{"id":59,"date":"2011-04-01T14:49:31","date_gmt":"2011-04-01T17:49:31","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=59"},"modified":"2016-09-01T18:16:28","modified_gmt":"2016-09-01T21:16:28","slug":"ocupacoes-sem-teto-em-belo-horizonte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/ocupacoes-sem-teto-em-belo-horizonte\/","title":{"rendered":"Dandara, Camilo Torres e Irm\u00e3 Dorothy"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Dandara, Camilo Torres e Irm\u00e3 Dorothy<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Publicado no Jornal Brasil de Fato, edi\u00e7\u00e3o n. 422, de 31\/3 a 06\/04\/2011, p. 2.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Belo Horizonte, 13\u00aa cidade mais desigual do mundo (segundo a ONU), tr\u00eas comunidades sem teto est\u00e3o amea\u00e7adas de despejo: Comunidades Dandara, Camilo Torres e Irm\u00e3 Dorothy.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Acompanho de perto, desde o in\u00edcio, a luta das 1.200 fam\u00edlias dessas tr\u00eas comunidades. Por isso, digo que s\u00e3o exemplos de luta por inclus\u00e3o social e por dignidade humana. Na Camilo Torres moram 142 fam\u00edlias; na Dandara 887 fam\u00edlias e na Irm\u00e3 Dorothy 135 fam\u00edlias est\u00e3o vivendo <st1:personname productid=\"em comunidade. Quase\">em comunidade. Quase<\/st1:personname> todas as fam\u00edlias, antes, estavam na cruz do aluguel, vivendo de favor, nas ruas ou em \u00e1reas de riscos. Muitas delas cansaram de esperar na ilus\u00f3ria fila da pol\u00edtica habitacional de Belo Horizonte, que \u00e9 insuficiente. Colocaram o p\u00e9 na estrada e est\u00e3o lutando por dignidade, moradia popular e por uma reforma urbana estrutural e efetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dandara est\u00e1 no C\u00e9u Azul, na regi\u00e3o da Nova Pampulha. Ocupa um \u201clatif\u00fandio urbano\u201d de 360 mil metros quadrados (<st1:metricconverter productid=\"36 hectares\">36 hectares<\/st1:metricconverter>) que estava abandonado, com milh\u00f5es em d\u00edvida de IPTU e sem cumprir sua fun\u00e7\u00e3o social h\u00e1 d\u00e9cadas. Mesmo assim, a Construtora Apesar luta judicialmente pela reintegra\u00e7\u00e3o da posse. N\u00e3o mantinha a posse antes. Para espanto nosso, o Judici\u00e1rio Mineiro concedeu a liminar de reintegra\u00e7\u00e3o de posse \u00e0 construtora.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As 887 fam\u00edlias de Dandara est\u00e3o sendo organizadas pelas Brigadas Populares e por uma ampla Rede de Apoio. Est\u00e1 organizada em 9 grandes grupos coordenados por moradores(as) eleitos(as) nas semanais \u201creuni\u00f5es de grupo\u201d H\u00e1 Assembl\u00e9ia Geral semanal. Foi elaborado um projeto urban\u00edstico por profissionais e estudantes de arquitetura da PUC-Minas em conjunto com a Comunidade, garantindo uma apropria\u00e7\u00e3o racional do terreno e o respeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o urban\u00edstica e ambiental. H\u00e1 \u00e1reas comunit\u00e1rias reservadas para horta comunit\u00e1ria e para constru\u00e7\u00e3o de equipamentos p\u00fablicos (Creche, Posto de Sa\u00fade e Pra\u00e7as). Uma Igreja Ecum\u00eanica e um Centro Comunit\u00e1rio est\u00e3o sendo erguidos <st1:personname productid=\"em mutir\uffe3o. Mais\">em mutir\u00e3o. Mais<\/st1:personname> de 90% das moradias j\u00e1 s\u00e3o casas de alvenaria, constru\u00eddas com muito suor, inclusive com empr\u00e9stimo banc\u00e1rio feito por aposentados. Nas comunidades h\u00e1 Coletivos de Sa\u00fade e de Educa\u00e7\u00e3o formados por moradores e apoiadores. H\u00e1 Projeto MOVA de alfabetiza\u00e7\u00e3o do Instituto Paulo Freire. Os conflitos internos s\u00e3o dirimidos e mediados pelas lideran\u00e7as locais, quase sempre sem interven\u00e7\u00e3o da for\u00e7a policial. Tratam-se de Comunidades pac\u00edficas em que a organiza\u00e7\u00e3o popular permitiu o estabelecimento de fortes v\u00ednculos de solidariedade, conscientiza\u00e7\u00e3o, disciplina e compromisso social. Dandara \u00e9 a maior ocupa\u00e7\u00e3o organizada de Minas Gerais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilo Torres e Irm\u00e3 Dorothy est\u00e3o em terrenos que at\u00e9 1992 pertenciam ao Governo de Minas. Foram repassados por baixo pre\u00e7o e de forma irregular para empresas que n\u00e3o cumpriram cl\u00e1usulas contratuais, tal como a obriga\u00e7\u00e3o de construir empreendimento industrial na \u00e1rea dentro de 24 meses. Ap\u00f3s 16 anos, os terrenos continuavam ociosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelas tr\u00eas comunidades j\u00e1 passaram dezenas de turmas de estudantes, professores, religiosos de diversas congrega\u00e7\u00f5es, ativistas brasileiros e estrangeiros. Enfim, essas tr\u00eas comunidades t\u00eam sido um importante exemplo de resist\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o popular. Receberam nomes eloquentes: Dandara, companheira de Zumbi; Camilo Torres, padre guerrilheiro da Col\u00f4mbia; e Irm\u00e3 Dorothy, freira estadunidense que doou sua vida na defesa da Amaz\u00f4nia, lutando por reforma agr\u00e1ria e contra o trabalho escravo. Despej\u00e1-las jamais ser\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o. Vamos continuar plantando caqui, a planta que resistiu no territ\u00f3rio de Yroshima, ap\u00f3s a bomba at\u00f4mica. O caminho \u00e9 dialogar. \u00c9 o que esperamos. A Presidenta Dilma, em reuni\u00e3o comigo e com o bispo dom Joaquim Mol, nos assegurou que se o governo de Minas e o prefeito de Belo Horizonte desapropriarem os terrenos, o Governo Federal financiar\u00e1 a melhoria das casas de alvenaria j\u00e1 constru\u00eddas e construir\u00e1 o que falta. O Governo do Estado, em reuni\u00e3o com uma comiss\u00e3o de Alto N\u00edvel, afirmou que \u00e9 preciso dialogar. A bola est\u00e1 com o prefeito da capital mineira, que continua intransigente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/> <\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=3#_ftnref1\">[1]<\/a> Mestre <st1:personname productid=\"em Exegese B\uffedblica\">em Exegese B\u00edblica<\/st1:personname>, professor de Teologia B\u00edblica e assessor da Comiss\u00e3o Pastoral da terra \u2013 CPT; <a href=\"mailto:gilvander@igrejadocarmo.com.br\">gilvander@igrejadocarmo.com.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dandara, Camilo Torres e Irm\u00e3 Dorothy Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira[1]&nbsp; (Publicado no Jornal Brasil de Fato, edi\u00e7\u00e3o n. 422, de 31\/3 a 06\/04\/2011, p. 2.) 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