{"id":5074,"date":"2019-10-28T19:21:08","date_gmt":"2019-10-28T22:21:08","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=5074"},"modified":"2019-10-28T19:21:10","modified_gmt":"2019-10-28T22:21:10","slug":"o-que-esta-no-documento-final-do-sinodo-para-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-que-esta-no-documento-final-do-sinodo-para-a-amazonia\/","title":{"rendered":"O que est\u00e1 no Documento Final do S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O que est\u00e1 no Documento Final do S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Papa-com-ind\u00edgenas-no-S\u00ednodo-da-Amaz\u00f4nia-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5075\" width=\"765\" height=\"830\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Papa-com-ind\u00edgenas-no-S\u00ednodo-da-Amaz\u00f4nia-1.jpg 414w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Papa-com-ind\u00edgenas-no-S\u00ednodo-da-Amaz\u00f4nia-1-277x300.jpg 277w\" sizes=\"auto, (max-width: 765px) 100vw, 765px\" \/><figcaption>Papa Francisco com ind\u00edgenas durante o S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Vaticannews.va<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma introdu\u00e7\u00e3o, cinco cap\u00edtulos e uma breve conclus\u00e3o: esta \u00e9 a\nestrutura do Documento Final da Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-amaz\u00f4nica,\ndivulgado na noite do \u00faltimo s\u00e1bado, 26 de outubro de 2019, por desejo do Papa.\nDentre os temas centrais: miss\u00e3o, incultura\u00e7\u00e3o, ecologia integral, defesa dos\npovos ind\u00edgenas, rito amaz\u00f4nico, papel das mulheres e novos minist\u00e9rios,\nsobretudo nas \u00e1reas de dif\u00edcil acesso \u00e0 Eucaristia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Convers\u00e3o: esse \u00e9 o tema do documento final do S\u00ednodo Pan-amaz\u00f4nico. Uma\nconvers\u00e3o que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural,\necol\u00f3gica e sinodal. O texto \u00e9 o resultado do \u201cinterc\u00e2mbio aberto, livre e\nrespeitoso\u201d desempenhado&nbsp;durante as tr\u00eas semanas de trabalhos do S\u00ednodo,\npara relatar os desafios e o potencial da Amaz\u00f4nia, o \u201ccora\u00e7\u00e3o biol\u00f3gico\u201d do\nmundo, espalhado por nove pa\u00edses e habitado por mais de 33 milh\u00f5es pessoas,\nincluindo cerca de 2,5 milh\u00f5es de ind\u00edgenas. No entanto, esta regi\u00e3o, segunda\n\u00e1rea mais vulner\u00e1vel do mundo devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocadas pelo\nhomem, est\u00e1 \u201cnuma corrida fren\u00e9tica rumo \u00e0 morte\u201d e isso exige urgentemente,\nreitera o Documento, uma nova dire\u00e7\u00e3o que permita que seja salva, sob pena de\nimpacto catastr\u00f3fico em todo o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o Cap\u00edtulo I \u2013 Convers\u00e3o integral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Documento exorta desde o in\u00edcio a uma \u201cverdadeira convers\u00e3o integral\u201d,\ncom uma vida simples e s\u00f3bria, no estilo de S\u00e3o Francisco de Assis,\ncomprometida em relacionar-se harmoniosamente com a \u201cCasa comum\u201d, obra criativa\nde Deus. Essa convers\u00e3o levar\u00e1 a Igreja a ser em sa\u00edda, para entrar no cora\u00e7\u00e3o\nde todos os povos amaz\u00f4nicos. De fato, a Amaz\u00f4nia tem uma voz que \u00e9 uma\nmensagem da vida e se expressa atrav\u00e9s de uma realidade multi\u00e9tnica e\nmulticultural, representada pelos rostos variados que a habitam. \u201cBem viver\u201d e\n\u201cfazer bem\u201d \u00e9 o estilo de vida dos povos amaz\u00f4nicos, ou seja, viver em harmonia\nconsigo mesmo, com os seres humanos e com o ser supremo, numa \u00fanica\nintercomunica\u00e7\u00e3o entre todo o cosmo, a fim de forjar um projeto de vida plena\npara todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As dores da Amaz\u00f4nia: o grito da terra e o grito dos pobres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O texto n\u00e3o reprime as muitas dores e viol\u00eancias que hoje ferem e\ndeformam a Amaz\u00f4nia, amea\u00e7ando sua vida: a privatiza\u00e7\u00e3o de bens naturais;\nmodelos de produ\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias; desmatamento que atinge 17% de toda a regi\u00e3o;\na polui\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias extrativistas; mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; narcotr\u00e1fico;\nalcoolismo; tr\u00e1fico de seres humanos; a criminaliza\u00e7\u00e3o de l\u00edderes e defensores\ndo territ\u00f3rio; grupos armados ilegais. \u00c9 extensa a p\u00e1gina amarga sobre\nmigra\u00e7\u00e3o, que na Amaz\u00f4nia articula-se em tr\u00eas n\u00edveis: mobilidade de grupos\nind\u00edgenas em territ\u00f3rios de circula\u00e7\u00e3o tradicional; deslocamento for\u00e7ado de\npopula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas; migra\u00e7\u00e3o internacional e refugiados. Para todos esses\ngrupos, \u00e9 necess\u00e1rio um cuidado pastoral transfronteiri\u00e7o capaz de incluir o\ndireito \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o. O problema da migra\u00e7\u00e3o, l\u00ea-se, deve ser enfrentado\nde maneira coordenada pelas Igrejas de fronteira. Al\u00e9m disso, um trabalho\npastoral permanente deve ser pensado para os migrantes v\u00edtimas do tr\u00e1fico de\npessoas. O Documento sinodal convida a prestar aten\u00e7\u00e3o ao deslocamento for\u00e7ado\nde fam\u00edlias ind\u00edgenas nos centros urbanos, sublinhando como esse fen\u00f4meno\nrequer uma \u201cpastoral conjunta nas periferias\u201d. Da\u00ed a exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de\nequipes mission\u00e1rias que, em coordena\u00e7\u00e3o com as par\u00f3quias, cuidem desse\naspecto, oferecendo liturgias inculturadas e favorecendo a integra\u00e7\u00e3o dessas\ncomunidades nas cidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o Cap\u00edtulo II \u2013 Convers\u00e3o pastoral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A refer\u00eancia \u00e0 natureza mission\u00e1ria da Igreja tamb\u00e9m \u00e9 central: a miss\u00e3o\nn\u00e3o \u00e9 algo opcional, lembra o texto, porque a Igreja \u00e9 miss\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o\nmission\u00e1ria \u00e9 o paradigma de toda obra da Igreja. Na Amaz\u00f4nia, ela deve&nbsp;\nser \u201csamaritana\u201d, ou seja, ir ao encontro de todos; \u201cMadalena\u201d, ou seja, amada\ne reconciliada para anunciar com alegria o Cristo ressuscitado; \u201cMariana\u201d, ou\nseja, geradora de filhos para a f\u00e9 e \u201cinculturada\u201d entre os povos a que serve.\n\u00c9 importante passar de uma pastoral \u201cde visita\u201d a uma pastoral \u201cde presen\u00e7a\npermanente\u201d e, para isso, o Documento sinodal sugere que as Congrega\u00e7\u00f5es\nreligiosas do mundo estabele\u00e7am pelo menos um posto mission\u00e1rio em um dos\npa\u00edses da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O sacrif\u00edcio dos mission\u00e1rios m\u00e1rtires<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O S\u00ednodo n\u00e3o esquece os muitos mission\u00e1rios que deram a vida para\ntransmitir o Evangelho na Amaz\u00f4nia, cujas p\u00e1ginas mais gloriosas foram escritas\npelos m\u00e1rtires. Ao mesmo tempo, o Documento lembra que o an\u00fancio de Cristo na\nregi\u00e3o realizou-se muitas vezes em coniv\u00eancia com os poderes opressores das\npopula\u00e7\u00f5es. Por esse motivo, hoje a Igreja tem \u201ca oportunidade hist\u00f3rica\u201d de se\ndistanciar das novas pot\u00eancias colonizadoras, ouvindo os povos amaz\u00f4nicos e\nexercendo sua atividade prof\u00e9tica \u201cde forma transparente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, foi dada grande import\u00e2ncia ao di\u00e1logo ecum\u00eanico e\ninter-religioso: \u201cCaminho indispens\u00e1vel da evangeliza\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia\u201d, afirma o\ntexto sinodal, ele deve partir, no primeiro caso, da centralidade da Palavra de\nDeus para iniciar verdadeiros caminhos de comunh\u00e3o. No \u00e2mbito inter-religioso,\no Documento incentiva um maior conhecimento das religi\u00f5es ind\u00edgenas e dos cultos\nafrodescendentes, a fim de que crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os possam agir juntos em\ndefesa da Casa comum. Por esse motivo, s\u00e3o propostos momentos de encontro,\nestudo e di\u00e1logo entre as Igrejas na Amaz\u00f4nia e os seguidores das religi\u00f5es\nind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Urg\u00eancia de uma pastoral ind\u00edgena e de um minist\u00e9rio