{"id":5122,"date":"2019-11-06T11:07:49","date_gmt":"2019-11-06T14:07:49","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=5122"},"modified":"2019-11-06T12:28:20","modified_gmt":"2019-11-06T15:28:20","slug":"%ef%bb%bfluta-em-defesa-dos-bens-comuns-na-xxii-romaria-das-aguas-e-da-terra-de-mg-2o-encontro-da-cartilha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/%ef%bb%bfluta-em-defesa-dos-bens-comuns-na-xxii-romaria-das-aguas-e-da-terra-de-mg-2o-encontro-da-cartilha\/","title":{"rendered":"\ufeffLuta em defesa dos bens comuns na XXII Romaria das \u00c1guas e da Terra de MG: 2\u00ba Encontro da Cartilha."},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Luta em defesa dos bens comuns na XXII Romaria das \u00c1guas e da Terra de MG: 2\u00ba Encontro da Cartilha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/75250908_2558561044421768_4356238350256963584_n.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5123\" width=\"763\" height=\"572\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/75250908_2558561044421768_4356238350256963584_n.jpg 960w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/75250908_2558561044421768_4356238350256963584_n-300x225.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/75250908_2558561044421768_4356238350256963584_n-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 763px) 100vw, 763px\" \/><figcaption>Miss\u00f5es da XXII Romaria das \u00c1guas e da Terra em Escola da cidade de Romaria, na regi\u00e3o do Alto Parana\u00edba, MG, na Arquidiocese de Uberaba, MG, dia 06\/11\/2019. Fotos: Laiza Dutra.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Durante uma Semana de Miss\u00e3o da XXII Romaria das \u00c1guas e da Terra do Estado de Minas Gerais, de 02 a 9 de novembro de 2019, tendo como subs\u00eddio uma Cartilha com tr\u00eas Encontros (Roteiros B\u00edblicos) e uma Celebra\u00e7\u00e3o, estamos refletindo sobre a m\u00e3e terra irm\u00e3 e a irm\u00e3 \u00e1gua como bens comuns e dons de Deus. <strong>A celebra\u00e7\u00e3o final da XXII Romaria acontecer\u00e1 na cidade de Romaria, no dia 10 de novembro desse ano de 2019, um domingo, das 8h30 \u00e0s 16 horas.<\/strong> Eis, abaixo, um pouco do que consta no 2\u00ba Encontro da Cartilha das Miss\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>O destino da cria\u00e7\u00e3o inteira passa pelo\nmist\u00e9rio de Jesus Cristo, que est\u00e1 presente na natureza desde a sua origem: \u201cTodas\nas coisas foram criadas por Ele e para Ele\u201d (Cl&nbsp;1,16). Deus criou tudo por\namor: \u201cTu amas tudo quanto existe e n\u00e3o detestas nada do que fizeste; pois, se\nodiasses alguma coisa, n\u00e3o as terias criado\u201d (Sab&nbsp;11, 24). Os bens da\nnatureza s\u00e3o BENS COMUNS, e n\u00e3o do mercado. Contudo, s\u00e3o chamados de \u201crecursos\nnaturais\u201d, refor\u00e7ando uma ideia de que eles s\u00f3 t\u00eam valor em fun\u00e7\u00e3o do uso que\nfazemos deles. Assim eles se transformam em propriedade privada capitalista.\nPor\u00e9m, os bens comuns s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es naturais da pr\u00f3pria vida, como a \u00e1gua, os\nventos, sol, clima, atmosfera, biodiversidade, solos e sua fertilidade,\nminerais.&nbsp;Eles s\u00e3o uma heran\u00e7a comum, bens comuns e n\u00e3o podem ficar concentrados\nnas m\u00e3os de poucos.&nbsp;S\u00e3o bens do pr\u00f3prio planeta e n\u00e3o s\u00f3 da humanidade.\nComo dizia S\u00e3o Francisco de Assis, o nosso planeta \u00e9 \u201cirm\u00e3 e m\u00e3e, que nos\nsustenta e nos governa\u201d. O Papa Francisco nos recorda: \u201cTodo o universo material\n\u00e9 uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por n\u00f3s. O solo, a\n\u00e1gua, as montanhas: tudo \u00e9 car\u00edcia de Deus. A hist\u00f3ria da pr\u00f3pria amizade com\nDeus desenrola-se sempre em um espa\u00e7o geogr\u00e1fico que se torna um sinal muito\npessoal, e cada um de n\u00f3s guarda na mem\u00f3ria lugares cuja lembran\u00e7a nos faz\nmuito bem. Quem cresceu no meio de montes, quem na inf\u00e2ncia se sentava junto do\nriacho a beber, ou quem jogava numa pra\u00e7a do seu bairro, quando volta a esses\nlugares sente-se chamado a recuperar a sua pr\u00f3pria identidade\u201d (Laudato Si 84).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, muito se falava\nsobre a situa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e terra. Atualmente n\u00e3o se para de falar sobre a irm\u00e3 \u00e1gua.