{"id":41,"date":"2010-12-05T19:19:10","date_gmt":"2010-12-05T21:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=41"},"modified":"2010-12-05T19:19:10","modified_gmt":"2010-12-05T21:19:10","slug":"direitos-da-mulheres-na-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/direitos-da-mulheres-na-prostituicao\/","title":{"rendered":"Direitos das Mulheres marginalizadas na prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\" style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 16pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\" style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Direitos das mulheres marginalizadas<o:p><\/o:p><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\" style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Entrevista com Isabel Brand\u00e3o Furtado<a name=\"_ftnref1\" href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftn1\" style=\"mso-footnote-id: ftn1;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"mso-special-character: footnote;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;\">[1]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt 45pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Dia 11 de dezembro de 2010, Delze dos Santos Laureano e Gilvander Lu\u00eds Moreira entrevistaram a psic\u00f3loga Isabel Brand\u00e3o Furtada, que pertence \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o da Pastoral da Mulher Marginalizada, de Belo Horizonte \u2013 BH -, MG. O assunto foi o <strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">Direito Fundamental da Dignidade da Pessoa Humana e os Direitos das Mulheres Marginalizadas<\/strong> que est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt 45pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;no centro da capital mineira e em todas as cidades do Brasil e do mundo. A entrevista ir\u00e1 ao ar pela TV Comunit\u00e1ria, de Belo Horizonte \u2013 TVC\/BH &#8211; e ser\u00e1 disponibilizada, em breve, na internet, via <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/\"><span style=\"color: #800080;\">www.youtube.com<\/span><\/a> <span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp;<\/span>\u2013 Transcrevemos, abaixo, os principais pontos da entrevista.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">1) Para in\u00edcio de conversa, gostar\u00edamos que voc\u00ea falasse um pouco sobre a sua trajet\u00f3ria de vida. Por que optou pela psicologia como profiss\u00e3o? Por que e como abra\u00e7ou a causa das mulheres que est\u00e3o sobrevivendo na prostitui\u00e7\u00e3o no centro de Belo Horizonte?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Formei-me h\u00e1 30 anos atr\u00e1s. Tenho um grande desejo de conhecer o ser humano, de cuidar. Tenho uma certeza: gosto muito de estar com pessoas, amo gente.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">O trabalho da Pastoral da Mulher Marginalizada \u00e9 um longo e cont\u00ednuo caminho de convers\u00e3o que come\u00e7ou quando fui trabalhar como volunt\u00e1ria na Casa Madre Teresa (que est\u00e1 no centro de Belo Horizonte), que \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o que cuida de mulheres com trajet\u00f3ria de rua. Ali fiquei conhecendo tio Maur\u00edcio<a name=\"_ftnref2\" href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftn2\" style=\"mso-footnote-id: ftn2;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"mso-special-character: footnote;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;\">[2]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a> e atrav\u00e9s dele cheguei \u00e0 Pastoral. Para mim \u00e9 muito importante a dimens\u00e3o da espiritualidade e este \u00e9 o jeito que encontrei de me aproximar de Deus. Para mim Deus tem o rosto dessas mulheres. Ent\u00e3o \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de amor. Eu sou apaixonada pelo meu trabalho. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">A Pastoral da Mulher Marginalizada \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, existe a mais de 25 anos. Come\u00e7ou como iniciativa de um grupo de religiosas e leigas sensibilizados ante a situa\u00e7\u00e3o das mulheres que batalhavam na Lagoinha e no Bonfim (centro velho de Belo Horizonte).