{"id":223,"date":"2013-01-05T20:58:19","date_gmt":"2013-01-05T22:58:19","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=223"},"modified":"2013-01-05T20:58:19","modified_gmt":"2013-01-05T22:58:19","slug":"unai-registra-1260-casos-de-cancer-em-2011","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/unai-registra-1260-casos-de-cancer-em-2011\/","title":{"rendered":"UNA\u00cd REGISTRA 1260 CASOS DE C\u00c2NCER EM 2011."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #ff6600;\">UNA\u00cd REGISTRA 1260 CASOS DE C\u00c2NCER EM 2011. <\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o estaria aumentando casos de c\u00e2ncer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reportagem do<\/strong> <strong>Jornal O MOVIMENTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ano XXIII, n. 431 \u2013 <a href=\"mailto:omovimento@ada.com.br\">omovimento@ada.com.br<\/a> \u2013 Paracatu, MG \u2013 Dezembro\/2012, mat\u00e9ria de capa e p. 3 toda. <a href=\"http:\/\/www.ada.com.br\/omovimento\">www.ada.com.br\/omovimento<\/a> )<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Obs.:<\/strong> Segue, abaixo, o texto da Reportagem, sem as fotografias e sem a formata\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o imprensa do Jornal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>UNA\u00cd REGISTRA 1260 CASOS DE C\u00c2NCER EM 2011. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o estaria aumentando casos de c\u00e2ncer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chamadas de capa:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a) Frei Gilvander Moreira diz que a constru\u00e7\u00e3o de hospital do c\u00e2ncer em Una\u00ed \u00e9 sinal da gravidade do problema.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>b) A audi\u00eancia p\u00fablica foi realizada em Belo Horizonte, longe do problema.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O deputado federal Padre Jo\u00e3o (PT\/MG) denunciou, pela internet, que o uso indiscriminado de agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o elevou para 1260, o n\u00famero de casos de c\u00e2ncer, em adultos e crian\u00e7as, na regi\u00e3o de Una\u00ed, em 2011. A situa\u00e7\u00e3o foi denunciada, tamb\u00e9m, na audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da ALMG, realizada em  Belo Horizonte, dia 12 de dezembro, solicitada pelo deputado Rog\u00e9rio Correia (PT), que tratou, ainda, da criminaliza\u00e7\u00e3o de militantes vinculados a movimentos sociais. Ele explicou que, apesar da realidade local ser de amplo conhecimento p\u00fablico, o Judici\u00e1rio protege empresas que usam defensivos e criminaliza os movimentos sociais. \u201c\u00c9 um fato inusitado. O feij\u00e3o produzido em Una\u00ed est\u00e1 envenenado e a puni\u00e7\u00e3o recai sobre quem denuncia\u201d, indignou-se. O deputado referia-se ao Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira, que, h\u00e1 um ano, mant\u00e9m v\u00eddeo na internet denunciando o problema, e est\u00e1 amea\u00e7ado de pris\u00e3o. P\u00c1GINA 3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CARTA DO EDITOR<\/strong> <strong>Jos\u00e9 Edmar Gomes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Feij\u00e3o de manh\u00e3, no almo\u00e7o, na merenda e no jantar.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o bastassem o porquinho com cara de gente; a mula-sem-cabe\u00e7a; a sucuri chifruda; o bicho-que-come-outros-bichos-e-ningu\u00e9m-v\u00ea-o-bicho; os ataques dos rom\u00e3ozinhos do crack; o cachorro que bebe cerveja&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poeira ars\u00eanica; os loucos das escolas americanas; o fim do mundo dos malas, quer dizer, dos Maias&#8230; Agora nos v\u00eam os gr\u00e3os de feij\u00e3o envenenados das terras das \u00e1guas negras? \u00c9 demais para o meu sert\u00e3o! Vida mais que severina essa vida urucuiana: ou se morre por falta de feij\u00e3o ou se morre comendo os seus gr\u00e3os envenenados pelo <em>nego\u00e7\u00e3o<\/em>, que parece que quer matar o povo para ter a terra somente para