{"id":54,"date":"2011-03-07T12:56:07","date_gmt":"2011-03-07T15:56:07","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=54"},"modified":"2016-09-01T18:16:28","modified_gmt":"2016-09-01T21:16:28","slug":"campanha-da-fraternidade-2011","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/campanha-da-fraternidade-2011\/","title":{"rendered":"Sociedade Sustent\u00e1vel &#8211; Um novo paradigma civilizacional &#8211; CF 2011"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 18pt;\">Sociedade sustent\u00e1vel, um novo paradigma civilizacional<\/span><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Quest\u00e3o ecol\u00f3gica, novo are\u00f3pago da evangeliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8211; Subs\u00eddio para a Campanha da Fraternidade 2011 &#8211;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Por frei Gilvander Moreira<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cAt\u00e9 quando voc\u00eas v\u00e3o desprezar a natureza, pela&nbsp; ambi\u00e7\u00e3o de acumular e consumir (e se consumir), e assim, apodrecer o Planeta Terra irresponsavelmente?\u201d<\/em> (Atualiza\u00e7\u00e3o de Ex 16,28)<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 &#8211;<\/strong><em> <\/em><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A 1\u00aa parte do texto, abaixo, trata-se de uma s\u00edntese da 1\u00aa parte do TEXTO-BASE da Campanha da Fraternidade de 2011, que trata do VER a situa\u00e7\u00e3o de aquecimento global e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que est\u00e3o em curso. Realidade tremendamente preocupante. A 2\u00aa parte do texto, abaixo, trata-se de um artigo escrito por frei Gilvander Moreira e frei Cl\u00e1udio van Balen a partir de G\u00eanesis 1 a 11, que pode inspirar a constru\u00e7\u00e3o de uma Sociedade Sustent\u00e1vel, um novo paradigma civilizacional necess\u00e1rio e que deve ser constru\u00eddo com urg\u00eancia. \u00c9 dif\u00edcil, mas poss\u00edvel.<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1<sup>a<\/sup> parte &#8211; VER<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFraternidade e a vida no planeta\u201d, eis o tema da Campanha da Fraternidade de 2011, proposto pela CNBB. \u201cA cria\u00e7\u00e3o geme em dores de parto (Rm 8, 22)\u201d \u00e9 o lema. Por que e para qu\u00ea? O Aquecimento (com escurecimento) global e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 s\u00e3o realidade sentida por todas as pessoas e confirmada cientificamente por um batalh\u00e3o de mais de 2.800 especialistas do clima, integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 IPCC \u2013 da ONU. As intemp\u00e9ries clim\u00e1ticas est\u00e3o sistematicamente assolando as popula\u00e7\u00f5es de forma cada vez mais intensas e em quantidades sempre crescente. A temperatura est\u00e1 mais elevada, temporais por toda a parte, vendavais, longas estiagens em umas regi\u00f5es e excesso de chuvas em outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a ONU, mais de 50 milh\u00f5es de pessoas j\u00e1 s\u00e3o consideradas \u201cmigrantes do clima\u201d. S\u00e3o popula\u00e7\u00f5es que tiveram que fugir dos seus habitats, porque viver ali tornou imposs\u00edvel pela aus\u00eancia de \u00e1gua, pelo aumento da temperatura, por desertifica\u00e7\u00e3o, ou por que suas terras (ilhas e parte de pa\u00edses) j\u00e1 foram inundadas pelo mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo cientistas, agora, est\u00e1 se dando o encontro de dois movimentos c\u00f3smicos que agravam as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, o planeta est\u00e1 apresentando aquecimento devido \u00e0s grandes quantidades de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa \u2013 GEEs -, que se intensificaram a partir do momento da industrializa\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses, ou como alguns preferem, \u00e9 resultante de causas antr\u00f3picas (= humanas). Ou seja, o modelo econ\u00f4mico, imposto pelo sistema capitalista, absolutiza o crescimento econ\u00f4mico e est\u00e1, numa progress\u00e3o geom\u00e9trica devastando os bens naturais \u2013 terra, \u00e1gua e toda a biodiversidade -, que s\u00e3o limitados e n\u00e3o infinitos. Exemplos: Se o povo de todo o mundo tivesse o n\u00edvel de consumo do povo dos Estados Unidos, seria necess\u00e1rio recursos naturais de tr\u00eas globos terrestres. Se cada chin\u00eas tivesse um autom\u00f3vel, a temperatura da terra aumentaria 2 graus cent\u00edgrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo, a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o do universo indica que de tempos em tempos acontece mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como a \u00e9poca das glacia\u00e7\u00f5es, que resultou na mortandade dos dinossauros, os animais gigantes, dos quais a arqueologia demonstram a exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o se torna muito mais grave, porque parecer estar entrecruzando esses dois movimentos. Assim, a a\u00e7\u00e3o devastadora do modelo capitalista de produ\u00e7\u00e3o e de uma sociedade consumista est\u00e1 acelerando mudan\u00e7as c\u00f3smicas que poderiam ser mais lentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clima da Terra \u00e9 resultante da intera\u00e7\u00e3o dos seres que o habitam. Assim, contribui para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que verificamos altera\u00e7\u00f5es, tais como: as derrubadas de florestas e do cerrado, modifica\u00e7\u00f5es nas \u00e1guas marinhas e na atmosfera, que recebeu uma carga imensa de gases de efeito estufa, entre os quais est\u00e3o os raios infravermelhos que, ap\u00f3s atingir a terra, vindo do sol, s\u00e3o refletidos para o espa\u00e7o e repicados para a terra, sendo absolvidos pelos gases de efeito estufa, aumentando assim a temperatura. Para entender o que \u00e9 efeito estufa experimente ficar muito tempo em uma sauna ou dentro de um autom\u00f3vel debaixo de um sol de 40 graus. O calor absolvido, se n\u00e3o for refletido, acaba aquecendo gradativamente o meio circundado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A superf\u00edcie da Terra n\u00e3o \u00e9 atingida pela totalidade dos raios solares, cujos principais s\u00e3o: os infravermelhos e os ultravioletas. Cerca de 40% destes raios s\u00e3o refletidos para o espa\u00e7o pelas camadas superiores da atmosfera; outros 43% atingem a superf\u00edcie, que por sua vez, irradia 10% desta carga de energia solar para fora do planeta, e os 17% restantes s\u00e3o absorvidos pelas suas camadas inferiores. Os raios infravermelhos s\u00e3o absorvidos, sobretudo, pelo di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) e por vapores de \u00e1gua, elementos importantes para a forma\u00e7\u00e3o do efeito estufa; os ultravioletas s\u00e3o absorvidos pelo oz\u00f4nio<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 emitido pelos processos vitais de alguns seres \u00e9 absorvido por outros. Por exemplo, o ser humano, ao expirar, emite di\u00f3xido de carbono, enquanto as plantas o absorvem; pelo processo da fotoss\u00edntese as plantas liberam oxig\u00eanio, que mant\u00e9m vivo o ser humano atrav\u00e9s da respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas atividades de nossa civiliza\u00e7\u00e3o emitem grande quantidade de di\u00f3xido de carbono. \u00c9 o que ocorre