{"id":236,"date":"2013-03-04T21:02:24","date_gmt":"2013-03-05T00:02:24","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=236"},"modified":"2016-09-01T18:16:29","modified_gmt":"2016-09-01T21:16:29","slug":"ecumenismo-a-partir-da-obra-lucana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/ecumenismo-a-partir-da-obra-lucana\/","title":{"rendered":"Ecumenismo a partir da Obra Lucana"},"content":{"rendered":"<p align=\"CENTER\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #ff00ff;\">Ecumenismo a partir da Obra Lucana<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Gilvander Lu\u00eds Moreira<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Iniciando a reflex\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Pode parecer anacronismo falar em ecumenismo nas primeiras comunidades crist\u00e3s a partir de Atos dos Ap\u00f3stolos, mas se justifica, pois n\u00e3o existiu somente uma Igreja Primitiva, mas v\u00e1rias Igrejas Primitivas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>V\u00e1rias igrejas foram se constituindo a partir da igreja-m\u00e3e de Jerusal\u00e9m: igrejas da Samaria, de Cesareia, de Antioquia, de Roma, de Corinto, de Tessal\u00f4nica, de Roma e muitas outras. Igrejas que cultivavam o respeito ao diferente nas suas rela\u00e7\u00f5es internas e tamb\u00e9m na sua rela\u00e7\u00e3o com outras igrejas que, mesmo sendo crist\u00e3s, tinham ensinamento e pr\u00e1ticas distintas. Assim sendo podemos dizer que segundo a obra de Lucas \u2013 Evangelho de Lucas (Lc) e Atos dos Ap\u00f3stolos (At) -, as primeiras comunidades crist\u00e3s, eram, por excel\u00eancia, ecum\u00eanicas. Costuravam uma unidade entre elas com base na diversidade e na pluralidade e regiam-se por um projeto de inclus\u00e3o, de comunh\u00e3o, de conviv\u00eancia fraterna, de fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. Em Atos dos Ap\u00f3stolos h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o da alteridade, do outro. \u00c9 a partir do outro e, especialmente, do outro que \u00e9 injusti\u00e7ado que se analisa a realidade e atua de forma transformante. O Esp\u00edrito Santo est\u00e1 em n\u00f3s como est\u00e1 no outro (At 10,44-45).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Identificamos nove <em>posturas ecum\u00eanicas<\/em> nas primeiras comunidades-Igrejas crist\u00e3s. Ei-las, abaixo.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Desapego \tde doutrinas<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ser ecum\u00eanico significa desapegar-se de doutrinas e colocar a vida humana \u2013 envolvendo tamb\u00e9m toda a biodiversidade &#8211; acima de tudo. Isso aconteceu na viv\u00eancia dos primeiros crist\u00e3os e crist\u00e3s. O ap\u00f3stolo Pedro, segundo Atos dos Ap\u00f3stolos, teve a grandeza de se desvencilhar-se das doutrinas da pureza e da impureza. Ele se desinstalou de Jerusal\u00e9m, onde nasceu e se desenvolveu a comunidade-m\u00e3e, e partiu para a miss\u00e3o no meio dos exclu\u00eddos, dos discriminados. Conviveu por algum tempo com Sim\u00e3o, seu xar\u00e1, e, acima de tudo, como profiss\u00e3o, era um curtidor de couro, considerado o mais impuro entre os impuros. Em um bonito processo de convers\u00e3o, Pedro foi ao encontro do oficial romano Corn\u00e9lio, mas teve de justificar sua conduta em Jerusal\u00e9m (At 11,1-18). Pedro arcou com as conseq\u00fc\u00eancias da sua postura aberta e inculturada. Voltando a Jerusal\u00e9m, \u201cfoi encostado na parede\u201d. Dois grupos se enfrentaram: de um lado, os ap\u00f3stolos e irm\u00e3os da Judeia, os da circuncis\u00e3o, censuravam Pedro por ter entrado em casa de incircuncisos e comido com eles (At 11,3). Do outro lado, o pr\u00f3prio Pedro com a experi\u00eancia do Pentecostes dos gentios (At 10,44.47) no cora\u00e7\u00e3o e na mente (At 11,17).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Pedro teve de partilhar a experi\u00eancia de Deus vivida no meio dos gentios e exclu\u00eddos. Lucas registra que a convers\u00e3o de Pedro contribuiu para a convers\u00e3o da Igreja-m\u00e3e, a de Jerusal\u00e9m (At 11,4-18). Por tr\u00eas vezes Pedro ouviu: \u201c<em>N\u00e3o chame de impuro o que Deus purificou<\/em>\u201d (At 11,9); e por tr\u00eas vezes esse acontecimento \u00e9 narrado em Atos dos Ap\u00f3stolos. Isso mostra a interpreta\u00e7\u00e3o rigorosa que alguns faziam das leis, e aponta a barreira que devia ser superada. As primeiras comunidades crist\u00e3s sofriam na pele as conseq\u00fc\u00eancias dram\u00e1ticas da lei da pureza e da impureza. \u201cUm povo inteiro\u201d era marginalizado e exclu\u00eddo. O Esp\u00edrito de Deus aponta insistentemente em outra dire\u00e7\u00e3o: para Deus n\u00e3o existe puro e impuro. Ele ama a todos, n\u00e3o exclui ningu\u00e9m.