u2013 no qual se realiza o processo de colheita de feij\u00e3o \u2013 contribuem para intensificar o <em>custo humano do trab<\/em>alho dos trabalhadores rurais \u2013 n\u00e3o somente nos seus aspectos f\u00edsicos \u2013 mas tamb\u00e9m afetivos e cognitivos. Como decorr\u00eancia, prevalecem entre estes <em>viv\u00eancias de mal-estar no trabalho<\/em>, na medida em que as <em>estrat\u00e9gias de media\u00e7\u00e3o individual e coletiva <\/em>empregadas pelos trabalhadores podem n\u00e3o ser suficientes para superar de forma eficaz as exig\u00eancias do contexto de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de consenso entre historiadores e demais estudiosos que o modelo de desenvolvimento agr\u00edcola adotado no pa\u00eds favoreceu o crescimento de grandes propriedades e da produ\u00e7\u00e3o em escala, em detrimento da pequena propriedade, configurando uma concentra\u00e7\u00e3o de renda no campo e a pauperiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o camponesa e do trabalhador assalariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este desenvolvimento de \u201c\u00edmpeto modernizante\u201d (NAVARRO, 2001, p. 84), tendo como suporte o uso intensivo e crescente de aparatos tecnol\u00f3gicos &#8211; segundo Guilvant (1998) um modelo agr\u00edcola qu\u00edmico-mec\u00e2nico-gen\u00e9tico \u2013 teve evidentemente aspectos positivos. Contudo, os aspectos negativos tamb\u00e9m se fizeram presentes e, conforme afirmam Ribeiro <em>et al. <\/em>(1999), estes aspectos foram acentuados nos \u00faltimos anos. Dentre estes, os autores ressaltam: o aumento da sazonalidade do trabalho em fun\u00e7\u00e3o da tecnifica\u00e7\u00e3o, gerando subempregos permanentes ou mesmo o desemprego, desespacializa\u00e7\u00e3o do trabalho (deslocamento constante do trabalhador em busca de ocupa\u00e7\u00e3o, seja na cidade ou no campo), desaparecimento da identidade espec\u00edfica de trabalhador rural, e ainda baixa remunera\u00e7\u00e3o e desqualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freq\u00fcentemente, trabalhadores eram levados ao Pronto Socorro Municipal com queixas de dores, les\u00f5es constantes no punho e na coluna), al\u00e9m disso, ressaltou os problemas, tamb\u00e9m freq\u00fcentes, de alcoolismo e de uso de drogas, por parte dos trabalhadores rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia, assim, um total de 372 (trezentos e setenta e dois) trabalhadores contratados divididos em 6 turmas de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intensifica\u00e7\u00e3o do modelo capitalista no campo, trazendo consigo suas contradi\u00e7\u00f5es e a crescente expropria\u00e7\u00e3o do trabalhador (IANNI, 1984), bem como demais problemas advindos do modelo de desenvolvimento agr\u00edcola adotado no Pa\u00eds, principalmente no que se refere aos seus aspectos s\u00f3cio-pol\u00edticos e econ\u00f4micos, repercutiram nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho no campo e contribu\u00edram para a presen\u00e7a e preval\u00eancia do trabalho tempor\u00e1rio e informal. As denomina\u00e7\u00f5es: trabalhador volante, b\u00f3ia-fria, b\u00f3ia-quente, safrista, safreiro, trabalhador de fora, trabalhador clandestino, dentre outras, \u2013 utilizadas conforme a regi\u00e3o do pa\u00eds \u2013 expressam a temporalidade da atividade e remetem a esta informalidade, que relegou seus ocupantes a condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho muitas vezes subumanas. Possibilitou ainda, diferentes formas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, com o surgimento inclusive de <em>gangsysten<\/em>44. Neste sistema aparece a figura do agenciador ou intermedi\u00e1rio que recruta e organiza as atividades a serem executadas. Nas regi\u00f5es Sul e Sudeste do pa\u00eds este agenciador \u00e9 denominado por \u2018<em>gato<\/em>\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fun\u00e7\u00e3o desta produ\u00e7\u00e3o intensiva de seus cond\u00f4minos, o Condom\u00ednio Rural Verde Gr\u00e3o j\u00e1 realizou, desde sua implanta\u00e7\u00e3o, mais de vinte mil contrata\u00e7\u00f5es. Fatores diversos como eventos clim\u00e1ticos ou mesmo a mecaniza\u00e7\u00e3o dos processos produtivos tem reduzido paulatinamente o n\u00famero de contrata\u00e7\u00f5es a cada ano (AGRO JORNAL, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A irriga\u00e7\u00e3o, no Noroeste de Minas, para este tipo de lavoura, \u00e9 comumente feita por meio de \u2018piv\u00f4 central\u2019. Trata-se de um sistema de irriga\u00e7\u00e3o composto de uma tubula\u00e7\u00e3o met\u00e1lica onde s\u00e3o instalados aspersores, em torres m\u00f3veis e eq\u00fcidistantes, que recebem a \u00e1gua de um ponto central e se movimentam em torno deste eixo, com velocidade e volume de \u00e1gua controlados, de acordo com a necessidade da cultura (PIV\u00d4, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a realiza\u00e7\u00e3o dessa atividade \u2013 arranquio e ajuntamento \u2013 os trabalhadores adotam uma postura com o dorso totalmente inclinado para baixo, para ter acesso aos p\u00e9s de feij\u00e3o. Ao mesmo tempo, caminham sobre as linhas de feij\u00e3o, movimentando rapidamente m\u00e3os e bra\u00e7os para processar o arranquio. Permanecem inclinados para baixo, aproximadamente, quatro e seis horas de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem ainda alguns fatores que afetam o arranquio, podendo torn\u00e1-lo mais dif\u00edcil, pesado ou \u2018mais bravo\u2019, diria o trabalhador: o tipo de solo, a umidade do solo, a intensidade de ervas daninhas ou infestantes (o pic\u00e3o48, por exemplo) por entre o feij\u00e3o, assim como, o fato da planta estar mais verde (antes do ponto adequado para a colheita). Aspectos clim\u00e1ticos tamb\u00e9m contribuem para ampliar a exig\u00eancia da tarefa, como a temperatura elevada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi poss\u00edvel presenciar os trabalhadores realizando a colheita (o arranquio e o ajuntamento do feij\u00e3o):<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>sob c\u00e9u aberto, temperatura elevada e muito vento; <\/li>\n<li>sob c\u00e9u aberto, sol forte, muito vento e muitos insetos; <\/li>\n<li>sob tempo nublado, com muito vento e poeira; <\/li>\n<li>sob c\u00e9u nublado, mas com temperatura elevada (morma\u00e7o) e muito vento e poeira; <\/li>\n<li>sob sol quente, vento e <span style=\"text-decoration: underline;\">odor de defensivo agr\u00edcola<\/span>; <\/li>\n<li>sob tempo nublado, mais fresco, mas, por vezes, <span style=\"text-decoration: underline;\">o odor do defensivo agr\u00edcola era trazido pelo vento. <\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas caracter\u00edsticas do ambiente, onde se realiza a atividade de colheita, s\u00e3o, juntamente com outros fatores, respons\u00e1veis por algumas queixas dos trabalhadores, como dores de cabe\u00e7a, fraqueza, irrita\u00e7\u00e3o dos olhos, nariz e garganta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m se ouviu, por parte dos trabalhadores, muitos coment\u00e1rios e <span style=\"text-decoration: underline;\">queixas sobre o uso de produtos qu\u00edmicos na planta (denominados por eles como \u201c<em>veneno<\/em><\/span>\u201d), alguns relatam que o cheiro faz com que tenham dores de cabe\u00e7a e mal-estar. Outros se queixam, pois acham que, muitas vezes, os produtores n\u00e3o esperam o prazo correto \u2013 per\u00edodo de car\u00eancia \u2013 para colher (segundo alguns, de tr\u00eas dias), da\u00ed acabam passando mal na hora de processar o arranquio. O \u201c<em>veneno<\/em>\u201d aparece, inclusive, como resposta do trabalhador \u00e0 pergunta: \u201c<em>o que em seu trabalho n\u00e3o te faz sentir bem?