{"id":7,"date":"2007-07-07T09:54:06","date_gmt":"2007-07-07T12:54:06","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=7"},"modified":"2007-07-07T09:54:06","modified_gmt":"2007-07-07T12:54:06","slug":"meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/meio-ambiente\/","title":{"rendered":"O Meio ambiente e o trabalho"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O meio ambiente e o trabalho: a dignidade humana neste  espa\u00e7o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Delze dos Santos Laureano<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Artigo publicado no livro<strong> <em>O  VESTIR E O CAL\u00c7AR \u2013 perspectivas da rela\u00e7\u00e3o sa\u00fade e trabalho<\/em>, <\/strong>Jos\u00e9  Reginaldo In\u00e1cio e Celso Amorim Salim (org.), Ed. Cris\u00e1lida, Belo Horizonte,  2010, pp.<strong> <\/strong>424-438.)<em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong>O meio ambiente ecologicamente equilibrado \u00e9 reconhecido  juridicamente como um bem de uso comum do povo. Inicialmente, fomos levados a  pensar na prote\u00e7\u00e3o do ambiente sem a presen\u00e7a do ser humano. Nos dias atuais,  sabemos que as quest\u00f5es ambientais perpassam todas as atividades humanas, n\u00e3o  apenas a nossa rela\u00e7\u00e3o com o ambiente natural.<\/p>\n<p>  <!--more-->  &nbsp;Diante disso, temos de assumir a  tarefa de conhecer melhor de que modo as atividades humanas, entre as quais o  trabalho, interferem na qualidade do ambiente e de que modo a qualidade do  ambiente interfere na vida de todos os seres e tamb\u00e9m no bem-estar dos  trabalhadores. Ressalte-se que o trabalho como um valor social \u00e9 componente  indissoci\u00e1vel da dignidade da pessoa humana, princ\u00edpio em torno do qual gravita  todo o ordenamento jur\u00eddico moderno. <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O modo  capitalista de produ\u00e7\u00e3o e o meio ambiente <\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong>Entendemos que uma reflex\u00e3o, mesmo inicial, acerca da intera\u00e7\u00e3o entre  meio ambiente e o trabalho humano, sob a perspectiva da dignidade humana, deve  passar inevitavelmente por duas considera\u00e7\u00f5es. A primeira, a deteriora\u00e7\u00e3o do  ambiente do trabalho em raz\u00e3o das constantes e inconseq\u00fcentes mudan\u00e7as nas  t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o, capitaneadas pelo racionalismo e defendidas pela ideologia  dominante&nbsp; nos tr\u00eas \u00faltimos s\u00e9culos, para  atender aos interesses econ\u00f4micos somente. O nosso modo de vida, ao longo do  tempo, como consequ\u00eancia disso, (des)orientado pela civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, vem  causando danos irrepar\u00e1veis no ambiente em geral e nas rela\u00e7\u00f5es humanas, seja no  \u00e2mbito familiar, seja nos espa\u00e7os p\u00fablicos e privados de conviv\u00eancia. O corpo e  a mente das pessoas que trabalham padecem em consequ\u00eancia dessa deteriora\u00e7\u00e3o. A  maioria dos empreendimentos priorizara a maior produtividade e a absolutiza\u00e7\u00e3o  do lucro, desconsiderando aspectos essenciais para a sustentabilidade da vida  dos seres que povoam nosso planeta.<\/p>\n<p>A segunda considera\u00e7\u00e3o que devemos fazer \u00e9 acerca da explora\u00e7\u00e3o  irracional dos bens naturais em todo o planeta, base do modo capitalista de  produ\u00e7\u00e3o. A necessidade da constante amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, na maioria das  vezes, de objetos de consumo desnecess\u00e1rios<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn2\">[2]<\/a>,  mediante o uso intensivo de \u00e1gua e energia, vem causando o esgotamento da  capacidade de regenera\u00e7\u00e3o da natureza e a degrada\u00e7\u00e3o do meio, devido \u00e0s enormes  e inconsequentes agress\u00f5es aos ecossistemas naturais, seja para a obten\u00e7\u00e3o de  mat\u00e9rias-primas para a ind\u00fastria, seja em vista da grande quantidade de res\u00edduos  resultantes do processo de industrializa\u00e7\u00e3o. O lixo vai se acumulando com o  descarte das embalagens, com os rejeitos industriais, ou os bens substitu\u00eddos  por modelos industriais mais sofisticados.<\/p>\n<p>Mas a pior consequ\u00eancia de tudo isso s\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas  em todas as regi\u00f5es do planeta, segundo informam os estudiosos do tema. O  lan\u00e7amento di\u00e1rio de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera,  principalmente pelos pa\u00edses mais industrializados, provoca o conhecido  aquecimento global. Cientistas respeitados apontam esse fen\u00f4meno como o  respons\u00e1vel pelos desastres ambientais cada vez mais constantes e de  consequ\u00eancias imprevis\u00edveis, inclusive o comprometimento das condi\u00e7\u00f5es naturais  para a produ\u00e7\u00e3o dos alimentos necess\u00e1rios \u00e0 vida dos seres humanos e dos  animais.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos desconsiderar que este modo de produ\u00e7\u00e3o retirou dos  trabalhadores os meios necess\u00e1rios para a gera\u00e7\u00e3o de renda fora das rela\u00e7\u00f5es de  emprego, como historicamente foi o cultivo da terra, a cria\u00e7\u00e3o de pequenos  animais para o consumo direto e para as pequenas trocas, e o trabalho  manufaturado nas pequenas comunidades. \u00c9 de se ressaltar ainda que a perda da  qualidade de vida em todo o ambiente ocorreu de forma gradativa e numa  progress\u00e3o geom\u00e9trica em vista de n\u00e3o terem sido resguardadas as condi\u00e7\u00f5es  essenciais para a vida, como a qualidade do ar, os n\u00edveis saud\u00e1veis dos ru\u00eddos,  a boa qualidade do solo e da \u00e1gua, e, principalmente, as rela\u00e7\u00f5es sociais  deterioradas pela urbaniza\u00e7\u00e3o e pela permanente competi\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o  capitalistas. Vivemos em um mundo que s\u00f3 tem lugar para os \u201cmelhores\u201d, ou seja,  os que t\u00eam renda suficiente para estarem inseridos no consumo de bens, inclu\u00edda  a\u00ed a educa\u00e7\u00e3o. Para isso, vive-se a ilus\u00e3o de que \u00e9 preciso trabalhar muito.  Muitos vivem da explora\u00e7\u00e3o de outros seres humanos para alcan\u00e7ar a acumula\u00e7\u00e3o de  riquezas. Para ilustrar tudo isso basta ver que no imagin\u00e1rio popular os  profissionais mais bem sucedidos s\u00e3o aqueles que conseguem ganhar ou que podem  gastar muito dinheiro.<\/p>\n<p>Outro fator que  contribui para a perda de qualidade de vida no ambiente s\u00e3o as p\u00e9ssimas  condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o e transporte no espa\u00e7o urbano que atinge sobremaneira a  popula\u00e7\u00e3o empobrecida. A urbaniza\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel causada pelo processo de  industrializa\u00e7\u00e3o e pela aus\u00eancia de reforma agr\u00e1ria fez com que o direito \u00e0  moradia e o de locomo\u00e7\u00e3o, mesmo sendo direitos origin\u00e1rios de necessidades  humanas b\u00e1sicas, expressos na Constitui\u00e7\u00e3o, sejam sistematicamente ignorados, o  que compromete o descanso, o bem-estar e a paz dos trabalhadores nas grandes  cidades. Em vista disso, os trabalhadores n\u00e3o podem sequer recompor diariamente  a sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Temos observado que os empregados dos postos de trabalho de pior  remunera\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que moram mais distantes dos locais de trabalho e  cotidianamente saem de casa duas ou tr\u00eas horas antes da jornada, gastando o  mesmo tempo para retornarem \u00e0s suas casas. Causa-nos indigna\u00e7\u00e3o constatar que  consomem o equivalente \u00e0 metade do tempo remunerado (e mal remunerado) para o  deslocamento de suas casas at\u00e9 o trabalho e em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de transporte,  sempre em p\u00e9 nos \u00f4nibus superlotados, ou esperando em longas filas. \u00c0s vezes  ainda somos hip\u00f3critas receitando para esses trabalhadores f\u00f3rmulas para  melhorarem de vida. Sugerimos que voltem a estudar para ocuparem postos mais  qualificados e com melhor remunera\u00e7\u00e3o, mas no fundo sabemos que \u00e9 imposs\u00edvel  para eles disporem de tempo para cuidar da forma\u00e7\u00e3o profissional perdida. Por  outro lado, a classe m\u00e9dia pode at\u00e9 se dar ao luxo de ter mais de um emprego,  porque tem o seu pr\u00f3prio transporte, mesmo vivendo na ilus\u00e3o de que se trabalhar  muito poder\u00e1 ganhar mais, acumular, para um dia, enfim, poder curtir a vida. S\u00f3  que para muitos esse dia n\u00e3o chega, as doen\u00e7as modernas chegam primeiro.