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Provavelmente j\u00e1 havia em Jerusal\u00e9m um grupo mais radical e outro mais moderado. O motivo da reprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o batismo, mas a entrada de Pedro em casa de uma pessoa pag\u00e3 e a refei\u00e7\u00e3o comum de ambos. Em sua defesa, Pedro acentua a iniciativa divina, e os de Jerusal\u00e9m acabam por abrir-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no meio dos exclu\u00eddos (At 11,18).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O epis\u00f3dio de Corn\u00e9lio ocupa um lugar de destaque nos Atos dos Ap\u00f3stolos: foi uma antecipa\u00e7\u00e3o da \u201cassembl\u00e9ia de Jerusal\u00e9m\u201d, em At 15,1-35, e preparou as miss\u00f5es de Paulo (At 15,36\u201319,20). Corn\u00e9lio representava o Imp\u00e9rio Romano e o modo como Lucas achava que as pessoas deviam comportar-se em rela\u00e7\u00e3o ao imp\u00e9rio. O oficial romano n\u00e3o debateu, n\u00e3o p\u00f4s condi\u00e7\u00f5es. Pedro falou e ele ouviu atentamente o Evangelho de Jesus Cristo. Para Lucas, n\u00e3o era imposs\u00edvel que os funcion\u00e1rios romanos se convertessem e assim pusessem servi\u00e7os e estruturas do imp\u00e9rio \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da irradia\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, o projeto do evangelho de Jesus Cristo. Com esse exemplo, Lucas espera convencer altos funcion\u00e1rios romanos \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Desapego a doutrinas leva a rompimento e a supera\u00e7\u00e3o de barreiras. Eis outra caracter\u00edstica do ecumenismo segundo o livro de Atos dos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Rompimento \te supera\u00e7\u00e3o de barreiras<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Em Atos, barreiras v\u00e3o sendo rompidas, uma a uma, at\u00e9 o cap\u00edtulo 15, no qual se vence a maior de todas: a exig\u00eancia da circuncis\u00e3o. A partir de At 15,36, uma vez vencidas as barreiras, as portas para uma evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada s\u00e3o escancaradas. Eis algumas das muitas barreiras que s\u00e3o superadas, em parte ou totalmente, segundo Atos dos Ap\u00f3stolos:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>A mesa comum<\/strong><\/em> \u2014 antes um judeu n\u00e3o \tpodia entrar na casa de um pag\u00e3o e, muito menos, comer com ele. O \tap\u00f3stolo Pedro percorre todos os lugares. Encontra paral\u00edticos e \tos cura. Permanece v\u00e1rios dias em Jope, hospedado na casa de um \tcurtidor de couro chamado Sim\u00e3o (cf. At 9,32-35.43). Entra na casa \tde um oficial romano, em Cesareia (At 11,12). Assim, cai por terra a \timpossibilidade de mesa comum entre judeus e pag\u00e3os.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>A heran\u00e7a de Israel<\/strong><\/em> (lei mosaica) \u2014 \tpassa a ser de todos e n\u00e3o somente dos judeus. As primeiras \tcomunidades crist\u00e3s fazem a experi\u00eancia segundo a qual Deus n\u00e3o \tfaz discrimina\u00e7\u00e3o de nenhuma ordem (cf. At 10,15).<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>Templos e sinagogas n\u00e3o s\u00e3o mais os centros \tsagrados<\/strong><\/em><strong> <\/strong><em><strong>e orientadores da vida das comunidades<\/strong><\/em> \u2014 a miss\u00e3o acontece com base nas casas (<em>oikia<\/em>, em grego). \tA casa de Sim\u00e3o, o curtidor de couro (At 9,43); a casa de Corn\u00e9lio \t(At 10,1); a casa de Maria, m\u00e3e de Jo\u00e3o Marcos (At 12,12); a casa \tdo proc\u00f4nsul S\u00e9rgio Paulo (At 13,7); a casa de Filipe, o \tevangelista, (At 21,8) etc. De casa em casa, o projeto do movimento \tde Jesus se irradia da Galileia, passando por Jerusal\u00e9m, at\u00e9 os \tconfins da terra, a capital do Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>Os pag\u00e3os s\u00e3o aceitos nas comunidades crist\u00e3s<\/strong><\/em>, \tsem ser