{"id":8075,"date":"2020-08-21T23:04:37","date_gmt":"2020-08-22T02:04:37","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=8075"},"modified":"2020-08-21T23:04:40","modified_gmt":"2020-08-22T02:04:40","slug":"pedro-casaldaliga-o-homem-de-la-mancha-o-dom-quixote-do-araguaia-como-desafio-para-um-novo-anormal-do-mundo-e-do-episcopado-na-pos-pandemia-po","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/pedro-casaldaliga-o-homem-de-la-mancha-o-dom-quixote-do-araguaia-como-desafio-para-um-novo-anormal-do-mundo-e-do-episcopado-na-pos-pandemia-po\/","title":{"rendered":"Pedro Casald\u00e1liga, o \u201cHomem de la Mancha\u201d, o \u201cDom Quixote do Araguaia\u201d, como desafio para um \u201cnovo anormal\u201d do mundo e do episcopado na p\u00f3s-pandemia. Por padre Geg\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<p> <strong>Pedro Casald\u00e1liga, o \u201cHomem de la Mancha\u201d, o \u201cDom Quixote do Araguaia\u201d, como desafio para um \u201cnovo anormal\u201d do mundo e do episcopado na p\u00f3s-pandemia.<\/strong>Por padre Geg\u00ea Natalino<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Dom-Pedro-Casald\u00e1liga-com-os-ind\u00edgenas.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8076\" width=\"765\" height=\"430\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Dom-Pedro-Casald\u00e1liga-com-os-ind\u00edgenas.jpeg 1000w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Dom-Pedro-Casald\u00e1liga-com-os-ind\u00edgenas-300x169.jpeg 300w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Dom-Pedro-Casald\u00e1liga-com-os-ind\u00edgenas-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 765px) 100vw, 765px\" \/><figcaption>Dom Pedro Casald\u00e1liga, comprometido com a causa dos Povos Ind\u00edgenas at\u00e9 o \u00faltimo fio de cabelo. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>(\u201c\ud835\ude44\ud835\ude5c\ud835\ude67\ud835\ude5a\ud835\ude5f\ud835\ude56 \ud835\ude5a\ud835\ude62 \ud835\ude68\ud835\ude56\u00ed\ud835\ude59\ud835\ude56\u201d \u00e9 \u201c\ud835\ude44\ud835\ude5c\ud835\ude67\ud835\ude5a\ud835\ude5f\ud835\ude56 \ud835\ude5a\ud835\ude62 \ud835\ude59\ud835\ude5a\ud835\ude68\ud835\ude58\ud835\ude5e\ud835\ude59\ud835\ude56\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 beira do rio Araguaia, sob um\nmont\u00edculo de terra avermelhada, com uma cruz de pau em cima, jaz um\ncorpo-profeta que grita, conforme can\u00e7\u00e3o \u201cSonho imposs\u00edvel\u201d de Chico Buarque de\nHolanda: \u201cE amanh\u00e3, se esse ch\u00e3o que eu beijei for meu leito e perd\u00e3o, vou\nsaber que valeu a pena delirar\u201d. Numa missa de finados no cemit\u00e9rio Karaj\u00e1s,\nPedro pede para ser enterrado ali mesmo, junto aos desvalidos, aos massacrados,\naos exterminados da terra; os sem nome. Eis o pedido \u201canormal\u201d do bispo:\u201c\ud835\udde4\ud835\ude02\ud835\uddf2\ud835\uddff\ud835\uddfc \ud835\uddfe\ud835\ude02\ud835\uddf2 \ud835\ude03\ud835\uddfc\ud835\uddf0\ud835\uddf2\u0302\ud835\ude00\n\ud835\ude01\ud835\uddfc\ud835\uddf1\ud835\uddfc\ud835\ude00 \ud835\uddf2\ud835\ude00\ud835\uddf0\ud835\ude02\ud835\ude01\ud835\uddf2\ud835\uddfa \ud835\uddfa\ud835\ude02\ud835\uddf6\ud835\ude01\ud835\uddfc \ud835\uddef\ud835\uddf2\ud835\uddfa, \ud835\uddfd\ud835\uddfc\ud835\uddff\ud835\uddfe\ud835\ude02\ud835\uddf2 \ud835\ude03\ud835\uddfc\ud835\ude02 \ud835\uddf3\ud835\uddee\ud835\uddf9\ud835\uddee\ud835\uddff \ud835\uddee\ud835\uddf9\ud835\uddf4\ud835\uddfc \ud835\uddfa\ud835\ude02\ud835\uddf6\ud835\ude01\ud835\uddfc \ud835\ude00\ud835\uddf2\u0301\ud835\uddff\ud835\uddf6\ud835\uddfc: \ud835\uddf2\u0301\n\ud835\uddee\ud835\uddfe\ud835\ude02\ud835\uddf6 \ud835\uddfe\ud835\ude02\ud835\uddf2 \ud835\uddf2\ud835\ude02 \ud835\uddfe\ud835\ude02\ud835\uddf2\ud835\uddff\ud835\uddfc \ud835\ude00\ud835\uddf2\ud835\uddff \ud835\uddf2\ud835\uddfb\ud835\ude01\ud835\uddf2\ud835\uddff\ud835\uddff\ud835\uddee\ud835\uddf1\ud835\uddfc\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Para quem acompanhou de perto a longa e\nplurifacet\u00e1ria trajet\u00f3ria de Pedro Casald\u00e1liga, para quem acompanhou \u00e0\ndist\u00e2ncia ou para aqueles e aquelas que pela primeira vez ouvem o seu nome, a\nprovid\u00eancia divina assim o quis que \u00e0 beira do rio Araguaia, sob um mont\u00edculo\nde terra vermelha com uma cruz de pau, se expusesse, \u00e0 c\u00e9u aberto, uma tradu\u00e7\u00e3o\noriginal,&nbsp; eloquente, potente e desconcertante&nbsp; do esc\u00e2ndalo e da loucura da cruz do Cristo\nlibertador \u2013 do Homem\/Deus identificado \u201cin extremis\u201d com os vitimados do\nmundo. O mit\u00f3logo Joseph Campbel sustenta que \u201cuma imagem vale mais que mil\npalavras\u201d. Desse modo, acredito que, independente de cren\u00e7a, religi\u00e3o ou\nlocaliza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, nenhuma humana criatura diante da sepultura escolhida\npor Pedro (resumo e tradu\u00e7\u00e3o de sua vida), n\u00e3o se sinta, no m\u00ednimo, tocada ou\nimpactada por um mist\u00e9rio de amor\/servi\u00e7o\/identifica\u00e7\u00e3o\/entrega\/doa\u00e7\u00e3o que\nultrapassa sobremaneira quaisquer explica\u00e7\u00f5es ou discursos racionais ou\neclesi\u00e1sticos. Para al\u00e9m das caracteriza\u00e7\u00f5es humanas (\u201cesquerda\u201d,\nrevolucion\u00e1rio\u201d, \u201cvermelho\u201d ou mesmo \u201csanto\u201d), estamos diante do mist\u00e9rio de\numa humanidade extremada. Renunciando adornos, emblemas e penduricalhos, comuns\naos prelados, Pedro exibiu em sua alma a pot\u00eancia divina em \u201cflor sem defesa\u201d.\n\u201cTudo vale a pena quando a alma n\u00e3o \u00e9 pequena\u201d. A te\u00f3loga Maria Clara Bingemer\nfaz mem\u00f3ria de um Pedro \u201cque durante sua vida teve um chap\u00e9u de vaqueiro como\nmitra, o anel de tucum e um calo nas m\u00e3os como anel episcopal e um bast\u00e3o tosco\ncomo b\u00e1culo\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Teologicamente falando, o termo que o\nconjunto da vida de Pedro mais me evoca \u00e9 \u201ck\u00e9nosis\u201d, isto \u00e9, esvaziamento de si\ne \u201cdescida aos infernos\u201d. Contemplando a esquisita sepultura escolhida por\nPedro qualquer alma pode&nbsp; dizer: \u201cDeus\nbaixou no Araguaia!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro, em entrevista no programa \u201cPapo\nCapital\u201d, na companhia de Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno, se autocompreende como \ud835\uddfd\ud835\uddfc\ud835\uddf2\ud835\ude01\ud835\uddee, \ud835\ude00\ud835\uddfc\ud835\uddfb\ud835\uddf5\ud835\uddee\ud835\uddf1\ud835\uddfc\ud835\uddff \ud835\uddf2\n\ud835\uddff\ud835\uddf2\ud835\ude03\ud835\uddfc\ud835\uddf9\ud835\ude02\ud835\uddf0\ud835\uddf6\ud835\uddfc\ud835\uddfb\ud835\uddee\u0301\ud835\uddff\ud835\uddf6\ud835\uddfc.&nbsp;\nE diz: \u201cEu penso que a poesia tem servido muito para falar, para vibrar,\npara comunicar. Ali\u00e1s, todos somos poetas; s\u00f3 que alguns exercem, outros n\u00e3o.