<span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp; <\/span>Hoje \u00e9 apoiada pelas Irm\u00e3s Oblatas do Sant\u00edssimo Redentor, que a cerca de 150 anos foram fundadas na Espanha para cuidar das mulheres em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o e atualmente realizam este trabalho em v\u00e1rias partes do mundo. Est\u00e1 composta por uma equipe interdisciplinar que recolhe essa heran\u00e7a e assume essa miss\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">2) Atualmente, a regi\u00e3o central de Belo Horizonte \u00e9 o local onde se concentra o maior n\u00famero de mulheres que exercem a prostitui\u00e7\u00e3o na capital mineira, sendo marcada pela presen\u00e7a dos \u201chot\u00e9is de alta rotatividade\u201d e pela prostitui\u00e7\u00e3o de rua localizada na Pra\u00e7a da Rodovi\u00e1ria. Qual \u00e9 a realidade das mulheres que est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o no centro de BH? <o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> O p\u00fablico da Pastoral \u00e9 as mulheres que batalham no hipercentro de BH. Elas se autoreconhecem como \u201cmulheres da batalha\u201d. Essa \u00e9 a realidade com a qual trabalhamos, mas em BH existem in\u00fameros pontos de prostitui\u00e7\u00e3o: boates, casas de massagem, saunas, o alto da Afonso Pena, os books dos hot\u00e9is de luxo. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">N\u00e3o podemos esquecer que estamos focando na prostitui\u00e7\u00e3o feminina. Existem tamb\u00e9m os garotos de programa e os travestis, por\u00e9m esta \u00e9 uma realidade que n\u00e3o conhe\u00e7o.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">O que observo \u00e9 que as cerca de 2000 mulheres que est\u00e3o no hipercentro de BH, antes de serem mulheres em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mulheres pobres, s\u00e3o m\u00e3es de fam\u00edlia lutando sozinhas pela manuten\u00e7\u00e3o de seus filhos. Se ampliarmos o nosso olhar e enxergarmos para al\u00e9m do estigma imposto a essas mulheres, vamos ver um universo <st1:personname productid=\"em comum. S\uffe3o\" w:st=\"on\">em comum. S\u00e3o<\/st1:personname> pessoas que desde muito cedo convivem com a pobreza cr\u00f4nica e suas implica\u00e7\u00f5es: moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, escolaridade prec\u00e1rias; fam\u00edlias desestruturadas. Observo que os pais que n\u00e3o conseguem prover os filhos reagem a essa frustra\u00e7\u00e3o com viol\u00eancia; a raiva que sentem pela situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria em que vivem \u00e9 deslocada para os filhos. Ent\u00e3o, foram crian\u00e7as que conviveram com viol\u00eancia, alcoolismo, abusos sexuais por parte dos cuidadores, que nem sempre s\u00e3o os pais. S\u00e3o m\u00e3es muito jovens j\u00e1 que iniciam muito precocemente a vida sexual. Geralmente, o pai n\u00e3o est\u00e1 presente e devem cuidar sozinhas dos filhos. O mais comum \u00e9 que conhe\u00e7am a prostitui\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma amiga. Posso citar o caso de uma mulher que estava passando grande dificuldade com os filhos e uma amiga a aconselhou a se prostituir. Ela reagiu dizendo que de forma nenhuma faria isto, porque sentia muita vergonha. A amiga lhe disse: \u201cvergonha \u00e9 seus filhos morrendo de fome\u201d. N\u00e3o quero que estes coment\u00e1rios reforcem a id\u00e9ia de que a mulher \u00e9 apenas \u201cuma v\u00edtima do sistema\u201d. Quero antes destacar que \u00e9 uma mulher de luta, da batalha como elas mesmas dizem e que, por mais estranho que seja, lutam com os recursos que tem.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">3) Existe, de fato, uma realidade comercial no mundo da prostitui\u00e7\u00e3o no centro de BH? Di\u00e1rias, pre\u00e7os dos programas, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sele\u00e7\u00e3o de mulheres etc? Enfim, quem ganha com a prostitui\u00e7\u00e3o?