circuncidados \u2014 O conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m (cf. At 15,1-35) \tatesta um salto de qualidade na caminhada das primeiras Igrejas \tcrist\u00e3s ao concordar com os clamores da Igreja de Antioquia, igreja \tde periferia, que advogava a supera\u00e7\u00e3o da barreira da circuncis\u00e3o \tcomo condi\u00e7\u00e3o para ser crist\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>A l\u00f3gica e a ideologia do Imp\u00e9rio Romano<\/strong><\/em><strong> <\/strong><em><strong>v\u00e3o sendo minadas e corro\u00eddas, pela vida organizada em \tcomunidades, e n\u00e3o mais no individualismo<\/strong><\/em> \u2014 As \tcomunidades crist\u00e3s percebem que diante de um imp\u00e9rio muito \tpoderoso, a melhor estrat\u00e9gia \u00e9 a infiltra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o \tconfronto. Como cupim debaixo da ponte, as comunidades crist\u00e3s v\u00e3o \tsolapando a l\u00f3gica e as estruturas do imp\u00e9rio.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>O abismo que separa ricos e pobres ganha uma \tponte<\/strong><\/em> \u2014 assim sendo come\u00e7a a existir comunica\u00e7\u00e3o entre \tos \u201cgrandes e os pequenos\u201d, entre o mundo dos inclu\u00eddos e o \tmundo dos exclu\u00eddos. Com a comunica\u00e7\u00e3o afetiva e efetiva, muitos \tpreconceitos, tabus e distanciamentos v\u00e3o se desmanchando. Nada \tmelhor do que a conviv\u00eancia com os pobres para fazer ruir, com um \tcastelo na areia, preconceitos e tabus.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><strong>Patriarcalismo e machismo s\u00e3o questionados<\/strong><\/em><strong> <\/strong><em><strong>pela presen\u00e7a e protagonismo das mulheres nas Comunidades \tCrist\u00e3s<\/strong><\/em> \u2014 s\u00e3o as \u201cComunidades Eclesiais de Base (CEBs) \tda primeira hora.<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">A partir do encontro de Pedro com Corn\u00e9lio, cai a barreira entre judeus e n\u00e3o-judeus.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nos atos do ap\u00f3stolo Pedro (At 10,1\u201411,18), temos o relato de duas convers\u00f5es entrela\u00e7adas e interdependentes: a convers\u00e3o de Corn\u00e9lio e de toda a sua casa-comunidade e <em>a convers\u00e3o de Pedro e de parte da Igreja judaico-crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m.<\/em> \u00c0 primeira vista, o Esp\u00edrito atuou em Corn\u00e9lio, mas, observando nas entrelinhas, vemos que o Esp\u00edrito agiu tamb\u00e9m e principalmente no ap\u00f3stolo Pedro. Hoje, o Esp\u00edrito atua do mesmo modo nos evangelizadores e nos evangelizados. Pedro evangelizava as comunidades judaico-crist\u00e3s de Lida e Jope. O Esp\u00edrito mudou seu programa e o levou onde ele jamais pensava ir.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O rompimento\/supera\u00e7\u00e3o de barreiras convida para a comunh\u00e3o \u201ctotal\u201d de vida. Eis outra caracter\u00edstica do ecumenismo segundo o livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Comunh\u00e3o \t\u201ctotal\u201d de vida<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">O ecumenismo nos leva a um sentimento de perten\u00e7a. Ser ecum\u00eanico implica sentir-se elo vivo da grande comunidade de vida, em uma comunh\u00e3o real e \u201ctotal\u201d. Para Paulo, e tamb\u00e9m para Lucas, o que caracteriza a comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunh\u00e3o \u201ctotal\u201d: material e espiritual, com participa\u00e7\u00e3o na mesma mesa. N\u00e3o basta fraternidade \u201cespiritual\u201d ou de amizade; \u00e9 preciso tamb\u00e9m fraternidade econ\u00f4mica,<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a><\/sup> pol\u00edtica e cultural. N\u00e3o agradam ao Esp\u00edrito de Deus pessoas que se encontram para a eucaristia aos domingos, mas que durante a semana oprimem umas \u00e0s outras. Lucas quer romper as oposi\u00e7\u00f5es entre grupos e pessoas, entre ricos e pobres, escravos e senhores, judeus e n\u00e3o-judeus, homens e mulheres, trabalhadores e patr\u00f5es. \u00c9 ilus\u00f3ria a comunidade na qual uns poucos se banqueteiam e outros passam fome, uns t\u00eam casas pr\u00f3prias e outros devem pagar alugu\u00e9is car\u00edssimos, uns ganham demais e outros ganham quase nada, uns vivem no luxo e outros sobrevivem do\/no lixo; uns det\u00eam o poder<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a><\/sup> e outros s\u00e3o subjugados.