<\/em>\u201d \u00c9 o \u201c<em>veneno<\/em>\u201d, junto com outras caracter\u00edsticas das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, da atividade e da organiza\u00e7\u00e3o, gerador de mal-estar no trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, mais do que mal-estar, os problemas de sa\u00fade e adoecimentos ligados ao uso indevido ou \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a agrot\u00f3xicos j\u00e1 foram identificados em diferentes estudos (ALGUACIL <em>et al.<\/em>, 2000; FRANK <em>et al<\/em>., 1997; FUNDACENTRO, 200-; SOARES <em>et al.<\/em>, 2003) que revelam ser uma ocorr\u00eancia bastante comum no setor agr\u00edcola. Os estudos citados mostram que este uso e\/ou exposi\u00e7\u00e3o tem sido respons\u00e1vel por doen\u00e7as respirat\u00f3rias, no sistema reprodutivo \u2013 infertilidade, abortos, dentre outras \u2013 e diferentes formas de manifesta\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer. Portanto, as queixas n\u00e3o deixam de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de maior cuidado por parte da Organiza\u00e7\u00e3o e dos produtores a ela vinculados. Mesmo porque, conforme ressaltado nos itens anteriores, percebeu-se o cheiro de produto qu\u00edmico no ar, em duas visitas realizadas em uma mesma propriedade. Em uma das vezes, havia uma embalagem deste tipo de produto muito pr\u00f3ximo a um dos \u00f4nibus onde estavam descansando os trabalhadores que j\u00e1 haviam encerrado suas atividades. Em outra, ocorreu algo que j\u00e1 havia sido comentado no campo pelos trabalhadores. Enquanto processavam o arranquio, m\u00e1quinas agr\u00edcolas trabalhavam em outras \u00e1reas de plantio, provavelmente utilizando algum tipo de produto que, mesmo distante, emanava um cheiro caracter\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os arranh\u00f5es com a planta podem \u2018queimar\u2019 \u2013 segundo um dos trabalhadores entrevistados \u2013 em fun\u00e7\u00e3o do agrot\u00f3xico colocado, como ressaltado: \u201c<em>\u00e9 que <span style=\"text-decoration: underline;\">eles coloca muito veneno<\/span> na lavoura e acaba com a sa\u00fade da gente, secante, estes trem, n\u00e9? E a gente pega l\u00e1 e chega a queimar o bra\u00e7o da gente <\/em>[&#8230;]\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o m\u00e9dico do trabalho da Organiza\u00e7\u00e3o (MATSUURA, 2001), em um levantamento sobre as queixas dos trabalhadores que atuavam no Condom\u00ednio no referido ano, ao ser \u2018empurrado\u2019 para frente em fun\u00e7\u00e3o do salto da botina, o trabalhador tem que contrair a musculatura dorsal para manter o equil\u00edbrio, com isso, aumenta a carga sofrida na coluna lombar. Ao que tudo indica, o que eleva \u00e9 a for\u00e7a exigida pela musculatura de sustenta\u00e7\u00e3o da coluna. Ele acredita que o uso da botina faz, realmente, ampliar as dores lombares sentidas pelos trabalhadores rurais dedicados a esta atividade. Al\u00e9m disso, o ch\u00e3o molhado da \u00e1rea plantada costuma tornar as botinas \u2018pesadas\u2019, na medida em que o barro vai acumulando em seu solado. Ao inv\u00e9s de parar para tirar o barro \u2013 comportamento que \u2018demandaria tempo\u2019, os trabalhadores preferem retir\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria n\u00e3o usa luvas, nem botinas e nem \u00f3culos de prote\u00e7\u00e3o contra poeira e ramos que podem afetar os olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tipo de acidente por \u00falcera de c\u00f3rnea e\/ou f\u00fangica, ocorre quando, ao realizar o arranquio, as ramas do feij\u00e3o atingem os olhos do trabalhador. Ao que tudo indica, os acidentes por este motivo podem ter levado a incapacidade permanente parcial ou mesmo a incapacidade total permanente, o que parece ter sido o caso. Este tipo de acidente parece ser comum com trabalhadores dedicados a esta atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recebimento por produ\u00e7\u00e3o parece tamb\u00e9m contribuir para ampliar o custo humano do trabalho. Isto ocorre, na medida em que, parte dos trabalhadores acaba se esfor\u00e7ando para ganhar mais, realizando maior n\u00famero de tarefas. As conseq\u00fc\u00eancias disto recaem perversamente sobre o corpo dos trabalhadores, afetando sua sa\u00fade e bem-estar f\u00edsico. Este esfor\u00e7o faz elevar o n\u00famero de adoecimentos e de absente\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O valor recebido por cada trabalhador depende do n\u00famero de tarefas cumpridas. J\u00e1 ressaltado, cada tarefa equivale a nove pavios de cinq\u00fcenta e cinco metros, sendo o valor, por tarefa, de quinze reais. Este valor, estabelecido por acordo coletivo, \u00e9 fonte de muitas queixas entre os trabalhadores que ressaltam a necessidade de, pelo menos, pagar de forma diferenciada o \u2018feij\u00e3o bom\u2019 e o \u2018feij\u00e3o ruim\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Realidade dura e cruel vem \u00e0 tona a partir da palavra dos trabalhadores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Geralmente, tem dia que a gente [&#8230;], v<span style=\"text-decoration: underline;\">ai chegando o final da semana, a gente vai na marra, entendeu<\/span>? Eu levanto, assim, o rel\u00f3gio desperta, assim, ai eu falo: <span style=\"text-decoration: underline;\">Meu Deus! Ser\u00e1 que eu vou ter que ir? <\/span>Mas a gente pensa no dia de amanh\u00e3, n\u00e9? [&#8230;]<\/em>\u201d (TR 22, 45 anos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>O que n\u00e3o me faz sentir bem \u00e9 quando eu t\u00f4 cansado e tenho que levantar. <span style=\"text-decoration: underline;\">Tenho que levantar na marra! C\u00ea t\u00e1 com sono e o despertador barulha, tira da cama e a gente tem que ir, e eu n\u00e3o gosto de falhar <\/span>[&#8230;]\u201d <\/em>(TR1, 43 anos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] Mais dif\u00edcil \u00e9 levantar.,<span style=\"text-decoration: underline;\">Tem dia que a gente amanhece todo doendo, \u00e9 obrigado a ir. \u00c0s vez, a gente t\u00e1 com uma dorzinha e n\u00e3o sabe o que \u00e9, mas o jeito \u00e9 ir, sen\u00e3o eles corta dois dias da gente<\/span>.<\/em>\u201d (TR 5, 69 anos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em><span style=\"text-decoration: underline;\">A hora que a gente levanta<\/span>, tem dia que, \u00e0s vezes, <span style=\"text-decoration: underline;\">at\u00e9 a gente pensa que num d\u00e1 conta de trabalhar n\u00e3<\/span>o [&#8230;] porque tem dia que parece que a gente n\u00e3o presta pra trabalhar mesmo. <span style=\"text-decoration: underline;\">Mas tem de reagir <\/span>[&#8230;]\u201d <\/em>(TR 6, 64 anos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Ent\u00e3o, a <span style=\"text-decoration: underline;\">gente, \u00e0s vezes, se obriga a ir<\/span>. Por isso, sabe? [&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">porque a\u00ed, eles num desconta do sal\u00e1rio da gente<\/span>.