<\/p>\n<p>Cabe aqui acrescentar outras necessidades humanas que t\u00eam sido  sistematicamente relegadas a segundo plano. S\u00e3o elas os valores culturais que  incluem os saberes, as paisagens naturais, os costumes e as tradi\u00e7\u00f5es  populares.&nbsp; A urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada em  todo o mundo foi a respons\u00e1vel pela perda da qualidade de vida de muitos  trabalhadores, apesar de aparentemente ter criado melhores condi\u00e7\u00f5es de vida  para parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A tarefa ent\u00e3o de compreender as  rela\u00e7\u00f5es existentes entre o meio ambiente e o trabalho passam, no nosso  entendimento, por esses dois aspectos acima citados. Precisamos conhecer como a  degrada\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho e a perda da qualidade de vida dos  trabalhadores, no modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o, ocorrem nos dias atuais. Vemos  que essa situa\u00e7\u00e3o vai se naturalizando, mesmo ap\u00f3s tanta luta dos sindicatos e  dos movimentos de trabalhadores organizados que se op\u00f5em aos modos de produ\u00e7\u00e3o  que caracterizam esse sistema-mundo<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn3\">[3]<\/a> em que vivemos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso acrescentar que n\u00e3o somente a apropria\u00e7\u00e3o burguesa do  valor do trabalho n\u00e3o pago, a mais-valia, conforme denominada por Marx, permitiu  a acumula\u00e7\u00e3o de riquezas sem precedentes na hist\u00f3ria e trouxe tantos malef\u00edcios  aos trabalhadores. Nos dias atuais, estamos cientes de que o custo da degrada\u00e7\u00e3o  ambiental, n\u00e3o cobrada dos donos do capital em seus empreendimentos altamente  lucrativos, tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de apropria\u00e7\u00e3o da mais-valia.<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn4\">[4]<\/a> Ao longo do tempo, os danos ambientais v\u00eam sendo despejados como um fardo sobre  os ombros dos trabalhadores do campo e das cidades<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn5\">[5]<\/a>,  pondo em risco n\u00e3o apenas a sa\u00fade dos trabalhadores mesmos, mas a vida de todos  os seres vivos no planeta, perpetuando o c\u00edrculo vicioso das injusti\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>Para compreender melhor como tudo isso ocorre vamos tratar no  pr\u00f3ximo t\u00f3pico da ideologia do trabalho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A ideologia  do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Quando buscamos na literatura  especializada o sentido do trabalho como um valor, descobrimos que nem sempre  essa atividade humana foi vista da mesma forma pelas diferentes classes sociais,  \u00e9pocas e na\u00e7\u00f5es. Ora foi exaltado, ora desprezado.<\/p>\n<p>Para os gregos, h\u00e1 2.500 anos, o  pensar requeria o \u00f3cio, conforme mencionado <st1:personname productid=\"em Arist?teles. Mas\">em Arist\u00f3teles. Mas<\/st1:personname> para  sustentar uma elite pensante foi necess\u00e1ria a exist\u00eancia de escravos, situa\u00e7\u00e3o  camuflada por sutis argumentos que a justificavam em vista de ser uma vergonha  para aquela sociedade. J\u00e1 na Idade M\u00e9dia predominou o regime da servid\u00e3o, um  meio-termo entre o trabalho escravo e o trabalho livre. Nessa \u00e9poca n\u00e3o se tem  not\u00edcia de uma preocupa\u00e7\u00e3o com o produtivismo. As classes dirigentes, nobreza e  clero, de costumes requintados, evitavam atividades ligadas ao trabalho. Os  trabalhos manuais eram considerados inferiores. No aspecto religioso, nota-se,  desde aquela \u00e9poca, um contraste. Por um lado, parte dos cat\u00f3licos foram  doutrinados na concep\u00e7\u00e3o do trabalho como penit\u00eancia para o pecado e uma  oportunidade para a reden\u00e7\u00e3o divina. Vem da B\u00edblia a m\u00e1xima: \u201cganhar\u00e1s o p\u00e3o com  o suor do seu rosto\u201d<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn6\">[6]<\/a>.  Para uma determinada concep\u00e7\u00e3o protestante, o trabalho \u00e9 &nbsp;um meio de obter riqueza e uma forma de servir  a Deus, pois mant\u00e9m \u00e0 dist\u00e2ncia o \u00f3cio e a lux\u00faria. Max Weber, no livro \u201cA \u00c9tica  Protestante e o Esp\u00edrito do Capitalismo\u201d, avan\u00e7ou na tese de que a \u00e9tica e as ideias puritanas influenciaram o  desenvolvimento do capitalismo uma vez que, tradicionalmente, na Igreja Cat\u00f3lica  Romana, a devo\u00e7\u00e3o religiosa estava acompanhada da rejei\u00e7\u00e3o dos assuntos  mundanos, incluindo a ocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Weber definiu o esp\u00edrito do  capitalismo como ideias e h\u00e1bitos que favorecem, de forma \u00e9tica, a procura  racional de ganho econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Mas a ideia central que prevaleu na valora\u00e7\u00e3o do trabalho foi o  produtivismo, maior imperativo desde o surgimento do capitalismo. Tornou-se  revoltante para a elite burguesa a indol\u00eancia e o \u00f3cio. Tem-se mesmo not\u00edcia do  uso da for\u00e7a para obrigar as pessoas a trabalhar. Por toda parte surgiram os  fil\u00f3sofos e economistas exaltando o trabalho como a \u00fanica fonte de riqueza e  alardeando o trabalho livre assalariado como a libera\u00e7\u00e3o do homem do jugo da  servid\u00e3o medieval.<\/p>\n<p>Paulo S\u00e9rgio do Carmo<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn7\">[7]<\/a> destaca que \u201ca exalta\u00e7\u00e3o do trabalho tornou-se t\u00e3o forte que, para muitos, o  \u00f3cio e at\u00e9 mesmo o lazer, quando praticados, v\u00eam acompanhados de sentimento de  culpa\u201d e isso prevalece como ideologia nos dias atuais. Em muitos pa\u00edses a  ociosidade foi criminalizada como vadiagem. No Brasil foi tratada juridicamente  como contraven\u00e7\u00e3o penal, ou seja, um delito de menor potencial ofensivo \u00e0 ordem.  Nos dias atuais vemos que o melhor argumento para o relaxamento de pris\u00f5es  ilegais ou para a fundamenta\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de <em>habeas corpus<\/em> n\u00e3o \u00e9 a descaracteriza\u00e7\u00e3o  da medida como injusta, mas a comprova\u00e7\u00e3o de que o preso, ou o amea\u00e7ado de  pris\u00e3o, \u00e9 um trabalhador formal. Essa, pois, uma forma de obrigar, legalmente,  que as pessoas vendam a sua for\u00e7a de trabalho, de modo a permanecerem servis ao  desenvolvimento do grande capital.