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A comunh\u00e3o eclesial \u00e9, antes de tudo, uma comunh\u00e3o material, corporal: as pessoas devem estar lado a lado, comer a mesma comida, partilhar alegrias e ang\u00fastias. Uma miss\u00e3o direcionada aos n\u00e3o-crist\u00e3os implica aproxima\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais com gente considerada exclu\u00edda, impura.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Olhando a com base nos(as) exclu\u00eddos(as) das nossas Igrejas, constatamos com pesar que a lei do puro e do impuro, de modo disfar\u00e7ado, continua em plena vig\u00eancia. O que pensar dos casais n\u00e3o casados na Igreja que encontram muitas barreiras para batizar seus filhos? O que pensar das vi\u00favas que reencontram o amor, mas n\u00e3o podem casar-se porque o homem \u00e9 separado? O que pensar da proibi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica de preservativos quando o v\u00edrus HIV assola um n\u00famero assustador de pessoas? O que pensar de 75% das comunidades crist\u00e3s cat\u00f3licas, entre as quais as Comunidades Eclesiais de Base, que n\u00e3o t\u00eam o direito sagrado de participar da eucaristia dominical? O que pensar das pessoas divorciadas que s\u00e3o exclu\u00eddas da mesa eucar\u00edstica. E muitas outras quest\u00f5es. Tudo isso \u00e9, na pr\u00e1tica, apego \u00e0 lei da pureza, o que pisa na dignidade humana. Usar o nome de Deus, um discurso religioso para justificar pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias \u00e9 terrorismo religioso, algo execr\u00e1vel. Feliz quem denuncia os moralismos e os fundamentalismos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A comunh\u00e3o \u201ctotal\u201d de vida conduz \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de preconceitos.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Supera\u00e7\u00e3o \tde preconceitos<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Pedro, \u201co ap\u00f3stolo dos circuncisos\u201d (Gl 2,7), cura o paral\u00edtico Eneias (At 9,32-35) em Lida, reanima Tabita (At 9,36-42) em Jope e legitima Sim\u00e3o, um curtidor de couro (At 9,43). Tudo isso \u00e9 descrito em At 9,32-43. Tais sinais, ao romper as barreiras da paralisia, da doen\u00e7a-morte e das profiss\u00f5es impuras, mostram a sintonia total entre Jesus e Pedro. Jesus continua agindo por meio de Pedro. Tal Jesus, tal Pedro. A cura de Eneias lembra Jesus curando um paral\u00edtico (Mc 2,1-12), e o epis\u00f3dio da reanima\u00e7\u00e3o de Tabita atualiza o relato da reanima\u00e7\u00e3o da filha de Jairo (Mc 5,36-43) e evoca tamb\u00e9m os relatos de reanima\u00e7\u00e3o do ciclo de Elias e Eliseu (1Rs 17,17-24; 2Rs 4,18-37).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em Jope, Pedro fica na casa do curtidor de couro chamado Sim\u00e3o (9,43). A profiss\u00e3o de curtidor era considerada pelos judeus a mais impura das profiss\u00f5es e uma pessoa impura era exclu\u00edda da conviv\u00eancia social e religiosa. A comunidade onde Pedro se hospeda n\u00e3o se submete aos crit\u00e9rios rigorosos de pureza dos doutores da lei. O cristianismo espalhou-se principalmente entre as categorias de pessoas modestas, que eram, mais ou menos, marginalizadas pela lei, al\u00e9m de penetrar na classe m\u00e9dia, aberta \u00e0 novidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Eneias, Tabita e Sim\u00e3o s\u00e3o pessoas que simbolicamente representam as comunidades judaico-crist\u00e3s. Algumas estavam paralisadas; outras estavam enfraquecidas a ponto de morrer; e outras estavam sendo marginalizadas pelo juda\u00edsmo oficial. Pedro, com a mensagem de Jesus, chega para revitalizar, para fortalecer e para libertar essas comunidades.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A supera\u00e7\u00e3o de preconceitos estimula a abertura para o novo, o diferente, o exclu\u00eddo.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Abertura \tpara o novo, o diferente, o exclu\u00eddo (At 6,1-7)<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ser ecum\u00eanico implica abrir-se ao novo que n\u00e3o \u00e9 apenas novidade, ao diferente que tem direito de ser diferente. Os Helenistas eram judeus crist\u00e3os de l\u00edngua e cultura grega, residentes em Jerusal\u00e9m, provavelmente origin\u00e1rios da di\u00e1spora. Tratava-se de um grupo prof\u00e9tico, cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei e ao templo; foram tamb\u00e9m os perseguidos e dispersados no dia da grande persegui\u00e7\u00e3o contra a Igreja de Jerusal\u00e9m, depois do mart\u00edrio de Estev\u00e3o (At 8,2).