na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis (carv\u00e3o, g\u00e1s e petr\u00f3leo), na derrubada e queimada de florestas e nas altera\u00e7\u00f5es do uso do solo. As derrubadas de florestas, al\u00e9m de emitirem carbono na atmosfera, eliminam um fator importante de assimila\u00e7\u00e3o deste g\u00e1s. Ao lado dos Oceanos, as florestas s\u00e3o detentoras de imensa capacidade de trocar<strong> <\/strong>o carbono por oxig\u00eanio na atmosfera. Em virtude destas atividades emissoras, as medi\u00e7\u00f5es apontam, a partir de 1750, aumento de di\u00f3xido de carbono em torno de 40% na atmosfera, enquanto o metano (CH\u2084) apresentou acr\u00e9scimo de 150%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu quarto relat\u00f3rio, de 2007, o IPCC<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><sup> <\/sup>afirma que o planeta Terra est\u00e1 aquecendo desde 1750, tendo elevado a temperatura m\u00e9dia em 0,74\u00ba C at\u00e9 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 1995 e 2006, o mundo teve 11 dos 12 anos mais quentes j\u00e1 registrados para a temperatura da superf\u00edcie da Terra. A maior parte do aquecimento se deve as atividades humanas dos \u00faltimos 50 anos. H\u00e1 muitos indicadores que mostram a acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento. As geleiras das montanhas e as coberturas de neve est\u00e3o diminuindo. As l\u00e2minas de gelo da Groel\u00e2ndia e da Ant\u00e1rtida est\u00e3o derretendo em alguns pontos. O n\u00edvel do mar continua a subir,<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> e a temperatura m\u00e9dia do oceano est\u00e1 aumentando. As secas est\u00e3o mais longas e mais intensas, e afetam \u00e1reas maiores. As chuvas est\u00e3o mais pesadas e provocam graves enchentes. O relat\u00f3rio de 2007 indica que essas recentes mudan\u00e7as s\u00e3o maiores do que as ocorridas no clima nos \u00faltimos 1.300 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A temperatura da superf\u00edcie deve aumentar em cerca de 2,4\u00b0C at\u00e9 2050, mesmo se a humanidade mudar seu padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e consumo imediatamente. Por\u00e9m, caso mudan\u00e7as dessa ordem n\u00e3o forem realizadas, o aumento pode alcan\u00e7ar 4\u00baC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popula\u00e7\u00e3o mundial aumentou dez vezes nos \u00faltimos tr\u00eas s\u00e9culos. No s\u00e9culo XX, quadruplicou; hoje, ultrapassa os 6,5 bilh\u00f5es de pessoas, e as estimativas indicam que pode chegar \u00e0 casa dos 9 bilh\u00f5es em 2050. Mesmo tendo presente que a prote\u00edna animal \u00e9 desigualmente distribu\u00edda, j\u00e1 existe praticamente uma vaca por fam\u00edlia e a popula\u00e7\u00e3o de gado, que \u00e9 respons\u00e1vel por parte da produ\u00e7\u00e3o do g\u00e1s metano, saltou para 1,4 bilh\u00e3o de <em>reses<\/em><em>.<\/em> Quase a metade da popula\u00e7\u00e3o vive, hoje, em cidades ou megacidades. No s\u00e9culo XX, a urbaniza\u00e7\u00e3o aumentou dez vezes. A produ\u00e7\u00e3o industrial cresceu 40 vezes nesse mesmo per\u00edodo e a demanda energ\u00e9tica exigiu que o setor crescesse 16 vezes. Por fim, quase 50% da superf\u00edcie do planeta passaram por transforma\u00e7\u00f5es em virtude das atividades humanas<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso da \u00e1gua passou por um crescimento de nove vezes no per\u00edodo citado e, hoje, desigualmente distribu\u00edda, atinge cerca de 800 metros c\u00fabicos <em>per capita<\/em> ao ano. Essa utiliza\u00e7\u00e3o se d\u00e1 na seguinte propor\u00e7\u00e3o: na irriga\u00e7\u00e3o 70%, na ind\u00fastria 20% e nos domic\u00edlios 10%, e a inefici\u00eancia na capta\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o gera grandes desperd\u00edcios. E, se a \u00e1gua \u00e9 essencial para a vida, \u00e9 tamb\u00e9m indispens\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o agroindustrial, pois segundo a <em>New Scientist<\/em> (PEARCE, 2006), um quilo de caf\u00e9 pronto para o consumo requer, em todas as etapas da produ\u00e7\u00e3o, cerca de 20 mil litros de \u00e1gua, um hamb\u00farguer de 100 gramas; 11 toneladas de materiais naturais n\u00e3o renov\u00e1veis para produzir um \u00fanico microcomputador e 32 quilos de materiais naturais n\u00e3o renov\u00e1veis; 11.000 litros para um mero <em>jeans.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono na atmosfera passou de 275 para 380ppm,<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> segundo medi\u00e7\u00e3o de 2006, e, segundo estimativas, a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis acrescenta anualmente 5 bilh\u00f5es de toneladas por ano<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> de CO\u2082 na atmosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00f3xido nitroso (N\u2082O) \u00e9, hoje, o que mais causa danos \u00e0 importante camada de oz\u00f4nio, superando os clorofluorcabornetos (CFCs)<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>; pois bem, 2\/3 do \u00f3xido nitroso provem dos processos de fertiliza\u00e7\u00e3o e em defensivos agr\u00edcolas, especialmente nas imensas monoculturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O g\u00e1s metano (CH\u2084), inicialmente conhecido como g\u00e1s dos p\u00e2ntanos, atualmente \u00e9 proveniente de atividades humanas na raz\u00e3o de 60%. Ele \u00e9 gerado especialmente atrav\u00e9s dos cultivos agr\u00edcolas e na pecu\u00e1ria \u2013 peido do gado libera metano -, mas tamb\u00e9m os grandes lagos artificiais para hidrel\u00e9tricas produzem metano. Nos \u00faltimos 200 anos, aumentou sua presen\u00e7a na atmosfera de 0,8 para 1,7ppm.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dada a quantidade de di\u00f3xido de carbono na atmosfera, a redu\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para as emiss\u00f5es seria, segundo o IPCC, da ordem de 50% at\u00e9 2030; mas \u00e9 preciso estar atentos a outros gases, como o \u00f3xido nitroso, por exemplo, cuja diminui\u00e7\u00e3o recomendada gira em torno de 70 a 80% &#8211; meta dificultada porque o nitrog\u00eanio \u00e9 amplamente utilizado em processos de fertiliza\u00e7\u00e3o para plantios agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As principais fontes de energia renov\u00e1veis<\/strong> s\u00e3o energia solar, energia e\u00f3lica<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn9\">[9]<\/a>, energia h\u00eddrica, energia oce\u00e2nica<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn10\">[10]<\/a>, energia geot\u00e9rmica<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn11\">[11]<\/a> e a proveniente da biomassa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As previs\u00f5es de demanda energ\u00e9tica apontam para um crescimento anual de 1,5% at\u00e9 2030, ou seja, 30% em vinte anos. Essas previs\u00f5es se chocam frontalmente com a recomenda\u00e7\u00e3o do IPCC para que se diminuam as emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> em 50% at\u00e9 2030 para que a temperatura n\u00e3o cres\u00e7a 2\u00baC nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preocupante o direcionamento que as recentes decis\u00f5es do governo est\u00e3o conferindo \u00e0 quest\u00e3o das fontes energ\u00e9ticas em nosso pa\u00eds. Hoje, a regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u00e9 palco de grandes projetos