\nEssa \u00e9 a diferen\u00e7a. Eu acho que a Igreja, os militantes, os pol\u00edticos, deveriam\npraticar mais a poesia (praticar a poesia), a arte&#8230;\u201d. E cita Saramago: \u201cA\nmorte s\u00f3 se pode vencer pelo amor e pela beleza\u201d. Creio, pois, nesse horizonte,\nque sob o mont\u00edculo de terra vermelha com uma cruz de pau \u00e0 beira do rio\nAraguaia jaz um espet\u00e1culo, \u00e0 c\u00e9u aberto, de amor e beleza; a \u201cporrada da\nbeleza\u201d, nos termos da poeta Elisa Lucinda, ou \u201ca loucura e o esc\u00e2ndalo da\ncruz\u201d, segundo a l\u00f3gica esquisita e do Evangelho. A epifania irredut\u00edvel e\ndesconcertante desse mont\u00edculo de terra avermelhada, como barriga de \u00edndia\ngr\u00e1vida, fala \u00e0 natureza, ao mundo, aos seres humanos, \u00e0s religi\u00f5es, \u00e0s igrejas\ncrist\u00e3s e, com especial poder de interpela\u00e7\u00e3o ao episcopado&nbsp; atual e vindouro.&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Quando penso no Papa Francisco tenho\nesperan\u00e7a de uma \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d; quando penso no atual episcopado, em geral,\nn\u00e3o. \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d exige \u201cIgreja em descida; logo, \u201cpsiques em\nsa\u00edda\/descida\u201d, isto \u00e9, mentes mais flex\u00edveis, abertas, dialogantes e dispostas\nquixotescamente \u00e0s aventuras da hist\u00f3ria. A meu ver, Francisco \u00e9 o \u201cDom Quixote\nda Igreja\u201d e Pedro Casald\u00e1liga o \u201cDom Quixote do Araguaia\u201d (e da igreja\nlatino-americana). Nesse sentido, ambos oferecem no contexto de pandemia, e no\nesperado p\u00f3s-pandemia, possibilidades de se partejar um \u201cnovo anormal\u201d para a\nsociedade e para a Igreja, t\u00e3o obstinadamente afeita \u00e0 reedi\u00e7\u00e3o do mito de\nS\u00edsifo, isto \u00e9, o retorno ao mesmo, \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o, ao igual \u2013 ao normal. Neste\nescrito, trago para o debate o lugar dos bispos no atual e crucial momento que\nvivemos. No reverso, \u00e0 luz da trajet\u00f3ria com valor planet\u00e1rio de Pedro Casald\u00e1liga\n(pastor, m\u00edstico, profeta, ativista e poeta) digo: queremos bispos; mas bispos\nmais \u201cloucos\u201d, mais \u201cem sa\u00edda\u201d, mais \u201cem descida\u201d, mais \u201canormais\u201d e, em consequ\u00eancia,\nmais significativos para a comunidade humana e suas grandes pautas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A\nIgreja, \u201cPovo de Deus\u201d, n\u00e3o se define pela hierarquia (bispos, padres e\ndi\u00e1conos); batizados e batizadas, somos a Igreja viva de Deus. Contudo,\nconsidero, neste tempo desafiante de pandemia, a partir da exemplaridade\ngritante e interpelante de Pedro Casald\u00e1liga, que o seu corpo sob o mont\u00edculo\nde terra vermelha \u00e0 beira do rio Araguaia constitua suprema interpela\u00e7\u00e3o \u00e0\nhumanidade (independente de cren\u00e7a e lugar geogr\u00e1fico), mas, sobretudo, a todos\nos fieis cat\u00f3licos e mais fortemente ainda a todo o&nbsp; episcopado latino-americano. <strong>Como ser bispo a partir de Pedro?<\/strong> O que\ndiz aos bispos a sepultura-Pedro \u00e0 beira do Araguaia? O bispo \u00e9 somente um ente\neclesi\u00e1stico ou tamb\u00e9m um dom para o mundo, em especial para os mais pobres e\nvulnerabilizados (ind\u00edgenas, negros, Terra&#8230;)? Em minha imagina\u00e7\u00e3o\npo\u00e9tico-eclesi\u00e1stica, <strong>penso que todo\neleito ao episcopado deveria antes da sagra\u00e7\u00e3o visitar o t\u00famulo de Pedro \u00e0\nbeira do Araguaia<\/strong>. A prop\u00f3sito, n\u00e3o foi o pr\u00f3prio Papa Francisco que\nsugeriu que as altas autoridades eclesi\u00e1sticas visitassem o cemit\u00e9rio para a\ncura da autossufici\u00eancia? O t\u00famulo-Pedro \u00e0 beira do Araguaia, como \u201cO afogado\nmais bonito do mundo\u201d, conto de Gabriel Garcia Marques, pode ser um dom para a\nrenova\u00e7\u00e3o do episcopado atual e vindouro.