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O relato sobre as vi\u00favas no livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (At 6,1-7) \u00e9 um tanto incongruente, pois trata-se de um problema de desleixo n\u00e3o para com <em>todas<\/em> as vi\u00favas, mas somente para com as dos helenistas. Trata-se n\u00e3o de um problema pr\u00e1tico de falta de servidores das mesas, mas de um problema de discrimina\u00e7\u00e3o dos <em>helenistas<\/em>; portanto, n\u00e3o sustenta tamb\u00e9m a oposi\u00e7\u00e3o entre <em>diakon\u00eda<\/em>, servi\u00e7o das mesas (v. 2) e a <em>diakon\u00eda<\/em> da Palavra (v. 4). De At 6 a At 15, os helenistas n\u00e3o servem \u00e0s mesas, mas dedicam-se basicamente ao servi\u00e7o da Palavra. Os sete helenistas fazem, na pr\u00e1tica, exatamente o que os ap\u00f3stolos faziam: evangelizar de modo prof\u00e9tico. Em nenhum momento da narra\u00e7\u00e3o afirma-se explicitamente que os sete s\u00e3o <em>di\u00e1konos<\/em> (utiliza-se somente o verbo <em>servir, diakoneo<\/em>,<em> <\/em>em grego) e o substantivo <em>servi\u00e7o<\/em> (<em>diakon\u00eda<\/em>, em grego).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Duas solu\u00e7\u00f5es se apresentam para explicar as contradi\u00e7\u00f5es de At 6,1-7. Em primeiro lugar, \u00e9 poss\u00edvel que Lucas tenha unido dois fatos ou tradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas diferentes: uma mais antiga, referente ao problema pr\u00e1tico do servi\u00e7o \u00e0s mesas, e outra posterior, a respeito do conflito entre o grupo dos hebreus e o dos helenistas. Em segundo lugar, os sete helenistas, no come\u00e7o, tinham sido escolhidos realmente para servir \u00e0s mesas. No entanto, em pouco tempo, essa <em>diakon\u00eda<\/em> das mesas levou-os para al\u00e9m dessa tarefa pr\u00e1tica, para o servi\u00e7o prof\u00e9tico da Palavra. Segundo essa hip\u00f3tese, pode-se dizer que os sete helenistas descobriram sua voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica a partir do servi\u00e7o quotidiano aos exclu\u00eddos da comunidade. Lucas nos mostra que quando os conflitos s\u00e3o resolvidos de forma correta e em sintonia com o Esp\u00edrito do Deus da vida, toda a Igreja sai fortalecida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Abertura para o novo, o diferente, o exclu\u00eddo, des\u00e1gua na n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m. Eis outra caracter\u00edstica do ecumenismo segundo o livro de Atos dos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>N\u00e3o \tdiscriminar ningu\u00e9m<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo At 10, Pedro tem uma vis\u00e3o na qual se recusa comer alimentos impuros e parece desconhecer a declara\u00e7\u00e3o de Jesus de que todos os alimentos s\u00e3o puros (Mc 7,17-23). Pedro agiu como judeu de estrita observ\u00e2ncia das regras alimentares. O sentido dessa vis\u00e3o s\u00f3 vai ser esclarecido em At 10,28, quando uma voz, em outra vis\u00e3o, diz a Pedro que todos os alimentos s\u00e3o puros. Lucas menciona Gen 1,24; 6,20 como se dissesse: \u201cMas no in\u00edcio n\u00e3o era assim\u201d, pois Deus criou tudo com a mesma dignidade e n\u00e3o fez distin\u00e7\u00e3o entre puro e impuro. Por meio da vis\u00e3o de Pedro, Lucas esclareceu duas posturas diferentes diante dos alimentos e diante das pessoas: \u201cJudeu-crist\u00e3os podem comer de tudo, pois nenhum alimento \u00e9 impuro\u201d; \u201ctodas as pessoas s\u00e3o iguais\u201d. Com base nesse esclarecimento, judeu-crist\u00e3os superam o problema cultural de n\u00e3o poder sentar \u00e0 mesa, com gentios, para comer. Jesus teve a grandeza de ultrapassar limites culturais e quem agir como ele \u2014 entrando nas casas dos n\u00e3o-judeus e comendo com eles \u2014 prestar-lhe-\u00e1 homenagem e agradar\u00e1 \u201caos c\u00e9us\u201d (At 10,16).