<\/em>\u201d (TR12, 58 anos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>[&#8230;] \u00e0s vezes, tem dia que faz cansar mais. \u00c0s vezes oc\u00ea vai hoje, amanh\u00e3 num vai. A\u00ed c\u00ea fica naquela, vou dar uma descansada.<\/em>\u201d (TR33, 36 anos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o tem jeito de melhorar. Pra melhorar mesmo <span style=\"text-decoration: underline;\">tinha que ter menos tarefa<\/span>. Diminuir [&#8230;] Tem dia que a gente vai muito longe e <span style=\"text-decoration: underline;\">isso acaba com o corpo da gente.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se eu pudesse mudar, era aumentar mais o servi\u00e7o, n\u00e9? Porque num dou conta. <span style=\"text-decoration: underline;\">A gente ta sempre diminuindo pela idade, n\u00e9<\/span>?. A gente tem vontade de aumentar mais a produ\u00e7\u00e3o, mas se aumenta, a <span style=\"text-decoration: underline;\">gente n\u00e3o consegue muito, porque a idade j\u00e1 ta meio vencida, <\/span>n\u00e9? <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;] o sal\u00e1rio que \u00e9 meio pouco. <span style=\"text-decoration: underline;\">Porque, \u00e0s vez, num \u00e9 porque o pre\u00e7o \u00e9 pouco, \u00e9 a varieda<\/span>de do tipo de servi\u00e7o. Porque tem tipo de servi\u00e7o que num d\u00e1 produ\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O que me faz sentir bem, por exemplo, se a gente vai prum trabalho, pega um servi\u00e7o bom. <span style=\"text-decoration: underline;\">Ali a produ\u00e7\u00e3o rende <\/span>e a gente se sente bem com aquilo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"text-decoration: underline;\">A\u00ed, a gente ganha por produ\u00e7\u00e3o, n\u00e9? \u00c9 o que fizer. Se eu tirar s\u00f3 meia [&#8230;], \u00e9 quinze conto a tarefa, se eu tirar meia tarefa a\u00ed j\u00e1 \u00e9 sete e cinq\u00fcenta. Se eu num fizer nada, num ganho nada<\/span><\/em><em>. Se eu tirar duas eu ganho trinta. \u00c9 quinze a tarefa, n\u00e9? [&#8230;]. [&#8230;] \u00c0s vez, tem vez que pega um servi\u00e7o bom, tem vez que pega um ruim demais, a\u00ed tem gente boa de servi\u00e7o, que \u00e0s vez tira s\u00f3 meia, num g\u00fcenta mais nada. <span style=\"text-decoration: underline;\">Eu esfor\u00e7o pra tirar uma. Mas tem vez que acontece de eu tirar meia, ganhar s\u00f3 sete e cinq\u00fcenta <\/span>[&#8230;]. [&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">Eles num gosta que a gente tira meia tarefa n\u00e3o.Tem que tirar ao meno uma <\/span>[&#8230;].<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;] devido o servi\u00e7o ser pesado, a gente trabalha, deu,n\u00e9? Ent\u00e3o, <span style=\"text-decoration: underline;\">a gente tem que esfor\u00e7ar muito. <\/span>O feij\u00e3o tando b\u00e3o, porque falo feij\u00e3o \u00e9 porque o que d\u00e1 mais \u00e9 o feij\u00e3o, n\u00e9? Que a hora que n\u00f3s vai pra outro servi\u00e7o, igual n\u00f3s j\u00e1 trabalhou, n\u00e9? \u00c9 quinze real por dia. Ent\u00e3o num rendia nada, n\u00e9? [&#8230;]. [&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">E o feij\u00e3o sendo b\u00e3o, pra a gente tirar, assim, eu tando b\u00e3o, eu esfor\u00e7o pra tirar duas tarefas<\/span>. J\u00e1 tirei at\u00e9 tr\u00eas, mas se eu tiver ruim, \u00e9 uma e meia, duas s\u00f3,n\u00e9? <span style=\"text-decoration: underline;\">Ent\u00e3o, eu tor\u00e7o que o feij\u00e3o teja b\u00e3o e eles deixa eu trabalhar, porque eu termino junto com os outros tamb\u00e9m,n\u00e9<\/span>?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;] n\u00e3o tem quantidade, <span style=\"text-decoration: underline;\">agora como \u00e9 por produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 a gente mesmo que se esfor\u00e7a<\/span>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ah, \u00e9 s\u00f3 mais sa\u00fade, porque minha sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 muito boa<span style=\"text-decoration: underline;\">. Eu tenho vontade de trabalhar mais, mas eu sei que num dou conta<\/span>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tem <span style=\"text-decoration: underline;\">vez que a gente faz tanta for\u00e7a que cai<\/span>, porque o servi\u00e7o \u00e9 pesado, duro [&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">a gente faz o que d\u00e1 conta, porque, sen\u00e3o, estora o corpo de uma vez e depois num d\u00e1 ag\u00fcenta fazer muito <\/span>[&#8230;] <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;] porque se oc\u00ea faltar, eles tacam palha em voc\u00ea, fica pior.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">s\u00f3 se eu arrumasse uma coluna de ferro pra ag\u00fcentar mais (rsss),pra aumentar o trabalho mais aind<\/span>a, sabe?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como bem ressaltou Marx (1982, p. 178), <strong>\u201cpode-se fazer com que um homem gaste em 1 hora tanta for\u00e7a vital como antes, em duas.\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[&#8230;] <em>um \u00f4nibus melhor, que t<span style=\"text-decoration: underline;\">em um \u00f4nibus que entra muita poeira<\/span>. A gente fica muito <\/em>[<em>&#8230;<\/em>]<em>, uns \u00f4nibus mais confort\u00e1vel, as cadeira. Estes \u00f4nibus at\u00e9 que \u00e9 bom, mas <span style=\"text-decoration: underline;\">a gente pega umas estrada ruim, d\u00e1 muito baque, chega l\u00e1 com o corpo doendo pra trabalhar<\/span>. <\/em>(TR 25, 49 anos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como afirma Wisner (1987), as pessoas que enfrentam trabalhos mais penosos s\u00e3o as que tamb\u00e9m enfrentam condi\u00e7\u00f5es de transportes mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recorrendo novamente \u00e0 NR 31, no que se refere ao transporte de trabalhadores, a Norma recomenda transportes com acentos em espuma, presen\u00e7a de cintos de seguran\u00e7a e encosto. Na pr\u00e1tica, isto nem sempre \u00e9 feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As precariedades nas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho s\u00e3o vistas como \u2018naturais\u2019, dificultando uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Como afirma Wisner (1987), a vontade dos trabalhadores de defenderem suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho est\u00e1 atrelada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais. Onde, muitas vezes, a necessidade de manter-se ou de encontrar um trabalho sobrepuja a necessidade mais imediata de melhoria em termos de condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dia t\u00edpico de um trabalhador rural durante a safra de feij\u00e3o: <\/strong>Acordar: 02:00 \u00e0s 02:30; Arrumar a marmita e Pegar o \u00f4nibus: 2:30 \u00e0s 4:30; Chegar \u00e0 Fazenda e iniciar o trabalho: 05:30 \u00e0s 06:30; Encerrar a atividade: 10:00 \u00e0s 13:30; Chegar a casa: 14:30 \u00e0s 18:00; Dormir: 19:30 \u00e0s 21:00,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada trabalhador leva sua matula. \u00c9 ele quem arca com as despesas de seu lanche ou almo\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interfer\u00eancias das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, da variabilidade intra e interindividual e da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho sobre a conduta do trabalhador:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cGostaria