hidroel\u00e9tricos, como as usinas Jirau e Santo Ant\u00f4nio, no Rio Madeira, em Rond\u00f4nia, Belo Monte e Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1, al\u00e9m de muitas Pequenas Centrais Hidrel\u00e9tricas (PCH) espalhadas pelo pa\u00eds e os acenos de expans\u00e3o da matriz energ\u00e9tica at\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo brasileiro praticamente ignora o potencial oferecido pelo nosso imenso territ\u00f3rio para a implementa\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da energia solar e da e\u00f3lica. E quer incrementar a produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear, o que exigiria a constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias usinas nucleares, cujos res\u00edduos permanecem radiativos por muit\u00edssimos anos. Igualmente o programa Pr\u00e9-Sal exige disp\u00eandio de fortunas para a extra\u00e7\u00e3o de um produto altamente poluente, cujo processo pode resultar em desastres ambientais incalcul\u00e1veis, como o ocorrido no golfo do M\u00e9xico, no ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 constatou-se que o desmate m\u00e9dio atingiu 20 mil km\u00b2; em 1995, registrou-se um pico de 29.059 km\u00b2 e, em 2004, outro n\u00famero assustador: 27.400 km\u00b2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Philip M. Fearnside, um dos cientistas mais respeitado em quest\u00e3o de aquecimento global, critica a diretriz governamental de combate ao desmatamento da floresta amaz\u00f4nica, exposta no Plano Nacional sobre Mudan\u00e7as do Clima (PNMC), afirmando que, embora a repress\u00e3o ao desmatamento tenha produzido algum efeito, os planos de implanta\u00e7\u00e3o de infraestrutura, somado \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1reas de terras antes na ilegalidade, apontam necessariamente para o crescimento do desmatamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se somarmos a concess\u00e3o oficial para o desmate no per\u00edodo entre 2009-2017, chega-se \u00e0 cifra de 80.112 km\u00b2 de floresta derrubada, o equivalente a tr\u00eas B\u00e9lgicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concess\u00e3o de 63 milh\u00f5es de hectares de terra na Amaz\u00f4nia, atrav\u00e9s da Medida Provis\u00f3ria 422 &#8211; assinada por Lula, em 25 de mar\u00e7o de 2008, que tornou-se a Lei N\u00ba 11.763 de 1\u00ba de agosto de 2008 &#8211; legalizou a grilagem de terra e o desmatamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A devasta\u00e7\u00e3o da biodiversidade est\u00e1 crescendo numa progress\u00e3o geom\u00e9trica. Embora a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no mundo (com agrot\u00f3xicos e tecnologia de ponta) seja suficiente para alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o mundial, h\u00e1 mais de 1 bilh\u00e3o de pessoas passando fome no mundo. Os pobres est\u00e3o sendo empurrados para as regi\u00f5es com maiores agress\u00f5es ambientais, enquanto os ricos, os que mais destroem, est\u00e3o ficando nas \u00e1reas mais preservadas, que ser\u00e3o em breve devastadas tamb\u00e9m pelo estilo de vida consumista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, por exemplo, mais de 70% dos alimentos s\u00e3o produzidos pela agricultura familiar camponesa, e n\u00e3o pelo agroneg\u00f3cio que, ao contr\u00e1rio, continua asfixiando a os pequenos produtores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Assembl\u00e9ia Geral da ONU, em vinte e oito de julho de 2010, aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o afirmando que a \u00e1gua e o saneamento b\u00e1sico s\u00e3o direitos. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, cerca de 13%, ou algo pr\u00f3ximo a 900 milh\u00f5es, vivem sem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, e 39%, ou aproximadamente 2,6 bilh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o disp\u00f5em de saneamento b\u00e1sico. Na Am\u00e9rica Latina, 85 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua pot\u00e1vel e 115 milh\u00f5es vivem sem saneamento b\u00e1sico. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 apontada como respons\u00e1vel direta pela morte de 1,5 milh\u00e3o de crian\u00e7as com menos de cinco anos de idade, vitimadas por diarr\u00e9ia<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As costas litor\u00e2neas abrigam, em nossos dias, quase dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial, e estima-se que, at\u00e9 2030 chegue a tr\u00eas quartos. Praticamente 40% dos recursos pesqueiros marinhos do Atl\u00e2ntico se encontram superexplorados e outros 30% totalmente explorados. Outro problema \u00e9 o aumento de poluentes como esgoto, lixos, toxinas carregadas via atmosfera, envenena os oceanos diariamente. Com o aquecimento global os oceanos est\u00e3o subindo e poder\u00e1 subir, em m\u00e9dia, 59 cent\u00edmetros at\u00e9 o final do s\u00e9culo XXI, o que causar\u00e1 devasta\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel nas cidades costeiras e no biodiversidade marinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1972, aconteceu o primeiro encontro internacional que tratou sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento e o meio ambiente, e ficou conhecido como Confer\u00eancia de Estocolmo. A Confer\u00eancia foi tensa, polarizada entre \u201ccrescimento zero\u201d e \u201ccrescimento a qualquer custo\u201d e, para sua supera\u00e7\u00e3o, foi proposta uma abordagem ecodesenvolvimentista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 16 de setembro de 1987 foi acordado o&nbsp; Protocolo de Montreal. Assinado por 150 pa\u00edses, versou sobre subst\u00e2ncias que empobrecem a camada de oz\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Eco 92, realizada entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro, teve como objetivo principal:<em> <\/em>\u201c<em>buscar meios de conciliar o <\/em><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Desenvolvimento\" title=\"Desenvolvimento\"><em>desenvolvimento<\/em><\/a><em> socioecon\u00f4mico com a conserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos <\/em><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ecossistema\" title=\"Ecossistema\"><em>ecossistemas<\/em><\/a><em> da <\/em><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Terra\" title=\"Terra\"><em>Terra<\/em><\/a>\u201d<em>. \u201cA Confer\u00eancia do Rio consagrou o conceito de <\/em><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Desenvolvimento_sustent%C3%A1vel\" title=\"Desenvolvimento sustent\u00e1vel\"><em>desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/em><\/a><em> e contribuiu para a mais ampla conscientiza\u00e7\u00e3o de que os danos ao meio ambiente eram majoritariamente de responsabilidade dos <\/em><em>pa\u00edses desenvolvidos<\/em><em>&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Protocolo de Kyoto, de 1997, exige dos pa\u00edses<em> signat\u00e1rios a redu\u00e7\u00e3o n a emiss\u00e3o de poluentes em 5,2% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990. O documento precisa ser ratificado por pelo menos 55 pa\u00edses que, juntos, produziam 55% do g\u00e1s carb\u00f4nico lan\u00e7ado na atmosfera em 1990\u201d<\/em><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>. No entanto, Estados Unidos, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia n\u00e3o assinaram este Protocolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Rio 10+, acontecida entre 26 de agosto e 4 de setembro de 2002 na \u00c1frica do Sul, avaliou o progresso feito na quest\u00e3o ambiental durante a d\u00e9cada transcorrida desde a Eco-92.