si. Mas, assim, o <em>nego\u00e7\u00e3o <\/em>acaba matando \u00e9 a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 pensou se n\u00f3s decid\u00edssemos n\u00e3o comprar mais feij\u00e3o na venda, na budega, no armaz\u00e9m, no supermercado, no hipermercado&#8230; Agente fica vivo e o <em>nego\u00e7\u00e3o<\/em> <em>do feij\u00e3o envenenado <\/em>morre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se todos n\u00f3s decid\u00edssemos plantar o nosso pr\u00f3prio feij\u00e3o? Feij\u00e3o plantado no quintal, no jardim, no xaxim, no canteiro central da avenida, na beira da BR, das estradas, nas ruas, nas pra\u00e7as, nos buracos das cal\u00e7adas, nos buracos do asfalto, nos lotes vazios&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fava, feij\u00e3o preto, feij\u00e3o branco, feij\u00e3o roxo, feij\u00e3o rajado, feij\u00e3o-guandu, feij\u00e3o roxinho, andu, feij\u00e3o pra todo lado. Feij\u00e3o fradim, feij\u00e3o padre, feij\u00e3o frei, feij\u00e3o bispo, feij\u00e3o papa, feij\u00e3o valha-me-Deus&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas pessoas que plantam feij\u00e3o com veneno, que vendem feij\u00e3o envenenado, que fazem de conta que feij\u00e3o envenenado \u00e9 bom, s\u00f3 podem estar loucas. Gente normal e decente n\u00e3o faz isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autoridade que deixa feij\u00e3o envenenado chegar \u00e0 merenda escolar das criancinhas est\u00e1 prevaricando. E quem prevarica, um dia receber\u00e1 terr\u00edvel castigo: ter\u00e1 que encarar o ministro Joaquim Barbosa, em pleno plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal. J\u00e1 pensou? Mas, h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o para esta insanidade toda. Sugiro que, depois que a pol\u00edcia identificar quem est\u00e1 envenenando nosso feij\u00e3ozinho de cada dia, que tais loucos sejam internados na cl\u00ednica de recupera\u00e7\u00e3o de \u201cloucos\u201d de Una\u00ed e que os enfermeiros e bed\u00e9is de l\u00e1 os obriguem a comer feij\u00e3o no caf\u00e9 da manh\u00e3, no almo\u00e7o, na merenda, no jantar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Feliz Natal, de todo cora\u00e7\u00e3o, a todos. E sem nenhum veneno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o estaria aumentando casos de c\u00e2ncer. <\/strong><strong>Parlamentar diz que Judici\u00e1rio local protege empresas que usam defensivos e criminaliza movimentos sociais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero de casos de c\u00e2ncer em adultos e crian\u00e7as, motivado pelo consumo e contato com agrot\u00f3xicos, est\u00e1 crescendo em Una\u00ed, cidade a 100 quil\u00f4metros de Paracatu. Em 2011, segundo dados divulgados pelo deputado federal Padre Jo\u00e3o (PT\/MG), na internet, o n\u00famero de casos chegou a 1260. A gravidade da situa\u00e7\u00e3o foi denunciada por movimentos sociais, professores e membros do Poder Judici\u00e1rio, na audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de MG, dia 12 de dezembro, solicitada pelo deputado Rog\u00e9rio Correia (PT), que tratou, ainda, da criminaliza\u00e7\u00e3o de militantes vinculados a movimentos ambientais e sociais. De acordo com o parlamentar, o assessor de Comunica\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira, estaria sendo amea\u00e7ado de pris\u00e3o por juiz local, por ter disponibilizado um v\u00eddeo na internet, que traz depoimentos sobre os efeitos dos agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00eddeo <\/strong>\u2013 O deputado Rog\u00e9rio Correia explicou que, apesar da realidade local ser de amplo conhecimento p\u00fablico, o Poder Judici\u00e1rio tem protegido as empresas que fazem uso dos defensivos e criminalizado os movimentos sociais. \u201c\u00c9 um fato inusitado. O feij\u00e3o produzido em Una\u00ed est\u00e1 envenenado e a puni\u00e7\u00e3o recai sobre quem denuncia\u201d, indignou-se. Frei Gilvander confirmou as den\u00fancias e apresentou o v\u00eddeo com depoimento sobre o uso de t\u00f3xicos no feij\u00e3o. Ele destacou o fato de a