que voc\u00ea me contasse como \u00e9 um dia t\u00edpico de seu trabalho\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Variabilidade intra e interindividual: <em>\u201c[&#8230;] Lancho sim, <span style=\"text-decoration: underline;\">paro cedo l\u00e1 pra lanchar. S\u00f3 almo\u00e7o quando venho embora<\/span>, dentro do \u00f4nibus, no \u00f4nibus, na hora em que eu venho embora. <span style=\"text-decoration: underline;\">Porque se for pra eu almo\u00e7ar e ir trabalhar eu n\u00e3o dou conta, porque a gente [&#8230;], v\u00e9io n\u00e9? <\/span>A comida at\u00e9 volta\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] S\u00f3 mesmo a marmita e a \u00e1gua, a garrafa, a\u00ed eu pego e <span style=\"text-decoration: underline;\">tomo um cafezinho em casa<\/span>. N\u00f3s chegamos l\u00e1 seis horas, seis e meia [&#8230;] <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">N\u00e3o, n\u00e3o p\u00e1ra. S\u00f3 p\u00e1ra quando vem embora, l\u00e1 pelo meio-dia e meio, uma hora<\/span>, [&#8230;]. Levo s\u00f3 almo\u00e7o. <span style=\"text-decoration: underline;\">Nada, n\u00e3o paro pra nada, nada, nada, \u00e9 direto, direto, tem vez que a gente custando levantar o p\u00e9, sair do lugar, mas enquanto n\u00e3o termina n\u00e3o p\u00e1ra<\/span>. \u00c9 porque a gente come\u00e7ou, <span style=\"text-decoration: underline;\">se a gente parar um pouquinho desanima, n\u00e9? Dana a doer a coluna, as pernas<\/span>. [&#8230;] ent\u00e3o, se a gente t\u00e1 com o sangue quente tem que pegar e terminar\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] N\u00e3o, eu mesmo [&#8230;], igual, antigamente, <span style=\"text-decoration: underline;\">no in\u00edcio, quando eu comecei, eu gostava assim, de marcar o trabalho, uma tarefinha normal, quando eu era mais novo<\/span>,[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] Pra volta, a base \u00e9 meio-dia, <span style=\"text-decoration: underline;\">quando a gente t\u00e1 mais animado assim<\/span>, <span style=\"text-decoration: underline;\">a gente deixa pra lanchar depois que acaba, quando p\u00e1ra o servi\u00e7o, mas tem veiz que a gente t\u00e1 meio desanimado<\/span>, p\u00e1ra, lancha primeiro, depois trabalha mais. Eu levo mais \u00e9 o lanche, p\u00e3o com carne, estas coisas assim. <span style=\"text-decoration: underline;\">Almo\u00e7o a hora que chego <\/span>[&#8230;]\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">eu por exemplo, paro mais cedo, a coluna n\u00e3o ag\u00fcenta muito tempo <\/span>[&#8230;]. <span style=\"text-decoration: underline;\">A base de trabalhar \u00e9 cinco, seis horas de servi\u00e7o num dia. N\u00e3o d\u00e1 pra mais n\u00e3o. Seis horas eu ag\u00fcento, mas mais n\u00e3o tem jeito n\u00e3o<\/span>. Seis horas de servi\u00e7o e eu j\u00e1 t\u00f4 parando. N\u00e3o, a maioria praticamente come alguma coisa cedo, <span style=\"text-decoration: underline;\">outros n\u00e3o comem nada <\/span>[&#8230;] e trabalho e <span style=\"text-decoration: underline;\">almo\u00e7o s\u00f3 quando termina a tarefa<\/span>. Eu fa\u00e7o assim, <span style=\"text-decoration: underline;\">enquanto t\u00f4 trabalhando s\u00f3 bebo \u00e1gua, como um doce assim, mas a comida mesmo \u00e9 s\u00f3 quando termino a tarefa<\/span>\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o do trabalho:<\/strong><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] Eu esfor\u00e7o pra tirar uma, mas tem veiz que acontece de tirar meia, ganhar sete e cinq\u00fcenta [&#8230;]<span style=\"text-decoration: underline;\">, ganha pelo que fizer mesmo. Eles num gosta que a gente tira meia tarefa n\u00e3o, tem que tirar ao meno uma <\/span>[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">Paro um momentinho<\/span>, a gente p\u00e1ra um pouco, <span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o d\u00e1 tempo porque trabalho por produ\u00e7\u00e3o<\/span>, n\u00e9?. E <span style=\"text-decoration: underline;\">o tempo \u00e9 pouco <\/span>[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] a\u00ed \u00e9 <span style=\"text-decoration: underline;\">conforme o hor\u00e1rio de n\u00f3s sair \u00e9 que n\u00f3s levanta, passa este aperto<\/span>, este [&#8230;], muito sono [&#8230;], levantar, quando \u00e9 tr\u00eas horas, n\u00f3s tem que levantar duas e meia, n\u00e9? A\u00ed <span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o dorme quase, e va<\/span>i, se o feij\u00e3o tiver b\u00e3o, <span style=\"text-decoration: underline;\">o povo quer ganhar muito dinheiro, <\/span>ent\u00e3o chega tarde. Tem veiz que n\u00f3s tem chegado cinco horas, n\u00e3o d\u00e1 tempo nada, pra n\u00f3is descansar e temos que arrumar a marmita pra voltar [&#8230;]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230; ] mas <span style=\"text-decoration: underline;\">a gente pausa \u00e9 quando a gente quer porque o trabalho \u00e9 por produ\u00e7\u00e3o<\/span>, mas agora, geralmente, <span style=\"text-decoration: underline;\">quando acabo duas tarefas, duas e meia, a\u00ed eu almo\u00e7o <\/span>[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;} tem vez que p\u00e1ra, tem vez que p\u00e1ra na hora que acaba, n\u00e9? <span style=\"text-decoration: underline;\">Que \u00e9 por tarefa, n\u00e9? lanchar s\u00f3 na hora que acaba<\/span>. A hora que acaba n\u00f3s lancha e vem embora [&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] a respeito <span style=\"text-decoration: underline;\">da hora de vir embora, <\/span>n\u00e9, depende do feij\u00e3o e depende de n\u00f3s mesmo. Se o feij\u00e3o tiver b\u00e3o, o pessoal quer trabalhar mais, n\u00e9? <span style=\"text-decoration: underline;\">Porque c\u00ea ganha por produ\u00e7\u00e3o<\/span>, n\u00e9? Quanto mais n\u00f3s arrancamos, mais ganhamos, n\u00e9? \u00c9, quer trabalhar mais, aproveitar. A\u00ed sa\u00edmos mais tarde [&#8230;]. Quando t\u00e1 ruim, chega aqui uma hora. Tem dia que chegamos meio-dia, cansa, o feij\u00e3o fica mais pesado, a coluna d\u00f3i, n\u00e3o ag\u00fcenta muito, a\u00ed paramos mais cedo [&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Condi\u00e7\u00f5es de trabalho:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c\u00e9 variado, <span style=\"text-decoration: underline;\">tem vez que a gente pega umas \u00e1rea que est\u00e3o melhor<\/span>, ganha mais um pouco, <span style=\"text-decoration: underline;\">outras vez, \u00e9 ruim, ganha menos <\/span>[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cDe seis at\u00e9 meio-dia, [&#8230;], <span style=\"text-decoration: underline;\">conforme tiver o servi\u00e7o, melhor, pior<\/span>.