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> H\u00e1 mais de 50 anos a regi\u00e3o central de Belo Horizonte \u00e9 conhecida como \u00e1rea de prostitui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o cerca de 20 hot\u00e9is onde batalham aproximadamente 2000 mulheres. H\u00e1 uma estimativa informal, baseada no consumo de preservativos de que ali ocorrem 300 mil rela\u00e7\u00f5es sexuais por m\u00eas. O pre\u00e7o m\u00e9dio do programa \u00e9 de 10 reais e a di\u00e1ria em torno de 60 reais. Quer dizer que 60% do total arrecadado \u00e9 distribu\u00eddo para os 20 propriet\u00e1rios de hot\u00e9is e os 40% restante para as 2000 mulheres. H\u00e1 propriet\u00e1rios que s\u00e3o donos de v\u00e1rios hot\u00e9is. Al\u00e9m de pagar a di\u00e1ria, as mulheres devem levar o material de trabalho: camisinha, papel higi\u00eanico, gel lubrificante, a roupa de cama e banho e mais a alimenta\u00e7\u00e3o e o transporte. E mais: s\u00e3o respons\u00e1veis pela limpeza do quarto. Os hot\u00e9is s\u00e3o pr\u00e9dios antigos com infra-estrutura muito prec\u00e1ria. Geralmente a cama \u00e9 de alvenaria, h\u00e1 somente um bid\u00ea ou um vaso sanit\u00e1rio, o chuveiro \u00e9 coletivo, um por andar, o ambiente \u00e9 mal iluminado, pouca ventila\u00e7\u00e3o e a limpeza \u00e9 prec\u00e1ria. Al\u00e9m disso, os hot\u00e9is costumam vender os materiais necess\u00e1rios ao trabalho e alugar as roupas de cama, caso a mulher n\u00e3o leve a sua. Enquanto trabalha, se a mulher precisar comprar ou pagar algo na cidade, deve pagar uma pessoa para fazer este servi\u00e7o. Apesar de tudo as mulheres costumam dizer que o dinheiro n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 r\u00e1pido. Enfim, quando a mulher come\u00e7a sua batalha di\u00e1ria, ela inicia devendo acima de 100 reais, ou seja, somente ap\u00f3s fazer dez programas, ela ganhar\u00e1 algo para si e para sua fam\u00edlia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">4) Qual o objetivo da Pastoral da Mulher Marginalizada? Ainda existe hoje a velha tentativa de retirar as mulheres da prostitui\u00e7\u00e3o, como se todas estivessem neste trabalho por falta de op\u00e7\u00e3o?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> A pergunta que sempre nos fazem \u00e9 se pretendemos tirar a mulher da prostitui\u00e7\u00e3o.<span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp; <\/span>N\u00f3s, por\u00e9m, acolhemos indistintamente as que desejam deixar a batalha e as que n\u00e3o desejam. Oferecemos capacita\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de seu interesse, independentemente da decis\u00e3o que tomem. N\u00f3s temos cursos de inclus\u00e3o digital, costura, cabeleireira, culin\u00e1ria e orienta\u00e7\u00e3o educacional para as que desejam retomar os estudos. Temos tamb\u00e9m um pequeno grupo que trabalha nos princ\u00edpios da Economia Popular Solid\u00e1ria produzindo bolsas de tecido. Contudo, o mais importante para n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 a capacita\u00e7\u00e3o e sim os conte\u00fados formativos que trabalhamos com as mulheres. Damos \u00eanfase especial aos temas relacionados a g\u00eanero, cidadania, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Entendemos que assim podemos fortalecer sua auto-estima, o conhecimento de si mesma e de seus direitos resgatando sua dignidade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Este ano, o de 2010 em especial, firmamos parceria com a Defensoria P\u00fablica Estadual e discutimos algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o do hipercentro de BH que \u00e9 um projeto da prefeitura. At\u00e9 o momento n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es concretas. O que constatamos \u00e9 que n\u00e3o existe preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o das mulheres.<span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp;&nbsp; <\/span>Lan\u00e7amos tamb\u00e9m uma cartilha em parceria com a Faculdade de Enfermagem da UFMG<a name=\"_ftnref3\" href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftn3\" style=\"mso-footnote-id: ftn3;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"mso-special-character: footnote;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;\">[3]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a>. A cartilha \u201cQuem v\u00ea cara n\u00e3o v\u00ea contamina\u00e7\u00e3o\u201d aborda DST\/AIDS e foi elaborada a partir de d\u00favidas das pr\u00f3prias mulheres. Quer dizer, o seu conte\u00fado \u00e9 bem espec\u00edfico para o p\u00fablico <st1:personname productid=\"em quest\uffe3o. A\" w:st=\"on\">em quest\u00e3o. A<\/st1:personname> cartilha, inclusive recebeu o pr\u00eamio \u201cUFMG