cidade estar preparando a constru\u00e7\u00e3o de um hospital do c\u00e2ncer, apesar de ter menos de 100 mil habitantes. \u201cNenhuma cidade no Brasil desse porte conta com um estabelecimento de sa\u00fade especializado para esse fim. \u00c9 mais uma prova de que o problema \u00e9 grave\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jornal <strong><em>O Movimento <\/em><\/strong>tentou ouvir autoridades da Secretaria de Sa\u00fade de Una\u00ed sobre o assunto, mas at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, a Secretaria n\u00e3o retornou as liga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irregularidades <\/strong>&#8211; O assessor do deputado federal Padre Jo\u00e3o (PT-MG), Francis Guedes, afirmou que existem agrot\u00f3xicos utilizados no Brasil de modo irregular, uma vez que teriam sido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">autorizados pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) de forma fraudulenta. Segundo o assessor, por meio de laudos preparados com assinaturas falsificadas, os defensivos foram liberados sem an\u00e1lise laboratorial. \u201cO deputado Padre Jo\u00e3o lidera, na C\u00e2mara dos Deputados, uma campanha contra agrot\u00f3xicos, que pretende sensibilizar o Governo Federal, por meio dos \u00f3rg\u00e3os competentes, e realizar um estudo sobre o impacto do uso desses venenos na popula\u00e7\u00e3o de Una\u00ed e regi\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00eddeo relata at\u00e9 banhos de veneno.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No v\u00eddeo postado no You Tube ainda no final de dezembro do ano passado, o Frei Gilvander Moreira entrevista a funcion\u00e1ria de uma escola de Arinos, chamada apenas por Ediv\u00e2nia e o produtor rural, Washington Fernandes Moreira. Os dois confirmam que o feij\u00e3o consumido na regi\u00e3o exala mau cheiro ao ser retirado da embalagem. Ediv\u00e2nia disse que qualquer cantineira de escolas da regi\u00e3o sabe do problema. Ela afirma que, para ser consumido pelas crian\u00e7as, \u00e9 preciso colocar o produto de molho de um dia para outro e, antes de cozinh\u00e1-lo, \u201c\u00e9 preciso lavar e relavar de novo\u201d. A funcion\u00e1ria concorda quando padre relaciona o alto \u00edndice de casos de c\u00e2ncer em Una\u00ed ao uso indiscriminado de agrot\u00f3xico no cultivo do feij\u00e3o e revela que a escola est\u00e1 plantando seu pr\u00f3prio feij\u00e3o para deixar de consumir o feij\u00e3o fornecido pelo Programa da Merenda Escolar que, segundo ela, possui alta concentra\u00e7\u00e3o de \u201cveneno\u201d. O produtor rural Washington Fernandes Moreira, por sua vez, afirma que depois que se abre o saquinho de feij\u00e3o, ningu\u00e9m tem coragem de cozinhar o produto por causa do mau-cheiro. Ele diz que passou a produzir feij\u00e3o na sua propriedade para n\u00e3o consumir o feij\u00e3o vendido no mercado. Quando questionado pelo Frei do porqu\u00ea de os produtores optarem por usar desfolhantes ao inv\u00e9s de capinar o mato no preparo da terra para o plantio do feij\u00e3o, Washington responde que \u201c\u00e9 mais barato jogar veneno\u201d. O agricultor explica que um litro de veneno custa R$ 12,00 e pode ser borrifado em meio dia meio de trabalho numa ro\u00e7a onde seriam pagos \u201cde 100  a 200,00 contos\u201d<strong> <\/strong>para ser limpa na enxada. \u201cMas o veneno fica na terra\u201d, adverte Washington\u201d. O produtor ainda revela o estranho caso do banho de veneno do qual ele foi uma das v\u00edtimas. \u201c O avi\u00e3o passou baixinho e deu uma borrifada na cominhonete\u201d, na qual ele e seus companheiros viajam. \u201cTivemos que parar para lavar o carro. Ningu\u00e9m ag\u00fcentava o mau-cheiro\u201d, revela. Washington conta ainda que seus companheiros de viagem tamb\u00e9m levaram banho de veneno quando andavam de moto pela regi\u00e3o produtora de feij\u00e3o. \u201cEles tiveram que jogar a roupa fora, lavar as motos e sentiram dor de cabe\u00e7a e mau estar\u201d. Em outro v\u00eddeo, tamb\u00e9m postado no You Tube, o deputado Padre