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\n<\/p>\n\n\n\n<p>Papa Francisco, corajosa e sabiamente,\napontou 15 patologias encontradas na alta hierarquia da igreja. Acredito,\nprofundamente, que a sepultura-Pedro ofere\u00e7a rem\u00e9dio necess\u00e1rio para um\nepiscopado atual, em boa parte, com insuficiente sensibilidade social, alheio\n\u00e0s grandes pautas planet\u00e1rias e demasiadamente aprisionados ao mundo\neclesi\u00e1stico sem di\u00e1logos de grande envergadura com o mundo, apesar dos\nhorizontes abertos pelo Conc\u00edlio Vaticano II. Para o psic\u00f3logo su\u00ed\u00e7o Carl\nGustav Jung, a vida pessoal e coletiva repousa sob base arquet\u00edpica. Nesse\nhorizonte anal\u00edtico, podemos considerar que estruturas eclesi\u00e1sticas tamb\u00e9m\nescondem\/revelam dinamismos ps\u00edquicos. Nascem, ent\u00e3o, perguntas \u00e0 luz da\ntrajet\u00f3ria de Pedro: como forjar bispos, como o Papa Francisco e Pedro, cujas\ntrajet\u00f3rias sejam mais significativas para a hist\u00f3ria humana? Como forjar\nbispos mais sal da terra e luz do mundo? Como forjar bispos mais sens\u00edveis \u00e0s\ndores dos pobres, indefesos e vulnerabilizados? <strong>Como forjar bispos mais pastores e menos burocratas, mais m\u00edsticos e\nmenos \u201cprofissionais do sagrado\u201d e, por fim, mais loucos\/sonhadores\/\n\u201cquixotescos\u201d e menos padronizados e ensimesmados em seus pal\u00e1cios?&nbsp; <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho d\u00favida de que grande parte da\nrejei\u00e7\u00e3o (na pr\u00e1tica) da hierarquia da Igreja ao papado de Francisco tenha, no\nfundo, raz\u00f5es ps\u00edquicas. Psicologicamente falando, \u00e9 um perigo gente sempre\nigual, gente sempre \u201cnormal\u201d, gente previs\u00edvel, gente\/bispo que n\u00e3o\n\u201camarrota\u201d.&nbsp; Francisco e Pedro, a meu\nju\u00edzo, desconcertam&#8230; constelam ou incorporam arqu\u00e9tipos quixotescos,\nconte\u00fados psicol\u00f3gicos que destronam a normalidade burra, fria e estagnada. \u00c9\nimposs\u00edvel uma \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d sem a dimens\u00e3o quixotesca \u2013 \u201clouca\u201d, po\u00e9tica e\nsonhadora do Reino. Edson Martins, autor da obra \u201cN\u00f3s do Araguaia\u201d chama Pedro\nde uma \u201caberra\u00e7\u00e3o\u201d, algo incomum, fora do normal. Adverte oportunamente a\npsiquiatra Nise da Silveira: \u201cN\u00e3o se curem al\u00e9m da conta. Gente curada demais \u00e9\ngente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido:\nVivam a imagina\u00e7\u00e3o, pois, ela \u00e9 a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu\nnunca convivi com pessoas ajuizadas\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Os loucos salvar\u00e3o a terra (e tamb\u00e9m a\nIgreja; em especial, o episcopado). Em entrevista antiga Dom Jos\u00e9 Maria Pires\n(Dom Pel\u00e9) afirma que ningu\u00e9m viveu, no concreto, mais que Pedro o \u201cpacto das\ncatacumbas\u201d, \u201cfoi alguma coisa que fez com que ele at\u00e9 n\u00e3o se considerasse mais\nnem europeu, nem bispo, nem padre, mas aquele que est\u00e1 aqui a servi\u00e7o dos\nind\u00edgenas\u201d. Cumpriu, pois, o princ\u00edpio que trazia no corpo e na alma: \u201cNada possuir,\nnada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>O monge beneditino Marcelo Barros\ntestemunha: \u201cAtrav\u00e9s do Pedro a gente sentia em todos os poros da pele Deus nos\nvisitando visivelmente\u201d. Para o monge Pedro se esfor\u00e7ava para ser comum, mas\nn\u00e3o conseguia. Dom Adriano Ciocca, bispo de S\u00e3o Felix do Araguaia, diz sobre de\nsua presen\u00e7a no enterro de Pedro: \u201cN\u00e3o acontece todos os dias de acompanhar o\nsepultamento de um santo\u201d.