Conhecimento e Cultura <st1:metricconverter productid=\"2010\u201d\" w:st=\"on\">2010\u201d<\/st1:metricconverter>. Temos tamb\u00e9m parceria com o Centro de Sa\u00fade Carlos Chagas (localizado \u00e0 Al. Ezequiel Dias, 345, Centro de Belo Horizonte, MG) que atende muito bem as mulheres que encaminhamos. Com isso tentamos minimizar a absoluta falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">5) Isabel, voc\u00ea fez especializa\u00e7\u00e3o, inclusive com monografia, sobre o mundo das mulheres que est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o no centro de BH. Voc\u00ea deve ter feito pesquisa e estudou muito. Quais foram as principais descobertas?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Acho duas quest\u00f5es fundamentais. Primeiro, a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema complexo e n\u00e3o podemos pens\u00e1-lo fora de um contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico-econ\u00f4mico, transversalizado pelas quest\u00f5es do patriarcado e de g\u00eanero. A hist\u00f3ria de opress\u00e3o das mulheres \u00e9 antiga. Passamos da condi\u00e7\u00e3o de deusas na Antiguidade para bruxas na Idade M\u00e9dia. Nosso corpo, secularmente tem sido colocado como propriedade do homem e servido para a procria\u00e7\u00e3o. Com a desculpa de nossa pouca for\u00e7a f\u00edsica e da necessidade de cuidar da prole nos exclu\u00edram da vida produtiva e da vida p\u00fablica. Homem de vida p\u00fablica \u00e9 pol\u00edtico. E a mulher da vida p\u00fablica quem \u00e9?<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 26.95pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Outra quest\u00e3o: estamos num mundo capitalista, neoliberal, pautado pelo individualismo e pelo consumismo, onde consumir \u00e9 existir. A roupa que vestimos, o celular que usamos, o bairro onde moramos, o nosso corpo fala de quem somos, de onde viemos.<span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp; <\/span>O bolso \u00e9 o mais profundo que se v\u00ea das pessoas. Quem est\u00e1 fora n\u00e3o pertence, n\u00e3o \u00e9. Quem vai calar essa dor? Por\u00e9m, o que me encanta \u00e9 que no exerc\u00edcio da prostitui\u00e7\u00e3o existe uma \u00e9tica. A mulher decide qual o cliente atender\u00e1, que tipo de programa realizar\u00e1 e quanto cobrar\u00e1. Assim, ela pode exercer minimamente seu poder de decis\u00e3o. Pode parecer estranho, mas a transgress\u00e3o \u00e9 a possibilidade que tem de confrontar a sociedade excludente na qual vive.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">6) As mulheres que est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o no centro de BH sofrem viol\u00eancia? H\u00e1 ocorr\u00eancia de mortes?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 10pt; text-indent: 27pt; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> A viol\u00eancia \u00e9 constante tanto por parte dos clientes quanto por parte dos gerentes, funcion\u00e1rios e propriet\u00e1rios dos hot\u00e9is.<span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp; <\/span>Al\u00e9m disso, a viol\u00eancia simb\u00f3lica impede que a mulher assuma inclusive seu nome verdadeiro. Um de seus maiores temores \u00e9 de que seja reconhecida. Assim est\u00e1 constantemente acuada. Estamos lan\u00e7ando um jornalzinho e criamos um blog \u2013 http:\/\/coisasdehomensdebh.blogspot.com\/ &#8211; visando conhecer quem s\u00e3o esses homens que freq\u00fcentam a zona e sensibiliz\u00e1-los para a realidade das mulheres. Neste jornal publicamos o texto de uma mulher que participa da Pastoral onde ela relata o que seria o cliente ideal, \u201c<em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">um Cavalheiro: Aquele que nos trata com afeto mesmo sabendo que somos profissionais; aquele cara que nos procura pelo nosso trabalho e nos respeita; aquele que se alivia conosco do estresse do dia-a-dia, nos agradecendo por existirmos; aquele cliente que chama-nos para beber e n\u00e3o usa isso como vantagem; aquele que nos convida para um almo\u00e7o pelo simples prazer da nossa companhia; aquele homem que vem limpinho e cheiroso para n\u00f3s que fazemos de tudo para estarmos limpinha e cheirosa para ele; aquele que pode ser oper\u00e1rio, pe\u00e3o, comerciante, estudante, professor, doutor&#8230;, mas demonstra educa\u00e7\u00e3o; aquele que mesmo tendo trabalhado tanto, o dia todo, estando t\u00e3o cansado n\u00e3o desconta em n\u00f3s; aquele antes de tudo, este homem seja um gentleman<\/em>.