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o alimentam esse modo de pensar levando a  crer que a delinqu\u00eancia \u00e9 oriunda da falta de vontade de trabalhar. Parte de  popula\u00e7\u00e3o defende a imposi\u00e7\u00e3o de trabalhos for\u00e7ados nas pris\u00f5es para atenuar a  criminalidade. Outro aspecto defendido pelos conservadores \u00e9 o orgulho de  come\u00e7ar a trabalhar cedo. Nos estratos sociais de baixa renda, ainda que o jovem  tenha de abandonar os estudos devido \u00e0 necessidade de sobreviv\u00eancia,  sobreleva-se a cren\u00e7a de que quanto mais cedo a pessoa come\u00e7a a trabalhar,  maiores ser\u00e3o suas chances de ser bem sucedida, quando na realidade o que ocorre  \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio, pois n\u00e3o se preparando para entrar no mercado de  trabalho, ser\u00e1 condenada a executar tarefas mal remuneradas em troca da  sobreviv\u00eancia, contribuindo assim para a manuten\u00e7\u00e3o do c\u00edrculo vicioso da  sociedade&nbsp; de classe. Na pr\u00e1tica, a  receita para o jovem filho de fam\u00edlia rica \u00e9 estudar primeiro e bastante para s\u00f3  depois come\u00e7ar a trabalhar, j\u00e1 com quase 30 anos de idade. Por outro lado, os  filhos de fam\u00edlias empobrecidas devem j\u00e1 iniciar a trabalhar na adolesc\u00eancia,  sendo, na maioria das vezes, for\u00e7ados a abandonar os estudos. Assim, salvo raras  exce\u00e7\u00f5es, ser\u00e1 \u201cescravo\u201d a vida toda.<\/p>\n<p>Temos de ressaltar, todavia, que a exalta\u00e7\u00e3o do trabalho como  \u00fanica fonte de riqueza n\u00e3o conseguiu suportar a simples indaga\u00e7\u00e3o sobre a  exist\u00eancia de uma multid\u00e3o de mendigos que infestava as cidades e trazia  diversos problemas na fase inicial do capitalismo industrial, fato explicado  pelos sociol\u00f3gos, defensores da ideologia dominante, tanto pelo crescimento  desordenado da popula\u00e7\u00e3o, quanto pela incapacidade de o homem comum alcan\u00e7ar os  meios de subsist\u00eancia aproveitando as oportunidades oferecidas pelo novo sistema  econ\u00f4mico. Mas, essas oportunidades, preconizadas como poss\u00edvel para todos,  fazem parte da mesma ideologia: a explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano. Acerca disso  destaca Paulo S\u00e9rgio do Carmo<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn8\">[8]<\/a>:<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Os  donos de grandes fortunas passam a ideia de que toda riqueza \u00e9 montada \u00e0 custa  de grande disposi\u00e7\u00e3o para o trabalho. Bem sucedidos, sentem-se estimulados a  trabalhar cada vez mais e, por esse mesmo est\u00edmulo, forjam uma imagem&nbsp; de que est\u00e3o sempre satisfeitos com suas  ocupa\u00e7\u00f5es. Impulsionados por esse ideal, alardeiam uma suposta igualdade de  oportunidades, pretendendo impor a todos um modelo de sucesso e felicidade que  aparentemente s\u00f3 diz respeito a eles pr\u00f3prios.<\/em><\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, conforme destaca Paulo S\u00e9rgio, \u201cdeu-se tamanha  amplitude ao termo \u2018trabalho\u2019 que este come\u00e7ou a ser utilizado para designar  qualquer a\u00e7\u00e3o que realizamos\u201d. Cita o autor o fil\u00f3sofo franc\u00eas Paul Ricoeur  quando afirma que a nossa \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d emprega essa palavra para  m\u00faltiplas atividades e at\u00e9 mesmo a atividade intelectual, contemplativa, foi  nomeada como \u201ctrabalho intelectual\u201d. Deste modo, o trabalho passou a preencher o  vazio deixado pelo banimento do repouso, pela especula\u00e7\u00e3o contemplativa. Paul  Ricoeur faz-nos ver que a constante atividade \u00e9 o que impera em nossos dias.  Vivemos assim em uma civiliza\u00e7\u00e3o que tem no trabalho a categoria econ\u00f4mica e  social dominante e o seu \u00fanico valor, sendo poss\u00edvel encontrar pessoas que  afirmem mesmo, orgulhosas, serem \u201cviciadas em trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m no s\u00e9culo XX que a preocupa\u00e7\u00e3o com o desempenho  humano no trabalho assumiu ares cient\u00edficos. Foi o momento da difus\u00e3o de ideias  e experimentos que visaram ao aumento da produtividade em raz\u00e3o do tempo o que  faz surgir uma nova forma de explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano e da degrada\u00e7\u00e3o do  ambiente do trabalho pela intensidade. Sobre isso trataremos no pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Brasil,  d\u00e9cada de 1990, uma nova onda de exig\u00eancias no  trabalho.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s  brasileiros que iniciamos a nossa vida laboral no final da ditadura  militar-empresarial, de 1964, pudemos vivenciar o processo de intensifica\u00e7\u00e3o do  trabalho<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn9\">[9]<\/a> nas t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o das empresas. Na d\u00e9cada de 1980, acredito, n\u00e3o tivemos  a devida consci\u00eancia de como fomos usados no laborat\u00f3rio das novas experi\u00eancias  de gest\u00e3o empresarial. Iniciava-se, no Brasil, os novos modelos de  racionaliza\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas produtivas.<\/p>\n<p>Vamos tomar como exemplo o Banco do Brasil em vista de termos  experienciado diversos aspectos dessa onda de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho na  empresa, seja laborando, seja como dirigente sindical. Na d\u00e9cada de 1980, ainda  prevalecia no ambiente da empresa a metodologia de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho que  remetia aos comandos militares. T\u00ednhamos uma retaguarda, onde eram realizadas as  tarefas de suporte para a ag\u00eancia, a plataforma, onde eram atendidos os clientes  e a bateria, onde ficavam os caixas que manipulavam os valores. O emprego tinha  n\u00edtidas caracter\u00edsticas do regime autorit\u00e1rio e burocr\u00e1tico, todavia, o Estado  Social, ainda que como arremedo, aparecia nos direitos assegurados aos  funcion\u00e1rios de carreira e deferenciados da maioria dos trabalhadores no pa\u00eds, o  que chegou mesmo a ser considerado um privil\u00e9gio. Os empregados do Banco do  Brasil receberam a alcunha de \u201cmaraj\u00e1s\u201d, o que na realidade foi uma forma de,  por meio da linguagem, criar o terreno favor\u00e1vel para a posterior retirada de  direitos. No processo de \u201credemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d do pa\u00eds, ao inv\u00e9s de estender aos  demais trabalhadores as conquistas hist\u00f3ricas dos trabalhadores do Banco do  Brasil, que desde o in\u00edcio da carreira tinham direito \u00e0 uma Caixa de Assist\u00eancia  da Sa\u00fade \u2013 a CASSI &#8211;&nbsp; e Previd\u00eancia  Privada \u2013 a PREVI, houve o desmonte dos planos de carreira e da garantia de  remunera\u00e7\u00e3o justa por meio de diversos programas de gerenciamento por resultado.  Inicialmente havia por parte dos empregados a expectativa de uma aposentadoria  justa e a possibilidade de aquisi\u00e7\u00e3o de casa pr\u00f3pria ap\u00f3s 10 anos na empresa.<\/p>\n<p>Em geral havia a consci\u00eancia de que outros trabalhadores n\u00e3o  dispunham dos mesmos direitos, mas essa foi uma luta assumida junto com os  demais sindicatos a partir de 1985, quando voltou \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica um  presidente civil. Muito se construiu junto para a elabora\u00e7\u00e3o da carta de  direitos que iria constar no texto constitucional de 1988. Todavia, no Banco do  Brasil e nas diversas empresas, p\u00fablicas e privadas, como hoje se tem not\u00edcia,  ao inv\u00e9s de os trabalhadores avan\u00e7arem nas conquistas, todos foram sacudidos,  desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, por uma onda de exig\u00eancias cada vez maiores  por mais trabalho e mais resultados. O modelo gerencial por&nbsp; resultados, na esteira do neoliberalismo que  se alastrava por todo o planeta, chegou com toda a sua for\u00e7a para substituir o  arcaico modelo burocr\u00e1tico existe no Brasil. Como consequ\u00eancia disso, diversos  trabalhadores foram acometidos de doen\u00e7as antes inexistentes no ambiente de  trabalho, acidentes de trabalho como foi considerada a LER \u2013 les\u00e3o por esfor\u00e7o  repetitivo -, depress\u00e3o, problemas card\u00edacos. Houve pedidos de demiss\u00e3o por  desespero, suic\u00eddios diante da postura truculenta de novos gestores, diversos  casos de separa\u00e7\u00e3o de casais devido ao achatamento brusco da remunera\u00e7\u00e3o e at\u00e9  morte precoce por doen\u00e7as que hoje s\u00e3o consideradas como autoimunes, devido \u00e0s  press\u00f5es para a implanta\u00e7\u00e3o imediata de novos m\u00e9todos de intensifica\u00e7\u00e3o do  trabalho. Todos os trabalhadores foram praticamente obrigados a fazer cursos de  qualifica\u00e7\u00e3o para atender \u00e0s novas exig\u00eancias do mercado, principalmente para  incorporar a linguagem das terminologias do mercado financeiro. A maioria foi  iludida com a promessa de que da noite para o dia seria transformado de simples  escritur\u00e1rio <st1:personname productid=\"em gerente. Houve\">em gerente.  