{"id":40,"date":"2010-12-01T15:24:12","date_gmt":"2010-12-01T17:24:12","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=40"},"modified":"2010-12-01T15:24:12","modified_gmt":"2010-12-01T17:24:12","slug":"transposicao-uma-enganacao-carta-de-manoel-bomfim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/transposicao-uma-enganacao-carta-de-manoel-bomfim\/","title":{"rendered":"Transposi\u00e7\u00e3o, uma engana\u00e7\u00e3o &#8211; Carta de Manoel Bomfim"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Transposi\u00e7\u00e3o, uma grande engana\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Carta de Manoel Bomfim<a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a> ao escritor Antonio Ris\u00e9rio<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp; Salvador, Bahia, 29 de novembro de 2010<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&nbsp;Ao escritor Antonio Ris\u00e9rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permita-me comentar o seu artigo SOBRE O VELHO CHICO publicado&nbsp; no jornal A TARDE&nbsp; de s\u00e1bado, dia 27 deste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Voc\u00ea est\u00e1 cert\u00edssimo sobre o nome \u201cRio de S\u00e3o Francisco,\u201d t\u00edtulo que encima o livro hist\u00f3rico de Geraldo Rocha, obra prima sobre o grande rio. Sobre a barragem do Sobradinho e Xing\u00f3 e o aproveitamento energ\u00e9tico de Paulo Afonso&nbsp; estamos acordes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nosso coment\u00e1rio prende-se a mega Transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco para o Semi-\u00c1rido brasileiro. Entendi, no seu artigo, que as rea\u00e7\u00f5es&nbsp; do momento&nbsp; transformar-se-\u00e3o&nbsp; em apoio futuro quando executada&nbsp; a obra, como fora o comportamento dos ribeirinhos com&nbsp; a transfer\u00eancia das cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A constru\u00e7\u00e3o das obras da transposi\u00e7\u00e3o oferece aspectos diferentes, sen\u00e3o vejamos: no ano de 1820 D. Jo\u00e3o VI teve a id\u00e9ia de abrir um canal&nbsp; do rio S\u00e3o Francisco para o rio Jaguaribe, &nbsp;isto porque a rede potamogr\u00e1fica do Nordeste, apesar de bem distribu\u00edda, era e \u00e9 intermitente, ficando os leitos dessecados logo ap\u00f3s as chuvas do per\u00edodo, devido \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o descomunal que se abate sobre o Nordeste. Chega a 3.000 mm\/ano, ou seja, uma coluna l\u00edquida de <st1:metricconverter productid=\"3 metros\">3 metros<\/st1:metricconverter>&nbsp; de \u00e1gua sobe pelos ares anualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O nordestino, com sua inventiva, tangido pela necessidade de sobreviv\u00eancia, construiu&nbsp; pequenos barramentos, bastante primitivos, mas que retinham a \u00e1gua por um tempo maior. A id\u00e9ia foi sendo imitada, todo mundo fazia as suas pequenas aguadas. A coisa evoluiu, as t\u00e9cnicas foram avan\u00e7ando e o baronato rural come\u00e7ou a executar a\u00e7udes de m\u00e9dio porte que j\u00e1 suportavam&nbsp; as travessias dos per\u00edodos estivais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;Os engenheiros nordestinos se aprimoraram em projetos ousados e, no s\u00e9culo XX, se tornaram os melhores hidr\u00f3logos do mundo nas t\u00e9cnicas da constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes. Houve uma grande nuclea\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o destas obras e chegamos,&nbsp; ao alvorecer do s\u00e9culo XXI, com mais de 70.000 mil a\u00e7udes nos quatro estados: Cear\u00e1. Rio Grande do Norte, Para\u00edba e Pernambuco, armazenando 40 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua, volume equivalente a 16 vezes a baia da Guanabara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Existem cerca de 20.000 a\u00e7udes&nbsp; de constru\u00e7\u00e3o primorosa, s\u00e3o reservat\u00f3rios&nbsp; que n\u00e3o secam jamais, com 20, 30, 40, ou mais metros de profundidade, suportando as grandes secas&nbsp; que ocorrem. &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Temos, assim, a maior rede de a\u00e7udes&nbsp; do planeta Terra em regi\u00f5es \u00e1ridas e semi-\u00e1ridas do mundo, mas a id\u00e9ia da Transposi\u00e7\u00e3o ficou implantada na cabe\u00e7a de grupos, sobretudo de alguns pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Saiba, portanto, prezado Riz\u00e9rio, que o Semi-\u00c1rido brasileiro armazena \u00e1gua muito al\u00e9m das suas necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;O subsolo do Nordeste disp\u00f5e, tamb\u00e9m, de 135 bilh\u00f5es de m\u00b3 de \u00e1gua acumulados, podendo ser extra\u00eddos cerca de 27 bilh\u00f5es por ano sem baixar os seus aq\u00fc\u00edferos.