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">7) Como \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos em vista do desrespeito \u00e0 dignidade da pessoa humana, em especial o direito dessas mulheres? <o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Conhece o ditado \u201ca corda sempre arrebenta do lado mais fraco\u201d? Infelizmente \u00e9 isso que acaba acontecendo. As mulheres da batalham s\u00e3o tratadas como objeto, como mercadoria, e n\u00e3o como sujeitos de direito, como tendo dignidade humana.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">8) A COPA vem a\u00ed, em 2014. As mulheres que est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o no centro de BH ser\u00e3o atingidas pela COPA tamb\u00e9m? Como?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Bom, entre as mulheres corre a not\u00edcia de que BH \u00e9 um bom lugar para se ganhar dinheiro j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 o cafet\u00e3o. Acredito que a Copa atrair\u00e1 muitas mulheres. Por outro lado, os donos dos hot\u00e9is j\u00e1 se mobilizam maquiando a dura e triste insalubridade dos hot\u00e9is. Tem feito pequenas reformas, oferecido plano de sa\u00fade a umas poucas e est\u00e3o associados entre si e articulados com o poder p\u00fablico. Pretendem o tombamento da regi\u00e3o como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico a exemplo do que aconteceu com o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Buscam dar uma apar\u00eancia de legalidade ao lugar. De fato n\u00e3o se comportam como cafet\u00f5es com apar\u00eancia paternalista, mas como homens de neg\u00f3cio que procuram o m\u00e1ximo lucro a qualquer pre\u00e7o. J\u00e1 percebemos a sele\u00e7\u00e3o de mulheres. As mais idosas, as que est\u00e3o fora dos padr\u00f5es est\u00e9ticos preestabelecidos e as que usam algum tipo de droga est\u00e3o sendo exclu\u00eddas. Provavelmente, porque dar\u00e3o menos lucro; podem n\u00e3o conseguir o suficiente para pagar a di\u00e1ria que deve ser paga impreterivelmente no final da jornada. Se n\u00e3o pagar, n\u00e3o entra no dia seguinte.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">9) A \u201crevitaliza\u00e7\u00e3o\u201d do hipercentro de BH trar\u00e1 mais impactos e conseq\u00fc\u00eancias na vida das mulheres que sobrevivem da prostitui\u00e7\u00e3o? <o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> As mulheres consideram o que fazem como um trabalho e \u00e9 dali que retiram seu sustento e o de sua fam\u00edlia. Em conversas com as mulheres elas relatam que uma das maiores tristezas \u00e9 n\u00e3o ter a chave de um quarto parar trabalhar. Imagine as contas vencendo, os mantimentos acabando e n\u00e3o ter o dinheiro para pagar? Para onde ir\u00e3o essas mulheres? \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o preocupante. Por outro lado sabemos que \u00e9 um neg\u00f3cio rent\u00e1vel e constatamos que os donos de hot\u00e9is est\u00e3o empenhados <st1:personname productid=\"em mant\u00ea-lo. Temos\" w:st=\"on\">em mant\u00ea-lo. Temos<\/st1:personname> not\u00edcias de que nas cidades onde cresce a minera\u00e7\u00e3o cresce tamb\u00e9m a prostitui\u00e7\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">10) Essas mulheres s\u00e3o consideradas como sujeitos de direito, inclusive porque auferem a renda para manter as suas vidas nessa atividade, na elabora\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas que atingem o hipercentro de BH?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Elas n\u00e3o s\u00e3o consideradas pela sociedade e pelo poder p\u00fablico como sujeito de direito e elas mesmas desconhecem quais s\u00e3o seus direitos. Isso aumenta as dificuldades de reivindicar.