Houve<\/st1:personname> at\u00e9 a exig\u00eancia de mudan\u00e7as nos trajes. Para os homens  foi exigido terno e gravata, para as mulheres os <em>taillers<\/em>, melhor imagem para as  administradoras modernas. Muitos tiveram de deixar as suas resid\u00eancias no  interior para atenderem \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es da empresa que precisava adequar os novos  quadros funcionais.<\/p>\n<p>Os trabalhadores que ficaram doentes, ao retornaram \u00e0s ag\u00eancias,  ap\u00f3s longo afastamento, foram v\u00edtimas de ass\u00e9dio moral, condenados aos trabalhos  mais desqualificados e que nada tinham a ver com as atividades realizadas  anteriormente. Muitos tiveram de engolir a humilha\u00e7\u00e3o de trabalhar em mesas  improvisadas debaixo de escadas ou at\u00e9 ficar o dia inteiro organizando arquivos  in\u00fateis. Isso foi mascarado com a participa\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia Oficial que tratou  o tema sob o eufemismo da reabilita\u00e7\u00e3o funcional.<\/p>\n<p>Mas o que vem a ser essa constru\u00e7\u00e3o  hist\u00f3rica da intensica\u00e7\u00e3o&nbsp; do trabalho?  Paulo S\u00e9rgio do Carmo constata que na sociedade pr\u00e9-industrial n\u00e3o havia  distin\u00e7\u00e3o n\u00edtida entre o lar e o trabalho. \u201cA vida familiar confundia-se com o  espa\u00e7o comunit\u00e1rio da atividade produtiva.\u201d<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn10\">[10]<\/a> Destaca o autor a observa\u00e7\u00e3o dos estudiosos, importante para este nosso  trabalho, que apontam a era industrial como a respons\u00e1vel pela perda progressiva  da capacidade de o homem narrar hist\u00f3rias e contar as suas fa\u00e7anhas e  realiza\u00e7\u00f5es. A arte de transmitir experi\u00eancias \u00e9 patrim\u00f4nio herdado  principalmente da produ\u00e7\u00e3o artesanal, progressivamente em extin\u00e7\u00e3o.<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn11\">[11]<\/a><\/p>\n<p>A atual revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica contribui para que as pessoas  sejam cada vez mais sugadas em suas capacidades de produzir mais trabalhos, a  despeito de muitos assinalarem conquistas hist\u00f3ricas dos trabalhadores para  melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e diminuir os riscos na execu\u00e7\u00e3o das tarefas.  Ao contr\u00e1rio disso, as not\u00edcias que nos chegam, atrav\u00e9s de pesquisas, tal como a  pesquisa sobre acidentes de trabalho nos setores da produ\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ados,  vestu\u00e1rio e m\u00f3veis, n\u00e3o s\u00e3o otimistas. Assinalamos o aumento dos acidentes e a  deteriora\u00e7\u00e3o dos ambientes de trabalho, em vista dos diversos aspectos j\u00e1  citados acima e conforme trataremos a seguir.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho: a deteriora\u00e7\u00e3o do trabalho  em vista da racionaliza\u00e7\u00e3o do tempo.<\/strong><\/p>\n<p>Para compreender esse fen\u00f4meno da  intensica\u00e7\u00e3o do trabalho, Sadi Dal Rosso prop\u00f5e diferenci\u00e1-lo de outros  fen\u00f4menos correlatos. O ponto de partida \u00e9 o fato de que qualquer trabalho s\u00f3 se  realiza segundo determinado grau de intensidade. Mas a qual trabalho se refere o  autor? A resposta vem da teoria marxista que, segundo ele, \u00e9 a \u201ctransforma\u00e7\u00e3o da  natureza realizada pelos seres humanos empregando para isso meios e instrumentos  a seu dispor e seguindo um projeto mental\u201d.<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn12\">[12]<\/a> Quando um projeto mental se atualiza, os sujeitos que o realizam gastam uma  quantidade vari\u00e1vel de suas energias f\u00edsicas ou ps\u00edquicas. Portanto, a ideia de  que todo ato de trabalho envolve gasto de energia, ou seja, exige esfor\u00e7o do  trabalhador, \u00e9 o cerne da no\u00e7\u00e3o de intensidade.<\/p>\n<p>O trabalhador pode gastar mais ou  menos energia, mas sempre gasta alguma coisa. A intensifica\u00e7\u00e3o tem a ver com a  maneira como o ato de trabalhar \u00e9 realizado. Para avaliar a intensifica\u00e7\u00e3o \u00e9  preciso analisar diversos pontos. O primeiro \u00e9 o grau de disp\u00eandio de energia  pelo trabalhador na atividade concreta. O segundo ponto \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o centrada  sobre a pessoa do trabalhador, ou sobre o coletivo de trabalhadores para o  alcance de um determinado resultado. Outros pontos considerados s\u00e3o as dimens\u00f5es  intelectuais, ps\u00edquicas e at\u00e9 emocionais do trabalhador ou do coletivo de  trabalhadores. Conclui Rosso que a intensifica\u00e7\u00e3o \u00e9 mais que esfor\u00e7o f\u00edsico, j\u00e1  que envolve todas as capacidades do trabalhador, sejam as do corpo, a acuidade  de sua mente, a afetividade despendida ou os saberes adquiridos atrav\u00e9s do tempo  ou transmitidos pelo processo de socializa\u00e7\u00e3o.<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Destaca Rosso que h\u00e1 pelo menos  duzentos anos prevalece a hip\u00f3tese de que as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas que acontecem  de tempos em tempos, al\u00e9m de substituir trabalho, que \u00e9 a sua implica\u00e7\u00e3o  primeira, tamb\u00e9m contribuem para o aumento do grau de intensidade. A  consequ\u00eancia mais grave desse fen\u00f4meno da intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 que no  modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o, assim como no modo escravagista, o controle da  intensidade sai das m\u00e3os do trabalhador passando a ser definido pelo empregador.  O ato da compra e venda da for\u00e7a de trabalho confere ao comprador poder sobre  como ser\u00e1 utilizada essa mercadoria.<\/p>\n<p>Para uma melhor compreens\u00e3o do modo  como a racionaliza\u00e7\u00e3o do tempo fez aumentar a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho vamos  tratar, &nbsp;a seguir, da adapta\u00e7\u00e3o do  trabalho humano ao ritmo das m\u00e1quinas. Em um primeiro momento houve a  desvaloriza\u00e7\u00e3o do bra\u00e7o humano em concorr\u00eancia com o movimento da m\u00e1quina. Logo  ap\u00f3s, conforme bem observou Paulo S\u00e9rgio do Carmo, a m\u00e1quina de calcular assumiu  o papel do c\u00e9rebro. Ap\u00f3s longo per\u00edodo de crescimento da produ\u00e7\u00e3o industrial o  ser humano tornou-se apenas um ap\u00eandice da m\u00e1quina. No final do s\u00e9culo XX, o  fator humano passou a merecer mais aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por humanismo inesperado, mas  porque o oper\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o foi mais capaz de acompanhar o ritmo desejado de  produ\u00e7\u00e3o. Destacamos neste diapas\u00e3o o taylorismo, o fordismo, o toyotismo e  finalmente as novas teorias das rela\u00e7\u00f5es humanas no trabalho.<\/p>\n<p>O taylorismo surgiu nos Estados Unidos e foi idealizado pelo  engenheiro Frederick W. Taylor, de forma\u00e7\u00e3o puritana e de princ\u00edpios r\u00edgidos.  