juvenil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Documento tamb\u00e9m recorda a urg\u00eancia de uma pastoral ind\u00edgena que tenha\num lugar espec\u00edfico na Igreja: \u00e9 necess\u00e1rio criar ou manter, de fato, \u201cuma\nop\u00e7\u00e3o preferencial pelas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas\u201d, dando tamb\u00e9m maior impulso\nmission\u00e1rio \u00e0s voca\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones, porque a Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m deve ser\nevangelizada pelos amaz\u00f4nicos. Depois, dar espa\u00e7o aos jovens amaz\u00f4nicos, com\nsuas luzes e sombras. Divididos entre tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, imersos numa intensa\ncrise de valores, v\u00edtimas de realidades tristes como a pobreza, viol\u00eancia,\ndesemprego, novas formas de escravid\u00e3o e dificuldade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o,\nmuitas vezes acabam na pris\u00e3o ou em mortes por suic\u00eddio. E, no entanto, os\njovens amaz\u00f4nicos t\u00eam os mesmos sonhos e as mesmas esperan\u00e7as que os outros\njovens do mundo e da Igreja. Chamada a ser uma presen\u00e7a prof\u00e9tica, deve\nacompanh\u00e1-los em seu caminho, para impedir que sua identidade e sua autoestima\nsejam prejudicadas ou destru\u00eddas. Em particular, o Documento sugere \u201cum\nrenovado e ousado minist\u00e9rio juvenil\u201d, com uma pastoral sempre ativa e centrada\nem Jesus. De fato, os jovens, lugar teol\u00f3gico e profetas da esperan\u00e7a, querem\nser protagonistas e a Igreja na Amaz\u00f4nica quer reconhecer o seu espa\u00e7o. Por\nisso, o convite a promover novas formas de evangeliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m atrav\u00e9s das\nm\u00eddias sociais e ajudar os jovens ind\u00edgenas a alcan\u00e7ar uma interculturalidade\nsaud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pastoral urbana e as fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O texto conclusivo do S\u00ednodo se det\u00e9m no tema da pastoral urbana, com um\nfoco particular nas fam\u00edlias: nas periferias da cidade, elas sofrem pobreza,\ndesemprego, falta de moradia, al\u00e9m de v\u00e1rios problemas de sa\u00fade. Torna-se,\nportanto, necess\u00e1rio defender o direito de todos \u00e0 cidade como desfrute justo\ndos princ\u00edpios de sustentabilidade, democracia e justi\u00e7a social. \u00c9 preciso\nlutar, l\u00ea-se no texto, a fim de que os direitos fundamentais b\u00e1sicos sejam\ngarantidos nas \u201cfavelas\u201d e nas \u201cvillas mis\u00e9rias\u201d. Central deve ser tamb\u00e9m o\nestabelecimento de um \u201cminist\u00e9rio de acolhimento\u201d para uma solidariedade\nfraterna com migrantes, refugiados e sem-teto que vivem no contexto urbano.\nNesse \u00e2mbito, uma ajuda v\u00e1lida vem das Comunidades Eclesiais de Base, \u201cum\npresente de Deus para as Igrejas locais da Amaz\u00f4nia\u201d. Ao mesmo tempo, as\npol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o convidadas a melhorar a qualidade de vida nas \u00e1reas rurais,\na fim de evitar a transfer\u00eancia descontrolada de pessoas para a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o Cap\u00edtulo III: Convers\u00e3o cultural<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A incultura\u00e7\u00e3o e a interculturalidade s\u00e3o instrumentos importantes,\nprossegue o Documento, para alcan\u00e7ar uma convers\u00e3o cultural que leva o crist\u00e3o\na ir ao encontro do outro para aprender com ele. Os povos amaz\u00f4nicos, de fato,\ncom seus \u201cperfumes antigos\u201d que contrastam o desespero que reina no continente\ne com seus valores de reciprocidade, solidariedade e senso de comunidade,\noferecem ensinamentos de vida e uma vis\u00e3o integrada da realidade, capaz de\nentender que toda a cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 interligada e, portanto, garantir uma gest\u00e3o\nsustent\u00e1vel. A Igreja compromete-se a ser aliada das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas,\nreitera o texto sinodal, sobretudo para denunciar os ataques perpetrados contra\nsuas vidas, os projetos de desenvolvimento predat\u00f3rios etnocidas e ecocidas e a\ncriminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Defender a terra \u00e9 defender a vida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA defesa da terra\u201d, l\u00ea-se no documento, \u201cn\u00e3o tem outro objetivo a n\u00e3o\nser a defesa da vida\u201d e se baseia no princ\u00edpio evang\u00e9lico da defesa da\ndignidade humana. Portanto, devemos respeitar os direitos \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, \u00e0\ndelimita\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e \u00e0 consulta pr\u00e9via, livre e informada dos povos\nind\u00edgenas. Um ponto espec\u00edfico \u00e9 dedicado \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em isolamento\nvolunt\u00e1rio (Piav) ou em Isolamento e contato inicial (Piaci) que hoje, na\nAmaz\u00f4nia, somam cerca de 130 unidades e s\u00e3o muitas vezes v\u00edtimas de limpeza\n\u00e9tnica: a Igreja deve empreender dois tipos de a\u00e7\u00e3o, pastoral e outra \u201cde\npress\u00e3o\u201d, para que os Estados protejam os direitos e a inviolabilidade dos\nterrit\u00f3rios dessas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teologia ind\u00edgena e piedade popular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na perspectiva da incultura\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da encarna\u00e7\u00e3o do Evangelho nas\nculturas ind\u00edgenas, \u00e9 dado espa\u00e7o \u00e0 teologia ind\u00edgena e \u00e0 piedade popular,\ncujas express\u00f5es devem ser valorizadas, acompanhadas, promovidas e \u00e0s vezes\n\u201cpurificadas\u201d, pois s\u00e3o momentos privilegiados de evangeliza\u00e7\u00e3o que devem\nconduzir ao encontro com Cristo. O an\u00fancio do Evangelho, de fato, n\u00e3o deve ser\num processo de destrui\u00e7\u00e3o, mas de crescimento e consolida\u00e7\u00e3o daquela semeadura &#8211;\nVerbos presente nas culturas. Da\u00ed a clara rejei\u00e7\u00e3o de uma \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o\ncolonial\u201d e do \u201cproselitismo\u201d, em favor de um an\u00fancio inculturado que promova\numa Igreja de rosto amaz\u00f4nico, em pleno respeito e igualdade com a hist\u00f3ria, a\ncultura e o estilo de vida das popula\u00e7\u00f5es locais. A este respeito, o Documento\nsinodal prop\u00f5e que os centros de pesquisa da Igreja estudem e recolham as\ntradi\u00e7\u00f5es, as l\u00ednguas, as cren\u00e7as e as aspira\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas,\nencorajando o trabalho educativo a partir da sua pr\u00f3pria identidade e cultura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Criar uma Rede de Comunica\u00e7\u00e3o Eclesial Panamaz\u00f4nica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m na \u00e1rea da sa\u00fade \u2013 continua o Documento \u2013 este projeto educativo\ndever\u00e1 promover o conhecimento ancestral da medicina tradicional de cada\ncultura. Ao mesmo tempo, a Igreja se compromete a oferecer assist\u00eancia de sa\u00fade\nl\u00e1 onde o Estado n\u00e3o chega. H\u00e1 tamb\u00e9m um forte apelo a uma educa\u00e7\u00e3o \u00e0\nsolidariedade, baseada na consci\u00eancia de uma origem comum e de um futuro\npartilhado por todos, assim como a uma cultura da comunica\u00e7\u00e3o que promova o\ndi\u00e1logo, o encontro e o cuidado da \u201ccasa comum\u201d. Concretamente, o texto sinodal\nsugere a cria\u00e7\u00e3o de uma Rede de comunica\u00e7\u00e3o eclesial pan-amaz\u00f4nica, de uma rede\nescolar de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue e de novas formas de educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o Cap\u00edtulo IV \u2013 Convers\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante de \u201cuma crise social e ambiental sem precedentes\u201d, o S\u00ednodo apela\na uma Igreja amaz\u00f4nica capaz de promover uma ecologia integral e uma convers\u00e3o\necol\u00f3gica segundo a qual \u201ctudo est\u00e1 intimamente conectado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ecologia integral, \u00fanico caminho\nposs\u00edvel&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 que, reconhecendo \u201cas feridas causadas pelo ser humano\u201d ao\nterrit\u00f3rio, sejam procurados \u201cmodelos de desenvolvimento justo e solid\u00e1rio\u201d.