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">11) As mulheres da prostitui\u00e7\u00e3o do centro de BH est\u00e3o organizadas? Lutam pelos seus direitos? Como? <o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Lutam do jeito delas. N\u00e3o h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o como a que existiu em outros lugares onde lutaram pelos direitos previdenci\u00e1rios e trabalhistas das mulheres da batalha. \u00c9 muito dif\u00edcil a organiza\u00e7\u00e3o das mulheres da batalha no centro de Belo Horizonte. Primeiro, porque muitas s\u00e3o de fora e passam aqui 2 ou 3 meses e retornam para seus lugares de origem. A rotatividade \u00e9 grande. A outra quest\u00e3o est\u00e1 relacionada ao preconceito e estigma que pesa sobre elas. \u00c8 muito dif\u00edcil que uma mulher assuma a sua condi\u00e7\u00e3o de trabalho. Como uma j\u00e1 me disse: como vou dizer que sou prostituta? E aquelas que t\u00eam atitudes mais reivindicativas encontram maior dificuldade de encontrar quarto.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">12<\/span><\/strong><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-bidi-font-size: 11.0pt;\">) <\/span><\/strong><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel, voc\u00ea participou recentemente de um Semin\u00e1rio em Salvador, Bahia, sobre a realidade das mulheres que est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o no Brasil. O que foi apresentado, discutido e planejado?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> O semin\u00e1rio aconteceu em Salvador nos dias 10, 11 e 12 de novembro de 2010, para celebrar os 10 anos do <strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">Projeto For\u00e7a Feminina<\/strong> que tamb\u00e9m \u00e9 coordenado pelas irm\u00e3s Oblatas. O tema do semin\u00e1rio foi \u201c<strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">Mulheres na Batalha pela cidadania: dialogando sobre a mercantiliza\u00e7\u00e3o dos corpos<\/strong>\u201d. V\u00e1rias quest\u00f5es foram abordadas, mas quero ressaltar o que se refere ao tr\u00e1fico de seres humanos. Os \u00faltimos dados nos d\u00e3o conta de que a rentabilidade desse tipo de neg\u00f3cio superou a das drogas. Primeiro est\u00e1 o com\u00e9rcio de armas, segundo o tr\u00e1fico de seres humanos e depois as drogas. A justificativa \u00e9 que armas e drogas s\u00e3o vendidas somente uma vez, enquanto o ser humano pode ir passando de m\u00e3o <st1:personname productid=\"em m\uffe3o. Em Portugal\" w:st=\"on\">em m\u00e3o. Em Portugal<\/st1:personname> 40% das mulheres em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o s\u00e3o brasileiras e na Espanha 80%. Segundo a ONU h\u00e1 no mundo 140 mil mulheres nessa situa\u00e7\u00e3o. O faturamento desta \u201cind\u00fastria\u201d est\u00e1 estimado em 35 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Vale lembrar que nos dias 8, 9 e 10 de novembro de 2010 aconteceu em BH o <strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">1\u00ba Encontro Nacional da Rede de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas<\/strong>, promovido pela Secretaria Nacional de Justi\u00e7a do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, visando estruturar o <strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">2\u00ba Plano Nacional de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas<\/strong>. Al\u00e9m da maior vigil\u00e2ncia dos poderes p\u00fablicos, medidas preventivas s\u00e3o necess\u00e1rias. Primeiro, sensibilizar e informar a sociedade de maneira geral sobre essa quest\u00e3o. E para aquelas pessoas que est\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 situa\u00e7\u00e3o informar e alertar incisivamente. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; text-align: justify;\" class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>13) Isabel, no evangelho de Mateus, Jesus diz a alguns fariseus: \u201c<em style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">as prostitutas vos preceder\u00e3o no Reino dos c\u00e9us<\/em>.\u201d (Mateus 21,31). H\u00e1 uns 5 meses frei Gilvander escreveu uma par\u00e1bola intitulada \u201cJesus num hotel de prostitui\u00e7\u00e3o\u201d. Isabel, voc\u00ea \u00e9 uma pessoa crist\u00e3. Logo podemos perguntar: Na prostitui\u00e7\u00e3o, onde est\u00e1 Deus? Onde est\u00e1 Deus entre as mulheres que batalham? Jesus est\u00e1 no meio das prostitutas? Como?