Taylor, que fora educado dentro de uma disciplina de venera\u00e7\u00e3o ao trabalho,  criou uma nova ideologia produtivista, com realce para o m\u00e9todo \u201ccient\u00edfico\u201d de  organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Por esse m\u00e9todo sistematiza-se todo o processo em seus  m\u00ednimos detalhes. Podemos constatar que ao atribuir o estatuto de ci\u00eancia a essa  t\u00e9cnica, o taylorismo assumiu o car\u00e1ter de um saber desinteressado, objetivo e  neutro, dissimulando a concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que ele reveste. Observa-se que o  taylorismo ultrapassou os muros das f\u00e1bricas, alcan\u00e7ando os trabalhos realizados  em escrit\u00f3rios e at\u00e9 mesmo o trabalho intelectual. Ao final, generalizou-se como  t\u00e9cnica social de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O taylorismo baseia-se na racionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o a fim de  aumentar a produtividade no trabalho, evitando o desperd\u00edcio de tempo,  economizando m\u00e3o-de-obra, suprimindo gastos desnecess\u00e1rios e comportamentos  sup\u00e9rfluos no processo produtivo. Taylor concretizou, de forma exemplar, a no\u00e7\u00e3o  de \u201ctempo \u00fatil\u201d, o que contribuiu para que, a partir disso, a nossa sociedade do  trabalho introjetasse a&nbsp; obsess\u00e3o pelo  rel\u00f3gio, o que \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o concreta do tempo transformado <st1:personname productid=\"em mercadoria. O\">em mercadoria. O<\/st1:personname> fil\u00f3sofo alem\u00e3o Friedrich Nietzsche, antecipando o esp\u00edrito que prevaleceria na  era seguinte constatou: \u201cTem-se vergonha do repouso; a medita\u00e7\u00e3o mais demorada  causa remorso. Reflete-se com o rel\u00f3gio na m\u00e3o, da mesma forma como se almo\u00e7a  com os olhos fixos no preg\u00e3o da Bolsa.\u201d<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>Taylor acreditava que em vista de o processo de produ\u00e7\u00e3o se  tornar cada vez mais complexo n\u00e3o poderia ser deixado a cargo dos pr\u00f3prios  trabalhadores,&nbsp; j\u00e1 que esses s\u00e3o  resistentes \u00e0s mudan\u00e7as e apegados \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o. Por isso, a aplica\u00e7\u00e3o de suas  ideias acentua a separa\u00e7\u00e3o entre trabalho \u201cintectual\u201d e trabalho \u201cmanual\u201d no  interior do processo produtivo. Segundo essa l\u00f3gica, cada tarefa \u00e9 decomposta em  movimentos elementares e ritmados na mesma cad\u00eancia do ritmo das m\u00e1quinas. Essa  \u201cci\u00eancia\u201d, ent\u00e3o, deve ser posta em pr\u00e1tica pela dire\u00e7\u00e3o da empresa. Um exemplo  bem n\u00edtido desse novo comportamento foi o uso do cron\u00f4metro para eliminar o  \u201ctempo morto\u201d ou os \u201cmovimentos desnecess\u00e1rios\u201d. S\u00f3 que,&nbsp; ao reduzir a complexidade do saber do  oper\u00e1rio, o taylorismo gerou o desinteresse do trabalhador pela atividade.<\/p>\n<p>Entretanto, o lado mais perverso do taylorismo \u00e9 que com a  simplifica\u00e7\u00e3o do trabalho, em quest\u00e3o de dias ou horas um novo oper\u00e1rio  n\u00e3o-qualificado tornou-se capaz de aprender as tarefas. Consequ\u00eancia disso foi  que os trabalhadores passaram a repetir&nbsp;  as mesmas tarefas durante todo o dia e com sal\u00e1rios cada vez mais  irris\u00f3rios.<\/p>\n<p>Na mesma trilha do taylorismo, veio a linha de montagem criada  por Henry Ford para a fabrica\u00e7\u00e3o em massa de autom\u00f3veis. Ford desenvolveu o  processo de atividade em cadeia, elevando o grau de mecaniza\u00e7\u00e3o no trabalho e  aumentando a aliena\u00e7\u00e3o do trabalhador. Essa obsess\u00e3o pelo produtivismo deixou  suas marcas, o que foi representado por Charles Chaplin no filme <em>Tempos Modernos<\/em> com o personagem  Carlitos. Ao impor o ritmo do trabalho na esteira de montagem, Ford padronizou a  m\u00e3o-de-obra, eliminando o oper\u00e1rio zeloso e o pregui\u00e7oso, pois ambos retardariam  a marcha da produ\u00e7\u00e3o. A esteira transportadora fixou o oper\u00e1rio em seu posto,  fazendo com que as pe\u00e7as venham at\u00e9 o trabalhador de modo que \u201cnenhum  trabalhador precise dar um passo\u201d, conforme vangloriava Ford.<\/p>\n<p>A monotonia, o t\u00e9dio e, em consequ\u00eancia, a idiotiza\u00e7\u00e3o do  servi\u00e7o fez com que muitos trabalhadores deixassem os seus postos de trabalho  nas f\u00e1bricas buscando outros empregos, o que gerou a indesej\u00e1vel rotatividade  excessiva nos postos de trabalho.<\/p>\n<p>Por sua vez, no Jap\u00e3o, o modelo de intensifica\u00e7\u00e3o no trabalho  ocorreu em 1980, quando houve a consolida\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica daquele pa\u00eds no mundo. A  din\u00e2mica do mercado globalizado criou a necessidade de aperfei\u00e7oamento no  processo produtivo japon\u00eas. Os modelos taylorista e fordista de produ\u00e7\u00e3o em  massa haviam sido considerados eficientes dentro da l\u00f3gica de racionaliza\u00e7\u00e3o do  tempo e do produtivismo por muito tempo, todavia eram muito r\u00edgidos para se  adaptar \u00e0s mudan\u00e7as repentinas do mercado globalizado e de acirrada  concorr\u00eancia. Foi assim que o novo sistema produtivo desenvolvido no Jap\u00e3o,  principalmente nas ind\u00fastrias Toyota, possibilitava maior flexibilidade de  expans\u00e3o ou retra\u00e7\u00e3o de acordo com as oscila\u00e7\u00f5es do mercado.<\/p>\n<p>O modelo japon\u00eas, como pode ser simplificado todo o g\u00eanero das  novas ideologias de produ\u00e7\u00e3o desenvolvidas naquele pa\u00eds, combina um sistema de  novas formas de gest\u00e3o de recursos humanos, partindo do princ\u00edpio de que quem  sabe s\u00e3o aqueles que est\u00e3o envolvidos diretamente com a produ\u00e7\u00e3o. Destaca-se  nesse modelo uma \u201cconcilia\u00e7\u00e3o\u201d entre capital e trabalho em lugar dos conflitos.  Por outro lado, o fator cultural propiciou um sentimento de identifica\u00e7\u00e3o e  pertencimento do trabalhador \u00e0 empresa.<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn15\">[15]<\/a> Implementa-se, deste modo, a revaloriza\u00e7\u00e3o do saber oper\u00e1rio com qualifica\u00e7\u00e3o  permanente, incentivando o trabalho em equipe ou em \u201cc\u00e9lulas\u201d. Incentivou-se a  participa\u00e7\u00e3o coletiva, envolvendo todos os funcion\u00e1rios na resolu\u00e7\u00e3o dos  problemas da empresa. Trabalhadores qualificados e flex\u00edveis, sem r\u00edgida  especializa\u00e7\u00e3o de tarefas, tornaram-se respons\u00e1veis pela qualidade, limpeza e  manuten\u00e7\u00e3o da corre\u00e7\u00e3o das falhas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o toyotismo extrapolou o espa\u00e7o fabril e todas essas  medidas foram aplicadas pelo mundo afora, com algumas modifica\u00e7\u00f5es, em todos os  setores de trabalho, com\u00e9rcio, bancos<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn16\">[16]<\/a> e escrit\u00f3rios em geral.<\/p>\n<p>O modelo cient\u00edfico criado por Taylor teve o m\u00e9rito do  pioneirismo no uso das t\u00e9cnicas e dos fatores fisiol\u00f3gicos envolvidos no  processo produtivo, por\u00e9m foi objeto de cr\u00edticas ao se preocupar apenas com  aspectos formais, gerando por outro lado a apatia, o t\u00e9dio, a idiotiza\u00e7\u00e3o das  tarefas, ent\u00e3o despersonalizadas, a desaten\u00e7\u00e3o no trabalho e o conflito entre o  trabalhador e a organiza\u00e7\u00e3o. Tudo isso levou o te\u00f3rico da administra\u00e7\u00e3o Peter  Drucker a afirmar que \u201cn\u00e3o se pode contratar apenas um bra\u00e7o; uma pessoa inteira  vem junto com ele.