\nIsto traduz-se numa atitude que conecta o cuidado pastoral da natureza \u00e0\njusti\u00e7a para com as pessoas mais pobres e exploradas da terra. A ecologia\nintegral n\u00e3o deve ser entendida como um caminho extra que a Igreja pode\nescolher para o futuro, mas como a \u00fanica forma poss\u00edvel para salvar a regi\u00e3o do\nextrativismo predat\u00f3rio, do derramamento de sangue inocente e da criminaliza\u00e7\u00e3o\ndos defensores da Amaz\u00f4nia. A Igreja, como \u201cparte de uma solidariedade\ninternacional\u201d, deve promover o papel central do bioma amaz\u00f4nico para o\nequil\u00edbrio do planeta e encorajar a comunidade internacional a fornecer novos\nrecursos econ\u00f4micos para sua prote\u00e7\u00e3o, fortalecendo os instrumentos da\nConven\u00e7\u00e3o &#8211; Quadro sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Defesa dos direitos humanos \u00e9 uma necessidade de\nf\u00e9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Defender e promover os direitos humanos, al\u00e9m de ser um dever pol\u00edtico e\numa tarefa social, \u00e9 uma exig\u00eancia de f\u00e9. Diante deste dever crist\u00e3o, o\nDocumento denuncia a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e a destrui\u00e7\u00e3o extrativista;\nassume e apoia, tamb\u00e9m em alian\u00e7a com outras Igrejas, as campanhas de\ndesinvestimento das empresas extrativistas que causam danos sociais e\necol\u00f3gicos \u00e0 Amaz\u00f4nia; prop\u00f5e uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica radical e a busca de\nalternativas; prop\u00f5e tamb\u00e9m o desenvolvimento de programas de forma\u00e7\u00e3o para o\ncuidado da \u201ccasa comum\u201d. Pede-se aos Estados que deixem de considerar a regi\u00e3o\ncomo uma dispensa inesgot\u00e1vel, ao mesmo tempo que apelam a um \u201cnovo paradigma\nde desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d socialmente inclusivo que combine conhecimentos\ncient\u00edficos e tradicionais.&nbsp; Os crit\u00e9rios comerciais, \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o,\nn\u00e3o devem estar acima dos crit\u00e9rios ambientais e dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Igreja aliada das comunidades\namaz\u00f4nicas&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O apelo \u00e9 \u00e0 responsabilidade: todos somos chamados \u00e0 cust\u00f3dia da obra de\nDeus. Os protagonistas do cuidado, prote\u00e7\u00e3o e defesa dos povos s\u00e3o as pr\u00f3prias\ncomunidades amaz\u00f4nicas. A Igreja \u00e9 sua aliada, caminha com eles, sem impor um\nmodo particular de agir, reconhecendo a sabedoria dos povos sobre a\nbiodiversidade contra todas as formas de biopirataria. Pede-se que os agentes\npastorais e os ministros ordenados sejam formados a esta sensibilidade\nsocioambiental, seguindo o exemplo dos m\u00e1rtires da Amaz\u00f4nia. A ideia \u00e9 criar\nminist\u00e9rios para o cuidado da casa comum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Defesa da vida&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Documento reafirma o empenho da Igreja em defender a vida \u201cdesde a\nconcep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o seu fim\u201d e em promover o di\u00e1logo intercultural e ecum\u00eanico para\nconter as estruturas de morte, pecado, viol\u00eancia e injusti\u00e7a. Convers\u00e3o\necol\u00f3gica e defesa da vida na Amaz\u00f4nia se traduzem para a Igreja em um chamado\na \u201cdesaprender, aprender e reaprender para superar qualquer tend\u00eancia a assumir\nmodelos coloniais que tenham causado danos no passado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pecado ecol\u00f3gico e direito \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Proposta a defini\u00e7\u00e3o de \u201cpecado ecol\u00f3gico\u201d como \u201ca\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o contra\nDeus, contra o pr\u00f3ximo, a comunidade, o meio ambiente\u201d, as futuras gera\u00e7\u00f5es e a\nvirtude da justi\u00e7a.&nbsp; Para reparar a d\u00edvida ecol\u00f3gica que os pa\u00edses t\u00eam com\na Amaz\u00f4nia, sugere-se a cria\u00e7\u00e3o de um fundo mundial para as comunidades\namaz\u00f4nicas, a fim de proteg\u00ea-las do desejo predat\u00f3rio das empresas nacionais e\nmultinacionais. O S\u00ednodo recorda \u201ca necessidade urgente de desenvolver\npol\u00edticas energ\u00e9ticas que reduzam drasticamente as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de\ncarbono (CO2) e de outros gases ligados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, promove as\nenergias limpas e chama a aten\u00e7\u00e3o para o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, ao direito\nhumano b\u00e1sico e condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio de outros direitos humanos. Proteger\na terra significa incentivar a reutiliza\u00e7\u00e3o e a reciclagem, reduzir o uso de\ncombust\u00edveis f\u00f3sseis e pl\u00e1sticos, mudar h\u00e1bitos alimentares como o consumo\nexcessivo de carne e peixe, adotar estilos de vida s\u00f3brios, plantar \u00e1rvores.