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Enquanto Pedro estava ainda perplexo, os enviados de Corn\u00e9lio chegaram e o convidaram a ir \u00e0 casa do centuri\u00e3o <em>para ser ouvido<\/em> (At 10,17-23). A ordem para acompanhar os enviados veio do Esp\u00edrito Santo (At 10,19-20). Aqui aparece um elemento novo: Pedro foi convidado a ir \u00e0 casa de Corn\u00e9lio <em>para ser ouvido<\/em>, n\u00e3o para ser investigado pela sua pr\u00e1tica, o que seria mais natural, pois Corn\u00e9lio era um oficial militar do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Pedro veio de Jope acompanhado por seis irm\u00e3os (At 10,11-14). Corn\u00e9lio apareceu acompanhado por toda a sua casa-comunidade. S\u00e3o duas comunidades, cada uma com sua lideran\u00e7a, encontrando-se e \u00e9 Pedro quem faz a conex\u00e3o entre elas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Somente quando entrou na casa de Corn\u00e9lio \u00e9 que Pedro entendeu o significado da vis\u00e3o que teve anteriormente: ele referiu-se \u00e0 lei judaica, que pro\u00edbe um judeu de juntar-se a um estrangeiro e entrar em sua casa, e ressaltou a ordem divina de n\u00e3o chamar de profano ou de impuro nenhuma pessoa (At 10,28). O discurso de Pedro mostrou sua mudan\u00e7a de atitude: Deus n\u00e3o faz discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas,<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a><\/sup> o importante \u00e9 a <em>pr\u00e1tica da justi\u00e7a<\/em> (At 10,34-35). O discurso de Pedro \u00e9 interrompido pela descida do Esp\u00edrito Santo, que paira<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a><\/sup> sobre todos os que ouviam a Palavra (At 10,44). Fa\u00edscas de Deus saem do discurso de Pedro. Os circuncisos, que vieram com Pedro, ficam at\u00f4nitos ao ver que os gentios recebem o Esp\u00edrito Santo do mesmo modo como a comunidade de Jerusal\u00e9m o recebeu. \u00c0 ordem de Pedro para que todos sejam batizados, nasce a primeira comunidade crist\u00e3 gentia (At 10,24-48).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A atitude de n\u00e3o discriminar ningu\u00e9m \u00e9 caminho que estabelece a ajuda m\u00fatua e a solidariedade com base nas necessidades. Passa pelo di\u00e1logo que pressup\u00f5e amor ao outro, f\u00e9 no outro e humildade. Eis outra caracter\u00edstica do ecumenismo segundo o livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Ajuda \tm\u00fatua e solidariedade conforme as necessidades<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em At 11,28, o profeta \u00c1gabo escutou um \u201csurrurro-cochicho\u201d de Deus, analisou criticamente a realidade e advertiu: \u201c<em>Vir\u00e1 uma grande fome sobre toda a Terra<\/em>\u201d. <em>S<\/em>ensibilizada pela fome dos \u201csantos\u201d<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a><\/sup> de Jerusal\u00e9m, a comunidade crist\u00e3 de Antioquia enviou-lhes recursos<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote8sym\"><sup>8<\/sup><\/a><\/sup> por meio de Barnab\u00e9 e Paulo, <em>solidarizando-se com eles nos momentos de fome<\/em>. Aqui temos um primeiro exemplo de \u201cajuda intereclesial\u201d, isto \u00e9, Igrejas que d\u00e3o as m\u00e3os considerando-se Igrejas-irm\u00e3s.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Lucas legitimou a Igreja de Antioquia, sem desprezar a Igreja de Jerusal\u00e9m. As duas s\u00e3o necess\u00e1rias: uma para assegurar a continuidade com Israel e a outra para assegurar a miss\u00e3o aos gentios. Mas ambas s\u00e3o convidadas a pensar e agir a partir dos oprimidos. A exist\u00eancia dos diversos modelos de Igreja no cristianismo origin\u00e1rio desafia as nossas Igrejas: devemos construir comunidades que sejam comunh\u00e3o de Igrejas, comunh\u00e3o de diferentes modelos eclesiais, uma Igreja que seja comunh\u00e3o de comunidades.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Princ\u00edpios \tecum\u00eanicos nas primeiras comunidades crist\u00e3s<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em>Todos s\u00e3o iguais diante de Deus<\/em> (Mc 7,24-30; Lc 7,1-10; 13,22-30). A lei j\u00e1 ensinava: \u201cDeus n\u00e3o faz acep\u00e7\u00e3o de pessoas\u201d (Dt 10,17). Paulo assumiu esse ensinamento na carta aos G\u00e1latas (Gl 2,6; 3,28), afirmando que na comunidade, ap\u00f3s o batismo, que \u00e9 igual para todos, n\u00e3o pode haver diferen\u00e7a entre judeus e gregos (preconceitos de ra\u00e7a, de origem, de fam\u00edlia ou de tradi\u00e7\u00e3o), entre escravo e livre (preconceitos econ\u00f4micos, profissionais ou sociais), entre homem e mulher (preconceitos sexistas ou de g\u00eanero). Lucas se refere ao mesmo ensinamento em At 10,34.