\u201d<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>Em resposta a essas cr\u00edticas foi que surgiu nos Estados Unidos a  Escola de Rela\u00e7\u00f5es Humanas com o objetivo de dar mais aten\u00e7\u00e3o aos elementos  emocionais e psicol\u00f3gicos que influenciam o desempenho dos trabalhadores no  mundo do trabalho. O psic\u00f3logo Elton Mayo foi o primeiro a fazer experi\u00eancias no  estudo das rela\u00e7\u00f5es humanas no trabalho. Inicialmente realizou experimentos em  uma tecelagem em 1923 nos Estados Unidos. Posteriormente fez pesquisas tamb\u00e9m em  uma empresa de componentes eletr\u00f4nicos <st1:personname productid=\"em Chicago. Ap?s\">em Chicago. Ap\u00f3s<\/st1:personname> todos os  experimentos, Mayo constatou que as normas sociais exercem grande influ\u00eancia  sobre as pessoas. Concluiu que algumas concess\u00f5es aos empregados mostraram que  as pessoas quando motivadas e tratadas com aten\u00e7\u00e3o agem positivamente e exercem  melhor as suas tarefas.<\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o do \u201cescravo feliz\u201d foi ent\u00e3o um disfarce ideol\u00f3gico  para tornar o trabalho menos alienante. Os instrumentos ideol\u00f3gicos, como o  \u201coper\u00e1rio padr\u00e3o\u201d, passaram a integrar o trabalho e a estrutura da empresa \u00e0s  necessidades sociais dos trabalhadores. A empresa faz crer que os seus  interesses s\u00e3o coincidentes com os dos empregados<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn18\">[18]<\/a>,  que por sua vez contribuem para o sucesso econ\u00f4mico do empreendimento. Sob esse  aspecto emocional aproveitam-se das t\u00e9cnicas das pol\u00edticas de rela\u00e7\u00f5es humanas  para manipular todas as car\u00eancias afetivas dos empregados, chegando mesmo a se  colocar em lugar da fam\u00edlia do trabalhador. As equipes s\u00e3o apresentadas como  capazes de proporcionar um novo lar para os empregados de viv\u00eancia solit\u00e1ria,  especialmente nas grandes cidades.<\/p>\n<p>Esses modelos de gerenciamento de m\u00e3o-de-obra, baseado nas  pol\u00edticas de rela\u00e7\u00f5es humanas foram duramente criticadas por incorporarem uma  sutil estrat\u00e9gia para envolver os empregados numa ideologia manipulat\u00f3ria,  fazendo-os acreditar que, de fato, est\u00e3o fazendo algo pela sua pr\u00f3pria vontade.  Todavia, f\u00e1cil perceber que \u00e9 mais uma sofisticada t\u00e9cnica de intensifica\u00e7\u00e3o no  processo do trabalho, para o aumento da produtividade, sem os riscos da  resist\u00eancia em vista da explora\u00e7\u00e3o. O ambiente de trabalho nesse modelo de  pol\u00edtica de rela\u00e7\u00f5es humanas torna-se mais agrad\u00e1vel, todavia de forma  artificial. Um bom exemplo \u00e9 o quadro de destaque da semana para os  trabalhadores que atingem metas e que n\u00e3o cometem nenhuma falta. Esse quadro de  destaque engana apenas por algum tempo. A foto bem feita \u00e9 apresentada para  todos, mas com o passar do tempo os trabalhadores descobrem que s\u00e3o explorados  da mesma forma que a anterior, permanecendo sem a menor seguran\u00e7a no trabalho e  sem plano de carreira que permita a ascens\u00e3o na profiss\u00e3o.<strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Em busca do  tempo perdido<\/strong><\/p>\n<p>A melhor ilustra\u00e7\u00e3o que me vem \u00e0  mente, quando penso no modo como podemos recuperar esse tempo perdido, no qual  os seres humanos podiam viver felizes trabalhando, sem ter de se submeter \u00e0s  exig\u00eancias desumanas do modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 a de uma hist\u00f3ria que  meu pai me contou certa vez, e que sempre achei meio engra\u00e7ada e at\u00e9  despropositada. Hoje, vejo o tamanho da sabedoria do trabalhador que se recusava  a trabalhar no dia seguinte porque tinha de \u201cir ao forno\u201d. Fa\u00e7o, desde j\u00e1, a  ressalva de que n\u00f3s mineiros pensamos a vida e formulamos os nossos pontos de  vista, \u201ccientificamente\u201d, contando causos.<\/p>\n<p>A nossa fam\u00edlia, de tradi\u00e7\u00e3o de m\u00e9dios propriet\u00e1rios de terra, era  acostumada, como todos na regi\u00e3o em que eu nasci, no leste do estado de Minas  Gerais, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho dos camponeses pobres, que sempre sobreviveram  dos favores dos donos das terras<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn19\">[19]<\/a> e sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de emancipa\u00e7\u00e3o e dignidade numa sociedade violenta,  ainda que dissimulada, e preconceituosa com os empobrecidos. Era tudo  naturalizado, como mostra a perplexidade externada por Jos\u00e9 Lins do Rego, no  livro \u201cMenino de Engenho\u201d, ao constatar que ach\u00e1vamos normal as pessoas viverem  naquelas casas de barro batido, cobertas de taquara, casas \u00famidas e m\u00ednimas,  onde as condi\u00e7\u00f5es de insalubridade condenava-os todos a doen\u00e7as terr\u00edveis&nbsp; e \u00e0 morte precoce. Viviam como bichos e, para  sobreviver, prestavam servi\u00e7os aos fazendeiros, sem nenhuma exig\u00eancia. Passavam  a vida inteira sem se permitirem qualquer conforto ou divers\u00e3o, a n\u00e3o ser os  momentos de embriaguez com cacha\u00e7a, \u00fanica bebida acess\u00edvel aos pobres naquele  tempo.<\/p>\n<p>Mas, o Z\u00e9 Tichico, como era  conhecido o trabalhador do meu av\u00f4, veio ao final do dia informar que n\u00e3o viria  trabalhar no dia seguinte porque \u201cia ao forno\u201d. Pretendia fazer broas de fub\u00e1 na  sua casa. Duas coisas fora do comum para aquela \u00e9poca e que por isso virou  motivo de deboche; homem na cozinha e a perda de um dia de trabalho para ficar  em casa fazendo quitandas. Bem, para isso, o trabalhador pediu ao meu av\u00f4 um  adiantamento. Precisava de meio quilo de fub\u00e1 e de um ovo.<\/p>\n<p>Quase morri de rir quando fiquei  sabendo dessa hist\u00f3ria. Como podia algu\u00e9m deixar de trabalhar um dia inteiro,  pessoa necessitava que precisava tanto do dinheiro do dia? E, para se dar ao  luxo de fazer a sua broa com apenas meio quilo de fub\u00e1 e um ovo? Somente ap\u00f3s  estudar acerca da ideologia do trabalho pude compreender a sabedoria do Z\u00e9  Tichico. O fato de perder ou n\u00e3o um dia de trabalho em nada mudaria a sua  condi\u00e7\u00e3o de explorado ou o seu lugar naquela sociedade desigual e sem  oportunidades para os explorados. Era realmente muito mais valioso para o  trabalhador, para a sua fam\u00edlia, e para n\u00f3s todos, fazer sua broa de fub\u00e1  naquele dia, ainda que com ingredientes t\u00e3o simples e parcos. Garantiu lazer  m\u00ednimo para si mesmo, j\u00e1 que gostava de \u201cir ao forno\u201d; manteve de p\u00e9 a uni\u00e3o da  sua fam\u00edlia em torno da mesa e contribuiu tamb\u00e9m com a nossa cultura, mantendo  viva a nossa identidade de comedores de broas de fub\u00e1<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p>Hoje, \u00e0s vezes, vemos os nossos  interlocutores assustarem-se com essas ideias. Despertam-se para as perdas  antropol\u00f3gicas e socioambientais causadas pela explora\u00e7\u00e3o desmedida da for\u00e7a de  trabalho da popula\u00e7\u00e3o empobrecida no nosso pa\u00eds. Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, um dos  l\u00edderes do MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra -, afirma que a  pior heran\u00e7a deixada pelo capitalismo para os pobres foi o individualismo, pois  muitas vezes pensam que podem se livrar de toda essa explora\u00e7\u00e3o agindo sozinhos,  trabalhando muito em seu peda\u00e7o de terra, ou nos seus empregos mal remunerados.  Ao contr\u00e1rio, defendemos um modelo de Economia Popular Solid\u00e1ria, que \u00e9  preconizado pela Campanha Ecum\u00eanica da Fraternidade de 2010 \u2013 Economia e Vida.  