\nNeste contexto, est\u00e1 inclu\u00edda a proposta de um Observat\u00f3rio Social Pastoral\nAmaz\u00f4nico que trabalhe em sinergia com CELAM, CLAR, C\u00c1RITAS, REPAM,\nepiscopados, igrejas locais, universidades cat\u00f3licas e atores n\u00e3o eclesiais.\nTamb\u00e9m foi proposta a cria\u00e7\u00e3o de um escrit\u00f3rio amaz\u00f4nico dentro do Dicast\u00e9rio\npara o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o Cap\u00edtulo V \u2013 Novos caminhos de convers\u00e3o sinodal&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Superar o clericalismo e as imposi\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, refor\u00e7ar uma cultura\ndo di\u00e1logo, da escuta e do discernimento espiritual, responder aos desafios\npastorais. S\u00e3o essas as caracter\u00edsticas sobre as quais se deve fundar uma\nconvers\u00e3o sinodal \u00e0 qual a Igreja \u00e9 chamada para avan\u00e7ar em harmonia, sob o\nimpulso do Esp\u00edrito vivificante e com aud\u00e1cia evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sinodalidade, ministerialidade, papel ativo dos leigos e vida consagrada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O desafio \u00e9 interpretar \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo os sinais dos tempos e\nidentificar o caminho a seguir a servi\u00e7o do desenho de Deus. As formas de\nexerc\u00edcio da sinodalidade s\u00e3o v\u00e1rias e dever\u00e3o ser descentralizadas, atentas\naos processos locais, sem enfraquecer o elo com as Igrejas irm\u00e3s e com a Igreja\nuniversal. Sinodalidade se traduz, em continuidade com o Conc\u00edlio Vaticano II,\nem corresponsabilidade e ministerialidade de todos, participa\u00e7\u00e3o dos leigos,\nhomens e mulheres, considerados \u201catores privilegiados\u201d. A participa\u00e7\u00e3o do\nlaicato, seja na consulta, seja na tomada de decis\u00f5es na vida e miss\u00e3o da\nIgreja \u2013 explica o Documento Final \u2013 deve ser refor\u00e7ada e ampliada a partir da\npromo\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o de \u201cminist\u00e9rios a homens e mulheres de modo \u00e9quo\u201d.\nEvitando personalismos, talvez com encargos em rod\u00edzios, \u201co bispo pode confiar,\ncom um mandato com prazo determinado, na aus\u00eancia de sacerdotes, o exerc\u00edcio do\ncuidado pastoral das comunidades a uma pessoa n\u00e3o imbu\u00edda do car\u00e1ter\nsacerdotal, que seja membro da pr\u00f3pria comunidade\u201d. A responsabilidade desta\n\u00faltima, especifica-se, permanecer\u00e1 a cargo do sacerdote. O S\u00ednodo aposta ainda\nnuma vida consagrada com rosto amaz\u00f4nico, a partir de um refor\u00e7o das voca\u00e7\u00f5es\naut\u00f3ctones: entre as propostas, se destaca o caminhar junto aos pobres e\nexclu\u00eddos. Pede-se ainda que a forma\u00e7\u00e3o seja centralizada na\ninterculturalidade, incultura\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo entre as espiritualidades e as\ncosmovis\u00f5es amaz\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A hora da mulher<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Documento dedica amplo espa\u00e7o \u00e0 presen\u00e7a e \u00e0 hora das mulheres. Como\nsugere a sabedoria dos povos ancestrais, a m\u00e3e terra tem um rosto feminino e no\nmundo ind\u00edgena as mulheres s\u00e3o \u201cuma presen\u00e7a viva e respons\u00e1vel na promo\u00e7\u00e3o\nhumana\u201d. O S\u00ednodo pede que a voz das mulheres seja ouvida, que sejam\nconsultadas, participem de modo mais incisivo na tomada de decis\u00f5es, contribuam\npara a sinodalidade eclesial, assumam com maior for\u00e7a sua lideran\u00e7a dentro da Igreja,\nnos conselhos pastorais ou \u201ctamb\u00e9m nas inst\u00e2ncias de governo\u201d. Protagonistas e\ncust\u00f3dias da cria\u00e7\u00e3o e da casa comum, as mulheres s\u00e3o com