{"id":63,"date":"2011-05-01T14:27:35","date_gmt":"2011-05-01T17:27:35","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=63"},"modified":"2011-05-01T14:27:35","modified_gmt":"2011-05-01T17:27:35","slug":"pascoa-beleza-pura-sem-mistura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/pascoa-beleza-pura-sem-mistura\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa, beleza pura, sem mistura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">P\u00c1SCOA: BELEZA PURA, COM MISTURA<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Julieta Amaral da Costa<a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vou come\u00e7ar falando de Natal na Quaresma. Li, no final do ano passado, um preg\u00e3o natalino que dizia: \u201cO natal este ano ser\u00e1 no Haiti\u201d.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Fiquei impressionada porque, justamente, acabava de decidir voltar ao Haiti para colaborar na continuidade do Projeto de solidariedade da Arquidiocese de Belo Horizonte. O final do preg\u00e3o dizia: \u201cent\u00e3o, este ano, n\u00e3o vamos a Bel\u00e9m, vamos ao Haiti e l\u00e1 encontraremos Maria, Jos\u00e9 e o Menino\u201d. Mais impressionada fiquei com a insist\u00eancia de uma de minhas amigas, Elza, de 84 anos, que me dizia|: \u201cent\u00e3o, voc\u00ea vai encontrar l\u00e1 Maria, Jos\u00e9 e o Menino!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomei o avi\u00e3o no dia 15 de mar\u00e7o, rumo ao Haiti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A casa que nos acolhe, na capital, est\u00e1 cercada de barracas de lona por todos os lados. Essa \u00e9 a realidade de todas as pra\u00e7as, ruas e quintais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, a primeira vez que sa\u00ed de casa, me deparo com uma mulher saindo de um dos barracos exclamando: \u201cvoc\u00ea voltou\u201d? Fiquei admirada, me aproximei e perguntei arriscando falar o Kreyol, l\u00edngua pr\u00f3pria daqui: voc\u00ea se lembra de mim? Ela suspendeu um pouco a saia, mostrou-me uma cicatriz na coxa dizendo: \u201cvoc\u00ea comprou a pomada que curou minha ferida\u201d. A\u00ed me lembrei o nome dela e exclamei: Elisabeth?? Abra\u00e7amo-nos muito felizes. Ela apontou para dentro do barraco, entrou e veio trazendo nos bra\u00e7os uma menininha muito bonita. Tinha um m\u00eas de idade. Tomei-a nos bra\u00e7os e perguntei o nome. \u201cMarie\u201d, respondeu. \u201cTenho mais tr\u00eas\u201d, acrescentou, falando a idade de todos eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma hora saltou da minha mem\u00f3ria o preg\u00e3o natalino. Mas como assim? Encontrei, sim, a m\u00e3e, e a menina&#8230; n\u00e3o foi um menino. A m\u00e3e \u00e9 Izabel (Elisabeth), nome da prima&#8230; que tamb\u00e9m experimentou um abra\u00e7o revelador&#8230; Quem quiser que ponha na ordem b\u00edblica os fatos e as personagens, por enquanto, todas femininas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faltava, no entanto Jos\u00e9. Fiquei meio sem jeito de perguntar pelo pai, levada por tantos prejulgamentos que fazemos sempre: deve ser um de cada pai&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sa\u00ed dali intrigada e fui comprar algumas coisas de que precisava. Na volta, l\u00e1 estava ela. Sentei-me, ent\u00e3o na \u201cporta\u201d do barraco e conversamos. No meio da conversa perguntei despistadamente: voc\u00ea tem marido? Estava na hora de completar o quadro meio disforme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com olhos brilhantes, quase em l\u00e1grimas, me disse: \u201cele tinha morrido na v\u00e9spera do dia que a senhora passou aqui! Era pedreiro, perdeu uma perna no terremoto e, 4 meses depois, n\u00e3o resistiu&#8230; eu estava gr\u00e1vida\u201d&#8230;A\u00ed os olhos que brilharam foram os meus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Compreendi que ali estava uma Maria sem Jos\u00e9, v\u00edtima da fatalidade de 12 de janeiro. E que, naquele barraco, se misturavam muitos mist\u00e9rios: natal, paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso essa reflex\u00e3o tamb\u00e9m pode ser de P\u00e1scoa. Misturei com ela os versos de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, no auto de Natal pernambucano: Morte e Vida Severina. Ele apresenta os pobres trazendo presentes ao menino que acabava de \u201csaltar pra dentro da vida\u201d. Frutas, coisas pequenas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entrei e fui buscar algo que poderia trazer de presente \u00e0 pequena Marie. Acabei encontrando partes de uma fralda que minha irm\u00e3 mais velha tinha cortado em quatro, para eu enxugar o rosto no tempo de muito calor. Peguei tr\u00eas peda\u00e7os, dobrei bem, sem papel de presente, e levei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Momentos plenos de sentido e de simplicidade. Sem necessidade de teorizar: Natal? Paix\u00e3o? P\u00e1scoa? Menino ou menina? E a mistura b\u00edblica? Personagens fora de tempo e de lugar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De qualquer forma a gente acaba consultando \u201cos bot\u00f5es\u201d da teologia. E vai se convencendo de que hoje n\u00e3o \u00e9 o caso de procurar o menino-homem, Jesus hist\u00f3rico. \u00c9 o caso de encontrar a humanidade: homem-mulher, assumida na encarna\u00e7\u00e3o. De perceber que o mist\u00e9rio da ressurrei\u00e7\u00e3o j\u00e1 penetrou o nascimento a paix\u00e3o e a morte que continuam acontecendo hoje. E que a vit\u00f3ria \u00e9 da VIDA. Tive, ent\u00e3o, vontade de cantar com o Gonzaguinha que a \u201cvida \u00e9 bonita, \u00e9 bonita e \u00e9 bonita\u201d. Vou continuar matutando: \u201cVida Severina, mas de qualquer forma, VIDA\u201d!!! &nbsp;E voc\u00ea? Quer continuar?<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Haiti &#8211; P\u00e1scoa 2011<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/> <\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/#_ftnref1\">[1]<\/a> Irm\u00e3 da congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Provid\u00eancia de Gap; e-mail: <a href=\"mailto:julietac30@hotmail.com\">julietac30@hotmail.com<\/a> . Julieta est\u00e1 sendo mission\u00e1rio no Haiti, em 2011. Pertence tamb\u00e9m ao CEBI \u2013 Centro Ecum\u00eanico de Estudos B\u00edblicos.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00c1SCOA: BELEZA PURA, COM MISTURA Julieta Amaral da Costa[1] Vou come\u00e7ar falando de Natal na Quaresma. 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