[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do aspecto inc\u00f4modo da postura e das les\u00f5es que podem ocorrer, o fato de colocar-se com o dorso inclinado para baixo faz com que sejam comprimidos os \u00f3rg\u00e3os internos, inclusive o pulm\u00e3o, o que prejudica a oxigena\u00e7\u00e3o. Pode prejudicar, ainda, a digest\u00e3o, o funcionamento do intestino (causando gases) e dores na regi\u00e3o tor\u00e1xica. S\u00e3o estes os motivos que levam os trabalhadores a almo\u00e7arem somente ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da atividade, pois j\u00e1 sabem o mal-estar que a refei\u00e7\u00e3o pode causar. Os que \u2018pagaram para ver\u2019 contam que sofreram depois:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Depois do almo\u00e7o num trabalho mais n\u00e3o. <span style=\"text-decoration: underline;\">Depois que a gente almo\u00e7\u00e1, se for arranc\u00e1 feij\u00e3o, \u00e9 perigoso demais<\/span>. <span style=\"text-decoration: underline;\">Eu mesmo j\u00e1 arranquei depois que eu almo\u00e7ava e a\u00ed come\u00e7ava a passar mal<\/span>. Eu pensei assim, acho que \u00e9 esse trem que t\u00e1 fazendo eu passar mal. Almo\u00e7ar e depois arrancar feij\u00e3o. Porque a gente fica agachado, n\u00e9? E a comida fica querendo voltar. <\/em>(TR 32, 27 anos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como boa parte dos trabalhadores n\u00e3o costuma fazer pausas para recupera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da dor, costuma sentir c\u00e2imbras na regi\u00e3o das coxas e pernas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os problemas identificados nos documentos analisados \u2013 Atestados M\u00e9dicos e Comunica\u00e7\u00f5es de Acidente de Trabalho \u2013 est\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 tenossinovite nas m\u00e3os causadas por esfor\u00e7o excessivo ao arrancar e puxar;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 tenossinovite nos punhos, pelo mesmo motivo anterior;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 s\u00edndrome do t\u00fanel do carpo bilateral;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 luxa\u00e7\u00e3o, entorse e distens\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel do punho e da m\u00e3o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 tendinite no b\u00edceps do bra\u00e7o esquerdo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 distens\u00e3o do punho e antebra\u00e7o causado por acidente;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 tremor de membros superiores, hipocinesia bilateral;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 tenossinovite no antebra\u00e7o esquerdo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um n\u00famero maior de queixas est\u00e3o relacionadas \u00e0 dor\/desconforto\/inc\u00f4modo nos olhos, na cabe\u00e7a e, em menor n\u00famero, no nariz. Houve, ainda, queixas de c\u00e2imbras em diferentes partes do corpo. Os trabalhadores relataram que os motivos para os desconfortos mencionados s\u00e3o, principalmente, a poeira e o \u201c<em>veneno<\/em>\u201d, conforme denominam o produto qu\u00edmico utilizado na lavoura. Segundo eles, contribuem para gerar problemas de irrita\u00e7\u00e3o nos olhos, nariz e garganta; causam dores de cabe\u00e7a e problemas estomacais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs tra\u00e7os deixados pelo trabalho nos trabalhadores influenciam sua sa\u00fade e capacidade funcional. Impregnam sua vida profissional, social e econ\u00f4mica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dimens\u00e3o afetiva do custo humano do trabalho: \u201c&#8230; tem que ter<\/em> <em>coragem, porque se n\u00e3o tiver coragem, for\u00e7a de vontade, ningu\u00e9m faz este servi\u00e7o n\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exig\u00eancias da atividade na percep\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Em que seu trabalho te exige mais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cAcho que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, a gente gasta muito, a gente for\u00e7a muito, muito esfor\u00e7o principalmente na coluna, assim, sabe? Estresse nos ombros.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cExige mais <span style=\"text-decoration: underline;\">esfor\u00e7o f\u00edsico<\/span>\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O servi\u00e7o <span style=\"text-decoration: underline;\">prejudica muito a coluna, dor nas pernas<\/span>, essas coisas assim [..]\u201d. \u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Exige muito \u00e9 da coluna, muita for\u00e7a<\/span>, muita for\u00e7a na coluna e a <span style=\"text-decoration: underline;\">dor nas m\u00e3os de trabalhar.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">O trabalho exige muito porque a gente tem que ficar muito <\/span>[..], como se diz, <span style=\"text-decoration: underline;\">envergado<\/span>, n\u00e9? Porque \u00e9 baixo, tem que abaixar pra colher.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A hora que come\u00e7a at\u00e9 a hora que termina. <span style=\"text-decoration: underline;\">Exige mais da coluna<\/span>\u201d. \u201cPorque o b\u00f3ia-fria \u00e9 muito dif\u00edcil at\u00e9 de explicar, porque [&#8230;], \u00e9 uma coisa dif\u00edcil, porque l<span style=\"text-decoration: underline;\">evantar tr\u00eas horas da madrugada <\/span>[&#8230;], o cara tem que ter muita coragem, porque sen\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta. Porque tem que estar cem por cento pra arrancar feij\u00e3o. A pessoa pensa que \u00e9 mole, mas s\u00f3 quem vai e v\u00ea que \u00e9 uma coisa dif\u00edcil. Sa\u00fade mesmo. <span style=\"text-decoration: underline;\">Tem que ter muita sa\u00fade pra encarar<\/span>, porque sen\u00e3o num d\u00e1 conta de trabalhar n\u00e3o. [&#8230;] do corpo, eu <span style=\"text-decoration: underline;\">acho que \u00e9 uma das maiores gin\u00e1sticas que a gente faz. <\/span>\u00c9 pior do que nadar, do que trabalhar de chapa, que eu j\u00e1 trabalhei com isso tamb\u00e9m, essas coisas assim, carregar peso [&#8230;] eu acho pior porque a gente trabalhar agachado, <span style=\"text-decoration: underline;\">o movimento com a coluna \u00e9 muito forte<\/span>, dependendo do tipo do feij\u00e3o [&#8230;], ent\u00e3o, o movimento \u00e9 muito forte, porque a Senhora vai ver, a Senhora vai entrevistar muita gente aqui com s\u00e9rios problemas de coluna, mas hoje t\u00e1 dif\u00edcil demais at\u00e9 pra encostar com esse problema de coluna [&#8230;]\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> \u201cAh, levantar cedo, <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e9, acordar cedo, \u00e9 cansativo demais<\/span>\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO meu tamb\u00e9m me exige tamb\u00e9m esses tipos de coisas. Conviv\u00eancia, primeiramente, fazer o servi\u00e7o bem feito e a gente ter persist\u00eancia no servi\u00e7o.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO trabalho nosso exige tamb\u00e9m [&#8230;] porque l\u00e1 a <span style=\"text-decoration: underline;\">gente tem que ter paci\u00eancia tamb\u00e9m, se l\u00e1 n\u00e3o tiver paci\u00eancia n\u00e3o consegue n\u00e3o<\/span>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO que exige mais?<span style=\"text-decoration: underline;\">Acho que \u00e9 coragem, porque pra enfrentar este tipo de servi\u00e7o tem que ter coragem<\/span>, porque se n\u00e3o tiver coragem, for\u00e7a de vontade, ningu\u00e9m faz este servi\u00e7o n\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil. Porque \u00e9 um servi\u00e7o ruim, n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o bom. A pessoa <span style=\"text-decoration: underline;\">tem que ter uma boa coluna<\/span>, principalmente pra trabalhar, porque se n\u00e3o tiver uma boa coluna pra trabalhar n\u00e3o vai [&#8230;]. \u00c9, <span style=\"text-decoration: underline;\">c\u00ea sai de madrugada de casa, <\/span>c\u00ea entra dentro do \u00f4nibus, igual, a pessoa, igual eu que n\u00e3o fumo, n\u00e9?Ent\u00e3o, c\u00ea tem os problema dos fumantes atr\u00e1s da gente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, entendeu? Ent\u00e3o, <span style=\"text-decoration: underline;\">este servi\u00e7o \u00e9 s\u00f3 sofrimento, <\/span>chega l\u00e1 voc\u00ea trabalha, \u00e0s vezes \u00e9 um servi\u00e7o ruim, um feij\u00e3o ruim\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO que exige mais?