Jo\u00e3o (PT-MG), presidente da Subcomiss\u00e3o de Seguran\u00e7a Alimentar da C\u00e2mara dos Deputados, afirma que as Universidades Federais do Mato Grosso e do Paran\u00e1, al\u00e9m da Fiocruz, provaram o nexo direto entre o uso do agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o e o aumento no n\u00famero de c\u00e2ncer em Una\u00ed e, para ele, \u00e9 um absurdo que esta situa\u00e7\u00e3o tenha chegado \u00e0 merenda escolar. O deputado cita os 1260 casos de c\u00e2ncer catalogados em Una\u00ed, em 2011, e assegura que n\u00famero t\u00e3o alto n\u00e3o \u00e9 registrado em lugar nenhum do mundo. \u201cO minist\u00e9rio P\u00fablico tem que punir quem est\u00e1 envenenando o povo\u201d, afirma o deputado mineiro.<strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cVeneno est\u00e1 nas mesas das pessoas\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Eliane Novato Silva, fez um relato t\u00e9cnico sobre os efeitos do contato com os agrot\u00f3xicos nas pessoas, especialmente em crian\u00e7as. Ela garantiu que h\u00e1 evid\u00eancias laboratoriais e te\u00f3ricas de que os defensivos podem causar malef\u00edcios cr\u00f4nicos de curto, m\u00e9dio e longo prazo. Para ela, \u00e9 preciso uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o social para que essa pr\u00e1tica seja banida da sociedade brasileira. \u201cO veneno est\u00e1 na mesa das pessoas, tanto no campo quanto nas grandes cidades. Estamos consumindo produtos que j\u00e1 s\u00e3o proibidos em todo o mundo, h\u00e1 muito tempo, mas s\u00e3o permitidos no Brasil\u201d, alertou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O membro da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da OAB\/MG, \u00c9lcio Pacheco, refor\u00e7ou as palavras da professora e tratou como \u201cgenoc\u00eddio\u201d o uso de agrot\u00f3xicos no Pa\u00eds. Para ele, \u00e9 preciso que sejam criadas pol\u00edticas de Estado que acabem com a situa\u00e7\u00e3o desumana e degradante na qual vivem trabalhadores pr\u00f3ximos \u00e0s planta\u00e7\u00f5es. \u201cO Poder Judici\u00e1rio e o Governo Estadual s\u00e3o coniventes e protegem as empresas que fazem uso desse veneno contra as pessoas\u201d, criticou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fiscaliza\u00e7\u00e3o <\/strong>&#8211; O representante da Fetaemg, R\u00f4mulo Luiz Campos, tamb\u00e9m criticou a atua\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio em Una\u00ed, que amea\u00e7a frei Gilvander por ter denunciado esta realidade. Segundo ele, os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos deveriam fiscalizar os efeitos dos agrot\u00f3xicos nos alimentos e evitar que os casos sejam recorrentes no Estado. \u201cA popula\u00e7\u00e3o de Una\u00ed n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica v\u00edtima desse mal. Outras cidades sofrem com o mesmo problema. A ALMG precisa exigir que o Instituto Mineiro de Agropecu\u00e1ria (IMA) fa\u00e7a an\u00e1lises criteriosas dos alimentos que v\u00e3o para as mesas das pessoas\u201d, cobrou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O procurador de Justi\u00e7a e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justi\u00e7a e Conflitos Agr\u00e1rios, Afonso Henrique de Miranda Teixeira, destacou, ainda, que o uso do agrot\u00f3xico est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 reforma agr\u00e1ria. De acordo com ele, n\u00e3o se trata apenas de repartir terra, mas tamb\u00e9m de definir novos modos de produ\u00e7\u00e3o no campo. \u201cE o veneno, hoje, \u00e9 usado em alta quantidade e toxidade\u201d, salientou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defensora p\u00fablica e coordenadora da Defensoria Especializada em  Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais, Ana Cl\u00e1udia Silva Alexandre, anunciou que foi aberto procedimento administrativo para averiguar o caso de Una\u00ed, e que o problema \u00e9 de sa\u00fade p\u00fablica, impacta a Previd\u00eancia Social e a Assist\u00eancia Social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No