\nO que muita gente n\u00e3o sabe \u00e9 que \u00e1gua e terra caminham juntas, entrela\u00e7adas. O\nproblema da \u00e1gua n\u00e3o ser\u00e1 resolvido sem o correto manuseio da terra, inclusive\nquanto ao problema do plantio em larga escala. <\/p>\n\n\n\n<p>Deus criou o mundo e tudo que nele\nexiste, a partir do seu grande amor. Diz o salmista: \u201cAo Senhor pertence a\nterra\u201d (Sl 24\/23,1). A Ele pertence \u201ca terra e tudo o que nela se encontra\u201d (Dt\n10,14). O Deus da vida nos fala a partir da B\u00edblia e tamb\u00e9m a partir da\nrealidade. A B\u00edblia nos revela a Sabedoria de Deus, que nos fez criaturas junto\na toda cria\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o somos Deus. A terra existe antes de n\u00f3s e foi-nos dada\u201d,\nnossa responsabilidade \u00e9 a de \u201ccultivar e guardar\u201d, essa \u00e9 uma \u201cresponsabilidade\nperante uma terra que \u00e9 de Deus implica que o ser humano, dotado de\nintelig\u00eancia, respeite as leis da natureza e os delicados equil\u00edbrios entre os\nseres deste mundo\u201d O papa Francisco reafirma tudo isso, na Enc\u00edclica Louvado\nSejas e nos diz que tudo est\u00e1 interligado, que n\u00e3o h\u00e1 bem estar humano sem o\nuso respons\u00e1vel das coisas e sem reconhecer que todas as criaturas t\u00eam valor\npr\u00f3prio diante de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo atual de desenvolvimento n\u00e3o\nconsidera os bens comuns como necess\u00e1rios para vida e a Terra: \u201cclama contra o\nmal que lhe provocamos por causa do uso irrespons\u00e1vel e do abuso dos bens que\nDeus nela colocou. Crescemos a pensar que \u00e9ramos seus propriet\u00e1rios e\ndominadores, autorizados a saque\u00e1-la.\u201d Voc\u00ea sabia que a l\u00f3gica do agroneg\u00f3cio\nmuda completamente a ideia da m\u00e3e terra e da irm\u00e3 \u00e1gua como dons de Deus? Para\no agroneg\u00f3cio a m\u00e3e terra \u00e9 mercadoria, a irm\u00e3 \u00e1gua \u00e9 mercadoria, pois s\u00e3o\nutilizadas apenas para produzir acumula\u00e7\u00e3o de riqueza, e produzir o ano todo,\ncomo escravas, sem limites. A terra n\u00e3o tem descanso, a \u00e1gua vai sendo polu\u00edda,\nsecada&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O agroneg\u00f3cio, al\u00e9m de explorar a terra\ne a \u00e1gua e torn\u00e1-las mercadorias, faz com que as pessoas que trabalham na terra\ntamb\u00e9m sejam escravas. Sim, digo e repito: escravas! O agroneg\u00f3cio, na l\u00f3gica\ncapitalista, n\u00e3o respeita o ser humano. Toda vez que a terra \u00e9 transformada em\nmercadoria, o ser humano tamb\u00e9m se transforma em mercadoria. Por isso, \u201cem 30\nanos, de 1985 a 2015, foram assassinados na luta pela terra no Brasil 1356\npessoas, uma m\u00e9dia de 43,2 por ano\u201d (MOREIRA, 2017, p. 88, em Tese de doutorado\nna UFMG).<\/p>\n\n\n\n<p>E a minera\u00e7\u00e3o? A minera\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre as\natividades mais destrutivas do planeta. Na minera\u00e7\u00e3o em grande escala, enormes\nquantidades de terra e subsolo s\u00e3o processados e grandes quantidades de \u00e1gua\ns\u00e3o usadas e enormes quantidades de material t\u00f3xico s\u00e3o deixados para tr\u00e1s. Os\nefeitos podem durar v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Os impactos ambientais provocam\ndestrui\u00e7\u00e3o, mortes, e s\u00e3o mais comuns do que imaginamos. Em Minas Gerais, os\ncrimes cometidos pelas mineradoras Samarco (Vale e BH Billinton) em Mariana, e\npela Vale, em Brumadinho, s\u00e3o realidades que clamam por justi\u00e7a socioambiental.\n<\/p>\n\n\n\n<p>Quando uma empresa de minera\u00e7\u00e3o chega \u00e0\nsua comunidade, a conversa \u00e9 legal com maravilhosas promessas de benef\u00edcios\npara todos, falam como a minera\u00e7\u00e3o moderna \u00e9 muito melhor. Por\u00e9m, escondem uma\nverdade cruel. Elas n\u00e3o dizem que muitas comunidades s\u00e3o for\u00e7adas a deixarem\nsuas terras e seus modos de vida, como ocorreu com as fam\u00edlias de agricultores\nda comunidade da Mata da Bananeira, em Patroc\u00ednio, que foram coagidas a sa\u00edrem\nde suas terras pela ent\u00e3o mineradora Vale Fertilizantes. As mineradoras n\u00e3o\nmencionam nem antes e nem depois de se instalarem a imensa destrui\u00e7\u00e3o\nambiental, como