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Igrejas reunidas na Assembl\u00e9ia Ecum\u00eanica Mundial, realizada em Seul, na Cor\u00e9ia, de 05 a 12 de mar\u00e7o de 1990, afirmaram que \u201ccada vida \u00e9 sagrada porque a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 de Deus e a bondade de Deus a permeia completamente. Atualmente, cada forma de vida no mundo &#8230; est\u00e1 em perigo, porque a humanidade n\u00e3o foi capaz de amar a vida da terra; em particular, os ricos e os poderosos a roubaram como se essa tivesse sido criada para fins ego\u00edstas. A amplitude da devasta\u00e7\u00e3o pode ser irrevers\u00edvel e, portanto, nos impele a agir com urg\u00eancia\u201d (n. 2408).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;O papa Jo\u00e3o Paulo II, na Carta Enc\u00edclica <em>Sollicituto Rei Socialis, <\/em>afirma: \u201c<em>Entre os sinais positivos do presente \u00e9 preciso registrar, ainda, uma maior consci\u00eancia dos limites dos recursos dispon\u00edveis, a necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza e de t\u00ea-los em conta na programa\u00e7\u00e3o do desenvolvimento, em vez de sacrific\u00e1-los a certas concess\u00f5es demag\u00f3gicas. \u00c9 afinal, aquilo que se chama hoje de preocupa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/em>\u201d<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>. Na <em>Exorta\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Sinodal de 2003, <\/em>Jo\u00e3o Paulo II, diz: \u201c<em>H\u00e1 necessidade de convers\u00e3o ecol\u00f3gica, para a qual os Bispos h\u00e3o de dar a sua contribui\u00e7\u00e3o ensinando a correta rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza<\/em>\u201d<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 &#8211; Sustentabilidade, novo paradigma civilizacional.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se obter sustentabilidade requer-se, de um lado, a diminui\u00e7\u00e3o do consumo, sobretudo do excessivo e do sup\u00e9rfluo, e, de outro, a redu\u00e7\u00e3o das gritantes desigualdades que podem ser sintetizadas em dados como o do consumo de carne. Atualmente, 45% da produ\u00e7\u00e3o de carne e peixe, principais fontes de prote\u00edna animal, s\u00e3o consumidos por 20% da popula\u00e7\u00e3o do planeta, enquanto somente 5% do que se produz deste g\u00eanero de alimento \u00e9 destinado aos 20% mais pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta denominada \u201cpegada ecol\u00f3gica\u201d<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> \u00e9 uma ferramenta interessante para se constatar, de modo mensur\u00e1vel, as disparidades, pois identifica os excessos de pegada ou consumo. Por exemplo, \u201c<em>os EUA, que n\u00e3o t\u00eam uma qualidade de vida muito superior \u00e0 da It\u00e1lia, segundo se pode afirmar, usam duas vezes e meia mais pegada do que os italianos<\/em>\u201d<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>. Mahatma Gandhi disse: \u201c<em>o mundo tem recursos suficientes para atender \u00e0s necessidades de todos, mas n\u00e3o a ambi\u00e7\u00e3o de todos<\/em>\u201d<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>. Logo, a ambi\u00e7\u00e3o e o lucro desenfreados devem ser considerados crimes e punidos. Para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade, no campo e na cidade, \u00e9 preciso se criar marco legal que exija tamb\u00e9m responsabilidade ecol\u00f3gica. Para quem devastar o meio ambiente, a pena ser\u00e1 a expropria\u00e7\u00e3o da propriedade, ou seja, confisco sem pagamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O progresso de um sistema econ\u00f4mico que agride&nbsp; a vida no e do planeta, e <em>\u201cj\u00e1 sacrificou muitas vidas, esp\u00e9cies e ecossistemas,&nbsp; tende \u00e0 cat\u00e1strofe planet\u00e1ria e podemos ir ao encontro do destino dos dinossauros\u201d<\/em><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Planeta Terra \u00e9 Gaia, um grande ser vivo que garante a vida de uma imensa biodiversidade, mas est\u00e1 sendo despelado \u2013 por excesso de desmatamento \u2013 e envenenado pelo excesso de agrot\u00f3xicos jogados na terra e nos cursos de \u00e1gua. O Brasil j\u00e1 \u00e9 o maior consumidor de agrot\u00f3xico do mundo. Por ano j\u00e1 s\u00e3o mais de 1 bilh\u00e3o de litros de veneno jogado na agricultura brasileira, a do agroneg\u00f3cio. Em m\u00e9dia, s\u00e3o 4 litros de veneno por pessoa por ano. A hora clama por reforma agr\u00e1ria, com agricultura camponesa segundo os princ\u00edpios da agroecologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>2<sup>a<\/sup> parte: JULGAR<\/strong> \u2013 <strong><span style=\"font-size: 18pt;\">Por uma sociedade sustent\u00e1vel<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">4 &#8211; G\u00caNESIS 1-11: A luz e a for\u00e7a divina est\u00e3o em toda a biodiversidade<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira e frei Cl\u00e1udio van Balen<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum texto b\u00edblico mais sugestivo que o do G\u00eanesis 1 a 11 para orientar nossa conviv\u00eancia sustent\u00e1vel com respeito \u00e0 biodiversidade, ao Brasil, ao mundo, \u00e0 Vida &#8211; com biodiversidade, povos, culturas e religi\u00f5es. Os relatos no Gn 1 a 11 &#8211; lidos de forma atualizada, ecum\u00eanica e militante \u2013 h\u00e3o de inspirar-nos para um lidar saud\u00e1vel com os desafios diante do aquecimento global e outros problemas atuais, causados, principalmente pelo sistema econ\u00f4mico neoliberal genocida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a ONU, em 2005 aconteceram 360 desastres naturais: 168 inunda\u00e7\u00f5es, 69 tornados e furac\u00f5es e 22 secas que afetaram 154 milh\u00f5es de pessoas. No final de 2004, um&nbsp; tsunami ceifou a vida de 280 mil pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Gn 1-11 h\u00e1 relatos que n\u00e3o podem ser interpretados como se fosse simples hist\u00f3ria das origens do universo e da humanidade. Com uma roupagem simb\u00f3lica, eles nos conferem uma responsabilidade decisiva na constru\u00e7\u00e3o do mundo e da hist\u00f3ria, ap\u00f3s o longo processo da evolu\u00e7\u00e3o c\u00f3smica. O Deus da vida nos convoca \u00e0 miss\u00e3o de parceiros na Alian\u00e7a da Cria\u00e7\u00e3o-Salva\u00e7\u00e3o. Para Gn 1-11 n\u00e3o h\u00e1 uma multid\u00e3o de \u00eddolos que povoaram ou povoam a terra&nbsp; com suas \u2018monarquias\u2019 dos poderes cultural-pol\u00edtico-econ\u00f4mico-religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o toda se encontra em Deus \u2013 gr\u00e1vido do universo \u2013 e desde sempre, do mesmo, ela flui, passando por uma gesta\u00e7\u00e3o progressiva, em que a gratuidade do mist\u00e9rio da vida se anuncia a partir de formas min\u00fasculas e na lentid\u00e3o do infinito, do eterno. A pessoa humana capta e se arrisca de verbalizar o que \u00e9 encoberto por um sil\u00eancio impenetr\u00e1vel. Da\u00ed, seu recurso a met\u00e1foras \u2013 Deus cria falando e recorre a dias \u2013 que expressam, simbolicamente, um mist\u00e9rio que ora amedronta