frequ\u00eancia \u201cv\u00edtimas\nde viol\u00eancia f\u00edsica, moral e religiosa, inclusive de feminic\u00eddio\u201d. O texto\nreitera o empenho da Igreja em defesa dos seus direitos, de modo especial em\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres migrantes. Enquanto isso, se reconhece a \u201cministerialidade\u201d\nconfiada por Jesus \u00e0 mulher e se auspicia uma \u201crevis\u00e3o do Motu\nProprio&nbsp;Ministeria qu\u00e6dam&nbsp;de S\u00e3o Paulo VI, para que tamb\u00e9m as\nmulheres adequadamente formadas e preparadas possam receber os minist\u00e9rios do\nleitorado e do acolitato, entre outros que podem ser desempenhados\u201d. No\nespec\u00edfico, nesses contextos em que as comunidades cat\u00f3licas s\u00e3o guiadas por\nmulheres, se pede a cria\u00e7\u00e3o do \u201cminist\u00e9rio institu\u00eddo de mulher dirigente de\ncomunidade\u201d. O S\u00ednodo evidencia que de in\u00fameras consultas na Amaz\u00f4nia foi\nsolicitado \u201co diaconato permanente para as mulheres\u201d, tema muito presente\ndurante os trabalhos no Vaticano. O desejo dos participantes da Assembleia \u00e9\ncompartilhar experi\u00eancias e reflex\u00f5es emergidas at\u00e9 agora com a \u201cComiss\u00e3o de\nestudo sobre o diaconato das mulheres\u201d, criada em 2016 pelo papa Francisco e\n\u201caguardar seus resultados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diaconato permanente&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foram definidos como urgentes a promo\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o e o apoio aos\ndi\u00e1conos permanentes. O di\u00e1cono, sob a autoridade do bispo, est\u00e1 a servi\u00e7o da\ncomunidade e deve hoje promover a ecologia integral, o desenvolvimento humano,\na pastoral social e o servi\u00e7o a quem se encontra em situa\u00e7\u00f5es de\nvulnerabilidade e pobreza, configurando-o a Cristo. Portanto, \u00e9 importante\ninsistir numa forma\u00e7\u00e3o permanente, marcada pelo estudo acad\u00eamico e pr\u00e1tica\npastoral, na qual sejam envolvidos tamb\u00e9m esposas e filhos do candidato. O\ncurr\u00edculo formativo, explica o S\u00ednodo, dever\u00e1 incluir temas que favore\u00e7am o\ndi\u00e1logo ecum\u00eanico, inter-religioso, intercultural, a hist\u00f3ria da Igreja na\nAmaz\u00f4nia, a afetividade e a sexualidade, a cosmovis\u00e3o ind\u00edgena e&nbsp;a\necologia integral. A equipe dos formadores ser\u00e1 composta por ministros\nordenados e leigos. Deve ser encorajada a forma\u00e7\u00e3o de futuros di\u00e1conos\npermanentes nas comunidades que habitam \u00e0s margens dos rios ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o dos sacerdotes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dos sacerdotes deve ser inculturada: a exig\u00eancia \u00e9 preparar\npastores que vivam o Evangelho, conhe\u00e7am as leis can\u00f4nicas, sejam compassivos\ncomo Jesus: pr\u00f3ximos \u00e0s pessoas, capazes de escuta, de curar e consolar, sem\nbuscar se impor, manifestando a ternura do Pai. Tamb\u00e9m no \u00e2mbito da forma\u00e7\u00e3o ao\nsacerd\u00f3cio, se auspicia a inclus\u00e3o de disciplinas como a ecologia integral, a\necoteologia, a teologia da cria\u00e7\u00e3o, as teologias ind\u00edgenas, a espiritualidade\necol\u00f3gica, a hist\u00f3ria da Igreja na Amaz\u00f4nia, a antropologia cultural amaz\u00f4nica.\nO S\u00ednodo recomenda que os centros de forma\u00e7\u00e3o sejam preferencialmente inseridos\nna realidade amaz\u00f4nica e que seja oferecida a jovens n\u00e3o amaz\u00f4nicos a\noportunidade de participar de sua forma\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia e ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a comunidade crist\u00e3, \u00e9 central a participa\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia. E mesmo\nassim \u2013 destaca o S\u00ednodo \u2013 muitas comunidades eclesiais do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico\nt\u00eam enormes dificuldades em ter acesso a ela. Podem passar meses e at\u00e9 mesmo\nanos para que um sacerdote volte a uma comunidade para celebrar a missa ou\noferecer os sacramentos da reconcilia\u00e7\u00e3o e da un\u00e7\u00e3o dos enfermos. Refor\u00e7ando o\napre\u00e7o pelo celibato como dom&nbsp;de Deus na medida em que permite ao\npresb\u00edtero dedicar-se plenamente ao