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O Esp\u00edrito Santo est\u00e1 em todos e em tudo, permeia e perpassa tudo. Todos n\u00f3s somos irm\u00e3os e irm\u00e3s. As comunidades se organizam de acordo com os exclu\u00eddos e as casas. A vida de todos e de tudo \u00e9 o valor maior. Ensinamento <em>dos enviados de Deus<\/em>, os ap\u00f3stolos, n\u00e3o os do imp\u00e9rio. A vida do povo \u00e9 a melhor escola.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Livre e libertador, o Esp\u00edrito de Deus \u00e9 condutor do processo de abertura para atender \u00e0s diferentes necessidades.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nos Atos dos Ap\u00f3stolos temos estas caracter\u00edsticas de universalidade: a) de Pessoas: Pedro e Paulo, Barnab\u00e9, muitas mulheres); b) de Igrejas: de Jerusal\u00e9m, de Samaria, de Antioquia; d) de Regi\u00f5es: Jud\u00e9ia (Jerusal\u00e9m) e S\u00edria (Antioquia); e) de Classes sociais: ricos e pobres; f) de Religi\u00f5es: judeus e pag\u00e3os; g) de G\u00eanero: homem e mulher; e h) de Exerc\u00edcio de poder-servi\u00e7o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para finalizar, n\u00e3o podemos esquecer-nos que em Atos dos Ap\u00f3stolos encontramos tamb\u00e9m uma abertura para a incultura\u00e7\u00e3o. Eis mais uma caracter\u00edstica presente no seio das primeiras comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p><strong>Incultura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"JUSTIFY\">O tema de um santo que viria a este mundo por um nascimento virginal era conhecido tanto em c\u00edrculos judaicos como em tradi\u00e7\u00f5es helen\u00edsticas e eg\u00edpcias. F\u00edlon, o fil\u00f3sofo judeu, j\u00e1 considerava o nascimento de Isaac um nascimento virginal e falava da uni\u00e3o ext\u00e1tica da alma com Deus.<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote9sym\"><sup>9<\/sup><\/a><\/sup> No culto eg\u00edpcio do sol, celebrava-se o nascimento desse astro na passagem do dia 24 para o dia 25 de dezembro e a comunidade assim se manifestava: \u201cA virgem pariu; a luz vem surgindo\u201d.<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote10sym\"><sup>10<\/sup><\/a><\/sup> O rei do Egito \u2014 assim imaginava-se \u2014 era gerado por Deus. Todos esses elementos, eg\u00edpcios e helen\u00edsticos, j\u00e1 estavam presentes no juda\u00edsmo. Lucas, pois, valeu-se de tradi\u00e7\u00f5es judaicas, e respondeu tamb\u00e9m \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es dos gregos. Com a sua narrativa da anuncia\u00e7\u00e3o, o evangelista soube tornar compreens\u00edvel a virgindade \u2013 teol\u00f3gica e n\u00e3o f\u00edsica, obviamente &#8211; da m\u00e3e do Messias, a grandeza desse Messias como Filho de Deus, sua realeza eterna e sua gera\u00e7\u00e3o pelo Esp\u00edrito Santo.<sup><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote11sym\"><sup>11<\/sup><\/a><\/sup> Assim como o solst\u00edcio do ver\u00e3o segue o do inverno em uma dist\u00e2ncia de seis meses, assim Jesus nasce seis meses depois do profeta Jo\u00e3o Batista. Com ele, a luz da gra\u00e7a divina brilha na friagem do nosso mundo. Hoje, muitos te\u00f3logos pedem um di\u00e1logo entre as diversas religi\u00f5es. Lucas j\u00e1 fez isso, no seu tempo, de forma muito sensata. Com as tradi\u00e7\u00f5es de diversas correntes religiosas como pano de fundo, ele formulou a mensagem do mist\u00e9rio de Jesus de tal maneira que pessoas de todas as culturas religiosas podem entender o que, em Jesus, Deus lhes concedeu.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Di\u00e1logo inter-religioso verdadeiro \u2014 no n\u00edvel tanto pequeno quanto grande \u2014 respeita as identidades de pessoas e grupos e, cada vez mais, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria\u201d para uma conviv\u00eancia com qualidade e plenitude.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Hoje h\u00e1 um esfor\u00e7o de caminhada inter-religiosa entre v\u00e1rias Igrejas e religi\u00f5es, mas h\u00e1 obst\u00e1culos que entravam esse processo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Enfim, com Hans Kung afirmamos que n\u00e3o haver\u00e1 paz no mundo sem paz entre as religi\u00f5es. Entre n\u00f3s acrescentamos, tamb\u00e9m paz entre as igrejas. Bom ser\u00e1 se convivermos a partir de uma \u00e9tica m\u00ednima. Nessa perspectiva o ecumenismo tem muito a nos inspirar.