<o:p><\/o:p><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; text-indent: 27pt; text-align: justify;\" class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Isabel Brand\u00e3o: <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: normal; font-size: 12pt; mso-bidi-font-weight: bold;\">Deus est\u00e1 no corpo abusado e machucado de cada mulher. Est\u00e1 tamb\u00e9m na coragem de cada uma em enfrentar os desafios de cada dia. Est\u00e1 tamb\u00e9m na alegria e bom humor com que enfrentam situa\u00e7\u00f5es constrangedoras e nas iniciativas de ajuda m\u00fatua para superar as adversidades. <span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp;<\/span>Devemos acolher o convite que est\u00e1 no evangelho: \u201cvinde e vede\u201d (Jo 1,39). Aproxime, ou\u00e7a, veja, dialogue, e voc\u00ea ver\u00e1 que em toda mulher que est\u00e1 na prostitui\u00e7\u00e3o esconde Deus, est\u00e1 ali uma infinita dignidade humana que n\u00e3o pode ser desrespeitada. Elas est\u00e3o clamando por respeito e solidariedade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 17.75pt 6pt 0cm; line-height: normal; text-align: justify; tab-stops: 404.0pt 459.0pt;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">14) Isabel, certamente, conviver com as mulheres que sobrevivem da prostitui\u00e7\u00e3o deve ser um grande desafio. O que voc\u00ea aprendeu e aprende com essas mulheres? Como voc\u00ea v\u00ea o ser humano e o mundo hoje a partir da perspectiva dessas mulheres que vivem \u00e0 margem da sociedade, j\u00e1 que s\u00e3o v\u00edtimas de toda forma de abuso em vista do trabalho que exercem? <o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 17.75pt 6pt 0cm; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify; tab-stops: 404.0pt 459.0pt;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Todo dia aprendo que ainda tenho muito para aprender e me surpreendo com a capacidade de supera\u00e7\u00e3o do ser humano. Tenho um pacto comigo mesma de nunca me acostumar com essa situa\u00e7\u00e3o e me indignar sempre.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 17.75pt 6pt 0cm; line-height: normal; text-align: justify; tab-stops: 404.0pt 459.0pt;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">15) Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o das mulheres da batalha com a Pol\u00edcia, de um modo geral?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 17.75pt 6pt 0cm; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify; tab-stops: 404.0pt 459.0pt;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Podemos perceber que ao longo dos anos o relacionamento das mulheres com policiais tem melhorado dado que h\u00e1 maior respeito entre ambos. Ainda assim, persiste alguma desconfian\u00e7a, especialmente quando h\u00e1 batidas policiais nos hot\u00e9is para apreens\u00e3o de drogas ou traficantes e quando a mulher sofre agress\u00f5es e tem que denunciar. Pesa o estigma \u201c\u00e9 prostituta, voc\u00ea procurou\u201d. <span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp;<\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 17.85pt 6pt 0cm; line-height: normal; text-align: justify; tab-stops: 404.0pt 459.0pt;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">16) Qual o caminho a ser trilhado para combater os preconceitos e a discrimina\u00e7\u00e3o que se tem contra as mulheres da prostitui\u00e7\u00e3o?<o:p><\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 17.75pt 6pt 0cm; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify; tab-stops: 404.0pt 459.0pt;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Isabel Brand\u00e3o:<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> Bom, o caminho s\u00f3 existe quando voc\u00ea passa, n\u00e3o \u00e9 assim? Ent\u00e3o, n\u00e3o devemos julgar sem conhecer e sem nos perguntar pelas ra\u00edzes hist\u00f3ricas desses fatos. Devemos saber que somos co-respons\u00e1veis por essa situa\u00e7\u00e3o. Como nos diz Hannah Arendt ningu\u00e9m tem culpa da situa\u00e7\u00e3o na qual nasceu, mas todos temos responsabilidade e devemos nos comprometer com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo justo, solid\u00e1rio, ecum\u00eanico e sustent\u00e1vel ecologicamente.