Independentemente de um conhecimento mais profundo da economia como ci\u00eancia,  observamos que a qualidade de vida das pessoas que vivem da Economia Popular  Solid\u00e1ria \u00e9 melhor. Isso podemos constatar nas fam\u00edlias que se organizam nos  assentamentos da reforma agr\u00e1ria<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn21\">[21]<\/a>,  nas fam\u00edlias que vivem coletivamente desenvolvendo atividades industriais<a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftn22\">[22]<\/a> ou de servi\u00e7o de pequeno porte. Apesar de n\u00e3o terem lucro, no molde capitalista,  conseguem ter renda suficiente para viver com dignidade e para aproveitarem mais  as suas vidas ao lado das pessoas que amam, cuidando do ambiente, da cultura,  das rela\u00e7\u00f5es familiares, da sa\u00fade e do bem estar de todos de modo geral. Mas,  principalmente, por poderem trabalhar em um ambiente condizente com as  necessidades humanas, sem os riscos dos terr\u00edveis acidentes que passaram a  acometer os trabalhadores v\u00edtimas das novas t\u00e9cnicas de racionaliza\u00e7\u00e3o dos  processos produtivos modernos.<ins cite=\"mailto:Frei%20Gilvander\" datetime=\"2010-03-29T11:58\"><\/ins><\/p>\n<p>Enfim, com a reflex\u00e3o desenvolvida  nesse texto queremos propor outras sa\u00eddas para os trabalhadores fora do estrito  espa\u00e7o dos empregos formais, base da explora\u00e7\u00e3o capitalista nos \u00faltimos tr\u00eas  s\u00e9culos. Nesse modo de produ\u00e7\u00e3o, nem o ambiente interno da produ\u00e7\u00e3o, nem o  externo, onde se vive e de onde v\u00eam toda a mat\u00e9ria-prima, est\u00e3o asseguradas as  condi\u00e7\u00f5es para o bem-estar dos trabalhadores. Tudo isso, apesar de tanta luta  social travada desde o s\u00e9culo XVIII em um processo dial\u00e9tico entre o capital e  trabalho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>CARMO, Paulo  S\u00e9rgio, <em>A Ideologia do Trabalho, <\/em>S\u00e3o  Paulo: Moderna, 2005.<\/p>\n<p>DAL ROSSO, Sadi, <em>Mais  Trabalho! A intensifica\u00e7\u00e3o do labor na sociedade comtempor\u00e2nea. <\/em>S\u00e3o Paulo:  Boitempo, 2008.<\/p>\n<p>DE MASI, DOMENICO, <em>O \u00d3cio  Criativo<\/em>, trad. L\u00e9a Manzi<em>, <\/em>Rio de  Janeiro: Sextante, 2000.<\/p>\n<p>GON\u00c7ALVES, Ant\u00f4nio Fabr\u00edcio de Matos, <em>Flexibiliza\u00e7\u00e3o Trabalhista. <\/em>Belo  Horizonte: Mandamentos, 2004.<\/p>\n<p>IANNI,  Ot\u00e1vio, <em>A id\u00e9ia de Brasil Moderno, <\/em>S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 2004.<\/p>\n<p>LEAL, Victor Nunes, <em>Coronelismo, Enxada e Voto, <\/em>Rio de  Janeiro: Nova Fronteira,&nbsp;&nbsp; 1997.<\/p>\n<p>SILVA, Tomaz Tadeu, Org., <em>Identidade e Diferen\u00e7a. A perspectiva dos  Estudos Culturais. <\/em>Petr\u00f3polis: Vozes, 2005.<\/p>\n<p>WALLERSTEIN, Immanuel, <em>O  universalismo europeu. A ret\u00f3rica do poder. <\/em>S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2007.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div><br clear=\"all\" \/>  <\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref1\">[1]<\/a> Advogada da Rede Nacional de Advogados Populares  &#8211; RENAP, mestre <st1:personname productid=\"em Direito Constitucional\">em Direito Constitucional<\/st1:personname> pela UFMG e doutoranda <st1:personname productid=\"em Direito Internacional P\ufffablico\">em Direito Internacional  P\u00fablico<\/st1:personname> pela PUC-MG. Autora do livro <em>O MST e a Constitui\u00e7\u00e3o. <\/em>S\u00e3o Paulo:  Expres\u00e3o Popular, 2007. Autora de diversos artigos.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref2\">[2]<\/a> Se observarmos bem, o esfor\u00e7o para o aumento da produ\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o prioriza  de fato as necessidades da sociedade brasileira. N\u00e3o produzimos casas para  moradia mais acessiveis \u00e0 classe trabalhadora, n\u00e3o valorizamos adequadamente as  pol\u00edticas agr\u00edcolas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos de qualidade para o consumo  interno, nem priorizamos os meios para melhorar o atendimento \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de  baixa renda nas \u00e1reas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Os maiores investimentos p\u00fablicos  destinam-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima para a exporta\u00e7\u00e3o e para a amplia\u00e7\u00e3o das  ind\u00fastrias de bens sup\u00e9rfluos, tudo em nome da gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.  Todavia, vemos que n\u00e3o h\u00e1 efetivos ganhos para a emancipa\u00e7\u00e3o da classe  trabalhadora que permanece ref\u00e9m do sistema. A classe m\u00e9dia mant\u00e9m o modelo  consumindo cal\u00e7ados demais, vestu\u00e1rio demais, trocando seus carros e celulares  sem necessidade. Os novos modelos de eletrodom\u00e9sticos e m\u00f3veis ampliam a  necessidade de consumo sem o menor compromisso com os danos ambientais que esses  comportamentos provocam.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref3\">[3]<\/a> Immanuel Wallerstein cunhou esta express\u00e3o para caracterizar o universalismo  europeu que marca a ideologia dominante na sociedade ocidental.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref4\">[4]<\/a> Exemplo disso \u00e9 a minera\u00e7\u00e3o. Segundo a Constitui\u00e7\u00e3o, o subsolo pertence \u00e0 Uni\u00e3o,  que d\u00e1 o direito de lavra a empresas mediante licenciamento ambiental. Todavia,  as legisla\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 quase sempre desrespeitada, abrindo espa\u00e7o para a  apropria\u00e7\u00e3o privada do que \u00e9 p\u00fablico. Para o Estado ficam apenas algumas  migalhas dos&nbsp; impostos e royalties  irris\u00f3rios pagos pelas mineradoras. Se o subsolo \u00e9 da Uni\u00e3o, os dividendos  auferidos pelo processo de minera\u00e7\u00e3o deveriam ser repartidos com o povo, que,  infelizmente, fica com as agruras da imensa devasta\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref5\">[5]<\/a> Podemos citar neste aspecto o problema mundial da contamina\u00e7\u00e3o dos mananciais de  \u00e1gua pot\u00e1vel&nbsp; pelas diversas atividades  industriais e pelo agroneg\u00f3cio. Especialmente no Estado de Minas Gerais a  atividade industrial respons\u00e1vel pela maior degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 a minera\u00e7\u00e3o.  No lugar das paisagens naturais de rico valor hist\u00f3rico, paisag\u00edstico e  ambiental ficam as crateras, as vo\u00e7orocas, as montanhas de rejeitos e as  in\u00fameras represas de decanta\u00e7\u00e3o que&nbsp;  matam toda a biodiversidade, inclusive o solo f\u00e9rtil e as fontes de \u00e1guas  naturais. Consequ\u00eancia disso: os <em>royalties <\/em>da minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o compensam os  danos causados aos bens naturais nos munic\u00edpios. A popula\u00e7\u00e3o por sua vez tem de  arcar com maiores custos para o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel e energia.  Ressalte-se que as empresas mineradoras pagam muito menos do que a popula\u00e7\u00e3o  pelo uso da energia el\u00e9trica, que tamb\u00e9m causa alto impacto no ambiente para a  sua produ\u00e7\u00e3o no sistema hidroel\u00e9trico.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref6\">[6]<\/a> Embora isso signifique encarar a vida dentro do  princ\u00edpio da realidade, ser adulto, conquistar os meios de vida com a pr\u00f3pria  for\u00e7a do corpo. A leitura libertadora da B\u00edblia n\u00e3o comporta a interpreta\u00e7\u00e3o  desse texto como uma condena\u00e7\u00e3o ao castigo, mas como um diagn\u00f3stico de vida  adulta. Infelizmente, por\u00e9m, foi interpretado como um castigo de Deus e, como  tal, o ser humano deveria se resignar diante de trabalhos for\u00e7ados e  degradantes.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref7\">[7]<\/a> CARMO, Paulo S\u00e9rgio, <em>A Ideologia do  Trabalho, <\/em>S\u00e3o Paulo: Moderna, 2005, p. 11.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref8\">[8]<\/a> CARMO, Paulo S\u00e9rgio, Ob. Citada, p. 16.