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Transposi\u00e7\u00e3o, obra cicl\u00f3pica que vai engolir mais de 16 bilh\u00f5es de reais, se um dia for conclu\u00edda, vai transportar inicialmente 26 m\u00b3\/s, ou seja, 400 milh\u00f5es de m\u00b3\/ano, volume igual a um a\u00e7ude m\u00e9dio dos milhares que existem na regi\u00e3o. No pico, pode transportar at\u00e9 127 m\u00b3\/s ou seja 2 bilh\u00f5es por ano, volume &nbsp;igual \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 a\u00e7ude, &nbsp;o Castanh\u00e3o, que evapora exatamente 2 bilh\u00f5es&nbsp; dos 6,7 bilh\u00f5es que armazena. Este \u00e9 o maior a\u00e7ude do mundo em rios intermitentes que, ir\u00e1 receber \u00e1gua da Transposi\u00e7\u00e3o. Uma irris\u00e3o. Os dois canais (Norte e Leste) v\u00e3o levar os 2 bilh\u00f5es de \u00e1gua para 8 a\u00e7udes que j\u00e1 acumulam 13 bilh\u00f5es que, por sua vez, evaporam 4 bilh\u00f5es. Chegam 2 bi onde evaporam 4 bi. Entenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observe, 40 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua n\u00e3o resolveram o problema de \u00e1gua da regi\u00e3o, mas 2 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos (5%) v\u00e3o resolver, diz o Governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que faltam nos nossos a\u00e7udes \u00e9 a <span style=\"text-decoration: underline;\">distribui\u00e7\u00e3o<\/span> atrav\u00e9s de um robusto sistema de adutoras. Existem apenas <st1:metricconverter productid=\"4.000 km\">4.000 km<\/st1:metricconverter> de adutoras principais. Necessitamos de <st1:metricconverter productid=\"40.000 km\">40.000 km<\/st1:metricconverter> para as \u00e1guas dos nossos a\u00e7udes viajarem&nbsp; por todos os cantos e recantos do Semi-\u00c1rido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Meu caro, esta \u00e9 uma an\u00e1lise cartesiana, bem resumida e verdadeira. Venho blaterando, eu e um&nbsp; grupo de t\u00e9cnicos, contra este crime de <em>lesa-p\u00e1tria<\/em> que o Governo comete&nbsp; contra a sociedade ap\u00e1tica do nosso Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Existem no Nordeste brasileiro 38 obras do Governo inconclusas e abandonadas. Esta ser\u00e1 mais uma, cujos escombros em concreto ficar\u00e3o expostos e eternizados \u00e0 flor da terra, atestando a inc\u00faria e a irresponsabilidade criminosa de um Governo. Servir\u00e1, apenas, como uma an\u00e1lise a ser feita &nbsp;pelos nossos p\u00f3steros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Estamos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para uma exposi\u00e7\u00e3o pessoal, para uma palestra ou o que voc\u00ea quiser sobre este tema.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; Atenciosamente<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Manoel Bomfim Ribeiro<\/p>\n<p>E-mail: <a href=\"mailto:manoel.bomfim@terra.com.br\">manoel.bomfim@terra.com.br<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<strong>Obs.:<\/strong> Cf. tamb\u00e9m o artigo de Manoel Bomfim Ribeiro: \u201cTRANSPOSI\u00c7\u00c3O: uma an\u00e1lise cartesiana\u201d, disponibilizado no link, abaixo:<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><a href=\"http:\/\/www.adital.com.br\/site\/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=32494\">http:\/\/www.adital.com.br\/site\/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=32494<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/> <\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftnref1\">[1]<\/a> Engenheiro civil, com especializa\u00e7\u00e3o em Geologia e hidrologia; ex-diretor do DNOCS; ex-secret\u00e1rio geral do Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia; ex-diretor da CODEVASF; ex-consultor da OEA \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos; conselheiro da Funda\u00e7\u00e3o Franco-Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento (FUBR\u00c1S), membro do Instituto do Sol, cidad\u00e3o honor\u00e1rio em 27 munic\u00edpios do Semi-\u00e1rido. Autor do livro <em>A Potencialidade do Semi-\u00e1rido Brasileiro<\/em> (O Rio S\u00e3o Francisco: Transposi\u00e7\u00e3o e Revitaliza\u00e7\u00e3o, uma an\u00e1lise), Bras\u00edlia, 2007. \u201cLivro imprescind\u00edvel para compreender o Semi-\u00e1rido, seu povo, sua riqu\u00edssima biodiversidade e uma imensa riqueza cultural\u201d, diz Dom Luiz Fl\u00e1vio Cappio. O e-mail de Manoel Bomfim \u00e9: <a href=\"mailto:manoel.bomfim@terra.com.br\">manoel.bomfim@terra.com.br<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transposi\u00e7\u00e3o, uma grande engana\u00e7\u00e3o Carta de Manoel Bomfim[1] ao escritor Antonio Ris\u00e9rio &nbsp; Salvador, Bahia, 29 de novembro de 2010<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-40","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}