{"id":306,"date":"2016-09-03T20:57:07","date_gmt":"2016-09-03T23:57:07","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=306"},"modified":"2016-09-03T20:57:07","modified_gmt":"2016-09-03T23:57:07","slug":"a-luta-pela-terra-em-tres-marias-mg-de-1959-a-1964-liga-camponesa-com-a-lideranca-de-randolfo-fernandes-de-lima","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-luta-pela-terra-em-tres-marias-mg-de-1959-a-1964-liga-camponesa-com-a-lideranca-de-randolfo-fernandes-de-lima\/","title":{"rendered":"A luta pela terra em Tr\u00eas Marias, MG, de 1959 a 1964: Liga Camponesa com a lideran\u00e7a de Randolfo Fernandes de Lima."},"content":{"rendered":"<p><strong>A luta pela terra em Tr\u00eas Marias, MG, de 1959 a 1964: Liga Camponesa com a lideran\u00e7a de Randolfo Fernandes de Lima.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-307\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Liga-Camponesa-Reforma-agr\u00e1ria-na-lei-ou-na-marra-300x188.jpg\" alt=\"Liga Camponesa - Reforma agr\u00e1ria na lei ou na marra\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Liga-Camponesa-Reforma-agr\u00e1ria-na-lei-ou-na-marra-300x188.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Liga-Camponesa-Reforma-agr\u00e1ria-na-lei-ou-na-marra.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><!--more-->\u201cDa outra margem do rio havia um mato muito bom. Procurei saber de quem eram aquelas terras\u201d, conta Randolfo Fernandes de Lima. E pediu para trabalhar por ali como arrendat\u00e1rio. Em 1959, o homem que diziam ser o dono daquela grande \u00e1rea n\u00e3o cultivada recusou a proposta. Ciente de que, pela Lei, a Uni\u00e3o tem dom\u00ednio sobre at\u00e9 trinta metros \u00e0s margens dos rios naveg\u00e1veis, Randolfo decidiu ocupar uma gleba daquelas \u00e0 beira do S\u00e3o Francisco, no estado de Minas Gerais, a dois quil\u00f4metros da barragem de Tr\u00eas Marias. Tomou posse da \u00e1rea junto a outras fam\u00edlias, em um total de cento e vinte pessoas. Constru\u00edram seus ranchos e passaram a plantar arroz, feij\u00e3o, milho, mandioca, cana, banana e hortali\u00e7as. Em pouco tempo, outras fam\u00edlias uniram-se \u00e0 empreitada de Randolfo. A rea\u00e7\u00e3o do pretenso dono n\u00e3o tardou.<\/p>\n<p>Em 1961, vieram os representantes dos fazendeiros: oficiais de Justi\u00e7a munidos de um mandado de reintegra\u00e7\u00e3o de posse e capangas armados. Al\u00e9m de expulsos, os posseiros tiveram suas ro\u00e7as e casas destru\u00eddas, tendo que se deslocar para a localidade de \u201cC\u00f3rrego Seco\u201d, onde, como sugeria o nome, viveram \u00e0 m\u00edngua, sem ter como cultivar. Mas o movimento dos posseiros ali se consolidava, fundando-se na consci\u00eancia de que fortaleciam um movimento social de \u00e2mbito nacional. Era o ano do I Congresso Nacional de Lavradores e Trabalhadores Agr\u00edcolas, realizado em Belo Horizonte (conhecido por Congresso de Belo Horizonte), e no qual compareceram nada menos do que trezentos e seis representantes da ent\u00e3o rec\u00e9m criada Associa\u00e7\u00e3o de Lavradores de Tr\u00eas Marias. O conflito \u00e0s margens do rio S\u00e3o Francisco transformava-se assim em luta pol\u00edtica de toda uma classe. Na funda\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o, a causa dos camponeses posseiros respaldava-se pela presen\u00e7a de quinhentas pessoas, entre lavradores e figuras not\u00f3rias, como o professor Tiago Cintra, o l\u00edder campon\u00eas J\u00f4fre Correia, o deputado do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Hernani Maia e o advogado Romanelli. Sob forte tens\u00e3o, foram todos amea\u00e7ados por um grupo de jagun\u00e7os que gritavam \u201cos cubanos est\u00e3o aqui!\u201d; \u201celes s\u00e3o comunistas!\u201d. Mas a luta n\u00e3o esmoreceu. Ao contr\u00e1rio, ganharam de volta o direito \u00e0 posse e, a partir da\u00ed, articularam-se a diversas for\u00e7as pol\u00edticas de esquerda, como as Ligas Camponesas com a visita de Francisco Juli\u00e3o, o PCB, a AP, e a POLOP.<\/p>\n<p>Com tr\u00eas mil membros, a associa\u00e7\u00e3o transformou-se no Sindicato Rural dos Produtores Aut\u00f4nomos de Tr\u00eas Marias. Em 1963, perderam na Justi\u00e7a o direito a permanecer nas terras, mas, em resposta \u00e0 carta aberta destinada ao presidente da Superintend\u00eancia da Reforma Agr\u00e1ria (SUPRA), Jo\u00e3o Pinheiro Neto, obtiveram a interven\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel direta do presidente Jo\u00e3o Goulart. Por meio de Decreto, Jango anula a decis\u00e3o judicial, destinando a terra \u201c\u00e0 fixa\u00e7\u00e3o dos camponeses que ali se encontram trabalhando e produzindo, tendo em vista solucionar grav\u00edssimo problema social.\u201d A not\u00edcia repercutiu e, em reportagem do Estado de Minas, os fazendeiros prometiam rea\u00e7\u00e3o. O golpe militar viria em seguida. Randolfo Fernandes e outros l\u00edderes de Tr\u00eas Marias foram presos, os demais camponeses, de uma vez por todas expulsos de suas terras.<\/p>\n<p>P.S.: O texto acima consta livro CARNEIRO, Ana; CIOCCARI, Marta. <strong>Retrato da Repress\u00e3o Pol\u00edtica no Campo \u2013 Brasil 1962-1985 \u2013 Camponeses torturados, mortos e desaparecidos<\/strong>. Bras\u00edlia: MDA, 2010, p. 199-201. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/w3.ufsm.br\/gpet\/files\/pageflip-4001789-487363-lt_Retrato_da_Represso_P-9170061.pdf\">http:\/\/w3.ufsm.br\/gpet\/files\/pageflip-4001789-487363-lt_Retrato_da_Represso_P-9170061.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta pela terra em Tr\u00eas Marias, MG, de 1959 a 1964: Liga Camponesa com a lideran\u00e7a de Randolfo Fernandes de Lima.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":308,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306\/revisions\/308"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}