<span style=\"text-decoration: underline;\">Acho que \u00e9 coragem, porque pra enfrentar este tipo de servi\u00e7o tem que ter coragem<\/span>, porque se n\u00e3o tiver coragem, for\u00e7a de vontade, ningu\u00e9m faz este servi\u00e7o n\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil. Porque \u00e9 um servi\u00e7o ruim, n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o bom. A pessoa <span style=\"text-decoration: underline;\">tem que ter uma boa coluna<\/span>, principalmente pra trabalhar, porque se n\u00e3o tiver uma boa coluna pra trabalhar n\u00e3o vai [&#8230;]. \u00c9, <span style=\"text-decoration: underline;\">c\u00ea sai de madrugada de casa, <\/span>c\u00ea entra dentro do \u00f4nibus, igual, a pessoa, igual eu que n\u00e3o fumo, n\u00e9?Ent\u00e3o, c\u00ea tem os problema dos fumantes atr\u00e1s da gente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, entendeu? Ent\u00e3o, <span style=\"text-decoration: underline;\">este servi\u00e7o \u00e9 s\u00f3 sofrimento, <\/span>chega l\u00e1 voc\u00ea trabalha, \u00e0s vezes \u00e9 um servi\u00e7o ruim, um feij\u00e3o ruim\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO que exige mais?<span style=\"text-decoration: underline;\">Acho que \u00e9 coragem, porque pra enfrentar este tipo de servi\u00e7o tem que ter coragem<\/span>, porque se n\u00e3o tiver coragem, for\u00e7a de vontade, ningu\u00e9m faz este servi\u00e7o n\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil. Porque \u00e9 um servi\u00e7o ruim, n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o bom. A pessoa <span style=\"text-decoration: underline;\">tem que ter uma boa coluna<\/span>, principalmente pra trabalhar, porque se n\u00e3o tiver uma boa coluna pra trabalhar n\u00e3o vai [&#8230;]. \u00c9, <span style=\"text-decoration: underline;\">c\u00ea sai de madrugada de casa, <\/span>c\u00ea entra dentro do \u00f4nibus, igual, a pessoa, igual eu que n\u00e3o fumo, n\u00e9?Ent\u00e3o, c\u00ea tem os problema dos fumantes atr\u00e1s da gente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, entendeu? Ent\u00e3o, <span style=\"text-decoration: underline;\">este servi\u00e7o \u00e9 s\u00f3 sofrimento, <\/span>chega l\u00e1 voc\u00ea trabalha, \u00e0s vezes \u00e9 um servi\u00e7o ruim, um feij\u00e3o ruim\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">se oc\u00ea n\u00e3o tiver energia, se n\u00e3o tiver boa vontade<\/span>, oc\u00ea n\u00e3o sobressai no servi\u00e7o [&#8230;]. Geralmente, \u00e9 igual eu estou te falando, <span style=\"text-decoration: underline;\">tem que ter for\u00e7a de vontade<\/span>, porque se a pessoa n\u00e3o tiver for\u00e7a de vontade ele n\u00e3o esfor\u00e7a no servi\u00e7o. <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00c9 um servi\u00e7o cansativo<\/span>, que todo mundo [&#8230;] qualquer um que voc\u00ea for entrevistar aqui, arrancador de feij\u00e3o, o servi\u00e7o \u00e9 cansativo, ele tem que ter for\u00e7a, ele tem que ter energia e for\u00e7a de vontade. Se n\u00e3o tiver n\u00e3o faz. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] aten\u00e7\u00e3o, neste servicinho <span style=\"text-decoration: underline;\">sempre tem cobra. Assim [&#8230;] e a gente precisa ter aten\u00e7\u00e3o.\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"text-decoration: underline;\">\u201cExige aten\u00e7\u00e3o<\/span><\/em><em>, pois tem muita cobra, maribondos, sen\u00e3o ponho a m\u00e3o num bicho desse e pode ser perigoso. <span style=\"text-decoration: underline;\">Aten\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia e for\u00e7a. \u00c9 cansativo<\/span>, mas s\u00f3 me canso naquela hora\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cQue me exige assim, muito de mim assim, <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e9 a gente ter muita aten\u00e7\u00e3o, n\u00e9?<\/span>Pra fazer uma coisa pro patr\u00e3o, o chefe gostar, n\u00e9, daquilo que a gente t\u00e1 fazendo, e [&#8230;], \u00e9 isso. \u00c9 um tipo assim de exig\u00eancia que a gente pega, assim, se vai fazer aquele servi\u00e7o ali, tem que p\u00f4r aquilo na cabe\u00e7a que tem que fazer, n\u00e9? Direitinho, porque a gente precisa daquilo. Se a gente n\u00e3o fizer direitinho n\u00e3o adianta\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO nosso <span style=\"text-decoration: underline;\">exige \u00e9 mais cuidado, n\u00e9? Trabalhar mais com cuidado porque \u00e9 muito perigoso, perigoso porque tem muita cobra, <\/span>n\u00e9, na lavoura, n\u00e9? Costuma topar muita cobra, trabalhar assim, sempre cal\u00e7ado, com luva, exige mais \u00e9 isso, aten\u00e7\u00e3o demais. Exige assim, cuidar bastante do servi\u00e7o tamb\u00e9m, n\u00e9? \u00c9 mais ou menos isso s\u00f3\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cMeu trabalho <span style=\"text-decoration: underline;\">exige muita aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, n\u00e9? <\/span>Porque \u00e0s vezes, assim, no sentido que oc\u00ea vai trabalhando, naquela posi\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Antonse, oc\u00ea tem que ir com sentido firme de fazer o servi\u00e7o direito, n\u00e9 [&#8230;] pra fazer o servi\u00e7o direito. Exige, assim, do\u2019c\u00ea ter mais, talvez c\u00ea vai rancar [&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">igual n\u00f3is que trabalha na ranca do feij\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00f3is [&#8230;], se o feij\u00e3o tiver, assim [&#8230;], isso depende do feij\u00e3o que tiver, o movimento \u00e9 mais, se o feij\u00e3o tiver mais ruim o movimento \u00e9 mais pouco <\/span>[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dimens\u00e3o Cognitiva do Custo Humano do Trabalho e Estrat\u00e9gias de Media\u00e7\u00e3o:<\/strong><em> \u201cQualquer brechinha que d\u00e1 tem que durmir pra recuperar.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que o que est\u00e1 em jogo \u00e9 sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia (sua empregabilidade, seu \u2018ganha p\u00e3o\u2019), muitas decis\u00f5es acabam sofrendo o peso desta necessidade, \u00e0 primeira vista, prim\u00e1ria, mas elementar. Ouviu-se, assim, de alguns trabalhadores: \u201c<em>\u00c1s vezes arranco deitado de tanta dor<\/em>\u201d; \u201c<em>[&#8230;] trabalho na marra, tem que cansar [&#8230;]<\/em>\u201d; \u201c<em>Ufa! Gra\u00e7as a Deus! Agora parei mesmo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estrat\u00e9gias de media\u00e7\u00e3o adotadas: reatividade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Durmo cedo, sete, sete e meia, oito horas <\/span>a gente j\u00e1 t\u00e1 dormindo [&#8230;] Qualquer brechinha que d\u00e1 <span style=\"text-decoration: underline;\">tem que durmir pra recuperar\u201d <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] procuro <span style=\"text-decoration: underline;\">chegar em casa e deitar. Posicionar a coluna de um jeito que n\u00e3o d\u00f3i muito, <\/span>porque sempre d\u00f3i bastante, eu fa\u00e7o s\u00f3 isso.