as das nascentes que secaram no munic\u00edpio de Tapira, devido ao\naprofundamento da cratera (buraco) de extra\u00e7\u00e3o, na explora\u00e7\u00e3o de rocha\nfosf\u00e1tica, da hoje empresa estadunidense Mosaic Fertilizantes. Nem tampouco as\nmineradoras falam da contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1guas subterr\u00e2neas e superficiais, como\nacontece na regi\u00e3o do Barreiro, em Arax\u00e1, com metais pesados, como o b\u00e1rio, na\nminera\u00e7\u00e3o de ni\u00f3bio pela CBMM, causando muitos casos de pessoas com c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para muitas\ncoisas do dia a dia, mas, da forma predat\u00f3ria como \u00e9 feita, n\u00e3o respeita a\nnatureza e as pessoas, ao contr\u00e1rio, violenta a dignidade humana e a dignidade\nde toda a biodiversidade. Sua riqueza fica concentrada nas m\u00e3os de poucos. A\nresist\u00eancia \u00e0 minera\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo cada vez mais feita a partir das pr\u00f3prias\ncomunidades que buscam colocar limites maiores nas atividades de minera\u00e7\u00e3o. Os\ncasos bem sucedidos de resist\u00eancia s\u00e3o aqueles sustentados a partir das a\u00e7\u00f5es\ndas pr\u00f3prias comunidades. <\/p>\n\n\n\n<p>O Papa Francisco afirma: \u201cEm qualquer\ndiscuss\u00e3o sobre um empreendimento, dever-se-ia p\u00f4r uma s\u00e9rie de perguntas, para\npoder discernir se o mesmo levar\u00e1 a um desenvolvimento verdadeiramente\nintegral: Para que fim? Por qual motivo? Onde? Quando? De que maneira? A quem\najuda? Quais s\u00e3o os riscos? A que pre\u00e7o? Quem paga as despesas e como o far\u00e1? Neste\nexame, h\u00e1 quest\u00f5es que devem ter prioridade. Por exemplo, sabemos que a \u00e1gua \u00e9\num recurso escasso e indispens\u00e1vel, sendo um direito fundamental que condiciona\no exerc\u00edcio de outros direitos humanos. Isto est\u00e1, sem d\u00favida, acima de toda a\nan\u00e1lise de impacto ambiental duma regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obs<\/strong>.: Acompanhe not\u00edcias, textos e v\u00eddeos sobre a XXII Romaria das \u00c1guas e\nda Terra do Estado de Minas Gerais nos sites:<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\/\" target=\"_blank\">www.cptmg.org.br<\/a>\u00a0\u2013\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.arquidiocesedeuberaba.org.br\/\" target=\"_blank\">www.arquidiocesedeuberaba.org.br<\/a>\u00a0\u2013 <a href=\"http:\/\/www.xxii.romariadasaguasedaterramg.org.br\">www.xxii.romariadasaguasedaterramg.org.br<\/a> &#8211; \u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\" target=\"_blank\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Eis mais algumas fotos feitas por Laiza Dutra, da CPT\/MG.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73090452_2558563501088189_2941905310446518272_n.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5124\" width=\"763\" height=\"572\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73090452_2558563501088189_2941905310446518272_n.jpg 960w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73090452_2558563501088189_2941905310446518272_n-300x225.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73090452_2558563501088189_2941905310446518272_n-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 763px) 100vw, 763px\" \/><figcaption>Momento de Ora\u00e7\u00e3o dos\/as mission\u00e1rios\/as pr\u00f3ximo ao Santu\u00e1rio de Nossa Senhora da Abadia da \u00c1gua Suja, na cidade de Romaria, MG, dia 06\/11\/2019.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73164045_2558564077754798_2038529012124352512_n.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5125\" width=\"766\" height=\"574\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73164045_2558564077754798_2038529012124352512_n.jpg 960w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73164045_2558564077754798_2038529012124352512_n-300x225.jpg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/73164045_2558564077754798_2038529012124352512_n-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px\" \/><figcaption>Momento de Ora\u00e7\u00e3o dos\/as mission\u00e1rios\/as pr\u00f3ximo ao Santu\u00e1rio de Nossa Senhora da Abadia da \u00c1gua Suja, na cidade de Romaria, MG, dia 06\/11\/2019. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" 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