&nbsp; Fala o bispo:\n\u201cDom Pedro nos \u00faltimos tempos era de uma fragilidade que dava dor at\u00e9 de ver.\nEra s\u00f3 uma coisinha, s\u00f3 pele e osso mesmo, tinha que dar de comer a ele, n\u00e3o\ntinha mais nenhuma autonomia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para Frei Betto, Pedro (\u201ccal\u00e7ando apenas\nsand\u00e1lias de dedo e uma roupa t\u00e3o vulgar como a dos pe\u00f5es que circulavam pela\ncidade\u201d) \u00e9 \u201cpastor de um povo sem rumo e amea\u00e7ado pelo trabalho escravo. E diz\nainda o frei que Pedro, \u201ctrazia a alma sintonizada com as grandes conquistas\npopulares na P\u00e1tria Grande latino-americana\u201d. Boff no di\u00e1logo com a jornalista\nRegina Zappa diz que Pedro \u201c\u00e9 o \u00faltimo dos grandes profetas&#8230; o pastor que n\u00e3o\nest\u00e1 de costas para o povo&#8230;um poeta de grande altura&#8230;um grande santo&#8230;\ud835\udc2e\ud835\udc26 \ud835\udc21\ud835\udc28\ud835\udc26\ud835\udc1e\ud835\udc26 \ud835\udc2a\ud835\udc2e\ud835\udc1e \ud835\udc1a \ud835\udc21\ud835\udc2e\ud835\udc26\ud835\udc1a\ud835\udc27\ud835\udc22\ud835\udc1d\ud835\udc1a\ud835\udc1d\ud835\udc1e \ud835\udc29\ud835\udc28\ud835\udc1d\ud835\udc1e \ud835\udc2c\ud835\udc1e \ud835\udc28\ud835\udc2b\ud835\udc20\ud835\udc2e\ud835\udc25\ud835\udc21\ud835\udc1a\ud835\udc2b \ud835\udc1e\n\ud835\udc1d\ud835\udc22\ud835\udc33\ud835\udc1e\ud835\udc2b: \ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc21\ud835\udc1a \ud835\udc27\ud835\udc28\u0301\ud835\udc2c \ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc27\ud835\udc2c\ud835\udc1e\ufffd\ufffd\ud835\udc2e\ud835\udc22\ud835\udc26\ud835\udc28\ud835\udc2c \ud835\udc20\ud835\udc1e\ud835\udc2c\ud835\udc2d\ud835\udc1a\ud835\udc2b \ud835\udc1a\ud835\udc25\ud835\udc20\ud835\udc2e\ud835\udc1e\u0301\ud835\udc26\n\ud835\udc2a\ud835\udc2e\ud835\udc1e \ud835\udc27\ud835\udc28\ud835\udc2c \ud835\udc21\ud835\udc28\ud835\udc27\ud835\udc2b\ud835\udc1a \ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc26\ud835\udc28 \ud835\udc21\ud835\udc2e\ud835\udc26\ud835\udc1a\ud835\udc27\ud835\udc28\ud835\udc2c\u201d.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Pelo exposto, que \u00e9 pouco diante da\ntrajet\u00f3ria desse homem\/bispo\/povo gigante, pode-se dizer, sem hesitar, PEDRO\nN\u00c3O FOI UM HOMEM NORMAL; em consequ\u00eancia, n\u00e3o foi um bispo normal, Gra\u00e7as a\nDeus! Jesus tamb\u00e9m n\u00e3o foi normal; Francisco de Assis n\u00e3o foi normal; e, porque\nn\u00e3o dizer: Francisco de Roma tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 normal! Todas essas figuras\nexemplares trazem consigo hist\u00f3rias de almas desconcertantes, trazem cravadas\nem suas peles um pouco mais do Deus que \u201csai\u201d, \u201cdesce\u201d, se identifica com os\n\u00faltimos e com eles faz morada. Compartilha emocionado, acerca de Pedro, o monge\nMarcelo Barros: \u201ca minha impress\u00e3o, a minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma luminosidade de\nsantidade que transparece pelos poros da pele e ele tenta esconder, ele tenta\ndisfar\u00e7ar; ele quer ser comum e n\u00e3o consegue. A gente n\u00e3o querendo ver a gente\nv\u00ea que tem algo de Deus a\u00ed\u201d.