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Fico quieto, tomo um banho e deito pra descansa<\/span>r.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">Mas pela idade minha, at\u00e9 que num posso clamar muito n\u00e3o<\/span>. A hora que oc\u00ea levanta, tem dia que oc\u00ea acha at\u00e9 que num d\u00e1 conta de trabalhar n\u00e3o, n\u00e9? Mas a\u00ed a gente come\u00e7a a reagir, o corpo e vai melhorando, esquenta o corpo. Mas tem dia que a gente levanta e pensa que n\u00e3o vai dar conta n\u00e3o, porque tem dia que parece que a gente n\u00e3o presta para trabalhar mesmo. <span style=\"text-decoration: underline;\">Mas tem que reagir, a hora que a gente come\u00e7a a mexer com as coisa vai melhorando<\/span>.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">A gente sabe que n\u00e3o tem outro jeito, o jeito \u00e9 ag\u00fcentar as pontas, hoje em dia pra viver tem que trabalhar. N\u00e3o tem servi\u00e7o maneiro pra gente hoje em dia<\/span>.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Todo servi\u00e7o geralmente exige a energia da pessoa e gra\u00e7as a Deus [&#8230;], o pouco que eu tenho eu disponho<\/span>. Uns p\u00f5em a energia toda, mas eu n\u00e3o sou doido de gastar o corpo n\u00e3o. Geralmente, \u00e9 igual eu t\u00f4 te falando, tem que ter for\u00e7a de vontade, porque se a pessoa n\u00e3o tiver for\u00e7a de vontade ele n\u00e3o esfor\u00e7a no servi\u00e7o.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cAh, <span style=\"text-decoration: underline;\">eu tomo umas vitaminas de vez em quando <\/span>[&#8230;]\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Eu tomo medicamento. Fui eu mesmo que arrumei e tomo mesmo, ai alivia bastante. Todo dia eu tomo o medicamento, ele \u00e9 pra dor e inflama\u00e7\u00e3o, <\/span>ele \u00e9 pra desinflamar e a\u00ed tira bastante a dor. Mas d\u00f3i bastante. Assim mesmo a gente trabalha de teima, que n\u00e3o tem outra coisa, n\u00e3o tem outro jeito, n\u00e3o tem outra op\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Mas a gente vai de teima, mas alivia bastante.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"text-decoration: underline;\">\u201cSempre eu tomo uns rem\u00e9dios, comprimido pra n\u00e3o doer. N\u00e3o \u00e9 direto n\u00e3o, porque faz mal, n\u00e9 ? As escadeiras doem muito. \u00c0s vezes d\u00e1 dor nos bra\u00e7os [&#8230;] toma um rem\u00e9dio pra melhorar pra trabalhar, porque vai indo a gente gasta muito, n\u00e9<\/span><\/em><em>?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cPorque n<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e3o pode fazer extravag\u00e2ncias com o corpo, se n\u00e3o a gente sofre mais ainda. Festa, ficar bebendo, farra num d\u00e1 <\/span>certo, tem que ser respons\u00e1vel.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o bebo, n\u00e3o fumo, isso me ajuda muito, eu gosto de zelar da minha sa\u00fade, eu gosto bastante de mim, eu gosto de chegar em casa, tomo um bom banho, durmo, descanso bastante, n\u00e3o saio muito, fa\u00e7o isso pra eu ag\u00fcentar, sen\u00e3o num ag\u00fcenta n\u00e3o. Fazer farra e beber, fuma [&#8230;], isso a\u00ed \u00e9 muito dif\u00edcil<\/span>.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Procuro uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, alimentar bem <\/span>[&#8230;]\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">N\u00e3o acho nada dif\u00edcil n\u00e3o, a gente j\u00e1 est\u00e1 acostumado a trabalhar nesta profiss\u00e3o, assim. Eu acho at\u00e9 beleza<\/span>.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As respostas obtidas revelam que grande parte dos trabalhadores lida com as adversidades de forma reativa. Age \u2018remediando\u2019 e restringindo, inclusive, sua participa\u00e7\u00e3o em atividades sociais, a fim de dar conta das exig\u00eancias do trabalho. As estrat\u00e9gias utilizadas s\u00e3o paliativas\/higi\u00eanicas \u2013 no sentido adotado por Herzberg (1997) \u2013 sem modificar o conte\u00fado ou forma de realiza\u00e7\u00e3o das tarefas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Eu tenho que levantar. Igual eu falei para a Senhora, eu tenho que levantar e dar uma relaxada pra [&#8230;], e torno a arrancar de novo porque n\u00e3o tem outro jeito, n\u00e9<\/span>? N\u00e3o, quando muito um minuto ou dois, pra tomar uma \u00e1gua ali, como alguma coisa ali. Eu sempre levo um p\u00e3o, um docinho pra comer, porque a gente faz muito exerc\u00edcio, n\u00e9? \u00c9 cansativo, <span style=\"text-decoration: underline;\">dou uma paradinha, tomo um golo d\u2019\u00e1gua pra dar uma relaxada e a\u00ed pego de novo.<\/span>\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Eu tenho que [&#8230;] \u00e0s vezes, trabalhar mais r\u00e1pido pra eu ganhar um tempinho ali pra descanso, n\u00e9?. Porque a\u00ed tem que ficar fazendo uns intervalinhos pra funcionar<\/span>. Direto, direto s\u00f3, \u00e9 [&#8230;], a gente cansa mais. <span style=\"text-decoration: underline;\">Porque se for devagar o tempo \u00e9 curto, ent\u00e3o depois a gente n\u00e3o vai ter este intervalo a\u00ed.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA gente faz o que d\u00e1 conta, n\u00e9? <span style=\"text-decoration: underline;\">Vai mais devagar, porque sen\u00e3o a gente estoura o corpo de uma vez, n\u00e9? <\/span>E depois n\u00e3o ag\u00fcenta nada. Tem que encostar, n\u00e9? Porque tem muito pessoal que cresce o olho demais, n\u00e9?Adoece, n\u00e9? Se a gente v\u00ea que n\u00e3o \u00e9 pra a gente, a gente evita, n\u00e9?Fazer mais pouco, porque n\u00e3o d\u00e1 pra fazer muito.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Um dia a gente fala muito, um dia a gente fala pouco, pra animar a gente <\/span>[&#8230;]\u201d. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A\u00ed, eu, pra n\u00e3o ficar muito tempo agachado &#8211; eu n\u00e3o posso ficar muito tempo agachado &#8211; <span style=\"text-decoration: underline;\">a\u00ed eu vou l\u00e1, volto e pego de c\u00e1, vou l\u00e1, volto e pego de c\u00e1, sabe? A\u00ed eu tenho [&#8230;] a\u00ed eu ando demais, sabe? Eu tenho que ir l\u00e1, voltar e pegar de c\u00e1 pra poder ficar levantado. Eu vou l\u00e1 e volto de c\u00e1 pra poder levantar as escadeira, sabe? Se eu ficar muito tempo agachado a\u00ed endure\u00e7o as escadeira<\/span>s. Para eu levantar toda hora, a\u00ed eu pego de c\u00e1 e saio l\u00e1 sem levantar, a\u00ed eu tenho de largar l\u00e1 e vir c\u00e1 pra poder caminhar, porque se eu ficar muito tempo agachado eu escadero. Teve vez de\u2019eu ficar tr\u00eas m\u00eas descadeirado. Esses tempos pra tr\u00e1s mesmo, eu fiquei dois meses e pouco encostado. A\u00ed tomei os rem\u00e9dios, uns rem\u00e9dios que usei, a\u00ed melhorei bastante. A\u00ed eu fa\u00e7o deste tipo pra ver se eu consigo trabalhar, sabe? Como se diz, tenho que viver e pra viver eu tenho que trabalhar, sabe? Num t\u00f4 aposentado, n\u00e9?. A\u00ed, ent\u00e3o, eu ganho muito pouco. Igual, hoje mesmo, eu fui, tirei uma tarefa e meia s\u00f3. \u00c0s vezes amanh\u00e3 eu tiro duas [&#8230;]. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">Tem vez tamb\u00e9m que n\u00e3o d\u00e1 pra gente ir, tamb\u00e9m, e a gente n\u00e3o vai <\/span>[&#8230;]\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viv\u00eancias de Bem-estar e Mal-estar no Trabalho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>[&#8230;] A gente faz porque a gente \u00e9 da ro\u00e7a, \u00e9 bra\u00e7al mesmo, mas num \u00e9 uma boa profiss\u00e3o n\u00e3o.<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">N\u00e3o tem nada nesse servi\u00e7o que eu gosto, eu quero \u00e9 sair dele<\/span>.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Bom mesmo \u00e9 s\u00f3 a hora de receber.<\/span>\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Sentir bem, sentir bem neste servi\u00e7o a gente n\u00e3o se sente n\u00e3o, mas fazer o qu\u00ea<\/span>? A gente que n\u00e3o estudou [&#8230;].\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">Bom n\u00e3o tem nada n\u00e3o. Bom \u00e9 s\u00f3 chegar em casa e encontrar a fam\u00edlia da gente com sa\u00fade, <\/span>que \u00e9 importante. Mas \u00e9 s\u00f3 isso que \u00e9 bom, mas o servi\u00e7o n\u00e3o \u00e9 bom n\u00e3o. <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00c9 tudo dif\u00edcil<\/span>\u201d. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">O que faz sentir bem \u00e9 ter o servi\u00e7o, n\u00e9?Assim, eu tenho mais tranq\u00fcilidade, <\/span>venho pra casa, eu acho melhor ficar assim. <span style=\"text-decoration: underline;\">Agora, se eu pudesse largar este servi\u00e7o eu largava, sabe? Largava<\/span>. \u00c9 mais dif\u00edcil, n\u00e9? Aqui em Una\u00ed \u00e9 mais dif\u00edcil largar este tipo de trabalho, porque as op\u00e7\u00f5es aqui s\u00e3o poucas. E praticamente pra quem n\u00e3o estudou, n\u00e9? Fica dif\u00edcil. [&#8230;] pra mim ele \u00e9 um servi\u00e7o muito duro. <span style=\"text-decoration: underline;\">Eu n\u00e3o acho que \u00e9 um servi\u00e7o adequado pro ser humano, \u00e9 um servi\u00e7o apropriado para a m\u00e1quina. ]&#8230;] porque \u00e9 um servi\u00e7o bruto, n\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o maneiro, n\u00e9? \u00c9 cansativo e n\u00e3o acho que \u00e9 uma boa profiss\u00e3o n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma boa profiss\u00e3o n\u00e3o.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] n\u00e3o, \u00e9 assim [&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e9 o veneno, n\u00e9? Que eles batem ressecante, n\u00e9? Te atrapalha bastante o veneno. <\/span>O feij\u00e3o pode t\u00e1 sujo de pic\u00e3o, de mato, isso atrapalha bastante. C\u00ea pega um piv\u00f4 limpinho, c\u00ea trabalha bem, direito. Agora c\u00ea vai pra outro piv\u00f4 mais sujo, cheio de pic\u00e3o, de mato, <span style=\"text-decoration: underline;\">eles bate ressecante<\/span>, n\u00e9? O veneno te atrapalha bastante. \u00c9, n\u00e9?A gente num sabe onde a gente vai parar, n\u00e9? aonde voc\u00ea for pra trabalhar, oc\u00ea tem que pegar e trabalhar, n\u00e9? Porque sen\u00e3o \u00e9 ruim pra n\u00f3s mesmos.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c<span style=\"text-decoration: underline;\">\u00c9 a viagem, tem vez que n\u00f3s fica em torno de seis, seis horas e meia viajando. Tr\u00eas horas pra ir, tr\u00eas horas e pouco pra voltar. \u00c9 muito cansativa, n\u00e9?[&#8230;] muita estrada de ch\u00e3o, chocalha bem.<\/span>\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cNo meu trabalho o que n\u00e3o me faz sentir bem [&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e9 a danada da coluna. Tem dia que d\u00f3i demais, demais mesmo, viu?<\/span>\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA\u00ed j\u00e1 \u00e9 esse neg\u00f3cio. Vamos supor, c\u00ea chega no servi\u00e7o<span style=\"text-decoration: underline;\">, talvez o servi\u00e7o num t\u00e1 bom, ou ent\u00e3o logo, logo eles cortam o dia de servi\u00e7o, se a gente falhar um dia. <\/span>Eu quase num falho n\u00e3o<span style=\"text-decoration: underline;\">, mas os dias que a gente falta, assim, se pega um atestado de cinco, seis dias eles n\u00e3o paga <\/span>a gente e eu at\u00e9 n\u00e3o falho muito n\u00e3o, mas \u00e9 dif\u00edcil porque a gente \u00e9 pobre n\u00e9?Precisa trabalhar e quando falha seis, sete dias, assim, se for por doen\u00e7a, mesmo assim, justifica, n\u00e9? Mas n\u00e3o paga. A\u00ed eu acho meio dif\u00edcil. Eu acho meio complicado, porque as outras firma que eu trabalhava se fosse o atestado, a gente recebia, era di\u00e1ria mas recebia. Porque a gente trabalha por produ\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Ent\u00e3o, talvez a gente ganha tr\u00eas, quatro tarefas e eles n\u00e3o pagava aquele tanto, mas pagava a di\u00e1ria.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO que n\u00e3o me faz sentir bem \u00e9 s\u00f3 as dificuldades de levantar cedo, por exemplo, duas horas, duas e meia ter que levantar, n\u00e9? <span style=\"text-decoration: underline;\">E, muitas vezi, a gente perde o carro e o povo exige da gente que a gente falhou por conta [&#8230;] talvez eles pensa que a gente n\u00e3o quis ir trabalhar, n\u00e9?Mas talvez a gente perde o carro, sente uma dor que num d\u00e1 conta de ir, por exemplo, uma dor de barriga. A gente amanhece com um dente doendo e num d\u00e1 conta de ir e a\u00ed eles acham ruim com a gente. Acham que a gente faiou por conta deles mesmo, por conta da gente n\u00e3o quis ir mesmo. <\/span>A gente trabalha porque sabe que todo mundo precisa trabalhar, n\u00e9? A gente vai, num falha num \u00e9 pelo gosto da gente. Se todo dia a gente trabalhasse era bom pra gente e ai num vai e eles acha ruim com a gente. <span style=\"text-decoration: underline;\">A segunda coisa, \u00e9 que muitas vezi a gente falha por conta da gente e eles desconta da gente e se a gente falha por conta deles e eles num paga a gente. Isso a\u00ed que eu acho errado <\/span>[&#8230;]\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, a pesquisa de doutorado de Magali Costa Guimar\u00e3es, em Psicologia Social, pela UNB, permite compreender de forma mais abrangente e, ao mesmo tempo, mais aprofundada, a rela\u00e7\u00e3o entre o trabalho e o adoecimento dos trabalhadores rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Obs.:<\/strong> Resumo feito por Gilvander Lu\u00eds Moreira \u2013 <a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arinos, MG, Brasil, 01 de janeiro de 2013<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr width=\"33%\" size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/GILVANDER\/Documents\/S%C3%B3%20se%20eu%20arranjasse%20uma%20coluna%20de%20ferro%20pra%20ag%C3%BCentar%20mais%20-%20Agroneg%C3%B3cio%20do%20feij%C3%A3o%20em%20Una%C3%AD%20esfola%20trabalhadores%20-%20tese%20de%20doutorado%20da%20UNB%20-%2029%2012%202012.docx#_ftnref1\">[1]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.ergopublic.com.br\/arquivos\/1252865488.67-arquivo.pdf\">http:\/\/www.ergopublic.com.br\/arquivos\/1252865488.67-arquivo.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cS\u00f3 se eu arranjasse uma coluna de ferro pra ag\u00fcentar mais&#8230;\u201d Gilvander Lu\u00eds Moreira (S\u00edntese de Tese de Doutorado sobre o que acontece com os trabalhadores rurais na colheita do feij\u00e3o no munic\u00edpio de Una\u00ed,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-222","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}