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 de mar\u00e7o de 2013.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote1anc\">1<\/a> Frei e padre carmelita; bacharel e licenciado em Filosofia pela \tUFPR, bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica \tpelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma, It\u00e1lia; doutorando em \tEduca\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via \tCampesina, em Minas Gerais; e \tmail:\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a><\/span> \u2013<span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a><\/span> \u2013\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a><\/span> &#8211; \tfacebook: Gilvander Moreira<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote2anc\">2<\/a>Cf. \tAt 16,1.11-18.40; 17,4.12.34; 18,1; 21,5.9; 22,4; 23,16; 24,24; \t25,13.23; 26,30.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote3anc\">3<\/a>Dom \tMoacyr Grechi, ao investigar den\u00fancias de torturas de trabalhadores \trurais b\u00f3ias-frias, disse: \u201cQuero uma reuni\u00e3o somente com os \ttrabalhadores, pois junto com os patr\u00f5es eles n\u00e3o estar\u00e3o livres \tpara dizer a verdade.\u201d<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote4anc\">4<\/a>Uma \tIgreja que se apega ao poder e casa com ele troca o Evangelho por \tuma alian\u00e7a com um projeto sat\u00e2nico.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote5anc\">5<\/a>S\u00e3o \tTiago nos alerta que Deus n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o de pessoas, mas faz \top\u00e7\u00e3o pelos pobres. N\u00e3o \u00e9 toler\u00e1vel \u201cricos\u201d discriminarem \t\u201cpobres\u201d (Tg 2,1-9).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote6anc\">6<\/a>Podemos \tperguntar: \u201cComo o Esp\u00edrito desceu&#8230;?\u201d Certamente n\u00e3o foi de \tuma forma m\u00e1gica. O certo \u00e9 que \u201cda mesma forma\u201d que o \tEsp\u00edrito agia nos primeiros crist\u00e3os continua agindo hoje no meio \tdo povo. Um dia eu perguntei a uma religiosa: \u201c<em>Por que voc\u00ea se \ttornou freira?\u201d<\/em> Ela me respondeu imediatamente: \u201cDeus me \tchamou!\u201d Eu insisti: \u201cMas como?\u201d Ela desconversou: \u201cEu teria \tque te contar toda a minha vida para voc\u00ea ver Deus me chamando, mas \to mais importante \u00e9 voc\u00ea acreditar que Deus me chamou para uma \tmiss\u00e3o\u201d. Assim tamb\u00e9m o Esp\u00edrito de Deus continua agindo de mil \te uma formas. Por exemplo, no 10\u00ba Intereclesial das CEBs em Ilh\u00e9us, \tBA, em julho de 2000, vivemos uma semana de um grande Pentecostes. \tAlgo parecido aconteceu tamb\u00e9m no 11\u00ba Intereclesial, em Ipatinga, \tMG, em 2005 e no 12\u00ba Intereclesial, em Porto Velho, RO, em 2009. \tQuem estava l\u00e1 com o cora\u00e7\u00e3o aberto e desarmado pode ensaiar para \tfalar o que aconteceu, mesmo sabendo que s\u00e3o experi\u00eancias \tindescrit\u00edveis.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote7anc\">7<\/a>Assim \tos crist\u00e3os eram chamados.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote8anc\">8<\/a>N\u00e3o \tse trata de esmolas, e sim de servi\u00e7o entre irm\u00e3os ou de \tsolidariedade (cf. Mt 10,45; Lc 22,27; 1Cor 12,5; 2Cor 4,1; 5,18; \t6,3).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote9anc\">9<\/a>Bovon, \tF. <em>L\u2019Evangile de Luc 1\u20139. <\/em>Paris, 1993. p. 66.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote10anc\">10<\/a>Ibidem, \tp. 68.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#sdfootnote11anc\">11<\/a>Ibidem, \tp. 69.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ecumenismo a partir da Obra Lucana Gilvander Lu\u00eds Moreira1 Iniciando a reflex\u00e3o. Pode parecer anacronismo falar em ecumenismo nas primeiras comunidades crist\u00e3s a partir de Atos dos Ap\u00f3stolos, mas se justifica, pois n\u00e3o existiu somente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":279,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236\/revisions\/279"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}