ou encanta, ora suscita nossa admira\u00e7\u00e3o ou nos interpela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, ent\u00e3o, cria a partir da palavra, isto \u00e9, deixa emanar de seu ser &#8211; n\u00e3o por meio de simples decreto nem por um poder ditatorial \u2013 uma rica gama de seres. \u00c9 algo como o pr\u00f3prio esp\u00edrito de Deus \u2018pairando\u2019 sobre as \u00e1guas (Gn 1,2b), melhor dizendo, todas as criaturas, toda a realidade, tudo e todos s\u00e3o permeados, perpassados pelo divino, pelo esp\u00edrito de vida. O&nbsp; divino n\u00e3o est\u00e1 acima e nem fora do real, por\u00e9m est\u00e1 na realidade com todas as suas rela\u00e7\u00f5es se encontra abrigada em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta perspectiva o profano \u00e9 realidade sagrada, pois emanado de Deus reflete algo de seu mist\u00e9rio. Se a cria\u00e7\u00e3o acontece a partir da palavra \u2013 sopro divino \u2013 participa, em seu \u00edntimo, do mist\u00e9rio divino e merece de todos, no respeito, a gratid\u00e3o. Somos, pois, elevados a administradores do divino a ponto de \u2013descuidando da cria\u00e7\u00e3o \u2013 anularmos algo da ess\u00eancia divina e cometermos uma lesa-divindade. Conseq\u00fcentemente, maltratando da cria\u00e7\u00e3o, prejudicamos a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHouve uma tarde e uma manh\u00e3!\u201d (Gn 1,5.8.13.19.23.31). Eis o refr\u00e3o a revelar que para o povo da B\u00edblia a vida caminha das trevas da noite para a luz da aurora. \u201cFaz escuro, mas cantamos\u201d, diria o\/a autor\/a de Gn 1-11. Com m\u00e3os \u00e0 obra, havemos de construir a esperan\u00e7a. Na cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es libertadoras, como sugere&nbsp; Gn 1, exclamamos: \u201cQue Beleza! Tudo \u00e9 muito bom! A vida, a m\u00e3e terra, a irm\u00e3 \u00e1gua, toda a biodiversidade, tudo \u00e9 destinado e chamado a ser fruto e ber\u00e7o de rela\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias a servi\u00e7o da vida!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano reconhece em si, e em todos os seres, algo da imagem e semelhan\u00e7a de Deus (Gn 1,26). Sim, n\u00e3o s\u00f3 o ser humano. Toda a complexidade da vida \u2013 terra, \u00e1gua, seres vivos, cerrado, Amaz\u00f4nia, ar, sol, lua, estrelas, etc&nbsp; &#8211; reflete o divino, irradia a luz e a for\u00e7a de Deus.&nbsp; Longe de n\u00f3s o antropocentrismo, com sua arrog\u00e2ncia excludente, que tanto mal tem feito \u00e0 humanidade. Finalmente, gra\u00e7as a tamb\u00e9m a tantas crises, percebemo-nos fazendo parte, pertencendo uns aos outros. Irm\u00e3os insetos e passarinhos, por exemplo &#8211; ex\u00edmios ecologistas &#8211; ajudam a limpar o ambiente, cuidando do equil\u00edbrio da natureza. O irm\u00e3o morcego, grande semeador, e o pardal benfeitor cumprem a miss\u00e3o de semear uma variedade infinita de esp\u00e9cies por onde v\u00e3o passando. <strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCuidem da terra!\u201d (Gn 1,28). N\u00e3o queiramos trair esta sua miss\u00e3o, simplesmente explorando e submetendo todos. Reinemos compartilhando responsabilidades e crescendo em todos os sentidos, n\u00e3o s\u00f3 na dimens\u00e3o econ\u00f4mica. Cres\u00e7amos espiritualmente, deixemos de ser analfabetos espirituais, pol\u00edticos e ecol\u00f3gicos. N\u00e3o nos curvemos diante de sua ignor\u00e2ncia e cobi\u00e7a, nem diante de nenhum tipo de tirania. Exer\u00e7amos lideran\u00e7a. Participemos da&nbsp; coordena\u00e7\u00e3o da terra, isto \u00e9, do destino dos seres e do equil\u00edbrio da vida. Ao cuidarmos da terra, nos beneficiamos a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo do campo parece ser o ch\u00e3o geogr\u00e1fico e econ\u00f4mico do Gn 1-11. A humanidade \u00e9 gente tirada da terra (Gn 2,7). Somos t\u00e3o filhos e filhas da terra e da \u00e1gua quanto somos filhos e filhas de Deus. \u00c9 hora de aprofundarmos nossa liga\u00e7\u00e3o \u00edntima com a m\u00e3e terra que n\u00e3o pode continuar sendo tratada como mercadoria, sendo espoliada de seu sangue &#8211; as \u00e1guas e o verde. Rasgar o ventre da m\u00e3e terra, deix\u00e1-la coberta de chagas e ferida de morte \u00e9 genoc\u00eddio, \u00e9 condenar seus pr\u00f3prios filhos\/as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos gente colocada em uma horta \/ ro\u00e7a para cultiv\u00e1-la qual jardim (Gn 2,8-9). Nossa miss\u00e3o \u00e9 cuidar, proteger, pastorear toda a biodiversidade. Conviver de forma fraterna com todos e tudo. Isso \u00e9 construir uma sociedade sustent\u00e1vel. Preservar, desenvolver e aperfei\u00e7oar ao m\u00e1ximo deve ser a meta priorit\u00e1ria. Construir e produzir &#8230; s\u00f3 se for dentro dos limites da sustentabilidade. \u201cSociedade sustent\u00e1vel\u201d, eis um grande desafio. Quando continuamos depredando, impiedosamente, a natureza e conservando rela\u00e7\u00f5es injustas, cometemos uma fal\u00e1cia, uma grande mentira. Nada de nos esconder atr\u00e1s da ignor\u00e2ncia e maldade em discursos e pr\u00e1ticas de pequenos e grandes agro-industriais. Sociedade implica respeito por natureza e pessoas. O sistema capitalista tem deixado um rastro de destrui\u00e7\u00e3o. O futuro da&nbsp; humanidade e da biodiversidade est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0&nbsp; constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade que se sustenta por uma envolvente, multiforme e respons\u00e1vel ecologia. Ecologia \u00e9 cuidar da harmoniosa integra\u00e7\u00e3o dos seres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mulheres n\u00e3o podem ser consideradas inferiores s\u00f3 porque se teriam originado de uma costela de homem. (Gn 2,21). Leitura fundamentalista n\u00e3o! Homem e mulher s\u00e3o \u201ccarne da mesma carne\u201d; emanam do mesmo Deus, sendo sua imagem viva. Eva, a culpada de tudo? A interpreta\u00e7\u00e3o pode ser outra. Eva se mostrou rebelde frente \u00e0 rotina, t\u00e3o comum ao macho. Desde ent\u00e3o, toda mudan\u00e7a deve algo a uma inc\u00f4moda e santa rebeldia. Quem lidera o processo de amadurecimento humano provoca alguma instabilidade, por\u00e9m estimula a abandonar o infantilismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 quando expulsos do para\u00edso do sossego e da acomoda\u00e7\u00e3o, somos impelidos a abra\u00e7ar o processo hist\u00f3rico com suas potencialidades e ambig\u00fcidades. Desde o in\u00edcio, o ser humano passa pela adolesc\u00eancia para chegar \u00e0 fase adulta, pagando um pre\u00e7o a fim de viver e conviver em um mundo melhor. Ele conquista progressiva autonomia, assumindo o que faz parte da vida: dar \u00e0 luz em dores de parto e suar por seu sustento. Isto \u2013 embora muitos o sintam qual castigo \u2013 conduz o ser humano a assumir a maioridade, fazendo-o caminhar com as pr\u00f3prias pernas. Os que buscam o novo, \u00e0s vezes, com rebeldia, andam de m\u00e3os dadas&nbsp; com Deus. \u201c<em>Eis que fa\u00e7o novas todas as coisas<\/em>\u201d. Eles se fazem co-criadores de Deus.