servi\u00e7o da comunidade e renovando a ora\u00e7\u00e3o\n\u201cpara que haja muitas voca\u00e7\u00f5es\u201d que vivam o celibato, mesmo que \u201cesta\ndisciplina n\u00e3o seja requisitada pela pr\u00f3pria natureza do sacerd\u00f3cio\u201d e\nconsiderando a vasta extens\u00e3o do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico e a escassez de ministros\nordenados, o Documento final prop\u00f5e \u201cestabelecer crit\u00e9rios e regras por parte\nda autoridade competente, para ordenar sacerdotes homens id\u00f4neos e reconhecidos\npela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma\nforma\u00e7\u00e3o adequada para o presbiterado, permitindo ter uma fam\u00edlia legitimamente\nconstitu\u00edda e est\u00e1vel, para promover a vida da comunidade crist\u00e3 atrav\u00e9s da\nprega\u00e7\u00e3o da Palavra e da celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos nas \u00e1reas mais remotas da\nregi\u00e3o amaz\u00f4nica\u201d. Deve-se especificar que \u201ca prop\u00f3sito, alguns se expressaram\na favor de uma abordagem universal ao argumento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Organismo eclesial regional p\u00f3s-sinodal e Universidade Amaz\u00f4nica&nbsp;\n&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O S\u00ednodo prop\u00f5e projetar novamente a organiza\u00e7\u00e3o das Igrejas locais de\num ponto de vista pan-amaz\u00f4nico, redimensionando as vastas \u00e1reas geogr\u00e1ficas da\ndiocese, reagrupando Igrejas particulares presentes na mesma regi\u00e3o e criando\num Fundo amaz\u00f4nico para a promo\u00e7\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o a fim de enfrentar o \u201ccusto\nda Amaz\u00f4nia\u201d. Nesta \u00f3tica, se insere a ideia de criar um Organismo eclesial\nregional p\u00f3s-sinodal, articulado com a REPAM e o CELAM, a fim de assumir muitas\ndas propostas que emergiram no S\u00ednodo. Em \u00e2mbito formativo, se invoca a\ninstitui\u00e7\u00e3o de uma Universidade Cat\u00f3lica Amaz\u00f4nica baseada na pesquisa\ninterdisciplinar, na incultura\u00e7\u00e3o e no di\u00e1logo intercultural e fundada\nprincipalmente na Sagrada Escritura, no respeito dos costumes e das tradi\u00e7\u00f5es\ndas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rito amaz\u00f4nico&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para responder de modo autenticamente cat\u00f3lico ao pedido das comunidades\namaz\u00f4nicas de adaptar a liturgia valorizando a vis\u00e3o do mundo, as tradi\u00e7\u00f5es, os\ns\u00edmbolos e os ritos origin\u00e1rios, se pede a este Organismo da Igreja na Amaz\u00f4nia\nde constituir uma comiss\u00e3o competente para estudar a elabora\u00e7\u00e3o de um rito\namaz\u00f4nico que \u201cexpresse o patrim\u00f4nio lit\u00fargico, teol\u00f3gico, disciplinar e\nespiritual da Amaz\u00f4nia\u201d. Este se acrescentaria aos 23 ritos j\u00e1 presentes na\nIgreja Cat\u00f3lica, enriquecendo a obra de evangeliza\u00e7\u00e3o, a capacidade de\nexpressar a f\u00e9 numa cultura pr\u00f3pria, o sentido de descentraliza\u00e7\u00e3o e de\ncolegialidade que a Igreja Cat\u00f3lica pode expressar. &nbsp;Tamb\u00e9m se faz a\nhip\u00f3tese de acompanhar os ritos eclesiais com o modo com os quais os povos\ncuidam do territ\u00f3rio e se relacionam com as suas \u00e1guas. Por fim, com a\nfinalidade de favorecer o processo de incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, o S\u00ednodo expressa a\nurg\u00eancia de formar comit\u00eas para a tradu\u00e7\u00e3o e a elabora\u00e7\u00e3o de textos b\u00edblicos e\nlit\u00fargicos nas l\u00ednguas dos diferentes locais, \u201cpreservando a mat\u00e9ria dos\nsacramentos e adaptando-os \u00e0 forma, sem perder de vista o essencial\u201d. Tamb\u00e9m\ndeve ser encorajado em n\u00edvel lit\u00fargico a m\u00fasica e o canto.<\/p>\n\n\n\n<p>No final do Documento, se invoca a prote\u00e7\u00e3o da Virgem da Amaz\u00f4nia, M\u00e3e\nda Amaz\u00f4nia, venerada com v\u00e1rios t\u00edtulos em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2019-10\/sintese-documento-final-sinodo-amazonia.html\">www.vaticannews.va<\/a> &#8211; Cidade do Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que est\u00e1 no Documento Final do S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia? 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