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref9\">[9]<\/a> Segundo Sadi Dal Rosso, s\u00e3o bastante limitadas as  possibilidades de estudo da intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho com dados secund\u00e1rios no  Brasil, o que conduz \u00e0 consequ\u00eancia de que estudos emp\u00edricos devam ser  conduzidos mediante o levantamento direto ou a observa\u00e7\u00e3o <em>in loco.<\/em> Destaca o autor que uma fonte  potencialmente importante refere-se ao estudo de consequ\u00eancias da intensidade  sobre o trabalhador. \u00c9 o caso do estudo dos acidentes de trabalho de todo o  tipo, que s\u00e3o os acidentes espec\u00edficos e de trajetos, doen\u00e7as do trabalho e  \u00f3bito, uma vez que <strong>a intensifica\u00e7\u00e3o  conduz necessariamente ao aumento do n\u00famero de acidentes. <\/strong>(destaque nosso)  ROSSO, Sadi Dal, <em>Mais Trabalho! A  intensifica\u00e7\u00e3o do labor na sociedade comtempor\u00e2nea. <\/em>S\u00e3o Paulo: Boitempo,  2008, p. 91.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref10\">[10]<\/a> Ob. Citada, p. 58.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref11\">[11]<\/a> J\u00e1 foi constatado que empregados das operadoras de telemarketing, caixas de  supermercados e de outros trabalhos de esfor\u00e7o repetitivo s\u00e3o proibidos de  conversar uns com os outros durante a execu\u00e7\u00e3o das tarefas, ainda que  rapidamente. Podemos, por outro lado, recuperar na hist\u00f3ria a vida dos  trabalhadores que desempenhavam as suas tarefas cantando, como as lavadeiras, os  boiadeiros e os camponeses na lida. Isso nos leva, no m\u00ednimo, a refletir acerca  da desumaniza\u00e7ao dos ambientes de trabalho ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref12\">[12]<\/a> ROSSO, Sadi Dal, <em>Mais Trabalho! A intensifica\u00e7\u00e3o do labor na  sociedade comtempor\u00e2nea. <\/em>S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008, p. 20.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref13\">[13]<\/a> ROSSO, Sadi Dal, ob. Cit, p. 21.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref14\">[14]<\/a> CARMO, Paulo S\u00e9rgio, <em>A Ideologia do  Trabalho, <\/em>S\u00e3o Paulo: Moderna, 2005, p. 60.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref15\">[15]<\/a> Conforme j\u00e1 citado acima, essas t\u00e9cnicas foram largamente utilizadas no processo  de desmonte do modelo de gest\u00e3o existente no Banco do Brasil na d\u00e9cada de 1990.  O lema era \u201cvestir a camisa da empresa\u201d. O discurso era o de que todos sairiam  ganhando com o aumento de produtividade na empresa.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref16\">[16]<\/a> A implanta\u00e7\u00e3o desse modelo de gest\u00e3o no Banco do Brasil foi bastante  significativo. Da noite para o dia foram incorporados novos conceitos que nada  tinham a ver com a organiza\u00e7\u00e3o da empresa. Tudo artificial, todavia com alto  custo devido \u00e0s constantes mudan\u00e7as no <em>layout <\/em>das ag\u00eancias, nos infind\u00e1veis  treinamentos dos funcion\u00e1rios. Havia constantes exig\u00eancias de adapta\u00e7\u00e3o aos  \u201cnovos tempos\u201d, sempre com a amea\u00e7a dos riscos de perda do emprego e com a  sinaliza\u00e7\u00e3o de um futuro promissor para todos. Esse futuro nunca  chegou!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref17\">[17]<\/a> CARMO, Paulo S\u00e9rgio, ob. Cit, p. 90.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref18\">[18]<\/a> Muitas empresas est\u00e3o mudando a linguagem. Cria-se termos eufem\u00edsticos que  escondem rela\u00e7\u00f5es e estruturas de opress\u00e3o. Ao se referir aos trabalhadores,  chama-os, por exemplo, de \u201ccolaboradores\u201d. Na realidade, os trabalhadores  colaboram de forma vital com a empresa, mas esta n\u00e3o colabora com os empregados;  ao contr\u00e1rio, usa-os at\u00e9 quando puder descartar.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref19\">[19]<\/a> Victor Nunes Leal, no livro Coronelismo, Enxada e Voto, mostra como os  propriet\u00e1rios de terra, mesmo n\u00e3o dispondo de grande poder econ\u00f4mico puseram-se  acima dos trabalhadores pobres, \u00e0s vezes, pelo simples fato de poderem tomar  leite ou comer carne de frangos.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref20\">[20]<\/a> Conforme aprendemos em SILVA, Tomaz Tadeu, Org., <em>Identidade e Diferen\u00e7a. A perspectiva dos  Estudos Culturais. <\/em>Petr\u00f3polis: Vozes, 2005. Outro exemplo que podemos arroar  \u00e9 o seguinte: Migrantes do Tri\u00e2ngulo Mineiro e do Sul do Brasil, chegando ao  Noroeste de Minas, \u201cum deserto\u201d na d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado, trabalhavam  de sol a sol desbravando matas e cerrado, plantando capim <em>brachiara<\/em> para fortalecer a pecu\u00e1ria ou  a cultura da soja e do feij\u00e3o para alimentar outras regi\u00f5es. Esses migrantes,  por estarem dentro da ideologia do trabalho, diziam que muitos nordestinos  camponeses eram pregui\u00e7osos, porque trabalhavam um pouco pela manh\u00e3 na ro\u00e7a;  voltavam para casa, onde, almo\u00e7avam vagarosamente; descansavam, conviviam com a  fam\u00edlia e, somente ap\u00f3s a passagem do sol escaldante do meio-dia, voltavam a  trabalhar na lavoura. N\u00e3o puderam naquele momento compreender a sabedoria dos  trabalhadores habituados \u00e0s necessidades impostas pelo clima da  regi\u00e3o.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref21\">[21]<\/a> Recentemente numa audi\u00eancia p\u00fablica na Assembl\u00e9ia Legislativa de Minas Gerais  pudemos confirmar esse pensamento ao ouvir do assentado de reforma agr\u00e1ria, Enio  Jos\u00e9 Bohnenberger, do MST, a seguinte afirma\u00e7\u00e3o diante de deputados da Comiss\u00e3o  Parlamentar de Agricultura e de diversas autoridades presentes: \u201cA vida dos  trabalhadores da reforma agr\u00e1ria \u00e9 efetivamente dif\u00edcil nos assentamentos, mas  ainda \u00e9 muito melhor do que nas favelas. Apesar da pobreza a que s\u00e3o condenados  os trabalhadores da reforma agr\u00e1ria, pelo descaso dos diversos governos, nos  assentamentos n\u00e3o falta comida boa ( j\u00e1 que livre do veneno dos agrot\u00f3xicos),  n\u00e3o falta escola para as crian\u00e7as, n\u00e3o h\u00e1 roubo, pois todos os barracos sequer  tem chave nas portas, ou at\u00e9 mesmo portas, n\u00e3o h\u00e1 falta de solidariedade. S\u00e3o  espa\u00e7os onde as pessoas ainda se conhecem e convivem cultivando valores da  cultura camponesa: solidariedade, respeito ao pr\u00f3ximo e ao meio ambiente. Ainda  acreditamos em formas coletivas de trabalho como o mutir\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"file:\/\/\/D:\/HOMEPAGES%20NO%20AR%2027%2007%202010\/Gilvander%2027%2007%202010\/Omeioambiente.htm#_ftnref22\">[22]<\/a> A Comunidade Noivas do Cordeiro, situada no munic\u00edpio de Belo Vale,  <st1:personname productid=\"em Minas Gerais\">em Minas  Gerais<\/st1:personname>, \u00e9 um dos melhores exemplos de como a Economia Solid\u00e1ria  pode manter a integridade das rela\u00e7\u00f5es sociais. Por muito tempo dezenas de  mulheres foram&nbsp; v\u00edtimas do preconceito,  mas salvaram os la\u00e7os comunit\u00e1rios pelo modo de vida que passaram a defender.  Essa comunidade mostrada em document\u00e1rio produzida pela GNT, tem sido estudada  por antrop\u00f3logos do Brasil e do exterior. Mais detalhes em  http\/\/.www.bemvindafilmes.wordpress.com<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meio ambiente e o trabalho: a dignidade humana neste espa\u00e7o Delze dos Santos Laureano[1] (Artigo publicado no livro O VESTIR E O CAL\u00c7AR \u2013 perspectivas da rela\u00e7\u00e3o sa\u00fade e trabalho, Jos\u00e9 Reginaldo In\u00e1cio e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}