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPecado original\u201d &#8230; Tem a ver com uma inerente e original limita\u00e7\u00e3o de n\u00e3o querer assumir a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana em sua fragilidade. Requer-se a leveza da humildade em conviver&nbsp; com limita\u00e7\u00f5es e falhas, uma vez que, em n\u00f3s, h\u00e1 desequil\u00edbrios e virtudes de tantas gera\u00e7\u00f5es qual poeira c\u00f3smica a nos humilhar ou dignificar. Aqui, n\u00e3o cabe gloriar-se nem culpar outros. Somos vasos de barro, lembrou Paulo ap\u00f3stolo. A realidade nos desafia para crescer em autonomia sem recair na auto-sufici\u00eancia da soberba com prepot\u00eancia. Longe de n\u00f3s a depend\u00eancia que humilha e a arrog\u00e2ncia que subjuga. Tanto no bem como no mal, nada \u00e9 somente meu. Pagamos um pre\u00e7o, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana como tamb\u00e9m \u00e0 heran\u00e7a gen\u00e9tica e a mil e uma circunst\u00e2ncias do passado e do presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos sintomas do pecado original \u00e9 o instinto excludente de \u201cpropriedade privada\u201d, tanto no plano individual como no plano s\u00f3cio-pol\u00edtico-cultural-econ\u00f4mico-religioso. O fil\u00f3sofo Jean Jacques Rousseau pondera que o pecado original entrou no mundo quando algu\u00e9m resolveu cercar um peda\u00e7o de terra e dizer: <em>isto \u00e9 meu<\/em>. Os outros, amedrontados pelo poder, abaixaram a cabe\u00e7a e aceitaram. Ou seja, a raiz de muitos desvios e injusti\u00e7as estaria nessa institui\u00e7\u00e3o da \u201cpropriedade privada\u201d. De propriedade de bens necess\u00e1rios \u00e0 vida passou \u00e0 propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, o que consagrou a viol\u00eancia no mundo. Da\u00ed, \u00e9 s\u00f3 um passo para Caim matar Abel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro sintoma de pecado original \u00e9 insinuar que a mulher \u00e9 \u2018sedutora\u2019, eternamente conspirando, para fazer os homens ca\u00edrem nas garras do mal. Veja a que pode chegar um preconceito, uma atitude covarde: <span style=\"text-decoration: underline;\">Mulheres-cobra<\/span>, de l\u00edngua dupla, mentirosas, perversas e maliciosas. Em Gn 3, a \u201cserpente\u201d pode ser considerada como a lucidez interior ou a informa\u00e7\u00e3o exterior que conscientizam Eva, isto \u00e9 a mulher, a fim de que se disponha a crescer humanamente. N\u00e3o seria tanto o caso de uma imoral sedu\u00e7\u00e3o, mas a partilha dos bens da cultura. A vis\u00e3o machista n\u00e3o tolera tal atua\u00e7\u00e3o feminista. De fato, em um clima apocal\u00edptico e de patriarcalismo, o livro do Eclesi\u00e1stico chegou a avaliar Eva como a primeira a pecar (Eclo 25,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00eanesis 3 n\u00e3o fala de mulheres carregando uma certa ess\u00eancia impura e pecaminosa, por isso distanciadas da plena presen\u00e7a do divino. Excluir as mulheres de lugares e institui\u00e7\u00f5es, impedi-las de \u201ctocar\u201d no sagrado, de partilhar do altar, de ritos e liturgias, \u00e9 trair o sentido da mensagem b\u00edblica. A biblista Maria Soave nos alerta: \u201c<em>Foi a serpente conhecedora da sabedoria que fez a humanidade acordar: \u201cN\u00e3o acreditem na for\u00e7a da viol\u00eancia e dos donos das armas! N\u00e3o acreditem nos tiranos e nos senhores! Tomem da fruta da \u00e1rvore, tenham for\u00e7a para gritar n\u00e3o, para acreditar na mudan\u00e7a, para tirar do trono os reis poderosos e seus deuses onipotentes e vingativos! Na evolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, a humanidade tomou a fruta e comeu. Nossos olhos se abriram e tivemos a coragem de expulsar reis poderosos, sacerdotes opressores e deuses violentos. Tivemos a coragem de ser felizes. Eva \u2013 a humanidade com o cheiro de terra \u2013 a partir daquele dia, passou a ser chamada com o nome de serpente: hawwah, Eva, M\u00e3e de todos os viventes.\u201d <\/em><em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caim mata Abel, no passado e no presente. Caim \u00e9 ferreiro, da cidade. Detentor da tecnologia de guerra e do poder. Abel \u00e9 pastor, peregrino semi-n\u00f4made. Assim era e \u00e9 o povo de Deus. N\u00e3o nos fixemos apenas em Caim e na sua viol\u00eancia. Deus se comove com a dor de Abel e interpela Caim: \u201cOnde est\u00e1 seu irm\u00e3o Abel?\u201d (Gn 4,9). Deus n\u00e3o fica neutro, opta pela defesa do agredido. Os enfraquecidos por sistemas de morte &#8211; tal como o capitalismo selvagem \u2013 podem inspirar-se no Deus de Abel e no Abel de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No relato do dil\u00favio (Gn 6-9) n\u00e3o nos limitemos \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o destruidora que refor\u00e7a em n\u00f3s a imagem de um Deus justiceiro a punir a humanidade. Olhemos, prioritariamente, para No\u00e9,&nbsp; homem justo, \u00edntegro e que andava com Deus (Gn 6,9). No\u00e9, mesmo n\u00e3o sendo profissional, faz uma arca. Em tempos de seca se prepara para enfrentar as inunda\u00e7\u00f5es. Preocupa-se em salvar toda sua fam\u00edlia: um casal de todas as esp\u00e9cies vivas. Assim, No\u00e9 se torna o pai da a\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e da defesa intransigente de toda biodiversidade. Assim como Chico Mendes, h\u00e1 milhares de No\u00e9s pelo mundo afora, participando da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Gn 11,1-9 olhemos n\u00e3o apenas para a arrog\u00e2ncia humana que constr\u00f3i <span style=\"text-decoration: underline;\">uma torre<\/span> \/ cidade para destronar Deus. Vejamos, a presen\u00e7a amorosa de Deus que suscita a diversidade de l\u00ednguas e culturas, inviabiliza todo e qualquer \u2018pensamento \u00fanico\u2019 e, assim, gera a dispers\u00e3o de planos diab\u00f3licos das hegemonias amea\u00e7adoras. O evangelho de Lucas fez quest\u00e3o de registrar no C\u00e2ntico de Maria, a m\u00e3e de Jesus: <em>\u201cDeus derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes\u201d.&nbsp; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e3o e Sara (Gn 12). Abra\u00e3o&#8230; Algo novo surge do cansa\u00e7o, quando tudo \u00e9 julgado perdido. Sara&#8230; Esperan\u00e7a h\u00e1, mas de t\u00e3o vagarosa provoca zombaria sem desviar-se do caminho. O casal \u00e9 convocado para o desconhecido, amea\u00e7ado pelo que n\u00e3o deseja. Tem de deixar sua terra e reconhecer, duas vezes, que filho n\u00e3o lhe pertence. \u00c9 no aparente abandono que o novo recebe sua nova chance. Resta-lhe uma risada e um grito de dor a ecoar pelos caminhos do tempo, conscientizando seu povo, a humanidade. Passos certos t\u00eam de ser dados. Nada de pressa. Falhas n\u00e3o fecham portas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e3o&#8230;, inspira\u00e7\u00e3o dos que cr\u00eaem&#8230;, maltratados no presente, amea\u00e7ados pelo futuro. Com&nbsp; Sara, na velhice, ele gera um filho. E na terra do Fara\u00f3, ele n\u00e3o assume a companheira como sua. Ao mesmo tempo, fiel a si mesmo, at\u00e9 na perda,&nbsp;se faz defensor da vida contra a morte. Modelo dos que cr\u00eaem, troca o incerto pelo certo, mas, fragilizado, recebe a ordem: \u201cV\u00e1, retire-se\u201d.