v\u00eddeo postado no You Tube ainda no final de dezembro do ano passado, o frei Gilvander Moreira entrevista a funcion\u00e1ria de uma escola de Arinos, chamada apenas por Ediv\u00e2nia e o produtor rural, Washington Fernandes Moreira. Os dois confirmam que o feij\u00e3o consumido na regi\u00e3o exala mau cheiro ao ser retirado da embalagem. Ediv\u00e2nia disse que qualquer cantineira de escolas da regi\u00e3o sabe do problema. Ela afirma que, para ser consumido pelas crian\u00e7as, \u00e9 preciso colocar o produto de molho de um dia para outro e, antes de cozinh\u00e1-lo, \u201c\u00e9 preciso lavar e relavar de novo\u201d. No v\u00eddeo, a funcion\u00e1ria concorda quando padre relaciona o alto \u00edndice de casos de c\u00e2ncer em Una\u00ed ao uso indiscriminado de agrot\u00f3xico no cultivo do feij\u00e3o e revela que a escola est\u00e1 plantando seu pr\u00f3prio feij\u00e3o para deixar de consumir o feij\u00e3o fornecido pelo Programa da Merenda Escolar que, segundo ela, possui alta concentra\u00e7\u00e3o de \u201cveneno\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O produtor rural Washington Fernandes Moreira, por sua vez, afirma que depois que se abre o saquinho de feij\u00e3o, ningu\u00e9m tem coragem de cozinhar o produto por causa do mau-cheiro. Ele diz que passou a produzir feij\u00e3o na sua propriedade para n\u00e3o consumir o feij\u00e3o vendido no mercado. Quando questionado pelo padre porque os produtores de feij\u00e3o optaram por usar desfolhantes ao inv\u00e9s de capinar o mato no preparo da terra para o plantio do feij\u00e3o, Washington responde que \u201c\u00e9 mais barato jogar veneno\u201d. O agricultor explica que um litro de veneno custa R$ 12,00 e pode ser borrifado em meio dia de trabalho numa ro\u00e7a onde seriam gastos \u201cde 100  a 200,00 contos\u201d para ser limpa na enxada. \u201cMas o veneno fica na terra\u201d, adverte Washington\u201d. O produtor ainda revela o estranho caso do banho de veneno do qual ele foi uma das v\u00edtimas. \u201c O avi\u00e3o passou baixinho e de uma borrifada na cominhonete\u201d, na qual ele e seus companheiros viajam. \u201cTivemos que parar para lavar o carro. Ningu\u00e9m ag\u00fcentava o mau-cheiro\u201d, revela. Washington conta ainda que seus companheiros de viagem tamb\u00e9m levaram banho de veneno quando andavam de moto pela regi\u00e3o produtora de feij\u00e3o. \u201cEles tiveram que jogar a roupa fora, lavar as motos e tiveram dor de cabe\u00e7a e mau estar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro v\u00eddeo, tamb\u00e9m postado no You Tube, o deputado Padre Jo\u00e3o (PT-MG), presidente da Subcomiss\u00e3o de Seguran\u00e7a Alimentar da C\u00e2mara dos Deputados, afirma que as Universidades Federais do Mato Grosso e do Paran\u00e1, al\u00e9m da Fiocruz, provaram o nexo direto entre o uso do agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o e o aumento no n\u00famero de c\u00e2ncer em Una\u00ed e, para ele, \u00e9 uma absurdo que esta situa\u00e7\u00e3o tenha chegado \u00e0 merenda escolar. O deputado cita os 1260 casos de c\u00e2ncer catalogados em Una\u00ed, em 2011, e assegura que n\u00famero t\u00e3o alto n\u00e3o \u00e9 registrado em lugar nenhum do mundo. \u201cO minist\u00e9rio P\u00fablico tem que punir quem est\u00e1 envenenando o povo\u201d, afirma o deputado mineiro.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>FONTE: Jornal O MOVIMENTO<\/strong><\/p>\n<p>Ano XXIII, n. 431 \u2013 <a href=\"mailto:omovimento@ada.com.br\">omovimento@ada.com.br<\/a> \u2013 Paracatu, MG \u2013 Dezembro\/2012, mat\u00e9ria de capa e p. 3 toda. <a href=\"http:\/\/www.ada.com.br\/omovimento\">www.ada.com.br\/omovimento<\/a> )<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UNA\u00cd REGISTRA 1260 CASOS DE C\u00c2NCER EM 2011. Agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o estaria aumentando casos de c\u00e2ncer. Reportagem do Jornal O MOVIMENTO Ano XXIII, n. 431 \u2013 omovimento@ada.com.br \u2013 Paracatu, MG \u2013 Dezembro\/2012, mat\u00e9ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}