&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Descendo louca e apaixonadamente aos\ninfernos dos desvalidos em toda sua trajet\u00f3ria, Pedro escolhe, em descida, o\nlugar de sua sepultura. Escreve o m\u00edstico-poeta no poema \u201cCemit\u00e9rio do Sert\u00e3o\u201d:\n\u201cPara descansar \/ eu quero s\u00f3 esta cruz de pau \/ como chuva e sol; \/ estes sete\npalmos e a Ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp; Dessa feita,\nPedro se fez, desde as profundezas da terra vermelha, ind\u00edgena, posseiro, pe\u00e3o,\nbaleado, executado; Pedro se fez um sem nome&#8230; Seu nome e seu sangue\nmisturaram-se aos desvalidos: todas e todos no cora\u00e7\u00e3o de Pedro! <\/p>\n\n\n\n<p>Eis a narrativa de uma \u201cigreja em sa\u00edda\u201d\napaixonada, de uma \u201cIgreja em descida\u201d radical, de uma igreja posicionada e\nidentificada com os desvalidos, uma igreja com sabor de Deus. E cada crist\u00e3o\nque assim o fizer, que dessa forma descer at\u00e9 aos infernos dos desvalidos,\ntrar\u00e1 Deus para terra. Diz Dom Adriano Ciocca: \u201cser solid\u00e1rio at\u00e9 na sepultura\ncom os ind\u00edgenas e com os pe\u00f5es sem nome, deve ser uma escolha que define e\ncontinua redefinindo o posicionamento da Igreja dentro do tempo que estamos\nvivendo\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;No artigo \u201cO Deus desarmado\u201d, sublinha a\nte\u00f3loga Maria Clara Bingemer: \u201cO caminho para Deus n\u00e3o \u00e9 uma subida, mas uma\ndescida ao encontro dos pobres, dos oprimidos, dos agredidos, dos massacrados\nde todos os g\u00eaneros e latitudes\u201d. Est\u00e1 a Igreja (hierarquia e laicato) disposta\na esse movimento de sa\u00edda\/descida? Para que dire\u00e7\u00e3o segue o episcopado? <strong>N\u00e3o serve a trajet\u00f3ria-Pedro para um\nprocesso de \u201cdescanoniza\u00e7\u00e3o\u201d da direita e \u201cdesdiaboliza\u00e7\u00e3o\u201d da esquerda?<\/strong> <strong>Quantos bispos, padres, di\u00e1conos,\nreligiosos e leigos foram expulsos ou se afastaram da Igreja em virtude da\nop\u00e7\u00e3o pelos pobres, contra a pobreza e pela justi\u00e7a? Quantas dioceses\npatrocinam o triste div\u00f3rcio entre santidade e compromisso social?<\/strong> A\nsepultura-Pedro n\u00e3o reivindica a cidadania da esquerda no universo cat\u00f3lico? O que\nfaz a Igreja temer a esquerda? N\u00e3o teria a Igreja ca\u00eddo na arapuca das\npolariza\u00e7\u00f5es diab\u00f3licas (direita x esquerda, conservadores x progressistas, carism\u00e1ticos\nx teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, santos x revolucion\u00e1rios)?&nbsp; N\u00e3o falta di\u00e1logo no interior da Igreja? <strong>Depois de Pedro, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a\nesquerda n\u00e3o produz santos?&nbsp; <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Da minha parte, penso que, no m\u00ednimo,\nPedro deixa inescap\u00e1veis quest\u00f5es: <strong>como\nviver o Evangelho num mundo de injusti\u00e7a, exclus\u00e3o e morte? Por que a Igreja\nque, sob alega\u00e7\u00e3o da defesa da vida, vocifera quando o assunto \u00e9 aborto e,\nquase sempre, se cala ante o genoc\u00eddio dos povos ind\u00edgenas, negros e tantos\noutros &#8220;condenados da terra&#8221;?