&nbsp; O caminhar faz o caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ousa viver com uma promessa sem livrar-se de sua pequenez. Deus n\u00e3o precisa de super-homens. Em Sara e Abra\u00e3o, somos todos justificados pela f\u00e9. O pensamento iluminado nos preserva contra a ditadura de um poder central \u2013 a&nbsp; partir de dentro de si e de fora. Aqui, n\u00e3o pode haver oposi\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e mundo, entre sagrado e profano, entre f\u00e9 pessoal e autoridade. Autonomia e responsabilidade formam a base de uma maturidade espiritual. O impulso din\u00e2mico da f\u00e9 est\u00e1 na base da evolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, com o ser humano intimamente ligado \u00e0 m\u00e3e terra, com homem e mulher em p\u00e9 de igualdade e dignidade, com a lideran\u00e7a de Eva, com Abel, No\u00e9, Abra\u00e3o e Sara, a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus envolve todas as criaturas e nos convoca para recriarmos o mundo em suas rela\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es. Tudo isso \u00e9 uma beleza! Vale a pena investir nossas energias nesta empreitada para o nosso bem e para o bem das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com F\u00e9 no Deus da vida, f\u00e9 nos pequenos, f\u00e9 em toda a biodiversidade e f\u00e9 em n\u00f3s mesmos, vamos, com m\u00e3os \u00e0 obra, cantando: \u201c<em>Vencer o inimigo invenc\u00edvel; &#8230;N\u00e3o me importa saber se \u00e9 terr\u00edvel demais, quantas guerras terei de vencer, por um pouco de paz, E amanh\u00e3, se este ch\u00e3o que beijei, for o meu leito e perd\u00e3o, vou saber que valeu delirar e morrer de paix\u00e3o; E assim, seja l\u00e1 como for, vai ter fim a infinita afli\u00e7\u00e3o, e o mundo vai ver uma flor brotar do imposs\u00edvel ch\u00e3o<\/em>.\u201d (Maria Beth\u00e2nia)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5- E o descanso de Deus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este mundo sem o descanso de Deus, de sua presen\u00e7a, corre o risco de converter-se em f\u00e1bricas que poluem e de homens e mulheres que atuam em um mercado de trabalho gerador mais de morte, que de vida propriamente. N\u00e3o podemos aceitar a redu\u00e7\u00e3o de pessoas a meras m\u00e1quinas funcionadoras de um sistema de morte. \u201cObede\u00e7o ao sistema. N\u00e3o posso modificar nada\u201d, se desculpam muitos funcion\u00e1rios que mant\u00e9m a m\u00e1quina mort\u00edfera funcionando a todo vapor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que viver para trabalhar? At\u00e9 os momentos de repouso s\u00e3o, muitas vezes, usados por ind\u00fastrias do lazer que mais cansam as pessoas do que as descansam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que minera\u00e7\u00e3o, grandes supermercados e grande parte do com\u00e9rcio devem funcionar dia e noite e aos domingos e feriados tamb\u00e9m? \u00c9 sofisma dizer que \u00e9 para poder atender quem trabalha durante o dia. Por que n\u00e3o se pode diminuir a carga hor\u00e1ria, deixando assim mais tempo livre para as pessoas resolverem seus problemas pessoais e tendo inclusive tempo para participar de for\u00e7as vivas da sociedade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a reorganiza\u00e7\u00e3o da sociedade israelita na metade do s\u00e9culo VII a.C, numa fase posterior \u00e0 domina\u00e7\u00e3o da Ass\u00edria e procura contrapor-se aos valores e pr\u00e1ticas deste povo imperialista da \u00e9poca<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>, inclusive no cuidado para com a natureza, o livro do Deuteron\u00f4mio nos d\u00e1 algumas recomenda\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dt 22,6-7 \u2013 nesta passagem, o texto diz explicitamente que se algu\u00e9m encontrar no caminho, sobre uma \u00e1rvore ou na terra, uma ave sobre um ninho, com ovos ou filhotes, e tendo necessidade destes alimentos, poder\u00e1 ficar com os filhotes, mas dever\u00e1 poupar a ave&nbsp; (\u201c<em>livre deixar\u00e1s a m\u00e3e\u201d<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Dt 20,19-20 \u2013 No Deuteron\u00f4mio, mesmo em um cap\u00edtulo em que apresenta orienta\u00e7\u00f5es para situa\u00e7\u00f5es de batalha, n\u00e3o \u00e9 esquecido o cuidado com a natureza. Nesse sentido, \u00e9 interessante a indica\u00e7\u00e3o para se poupar as \u00e1rvores produtivas: \u201c<em>quando sitiares uma cidade&#8230; n\u00e3o destruas as \u00e1rvores a golpes de machado; porque poder\u00e1s comer dos frutos. N\u00e3o derrubes as \u00e1rvores. Ou as \u00e1rvores do campo seriam porventura homens para fugirem de tua presen\u00e7a por ocasi\u00e3o do cerco?<\/em>\u201d (Dt 20, 19). Neste sentido, esta preocupa\u00e7\u00e3o demonstrada no texto \u00e9 oportuna para o nosso contexto, dado que ainda se constata o prosseguimento de uma das formas mais aviltantes de agress\u00e3o ao meio ambiente, a devasta\u00e7\u00e3o de florestas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dt 23,13-15 \u2013 nesta passagem, existe a indica\u00e7\u00e3o para se manter a limpeza do acampamento: \u201cFora do acampamento ter\u00e1s um lugar onde te possas retirar para as necessidades. Levar\u00e1s no equipamento uma p\u00e1 para fazeres uma fossa&#8230; Antes de voltar, cobrir\u00e1s os excrementos.\u201d (Dt 23, 13-14). Aqui aparece a preocupa\u00e7\u00e3o para com o saneamento em meio ao acampamento do povo, dado importante para as condi\u00e7\u00f5es de vida daquelas pessoas. Em nossos dias o d\u00e9ficit em saneamento b\u00e1sico \u00e9 vergonhoso, atinge cerca de 2,5 bilh\u00f5es de pessoas no mundo.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>6- No deserto, uma li\u00e7\u00e3o de consumo respons\u00e1vel <\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s amargar uns 500 anos debaixo do imperialismo dos fara\u00f3s no Egito, os oprimidos se uniram, se organizaram e fugiram atravessando o Mar Vermelho. Mois\u00e9s foi o guia e l\u00edder desta caminhada pelo deserto. O povo precisava de comida e recebeu o man\u00e1, \u201c<em>Mois\u00e9s lhes disse: Isto \u00e9 o p\u00e3o que o Senhor vos d\u00e1 para comer\u201d<\/em> (Ex 16, 15b). Entretanto, havia normas para evitar o desperd\u00edcio e permitir que todos tivessem o necess\u00e1rio. Cada um s\u00f3 podia recolher o que de fato precisava, \u201c<em>Eis o que o Senhor vos mandou: recolhei a quantia que cada um de v\u00f3s necessita para comer, um jarro de quatro litros por pessoa<\/em>\u201d (Ex 16, 16a). O que fosse acumulado a mais apodreceria, <em>\u201calguns, por\u00e9m, desobedeceram a Mois\u00e9s e guardaram o man\u00e1 para o dia seguinte; mas ele bichou e apodreceu\u201d<\/em> (Ex 16, 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terra \u00e9 repartida de modo a evitar a concentra\u00e7\u00e3o de bens, e consequentemente de poder, \u201c<em>Entre estes se repartir\u00e1 a terra <span style=\"text-decoration: underline;\">em heran\u00e7a<\/span>, de modo proporcional ao n\u00famero de pessoas<\/em>\u201d (Nm 26, 53). Logo, \u00e9 imposs\u00edvel ser crist\u00e3o sem lutar pela efetiva\u00e7\u00e3o de reforma agr\u00e1ria. A concentra\u00e7\u00e3o da terra em poucas \u201cm\u00e3os\/garras\u201d \u00e9 o que garante o galopar do agroneg\u00f3cio, algo tremendamente devastador do meio ambiente, concentrador de riqueza, vulnerabilizador da soberania, pois vai deixando o territ\u00f3rio sem povo e quase n\u00e3o gera emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Al\u00e9m de prescrever o descanso individual no s\u00e1bado, a B\u00edblia prev\u00ea tamb\u00e9m um descanso da terra no Ano Sab\u00e1tico, que deveria acontecer de sete em sete anos (Ex 23,10-11). E a lei do descanso n\u00e3o parava por a\u00ed, indicava tamb\u00e9m