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p align=\"center\" style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Obs<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">.: Quem quiser assistir \u00e0 entrevista, via internet, busque em <a href=\"http:\/\/www.youtube.com.br\/\">www.youtube.com.br<\/a> \u201c<strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">Direitos das mulheres marginalizadas\u201d ou \u201cPastoral da Mulher Marginalizada, de Belo Horizonte, MG\u201d. <a href=\"http:\/\/www.pastoraldamulher.blogspot.com\/\">www.pastoraldamulher.blogspot.com<\/a> <span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp;<\/span>&#8211; E-mail: <a href=\"mailto:apmmbh@yahoo.com.br\">apmmbh@yahoo.com.br<\/a> <o:p><\/o:p><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 17.75pt 6pt 0cm; text-indent: 27pt; line-height: normal; text-align: justify; tab-stops: 404.0pt 459.0pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><strong style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"background: white; margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">&nbsp;<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: normal; text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<div style=\"mso-element: footnote-list;\"><br clear=\"all\" \/> <\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"mso-element: footnote;\" id=\"ftn1\">\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;\" class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn1\" href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftnref1\" style=\"mso-footnote-id: ftn1;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"mso-special-character: footnote;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;\">[1]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: x-small;\"> Psic\u00f3loga integrante da Coordena\u00e7\u00e3o da Pastoral da Mulher Marginalizada, de Belo Horizonte, BH \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.pastoraldamulher.blogspot.com\/\"><span style=\"font-size: x-small;\">www.pastoraldamulher.blogspot.com<\/span><\/a><span style=\"font-size: x-small;\"> \u2013 e-mail: <\/span><a href=\"mailto:apmmbh@yahoo.com.br\"><span style=\"font-size: x-small;\">apmmbh@yahoo.com.br<\/span><\/a><span style=\"font-size: x-small;\"> <\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div style=\"mso-element: footnote;\" id=\"ftn2\">\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\" class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn2\" href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftnref2\" style=\"mso-footnote-id: ftn2;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"mso-special-character: footnote;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;\">[2]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: x-small;\"> <span style=\"color: black;\">Membro da Pastoral do Menor da Arquidiocese de Belo Horizonte, MG. Tio Maur\u00edcio \u00e9 um \u201cm\u00edstico militante nas ruas do Brasil\u201d, cercado de uma espiritualidade encarnada na vida que busca contemplar o rosto sofrido de Jesus Cristo no rosto desfigurado dos pobres e mendigos da rua. \u00c9 tamb\u00e9m autor do livro \u201cO Beijo de Deus\u201d, no qual narra sua experi\u00eancia junto aos moradores da rua. Sobre tio Maur\u00edcio, cf. o link: <a href=\"http:\/\/www.catolicanet.com\/?system=news&amp;action=read&amp;id=54156&amp;eid=293\"><span style=\"color: #800080;\">http:\/\/www.catolicanet.com\/?system=news&amp;action=read&amp;id=54156&amp;eid=293<\/span><\/a> <o:p><\/o:p><\/span><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div style=\"mso-element: footnote;\" id=\"ftn3\">\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;\" class=\"MsoFootnoteText\"><a name=\"_ftn3\" href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftnref3\" style=\"mso-footnote-id: ftn3;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"mso-special-character: footnote;\"><span class=\"MsoFootnoteReference\"><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;\">[3]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: x-small;\"> Universidade Federal de Minas Gerais.<\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Direitos das mulheres marginalizadas Entrevista com Isabel Brand\u00e3o Furtado[1] Dia 11 de dezembro de 2010, Delze dos Santos Laureano e Gilvander Lu\u00eds Moreira entrevistaram a psic\u00f3loga Isabel Brand\u00e3o Furtada, que pertence \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o da<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-41","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}