<\/strong> &nbsp;E para os bispos: \u00e0 parte a caracteriza\u00e7\u00e3o\ndireita\/esquerda, como ser \u201cpai dos pobres\u201d sem se envolver com eles at\u00e9 as\n\u00faltimas consequ\u00eancias? O que faz um bispo: pal\u00e1cios, carros luxuosos, pompas,\nparamentos exuberantes ou sua op\u00e7\u00e3o concreta, como o Cristo, a favor dos pobres\ne da vida? <strong>Est\u00e3o os bispos mais\ndispostos a servir ou serem servidos?<\/strong> Onde est\u00e3o os bispos: no ch\u00e3o da vida\ne no cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria como pastores da esperan\u00e7a ou confinados em\nconfort\u00e1veis gabinetes como chefes de uma empresa religiosa? Por isso, mesmo\ndesviando o olhar o mont\u00edculo de terra, com uma cruz de pau, \u00e0 beira do rio\nAraguaia, evoca e provoca \u2013 grita!&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Narra Frei Betto que <strong>certa vez Pedro foi visitar a fam\u00edlia de um\nposseiro. A fam\u00edlia ofereceu arroz branco e banana. Ent\u00e3o, conta o frei: \u201ca\nfilha mais velha, constrangida, desculpou-se \u00e0 hora do almo\u00e7o: \u2018se soub\u00e9ssemos\nque viria o bispo ter\u00edamos feito outra comida\u2019. A pequena Eva, de sete anos,\nreagiu: \u2018U\u00e9, bispo n\u00e3o \u00e9 melhor que n\u00f3s!\u2019. Esta li\u00e7\u00e3o ele guardou, e sempre\npraticou, evitando privil\u00e9gios e mordomias\u201d.&nbsp;\n<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Escreve Pedro na Carta Pastoral (1971):\n\u201cOu possibilitamos a encarna\u00e7\u00e3o salvadora de Cristo neste meio, ao qual fomos\nenviados, ou negamos nossa f\u00e9, nos envergonhamos do Evangelho e tra\u00edmos os\ndireitos e a esperan\u00e7a ag\u00f4nica de um povo que \u00e9 tamb\u00e9m povo de Deus&#8230;\u201d.&nbsp; Em que dire\u00e7\u00e3o vai a CNBB?&nbsp; Diz Pedro em entrevista: \u201cSe Deus n\u00e3o optasse\npelos pobres, Deus seria in\u00edquo\u201d.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Para terminar, vale dizer que a\ntrajet\u00f3ria-Pedro, ao fim e ao cabo, fala da aventura de um \u201cHomem de la\nMancha\u201d, um sonhador, um poeta e um revolucion\u00e1rio que encarnou a sua vida o\nmist\u00e9rio da cruz \u2013 loucura e esc\u00e2ndalo. Pedro borrou as fronteiras entre o\nsagrado e profano, entre f\u00e9 e pol\u00edtica, entre Igreja e mundo e entre Deus e a\nhist\u00f3ria concreta com os seus in\u00fameros conflitos. Pedro revela um rosto de Deus\nque muitas vezes a Igreja n\u00e3o quer ver, porque tira a Igreja de seus pal\u00e1cios,\nconfortos, tronos e privil\u00e9gios. Em Pedro a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o e o Deus da\nvida toma partido; n\u00e3o \u00e9 um Deus ocioso, ap\u00e1tico ou em cima do muro. Em Pedro\nDeus desce aos infernos dos injustamente vencidos.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sem raz\u00e3o, escreve Maria Clara\nBingemer no Jornal do Brasil: \u201cEm 1980, quando assassinaram Monsenhor Romero em\nEl Salvador, Ign\u00e1cio Ellacuria dele dizia: \u2018Com Monsenhor Romero, Deus passou\npor El Salvador\u2019. Agora, em l\u00e1grimas, mas cheios de gratid\u00e3o a Pedro e \u00c0quele\nque o criou, o chamou e o enviou, dizemos: \u2018\ud835\udc02\ud835\udc28\ud835\udc26 \ud835\udc0f\ud835\udc1e\ud835\udc1d\ud835\udc2b\ud835\udc28 \ud835\udc02\ud835\udc1a\ud835\udc2c\ud835\udc1a\ud835\udc25\ud835\udc1d\ud835\udc1a\u0301\ud835\udc25\ud835\udc22\ud835\udc20\ud835\udc1a, \ud835\udc03\ud835\udc1e\ud835\udc2e\ud835\udc2c \ud835\udc29\ud835\udc1a\ud835\udc2c\ud835\udc2c\ud835\udc28\ud835\udc2e \ud835\udc29\ud835\udc1e\ud835\udc25\ud835\udc28 \ud835\udc01\ud835\udc2b\ud835\udc1a\ud835\udc2c\ud835\udc22\ud835\udc25\u2019\u201d. &nbsp;Completo: \u201cE hoje o habita, adubando a terra\nvermelha com \u201camor de revolu\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e0 beira do rio. Dizem as m\u00e1s l\u00ednguas que todo\ndomingo, antes do raiar do dia,&nbsp; Pedro\nmergulha no rio, pascalizado e feliz como um menino travesso; coisas de quem\nsempre viveu pelo avesso. E, segundo todos os peixes, o cora\u00e7\u00e3o desse\ndivino-homem-menino, feito um peixe vermelho inquieto,&nbsp;&nbsp; \u00e9&nbsp;\nmais cheio de nomes que o&nbsp; Araguaia\nde \u00e1gua.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>\ud835\udc0c\ud835\udc28\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc1e, \ud835\udc2a\ud835\udc2e\ud835\udc1e \ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc1d\ud835\udc1a&#8230;&nbsp; \ud835\udc0f\ud835\udc1e\ud835\udc1d\ud835\udc2b\ud835\udc28, \ud835\udc0f\ud835\udc1e\ud835\udc22\ud835\udc31\ud835\udc1e-\ud835\udc2f\ud835\udc1e\ud835\udc2b\ud835\udc26\ud835\udc1e\ud835\udc25\ud835\udc21\ud835\udc28-\ud835\udc2b\ud835\udc1e\ud835\udc2c\ud835\udc2c\ud835\udc2e\ud835\udc2c\ud835\udc1c\ud835\udc22\ud835\udc2d\ud835\udc1a\ud835\udc1d\ud835\udc28-\ud835\udc2f\ud835\udc22\ud835\udc2f\ud835\udc1e-\ud835\udc2c\ud835\udc28\ud835\udc27\ud835\udc21\ud835\udc1a-\ud835\udc1a\ud835\udc20\ud835\udc22\ud835\udc2d\ud835\udc1a-\ud835\udc2b\ud835\udc1e\ud835\udc2f\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc2e\ud835\udc1c\ud835\udc22\ud835\udc28\ud835\udc27\ud835\udc1a-, \ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc1d\ud835\udc1a!<\/p>\n\n\n\n<p>\ud835\ude40\ud835\ude68\ud835\ude69\ud835\ude5a \ud835\ude5a\ud835\ude68\ud835\ude58\ud835\ude67\ud835\ude5e\ud835\ude69\ud835\ude64 \ud835\ude5a\u0301,\n\ud835\ude63\ud835\ude64 \ud835\ude5b\ud835\ude6a\ud835\ude63\ud835\ude59\ud835\ude64, \ud835\ude6a\ud835\ude62\ud835\ude56 \ud835\ude59\ud835\ude5a\ud835\ude58\ud835\ude61\ud835\ude56\ud835\ude67\ud835\ude56\ud835\ude58\u0327\ud835\ude56\u0303\ud835\ude64\n\ud835\ude59\ud835\ude5a \ud835\ude56\ud835\ude62\ud835\ude64\ud835\ude67 \ud835\ude56\ud835\ude64 \ud835\ude3f\ud835\ude64\ud835\ude62 \ud835\ude4c\ud835\ude6a\ud835\ude5e\ud835\ude6d\ud835\ude64\ud835\ude69\ud835\ude5a \ud835\ude59\ud835\ude64 \ud835\ude3c\ud835\ude67\ud835\ude56\ud835\ude5c\ud835\ude6a\ud835\ude56\ud835\ude5e\ud835\ude56!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Casald\u00e1liga, o \u201cHomem de la Mancha\u201d, o \u201cDom Quixote do Araguaia\u201d, como desafio para um \u201cnovo anormal\u201d do mundo e do episcopado na p\u00f3s-pandemia.Por padre Geg\u00ea Natalino (\u201c\ud835\ude44\ud835\ude5c\ud835\ude67\ud835\ude5a\ud835\ude5f\ud835\ude56 \ud835\ude5a\ud835\ude62 \ud835\ude68\ud835\ude56\u00ed\ud835\ude59\ud835\ude56\u201d \u00e9 \u201c\ud835\ude44\ud835\ude5c\ud835\ude67\ud835\ude5a\ud835\ude5f\ud835\ude56 \ud835\ude5a\ud835\ude62 \ud835\ude59\ud835\ude5a\ud835\ude68\ud835\ude58\ud835\ude5e\ud835\ude59\ud835\ude56\u201d)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8076,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,46,44,38,49,39,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-8075","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-dos-povos-indigenas","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8075"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8077,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8075\/revisions\/8077"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8076"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}