um Ano Jubilar<strong> <\/strong>(a cada cinq\u00fcenta anos), no qual a terra deveria voltar \u00e0s fam\u00edlias que originalmente as ocuparam, demonstrando assim, que a terra deveria ser usada segundo o desejo de seu leg\u00edtimo dono, que \u00e9 Deus. Diz o Senhor: \u201c<em>As terras n\u00e3o se vender\u00e3o <span style=\"text-decoration: underline;\">a t\u00edtulo definitivo<\/span>, porque a terra \u00e9 minha, e v\u00f3s sois estrangeiros e meus agregados\u201d<\/em> (Lv 25,23). A inten\u00e7\u00e3o a\u00ed \u00e9 cuidar da justi\u00e7a social, impedindo a latifundiariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Endere\u00e7o do autor:<\/strong><\/p>\n<p> Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira, O.Carm<a><\/a> <\/p>\n<p>Comunidade Carmelitana Edith Stein<\/p>\n<p>Rua Iracema Souza Pinto, 695<\/p>\n<p>Bairro Planalto<\/p>\n<p>CEP. 31720-510 &#8211; Belo Horizonte \u2013 MG<\/p>\n<p>Fone: (31) 3494-1623<\/p>\n<p>E-mail: <a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a><\/p>\n<p><a>www.gilvander.org.br &#8211; www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/> <\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref1\">[1]<\/a> Mestre em Exegese B\u00edblica, professor de Teologia B\u00edblia, assessor da CPT, CEBs, SAB e Via Campesina \u2013 e-mail: <a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref2\">[2]<\/a> Esta \u00e9 a raz\u00e3o da grande preocupa\u00e7\u00e3o com o buraco atualmente existente na camada de oz\u00f4nio na atmosfera.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref3\">[3]<\/a> Pode ser encontrado em portugu\u00eas no espa\u00e7o do PNUMA, ONU, ou no site: Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"http:\/\/www.ipcc.cg\">www.ipcc.cg<\/a>&gt;. Acesso em: 06 ago. 2010.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref4\">[4]<\/a> Pesquisas da NASA indicam que, de 2003 a 2008, derreteram-se 2 bilh\u00f5es de toneladas de gelo no \u00c1rtico, na Groel\u00e2ndia e no Alasca, proporcionando um aumento de 4,5 mm no n\u00edvel das \u00e1guas oce\u00e2nicas. No Chile, verifica-se avan\u00e7o do derretimento em 92% das 1720 geleiras e nas cordilheiras nevadas do Peru, ocorre o mesmo. Processo semelhante ocorre nos montes K\u00eania e Kilimanjaro na Tanz\u00e2nia, que j\u00e1 perderam mais de 80% das antigas coberturas de neve. Cf. J.A. MEJIA GUERRA, In REB, Fasc. 277, Janeiro, 2010, p. 9-11.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref5\">[5]<\/a> Conf. Paul J. CRUTZEN. <em>Qu\u00edmica atmosf\u00e9rica e clima no antropoceno? <\/em>In fazendo as pazes com a Terra: qual o futuro da esp\u00e9cie e do planeta? Ed. Paulus, S\u00e3o Paulo, 2010, pp.155.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref6\">[6]<\/a> Segundo as pesquisas do IPCC, a concentra\u00e7\u00e3o do di\u00f3xido de carbono na atmosfera vem aumentando. Houve um aumento mais pronunciado desde a era pr\u00e9-industrial, passando de 280 ppm para 379 ppm em 2005, sendo que na \u00faltima d\u00e9cada, entre 1995 e 2005, houve a maior taxa de aumento. <a href=\"http:\/\/www.multiciencia.unicamp.br\/r01_8.htm\">http:\/\/www.multiciencia.unicamp.br\/r01_8.htm<\/a>. Acesso em 15\/09\/2010.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref7\">[7]<\/a> Conf. Dispon\u00edvel em &lt;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/educacao.uol.com.br\/quimica\/sequestro-de-carbono.jhtm\">http:\/\/educacao.uol.com.br\/quimica\/sequestro-de-carbono.jhtm<\/a>&gt;. Acesso em: 07 ago. 2010.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref8\">[8]<\/a> Conf. Dispon\u00edvel em &lt;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/360graus.terra.com.br\/ecologia\/default.asp?did=29063&amp;action=news\">http:\/\/360graus.terra.com.br\/ecologia\/default.asp?did=29063&amp;action=news<\/a>.&gt; Acesso em: 07 ago. 2010.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref9\">[9]<\/a> Por meio de turbinas e\u00f3licas se converte a energia cin\u00e9tica do vento em energia mec\u00e2nica (para moer, bombear \u00e1gua) ou para alimentar um gerador que a transforma em energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref10\">[10]<\/a> Existem v\u00e1rias formas de se explorar a energia dos Oceanos. As mais utilizadas s\u00e3o: energia das ondas, que consiste em aproveitamento do movimento das ondas para acionar turbinas de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica;<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref11\">[11]<\/a> aproveita-se o calor existente nas camadas interiores da Terra para produzir vapor e acionar turbinas de produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref12\">[12]<\/a> Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"http:\/\/www.portugues.rfi.fr\/ciencias\/20100322-dia-mundial-da-agua-884-milhoes-vivem-sem-agua-potavel\">http:\/\/www.portugues.rfi.fr\/ciencias\/20100322-dia-mundial-da-agua-884-milhoes-vivem-sem-agua-potavel<\/a>&gt;. Acesso em: 06 ago. 2010.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref13\">[13]<\/a>Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"http:\/\/www.gaia-movement.org\/Article.asp?TxtID=294&amp;SubMenuItemID=136&amp;MenuItemID=55\">http:\/\/www.gaia-movement.org\/Article.asp?TxtID=294&amp;SubMenuItemID=136&amp;MenuItemID=55<\/a>&gt;. Acesso em: 10&nbsp; mar. 2010.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref14\">[14]<\/a> SollicitudoRei Socialis. <em>Carta Enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II<\/em>, n. 26.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref15\">[15]<\/a> Cf. L. GARMUS, p. 873.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref16\">[16]<\/a> O termo pegada ecol\u00f3gica, de forma simplificada, \u00e9 uma esp\u00e9cie de conta matem\u00e1tica, em que se calcula o que uma na\u00e7\u00e3o efetivamente tem para extrair da natureza e gastar, sem comprometer a sustentabilidade da mesma.&nbsp;<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref17\">[17]<\/a> Mathis WACKERNAGEL. <em>Podemos reduzir nossa pegada ecol\u00f3gica?<\/em> In Fazendo as pazes&#8230;.. pp. 129.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref18\">[18]<\/a> In, Haroldo Mattos de LEMOS. <em>op cit.<\/em> pp. 144.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref19\">[19]<\/a> BRUSTOLIN, L. A. e MACHADO, R. F., <em>Um pacto pela Terra, a crise ecol\u00f3gica na agenda teol\u00f3gica.<\/em> In Teocomunica\u00e7\u00e3o, V.38, N\u00b0 160, maio\/agosto. 2008.<em> <\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref20\">[20]<\/a> Haroldo REIMER, In <em>Revista de Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica Latino-Americana<\/em>. Petr\u00f3polis, 2001, N\u00b0 39, p.[189] 37.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sociedade sustent\u00e1vel, um novo paradigma civilizacional Quest\u00e3o ecol\u00f3gica, novo are\u00f3pago da evangeliza\u00e7\u00e3o &#8211; Subs\u00eddio para a Campanha da Fraternidade 2011 &#8211; Por frei Gilvander Moreira[1] &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cAt\u00e9 quando voc\u00eas v\u00e3o desprezar a natureza, pela&nbsp; ambi\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-54","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":250,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54\/revisions\/250"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}